Wednesday, December 30, 2009

Top Lusophone Albums of 2009: The Shortlist

In reality, this list should have been compiled a lot sooner. But somehow, the last weeks of December always seem to be the busiest ones.

Caipirinha Lounge was created in March of this year and it’s hard to believe that the year is coming to an end. Writing for this website has become second nature to me, a routine of sorts…I get jittery if I go too long without writing in it. It’s made me a pathological music consumer, it’s become my aural drug. Through it and because of it I have discovered many amazing artists that I would otherwise not have heard about, and have been kept awake at night by many a soulful singer, by many a Portuguese lyric.

This post aims to share with you what I think have been the best Lusophone albums of 2009. Many of my favorite discoveries this year have been of artists that released their best work in 2008 (Carmen Souza, Tcheka, Dino, 340ml, Bonga and his Bairro, etc) and some of them don’t even sing in Portuguese (Blick Bassy) and so it pains me that they cannot be included in this list. Many of the albums have been featured on this site, while others have been listened to but not featured here. Nonetheless, this shortlist is a beautiful one. I am no professional music critic, I’ve never studied music seriously, I have not heard all the Lusophone albums released in 2009, especially the ones in Brazil, and so I really have no authority on judging other people’s thrillingly hard work. As such, this list is merely my opinion, a window into what’s moved me this eventful year. Tomorrow I’ll actually rank the top 10. For now, here is the shortlist:

• Tasca Beat – Oquestrada
• Nha Sentimento – Cesaria Évora
• Eclipse – Lura
• Xinti – Sara Tavares
• Kuma Kwa Kié – Yuri da Cunha
• Stória, Stória – Mayra Andrade
• Comfusões – Mauricio Pacheco
• Vagarosa - CéU
• Festa Mascarado – Suzanna Lubrano
• Matriz – Tereza Salgueiro
• Diários de Marcos Robert – Bob da Rage Sense
• Kianda Luanda – Konde
• Best of Bonga - Bonga
• All In One – Bebel Gilberto
• A Nova Aurora – Madredeus & A Banda Cósmica
• Babalaze - Azagaia

O rescaldo do show do Kid MC: Azagaia for President

AzagaiaO show do Kid MC foi o primeiro espectáculo de hip-hop que vejo em Luanda desde, salvo erro, 2006 ou 2007. E para mim foi o mais marcante. Finalmente pude ver em palco rappers que admiro muito, nomeadamente o MCK e o Ikonoklasta. O Kid MC também não deixou os seus créditos em mãos alheias. O homem é mesmo agressivo e não tem papas na língua – quando entra em acção, o palco é só dele e de mais ninguem. E quando pisou a foto do Dji Tafinha, uaué! Mas a pessoa mesmo que “stole the show”, como se diz em inglês, foi o Azagaia.

Antes do concerto ja o meu primo estava em ligeiro estado de choque por causa da vinda do fenómeno moçambicano Azagaia a Luanda. Devido a minha ignorância acerca do mesmo, não tinha ouvido as músicas dele. Mas o meu primo dizia em alto e bom som que “o Azagaia é mais forte que o Valete.” Sendo o Valete o meu rapper preferido, de sempre, ri-lhe na cara, em alto e bom som. La o meu primo e o meu irmão puseram o Azagaia a tocar para eu poder me ambientar antes do concerto, e fiquei boqueaberto. Com certeza que o Azagaia inspirou-se no Valete, ja que os seus flows têm algumas semelhanças. E continuo a achar que não é melhor que Valete, mas isto são os meus gostos particulares, e em abono da verdade o Azagaia anda mesmo perto de ser tão bom como o Mr. Lima (Valete).

Mas mesmo tendo lhe ouvido antes do concerto, não foi o suficiente para sentir por dentro a sua poesia, de a absorver por completo. Por isso não estava preparado para a entrada fulminate dele em palco. Entrou a la Che Guevara, todo ele fardado em estilo guerrilla para o delírio do público presente. A sua presença em palco era íncrivel. Com punhos no ar e letras revolucionárias, o concerto mais pareceu um comício da esquerda do que um outra coisa. Foi halucinante. Mas nem mesmo isso teria me preparado para o que veio depois. Em 20 minutos o Azagaia fez o que a oposição política angolana não faz ha vários anos.

Da boca do Azagaia nunca saiu o nome do Zé Du. Ele simplesmente se limitou a fazer algumas perguntas picantes. “Quem vendeu a minha pátria...quem vendeu a tua pátria...quem vendeu a nossa pátria,” cantou ele. Em princípio o povo não respondeu em unissono, mas aqui e ali ouviam-se murmúrios do tipo “Zé Du!” O Azagaia não parou aí. Um pouco depois perguntou, “será que ha alguém que vos deve um pedido de desculpas?” E começou a repetir a frase “corruptos fora! Assassinos fora!” E é assim que, depois dele cantar Combatentes da Fortuna, estava toda a plateia a gritar em voz alta, em unissono, de boca cheia, com punhos no ar, “Ze Du foraaaa! Ze Du foraaaa!” Cenas não vistas em Luanda a muito, mas muito tempo. O homem estava em fogo, e mesmo quando saiu do palco, mesmo com o palco vazio, só se ouvia o grito do povo, um grito de revolta.

Azagaia for president ou quê?

Incluída aqui esta o som “As Mentiras da Verdade”, para aguçar o vosso apetite até um post a sério acerca do Azagaia em princípios de Janeiro do próximo ano, porque Babalaze é um album a sério (se bem que a maioria que esta a ler este post ja deve ter o album rsrs)!

As Mentiras da Verdade

Fotos do evento aqui, aqui, e aqui tambem.

Late Nite Lounge Vol. 8 – Slow jams by Dino and Gutto

GuttoThe Late Nite Lounge series is one of my favorite features in this blog and maybe one of the only ones I’ve been able to keep relatively current. So it’s with a sense of some fulfillment and a big smile on my face that I share with you the last LNL installment of 2009. In the spotlight is my new favorite Lusophone R&B artist, Dino, as well as a veteran of Portugal’s hip-hop and later R&B movement, Gutto.

As promised, Dino & The Soulmotion is back with the song “O Nomeado II” featuring Angela Pais’ crystalline voice and a laid-back, late night, slow dance vibe and, halfway through the song, a soulful electric guitar for a mesmerizing effect. Dino shares the spotlight with “Eu Imaginei”, a Gutto and Boss AC collaboration featuring in Gutto’s first solo effort and R&B album completed after he left the pioneering Portuguese hip-hop band Black Company. It went on to become one of the most popular tracks of the album across the Lusophone world.

O Nomeado II
Eu Imaginei

Dá-me sempre muito prazer poder escrever a série Late Nite Lounge, e por acaso tem sido dos componentes deste blogue que eu consigo manter minimamente regular. Por isso é com um largo sorriso nos lábios que partilho convosco a última edição do ano do Late Nite Lounge. No stereo está o meu novo cantor preferido de R&B lusófono, o Dino, e também um veterano do movimento hip-hop português, um tal de Gutto.

Como prometido, o Dino & The Soulmotion voltam a pisar o Lounge com a canção “O Nomeado II”, que conta com a participação de Angela Pais. É uma música sensual, emotiva, para madrugadas deslumbrantes, e a meio da música aparece uma guitarra eléctrica que acaba com tudo. O Dino partilha este palco com Gutto e sua música “Eu Imaginei”, que conta com a participação do seu partner in crime, Boss AC. Esta música consta no primeiro album a solo do Gutto depois dele deixar os pioneiros do hip-hop lusófono, a mítica banda dos Black Company, e envergar numa carreira virada para o R&B. De certeza que não foi uma aposta em vão, ja que a sua popularidade no soul lusófono subiu considerávelmente.

Photo - Gutto during his video "Deixa Forever"

Saudades do Rio: Bom Dia Rio (Posto 6) by Bossacucanova, and Sonho do Verão by Max de Castro

Pao de Acucar, Rio de JaneiroOh, this is gonna be a fun one. A musical series all of it focused on Rio...if my claim to the Saudades de Buenos Aires was tenous, seeing that I only lived there for 2 months, my claim to having saudades of Rio de Janeiro is speculative at best. Unless you’ve ever been there, that is. I spent 5 (winter) days in Rio de Janeiro and it was more than enough to appreciate the particular existence of the cidade maravilha. There is no other city like it in the world – nowhere can you find the explosion of color, sound, beauty, and flavor present in that metropolis. To capture at least a small essence of the city which inspired countless songs and genres and contributed so much to Brazilian music, culture, and identity are two contemporary tracks by two artists, one of which calls Rio home.

Bom Dia Rio (Posto 6) is by Ipanema based Bossacucanova and is sung by that classy woman Cris Delanno, whose voice is perfect for this song, and bossa nova granddaddy Roberto Menescal, band member Mario's father. Hearing Delanno's voice first thing in the morning as the sun shines through your window and you’re still a bit drowsy with sleep all but guarantees you a brilliant day. And it plays seductively at night as well. To finish things off nicely is a song by a man who you’ve heard a lot of recently here at the lounge. Sonho de Verão is Max de Castro’s ode to Rio, and the beautiful lyrics are a samba-influenced, jazzy account of the delights that Rio has to offer, through the eyes of a dream.

Bom Dia Rio (Posto 6)
Sonho de Verao

Hum, esta série será divertida. Toda ela dedicada ao Rio de Janeiro...se no caso de Buenos Aires o facto de ter vivido lá somente por dois meses já foi o suficiente pra ter saudades do sítio, no Rio só fiquei uns meros 5 dias. Mas pra quem ja esteve, isto basta para que o Rio de Janeiro nos seduça. Não existe no mundo outra cidade como esta, Ponto final. Em mais nenhuma cidade é possível observar a explosão de cor, som, beleza, e sabores daquela metropole. Espero capturar pelo menos uma pequena essência desta cidade que inspirou milhares de músicas e tanto contribuiu para a identidade cultural do Brasil com duas canções contemporâneas, uma delas feita por um grupo que reside em Ipanema.

Bom Dia Rio (Posto 6) é uma linda canção composta pela banda carioca Bossacucanova, e é cantada pela voz inconfundível de Cris Delanno com uma participação muito especial de nada menos que Roberto Menescal, um dos pai grandes do bossa nova. Ouvir a voz rouca e suave dela logo pela manhã com o sol a bater pela janela é coisa doutro mundo. E para acabar temos uma música de um cantor que tem estado muito por aqui nos últimos dias, Max de Castro. Desta vez ele canta Sonho de Verão, com lindos versos dedicados ao Rio de Janeiro. Um verdadeiro sonho.

-Photo by Alain Badoual

Tuesday, December 29, 2009

Bossacucanova

BossacucanovaDJ Marcelinho da Lua on the turntables, Mário Menescal on bass, and Alexandre Moreira on the keyboards make up one of the most talented and adventurous electronica bands in Brazil, with a kick-ass name to boot. Bossacucanova, they call themselves. This audacious trio has been remixing timeless bossa nova classics and also offering original grooves of their own, taking us along an aural journey of breakbeats peppered with ukulele flair, turntablism doused with sensual bossa flavor, electronica with breathy Portuguese vocals. Bossacucanova have released three albums, but my favorite, the one that really gets me, is Uma Batida Diferente, their latest one. A quick peek at the cast of characters shows us names like Zuco 103, Marcos Valle, Cris Delanno, Max de Castro’s brother Simoninha, and Celso Fonseca, just to name a few; once you pop it in your stereo on a sunny summer day in Luanda, it’s hard to turn the thing off.

My three favorite songs of the album are featured below. Feitinho Pro Poeta is the band’s reinterpretation of a Baden Powell and Lula Freire composition, and it’s the first song I heard of this album, which plays beautifully from start to finish. Next is Cris Delanno’s version of Águas de Março, that marvelous bossa nova classic that Elis Regina sang so well many years ago and which remains as sweet and genius as it did back then. Dalanno, who’s Brazilian-American, makes it sound almost as good even though she sings it in English. To round things off nicely is the beautiful, jazzy, Previsão, one of the most played songs in my iPod. It features Adriana Calcanhotto and is maybe the best track on the entire CD, which is no easy feat. These pieces of aural sunlight might turn even the winterest of days into a warm, balmy Rio experience – a caipirinha will definitely smooth things along.

Feitinho Pro Poeta
Aguas de Marco
Previsao

DJ Marcelinho da Lua na mesa de misturas, Mário Menescal no baixo, e Alexandre Moreira nos teclados formam uma das bandas mais talentadas e aventureiras do movimento electrônico do Brasil, com um nome a maneiras. Chamam-se Bossacucanova, e aposto que ninguém o esquecerá. Desde o seu primeiro disco juntos, este trio ousado tem estado a compor remixes dos mais admirados temas do estilo bossa nova, mas também fazem canções originais. As suas composições fazem uso do tradicional misturado com o comtemporâneo – ukeleles e breakbeats no mesmo som, ritmos electrônicos com sabor a bossa, downtempo cantado em português ofegante. Os Bossacucanova já lançaram três discos, mas o meu preferido de longe é Uma Batida Diferente, o seu disco mais recente. Se dermos uma olhada rápida para a lista de convidados veremos nomes como Zuco 103, Marcos Valle, Cris Delanno, Simoninha, irmão de Max de Castro, e Celso Fonseca, entre outros. Quando metes o album no stereo num dia ensolarado de Luanda, é difícil tirá-lo de lá.

Os meus três sons preferidos deste lindo album, em que nenhuma canção precisa de ser avançada, estão acima. Feitinho Pro Poeta foi a primeira canção do disco que eu ouvi, no Pandora Radio; é a reintrepretação da composição de Baden Powell e Lula Freire, com o mesmo nome. A seguir está a música imortal de Elis Regina, Águas de Março, cantado em inglês com um sotaque fabuloso por Cris Delanno, que nasceu nos EUA de pais brasileiros. Não chega a ser tão boa como a versão Regina (ja que isto seria impossível) mas nunca pensei que esta música pudesse ser cantada noutra língua sequer. Para terminar temos Previsão com a participação de Adriana Calcanhotto, uma música muito bonita inspirada tanto por ritmos brasileiros como pelo jazz. É talvez a melhor canção do álbum. Estas músicas estão garantidas a aquecer os dias mais frios e cinzentos e ja dá pra fingirmos que estamos no Rio...uma caipirinha ajuda imenso, claro.

Photo: Bossacucanova no Morro da Urca, by rvkruger

Bossacucanova online
Bossacucanova's profile on their label, Six Degrees

Sunday, December 27, 2009

Dino & The Soulmotion

Dino SoulmotionA forma como “descobri” o talento musical do Dino foi um tanto quanto absurda. Ele foi um dos primeiros ‘fãs’ do grupo do Caipirinha Lounge no Facebook. Antes da minha viagem para Luanda, estive la a ver quem seriam os valiosos visitantes deste site e deparei-me com um tal de Dino Soulmotion, e após uma curta pesquisa no Google e a audição dos singles dele “Não Vou Partir” e “A Curtir o Som”, decidi adquirir o album. Posso dizer de boca cheia que Eu E Os Meus é um dos melhores álbums R&B/Soul lusofono do ano que finda daqui a quatro dias.

O soul music do Dino & The Soulmotion (a sua banda acompanhante) é fortemente influenciado pelo hip-hop. Ora, veremos as personagens com quem o Dino colabora. O disco foi editado pela label do conceituado rapper Português Sam The Kid (que está em Luanda para um concerto a ter lugar hoje, domingo!), e que também participa no grande som “O Nomeado”. Outro grande rapper que faz parte deste projecto é o nosso ja conhecido Valete, o PacMan (Da Weasel), Virgul, entere outros. Mas devido a sua origem Cabo-Verdiana, o disco também esta recheado de temas inspirados por aquelas ilhas musicalmente maravilhosas do oceano Atlântico, e conta com a participação de Tito Paris.

Foi díficil escolher só três canções para partilhar aqui, porque realmente quero que comprem este álbum, é daqueles que cada música é boa e toca-se do príncipio (Nu Preconceito) ao fim (Amanhã). Após repetidas audições durante as minhas 14 horas de espera no aeroporto Charles de Gaulle em Paris, e não só, cheguei a conclusão que dos temas que melhor representam a diversidade auricular do álbum, “Filho do Gueto” com Valete (hip-hop abrilhantado pelo soul que ja se tornou trademark do Dino), “Por Ti Eu Espero” (groove daqueles inspirados por Marvin Gaye), e “Dez Ilhas” (sabor crioulo) são talvez os três mais expressivos. Para não falar do “Nomeado II” com Angela Pais, mas este é para um Late Nite Lounge a vir em breve...;)

Filho do Gueto
Por Ti Eu Espero
Dez Ilhas

The way I found out about Dino’s musical prowess was a bit absurd. He was one of the first fans of Caipirinha Lounge on Facebook, and before my trip to Luanda I was looking at the diversity of the site’s “fans” and Dino caught my eye, as Soulmotion is not a common last name. After a quick search on Google and the subsequent browse through his Myspace where I listened to his singles “Não Vou Partir” and “A Curtir o Som”, I was sold. I got the full album. And I can say with certainty that its one of the best soul/R&B albums of the year that’s about to finish.

The brand of soul music composed by Dino & The Soulmotion (his band) is greatly influenced by hip-hop. It’s easy to see why. Before he went solo Dino collaborated with a lot of the finest MCs in Portugal, and his debut CD, Eu e Os Meus, was released by Sam The Kid’s label, Quarto Mágico. Sam The Kid, one of Portugal’s hip-hop pioneers, also features in one of the tracks on this CD, namely “O Nomeado”. Another hip-hop artists that sings with Dino is our well-known Valete, PacMan and Virgul from the Portuguese rap band Da Weasel, and others still. And because of Dino’s Cape Verdean heritage, Eu e Os Meus has a certain island flavor that strongly comes through in a couple of tracks, one of which was composed by that legend Tito Paris.

It was quite difficult to choose just three songs to post here. This is one of those CDs that you can play from start to finish – both the opener and especially the closer, “Amanhã”, are kick ass tracks. It’s one of those albums that I’m going to have to urge you to buy if Portuguese soul is your thing, and even if it isn’t (yet). After repeated hearings before and after my 14 hour odyssey at Charles de Gaulle airport, I figured out that the three tracks that best represented this album’s aural diversity were “Filho do Gueto” featuring Valete (Valete’s lyricism meets Dino’s trademark soul), “Por Ti Eu Espero” (a groovy beat reminiscent of Marvin Gaye) and “Dez Ilhas” (tastes like Cape Verde). And then there’s a hidden gem, a track called Nomeado II featuring Angela Pais, but that’s better suited for a Late Nite Lounge session, coming soon...;)


Integrantes da banda Soulmotion:
Batuques: Sérgio Silva; Baixo: Ginho Marques; Guitarras: Bruno Macedo; Piano: João Salcedo; Percussão: Manuel Santiesteban; Vocais de apoio: Cati Freitas & Diana Martinez

-Photo do Myspace do Dino & The Soulmotion

Myspace do Dino & The Soulmotion
MTV Exclusive: Dino & The Soulmotion

Saturday, December 26, 2009

Sam the Kid e Azagaia em Luanda para o show do Kid MC

Show Kid MC Luanda, Angola
Dois nomes sonantes do movimento hip-hop lusofono irão actuar hoje (Domingo) no Cine Karl Marx, em Luanda, como convidados de honra do Kid MC, rapper angolano de considerável sucesso nos últimos tempos aqui em Angola. São eles Sam the Kid, que nunca tive o prazer de ouvir atentamente a não ser uma música ou outra, e o moçambicano Azagaia, cujo álbum comecei a ouvir a sério a umas semanas atrás. Também vou poder ver ao vivo pela primeira vez o primeiro rapper a sério que eu ouvi em Angola, o MCK. Isto promete!

Friday, December 25, 2009

Paula Lima

Paula LimaShe’s that sumptuous voice on Max de Castro’s track Nego do Cabelo Bom, and ever since I heard it I wondered what else that voice could do. Inspired by Ella Fitzgerald, Ed Motta, and Quincy Jones among others, Paula Lima is one of Brazil’s major soul sisters, and she’s been a diva extraordinaire in various stages, bands, and groups since the faraway year of 1992. Her debut album, É Isso Aí, was a critically acclaimed piece of art and featured the likes of Seu Jorge, our well known Max de Castro, Jorge Ben Jor, Ed Motta, among others. The songs below however are two gems from two of her more recent CDs, Paula Lima (2003) and Sinceramente (2006). Gafieira S.A. is a funky track and hard not to groove to, while Negras Perucas manages to be calmer and more introspective without sacrificing an energy-packed beat.

Gafieira S.A.
Negras Perucas

É dela aquela voz sumptuosa da track do Max de Castro, Nego do Cabelo Bom, e desde que a ouvi tenho tentado saber um pouco mais sobre a portadora daquela voz. A Paula Lima é uma das soul sisters do Brazil, e tem sido uma diva de realce desde 1992, tendo actuado em várias bandas, pisado vários palcos, e cantando com vários grupos. O seu disco de estreia,É Isso Aí, foi muito bem recebido no Brasil e contou com a participação de artistas como Seu Jorge, o nosso ja conhecido Max de Castro, o Jorge Ben Jor, o Ed Motta, e outros. Acima estão duas músicas de CDs seus mais recentes, o disco Paula Lima (2003) e Sinceramente (2006). Gafieira S.A. é um som mexido, funky, com influências do soul americano, e Negras Perucas consegue ser um pouco mais calmo e introspectivo sem deixar de ter um beat minimamente energético.

-Photo by Julianfoto

Paula Lima online
Paula on Amazon

Tuesday, December 22, 2009

Charles de Gaulle, my Tower of Babel

Charles de Gaulle Terminal FAs luck would have it, I am stuck in Charles De Gaulle’s Terminal F awaiting my flight to Luanda, which leaves in…11 hours. I have been here for 5 hours already and am surprising myself by my ability to wait. I think it should be considered an art form. The art of waiting. I don’t mind it much (as of now) and besides, I love Charles de Gaulle, despite its sometimes questionable reputation. I love the amalgams of languages being spoken around me, the incredible diversity of my fellow travelers, some of them stranded just like me, and even the lovely French of the loudspeaker announcers. Bizarre, I know. Right now I am sitting next to a boarding flight to Ouagadougou, and I don’t think I have ever before seen or met Burkinabes. Lovely.

I have fond memories of this particular airport – back in the day when my mother lived in Lisbon my little brother and I would always fly through CDG from Washinton, D.C., on our way to Portugal. Good times, Joel. It does however, help that I just obtained Dino & The Soulmotion’s CD Eu e os Meus, a truly fine piece of R&B and soul that will be featured here at the Lounge upon my arrival in Luanda, if the Kianda’s internet Gods permit me to do so. Expect some Paula Lima and BossaCucaNova as well. As for books, I just finished Ryszard Kapusinski’s Another Day of Life, a brilliant account of the days leading up to Angola’s independence. I’m going to tackle Dambisa Moyo’s Dead Aid or Malcolm Gladwell’s Outliers next – I haven’t decided which one yet.

For now, I’m just glad to be going home. I’ll leave you with Soulbreakxtra’s Angola em Dezembro, as promised, because the song epitomizes how I feel.

Á demain.

Angola em Dezembro

Por força do destino e de atrasos de voos, vou ter que passar as próximas 11 horas da minha vida no aeroporto Charles de Gaulle em Paris, mais concretamente no Terminal F, bela obra arquitectónica. Ja estou cá à 5 horas e estou surpreso com a minha capacidade de espera. Deve ser por nascer angolano. Ter que esperar por água, luz, dá nisso! Penso também que ja sou perito nestas andanças, na arte de esperar. Por enquanto ainda não tem sido assim tão aborrecido, por diversas razões. Em primeiro lugar adoro estar a ouvir tantos idiomas a minha volta. E como adoro francês, até os simples anúncios nos altifalantes fazem com que me esforça para ouvir pra ver se capto alguma coisa. E em segundo lugar, gosto de estar ao lado de gente de todo mundo. Neste momento o gate ao meu lado é de um voo com destino a Ouagadougou. Nunca tinha visto ou conhecido um Burkinabe.

Tenho boas memórias deste aerporto. Nos velhos tempos a minha mãe vivia em Lisboa, e o Charles de Gaulle era ponto de passagem obrigatório quando eu e o meu puto Jujas estivessemos a vir de Washington, ja que não há voos directos entre as duas localidades. Ainda outra circunstância que esta a fazer com que as horas passem é a minha recente aquisição do CD Eu e os Meus do Dino Soulmotion, uma obra de arte pintada por R&B e soul. Em breve o homem aparecerá aqui no Lounge num post como deve ser, se os deuses da internet em Luanda assim o permitirem. A caminho estão também posts acerca da Paula Lima e dos BossaCucaNova. A não perder. Em termos de leitura, acabo agora mesmo de ler Another Day of Life por Ryszard Kapusinski, um livro fascinate que detalha em cores vivas os meses intensos que Angola viveu logo antes da sua independência.. A seguir vou começar Dead Aid por Dambisa Moyo ou Outliers do Malcolm Gladwell...ainda não decidi qual.

Por agora, só me resta estar feliz pelo regresso a casa mas o menos iminente. Vos deixarei com o tema “Angola em Dezembro” do Soulbreakxtra, como prometido, porque caputra muito bem o que me espera no reencontro com a banda.

Á demain.

-Photo: Terminal F, by Yuen Long

Monday, December 21, 2009

Late Nite Lounge Vol. 7: Une nuit avec les femmes fraçaises

LouLouAmanhã é a minha partida para Luanda.

Este pensamento não deixa com que outros passem pela minha cabeça. A ansiedade é muita, a expectativa é enorme, a saudade ainda maior. Enquanto faço as malas, tentando empurrar as encomendas da última hora como de costume (todo mundo que viaja pra Luanda recebe sempre aqueles telefonemas: Cláudio me traz só....!), tenho a minha playlist francesa a tocar, e uma sequencia sublime de canções fez me parar a meia-mala para escrever e partilhar estes tesouros com vocês.

A primeira canção que vos trago é da autoria dos Thievery Corporation, como não podia deixar de ser. Estes mágicos de Washington, D.C. convidaram a cantora LouLou (Ooldouz Ghelickhani), iraniana de nascença, criada em França e agora residente da capital americana, para ser a vocalista da hipnótica canção La Femme Parallel. A voz de LouLou é arrasadora, altamente sensual. Ela nem parece que se esforça. Os seus versos franceses dão asas a música, fazendo-a voar, e com a entrada das trompetas no último coro esta canção voa alto mesmo, e eu voo com ela sem nunca tirar os pés do chão. Vi esta música ao vivo e foi uma sensação única. Hoje faz me companhia enquanto conto as horas até pisar o 4 de Fevereiro.

Ja a segunda música deste post também não deixa os seus créditos em mãos alheias. É uma bela bossa nova, toda ela em francês, cantada, ou melhor, sussurada por Coralie Clement, uma cantora francesa no verdadeiro sentido da palavra ‘cantora’ e alguem que um dos meus parceiros nestas andanças vos pode descrever muito melhor que eu. Samba De Mon Couer Qui Bat (Samba do meu coração que bate) é um casamento feito nos céus: a combinação da sensualidade de Coralie ao je ne sais quois do bossa nova. Espero que gostem, e au revoir.

La Femme Parallel
Samba De Mon Couer Qui Bat

Tomorrow I leave for Luanda.

This thought has effectively monopolized my brain, letting nothing else through. The anxiousness is high, the expectation is enormous, the saudade even more so. As I pack my suitcases, cramming into it the assortment of goods my mother has asked that I bring (any Angolan leaving for home will tell you all about the midnight calls they receive from their families asking for the latest in all sorts of electronics and whatnot), I have my French playlist on the stereo, and a sublime sequence of songs made me stop mid-pack and share these treasures here for you.

The first song I feature here is La Femme Parallel, a hypnotic track by none other than Thievery Corporation and featuring LouLou (Ooldouz Ghelickhani), an Iranian born but French raised femme fatale who now resides in DC and tours regularly with Thievery. Her voice is the perfect complement to this downtempo jam and it’s slick bassline, and it makes the song drip with sensuality. The lyrics themselves further add to the mystique of the song, as any French-speaker will happily tell you. By the time the horns come in towards the climax of the song it’s hard to keep your head still. Seeing this song live was a dream come true, and today it helps me count the hours until I touch down at 4 de Fevereiro.

The second song of this post has a totally different kind of vibe when compared to the first. It’s a beautiful, classic bossa nova with the added twist of being sung entirely in French by one of the best voices to sing, or in this case, whisper in that language, a certain Coralie Clément. She’s the face that adorns the header of Guuzbourg’s francophone blog, a man who is much better at describing the sweet sunshine that is Coralie. Samba De Mon Couer Qui Bat is a match truly made in heaven: the sensuality of Coralie with the je ne sais quois of bossa nova. I hope you enjoy it, and au revoir.


-Photo: LouLou, by Jazmin Million, and Coralie Clement, by Flaviochan
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