Wednesday, June 11, 2014

Tanto Tempo, by Orelha Negra feat. Dino, Tamin, e Filipe Gonçalves


Por Songay Pinto

Contrabaixo…"que faz o tempo/ pra ter tanto tempo/ pra dar azas a imaginação!"... digito no meu teclado algumas frases como se de um instrumento musical se tratasse, e, a cada tecla que namoro, sinto esta peça dos Deuses correr as minhas veias assim como sentia Whitney, Kobain, Hendrix e tantos outros. O que vocês estão a ouvir é algo que ilumina as vossas mentes assim do nada. Paixão com leveza…precisam experimentar, ouvir, curtir, re..(suspiro)..laxaaar. Não existem palavras que expliquem a maravilha que sai do vosso pedaço de plásticos, ímans, fios e sei la mais o quê.

Essa é daquelas sonoridades que faz o ambulante, apaixonado pela música...… "vem me buscar, leva-me pra junto de ti/ faz-me acreditar/ que é bom ter-te perto de mim"…Ai ai ai DINO, me surpreendes! Mais uma vez o contrabaixo, amigos! Prendam-se a um instrumento assim como eu me prendo a melodia da minha grande paixão TAMIN… amor… o… que… é…. de… ti…Os instrumentos conversam entre si, e ela suavemente se apresenta... como se o vento e o pássaro, num enredo ao estilo Disney, estivessem a sussurrar! E nada sai de sintonia, é so nos deixarmo levar. Incrível a voz desta Mona Lisa, paixão de todos os rappers, músicos e compositores. Muitos a querem ter, poucos com capacidade chegam com carroceria de fraca qualidade.

Incrível ainda, é esta musica feita em português e por portugueses. Se ela tocasse todos os dias em frequências comerciais, não iria mesmo me fartar, porque é divino! E foi preciso deixa-la em repeat e na companhia de pessoas certas para eu poder sentir de verdade o que sinto por esta música.

Tanto Tempo


Sunday, May 11, 2014

Mercado Negro, by 7Xagas


Por Songay Pinto
Foto por Coca o FSM

Zigui Za, za za za.... Existe um álbum e um artista esquecidos no mercado do rap angolano. O trabalho deste artista foi nada explorado por todos nós, ao meu ver. Talvez seja porque na altura em que o mesmo foi lançado (independentemente), o músico se encontrava dividido entre Angola e Portugal.

Para mim, 7 Xagas é um músico de referência, no estilo de que falo, se continuasse a nos oferecer ’N' projectos seus, iria fazer muita gente feliz. Digo isto porque o mesmo não se limita em fazer rap. No seu disco, notamos uma série de influências musicais, e concluindo, o rapaz faz música como alimento Pr'Alma.

Pela primeira vez retiro da sua tela, a faixa com o título de Mercado Negro. Música esta que retrata um pouco a vida das nossas Zungueiras.

Outra vez?!!! - perguntam vocês - ... A verdade é que estamos à semanas a ouvir, naquelas ondas modulares, diálogos, contradições e mal entendidos, sobre a situação dos nossos ambulantes que deambulam (vagueam) pelas artérias da nossa cidade. Uma situação de difícil resolução, tendo em vista que a mesma não passa em apenas proibir e "fiscalizar" (correr com elas, e espancar) os mesmos, nem, porém, construir mercados num qualquer areal atirado naquelas estradas onde eu, como cidadão, igual a todos os outros, apenas faço uso quando pretendo fazer viagem para uma das províncias. Falo-vos por exemplo do Roque Santeiro.

E é disto que esta música nos fala, as dificuldades, a correria, o movimento e encontrões com que todos nós nos deparamos.

Aqui, 7Xagas consegue criar na nossa mente, uma sequência de imagens que formam uma envolvente quase real que faz-nos sentir a deambular também pelas ruas, por alguns instantes. Um autêntico EBAY, tudo se encontra e tudo é encontrado, é incrivelmente engraçado para quem pela primeira vez se confronta com este cenário, logo a saída do 4 de Fevereiro...

Não iria admirar se algum dia me vendessem uma casa do kilamba no nosso Mercado Negro...

Mercado Negro


Thursday, April 24, 2014

Tereza Ana, by Waldemar Bastos


Nota do autor: Para o Caipirinha Lounge continuar vivo, será necessário o contributo dos seus mais fiéis ouvintes. O meu primo Songay Pinto é um deles, e é por causa dele que conheço muitas das músicas e artistas que populam o meu subconsciente. Tenho o prazer de o convidar para o seu primeiro guest post no Lounge. Porque se ser sempre eu a falar, também já cansa! Sem mais rodeios:

Tereza Ana...

Zungueiro da música alimentar, cheia de vitamina cultural e de riqueza natural (entenda-se como riqueza natural, a música tocada com alma), é assim que me identifico. Muitos devem ter ”lido“ falar sobre mim, Songay Pinto, o primo que muitas das vezes inspirou Cláudio Silva na busca do que não é vendido nos ecrãs e naquelas ondas modulares, simplesmente porque a mesmice é nojenta.

No entanto, também, muito aprendi com ele, e sou grande fã. Humano de poucas falas, pouco social, mas, de muitos sentimentos. O meu sonho é de um dia comunicarmos literalmente através da música, dos sons, ritmos e batucadas... mas, daquela batucada do estilo Dalú Roger, percussionista angolano que muito admiro. Jovem, cheio de idade, e de paixão pela sua arte. Ja imaginaram? De baixo de uma mulemba (árvore folhenta e fresca) a expelir o amor e a revolta que sentimos... mas apenas com a música!!!

Muitas das vezes, em conversas vulgares, com pessoas que me rodeiam, pesco sempre um vocábulo que me leva sempre a uma qualquer música existente que na sua lírica, consta a mesma palavra.

Acredito que algumas pessoas com quem convivo ja se deram conta disto... isto sou eu, amante da música. Durmo sempre com ela. Existe menos Stress, é o meu refúgio, sempre foi e sempre será. Alívio as minhas frustrações e fracassos. Quem fala assim até parece conhecer muito de música!

Pois é... eu nada sei acerca dela, mas eu adoro a seus “panos", sempre cheios de movimentos e cores, e foi por isso que eu roubei um violão do meu primo Paulo Sérgio, irmão do Cláudio Silva, violão com cordas em falta e que até hoje nem sei tocar uma única nota...talvez seja por isso que existe um equilíbrio no mundo, uns nasceram para encantar e outros para serem admiradores, e eu escolhi ser promotor de evento, por isso me juntei em 2009 ao Luanda international Jazz Festival, como produtor... executivo, digamos. Já tentei ser ”cantor”, um dia postarei aqui uma música minha, meia descompassada e em rap – ha ha ha ha ha ha – nem queiram ouvir.

Tereza Ana

- Songay Pinto

*Photo: Waldemar Bastos, by Publico.pt

Tuesday, November 5, 2013

Vida



Sim, o Lounge continua vivo.

Foram cerca de 170 dias desde o último post aqui no Lounge. Nunca na pequena história deste blogue houve uma paragem assim tão longa. Foram muitas as pessoas que perguntaram se o Lounge morreu.

"E então, o que se passa com o Lounge?! Nunca mais postaste nada meu!"

Desde o último post, houveram mudanças profundas na vida conjunta do autor e do blogue, que afinal são a mesma coisa, inseparáveis um do outro. O Yahoo Media Player parou de funcionar - foi extinto pelos donos. Alguns links foram se desactualizando. Nunca mais houve Editor's Picks e listas dos melhores álbuns do ano. O meu consumo de música lusófona diminuiu drasticamente.

A paragem foi motivado pelos mais variados motivos, entre eles pessoais e profissionais. Envolvi-me full-time em outros projectos. Sou mau em gestão de tempo e parei de ter tempo para tudo.

Mas talvez a maior mudança de lá pra cá é que o último post foi escrito em Brooklyn, enquanto que este é escrito à partir de Luanda, de onde o Lounge passará emitir de agora em diante.

É verdade: Luanda agora será a minha casa "permanente".

Os últimos meses foram também marcados pelo passamento físico de dois familiares, um depois do outro. Em momentos destes avaliámos por completo as nossas vidas, as nossas relações, as nossas escolhas.

Invariavelmente, acabamos sempre por voltar às coisas que mais gostávamos, que mais nos davam (dão) alegria. E por isso o regresso ao Lounge foi inevitável: estava na hora de voltar a escrever aqui.

O regresso ao Lounge foi motivado pelo aumento recente do meu consumo de música, próprio da vivência cá em Luanda e pela passagem recente por Lisboa, cidade que me apaixona cada vez mais. Foi lá onde vi vários concertos e onde finalmente readquiri aquele 'bichinho' da música, aquela sede de ouvir mais, muito mais. A sede de consumo e partilha que originou o Lounge.

Foi lá onde tive a oportunidade de ver os Batida e o Seu Jorge a actuarem ao vivo pela primeira vez. De ver jam sessions a nascer de madrugada em Alfama.

Em Luanda, o meu consumo musical também cresceu - são constantes as noites com música ao vivo. O Espaço Bahia, especialmente, continua a ser palco de artistas fora do comum. Descobri o King's Club, o Bakama, as noites de jazz no Doo.Bahr. Mas mais importante ainda, descobri as actividades da malta que respira música e que procura, nos lugares mais variados da cidade, um pouco de ar para 'respirar'. Fiz novos amigos.

Esta nova incarnação do Lounge será menos regrada que a anterior. Alguns posts, como este, serão só em português, outros serão em inglês. Dependendo da minha pancada naquele determinado momento. Às vezes o trabalho constante da tradução de textos contribuía para a falta de vontade de escrever.

Em forma de homenagem para a cidade que agora me acolhe, partilho aqui dois vídeos que retratam um pouco da vivência singular desta cidade de amor e ódio. O primeiro tema chama-se É Luanda e é uma homenagem do cantor Diclas One ao falecido André Mingas. Não conhecia o Diclas One antes de ver este vídeo e desconheço os seus outros trabalhos mas gostei muito do conceito do vídeo e da forma como ele interpreta o trabalho de um dos melhores músicas angolanos.

O segundo tema, da Sandra Cordeiro, também está muito bem conseguido. Os leitores perceberão que os vídeos são parecidos e retratam a vida da cidade. Há bastante tempo que oiço a Sandra é fico feliz por ver o seu amadurecimento. Está fantástica nesta música.

Foram estas duas músicas que me acolheram quando cá cheguei e que ajudam a explicar um pouco o porquê do regresso...

Porque sim, o Lounge continua vivo.

 

Foto: Estrada Benguela-Luanda

Monday, May 20, 2013

Movimento, by Aline Frazão


It's called Movimento and it's Aline Frazão's second album, a favorite of this blog. Aline is currently my favorite Angolan chanteuse, a voice that I have heard blossom into what it is today. I've had Movimento in rotation for about 20 days now; the singer gave me an advance copy. Perks of the trade, I guess. I felt privileged to have been one of the first people to hear this beauty from start to finish - 52 minutes of music of a quality as such that I couldn't wait to be able to share it with someone else. There's not much point to enjoying music this good without being able to share it, and today, 20th May,  the album is released in Portugal and I can finally write about it and share it with you.

Inevitably comparisons between Movimento and Aline's debut album Clave Bantu will arise. With 12 original tracks, her sophomore effort is one song longer than Clave Bantu and when it reaches the end it leaves me longing for more, as any great album will. As always there are some songs I like more than others, but song for song, generally Movimento's tracks are stronger, more polished, have better lyrics, and more memorable melodies. And it's more introspective. You hear a singer who is clearly on the ascendence, who is enjoying renewed self-confidence, greater maturity, and sure of her gift and her talent. This is clearly a singer enjoying her music.

Movimento begins with As Paredes do Mayombe, one of the more forgettable tracks; it begins to find its footing with Cacimbo, a beautiful melody with great lyrics. Desassossego, written by Angolan poet and author Carlos Ferreira 'Cassé' is the third track. And then comes the album's strongest period: tracks 4 through 9 are all gems.

For me, Tanto is this album's winner. It has the best lyrics, an intricate delivery and fantastic execution; I consider it Aline's best work to date. The song's video is almost as brilliant as the lyrics. It was here that I stopped the album and clicked back for the first time: I couldn't get enough, not yet anyways. After the song's climax we head to Crónica de um (des)encontro, another beautiful track that deserves another listen. It could very well be the album's third best track.

Nossa Festa and Poema em sol poente get better with time; at first listen I didn't rate them as highly as I do now, especially since I fell in love with Nossa Festa's lyrics. It's also a highlight on the album. We've arrived then at Lugar Vazio. After Tanto, it's my favorite song on Movimento. I prefer Tanto's lyrics but Lugar Vazio has a better melody. What a thing of beauty. I also enjoy the lyrics on A cidade que eu habito; among the last three songs on the album, Ronda, Kalemba and A última bossa, the highlight is Kalemba, brilliant in its simplicity.

I think I love Movimento because at its core it is an album about home - it reminds em of Luanda, my family, my friends, my past loves, and it makes me feel good. For me, Movimento was an aural trip home, to today's Luanda's. And it's a trip in which my companion is the warm, familiar, unmistakable sound of Aline's voice.

Thoroughly recommended.

Tanto
Lugar Vazio

Chama-se Movimento e é o segundo álbum da Aline Frazão, a cantora angolana mais apreciadas neste espaço. Há cerca de 20 dias que o tenho em rotação, tendo o recebido directamente da cantora. Ossos do ofício. Senti-me privilegiado por ser das primeiras pessoas a ouvir esta obra de arte, estes 52 minutos de música de uma qualidade tal que doía-me não poder a partilhar com alguém. O que vale poder ouvir música tão bela sem ter alguém com quem a partilhar? Hoje, dia 20 de Maio, data de lançamento deste  lindo disco, posso finalmente partilhar convosco a beleza que é o Movimento da Aline.

Foi um imenso prazer ouvir este disco. Surgem, inevitavelmente, comparações com o álbum de estreia da Aline, Clave Bantu. Com 12 faixas, todas originais, Movimento tem mais uma música que Clave Bantu e quando chega ao fim deixa-me com água na boca; quero mais. Como sempre, gosto mais de algumas músicas do que outras. Mas tema por tema, geralmente as músicas do Movimento têm melhor lírica, uma melodia mais memorável.  E é mais introspectivo. Ouve-se uma cantora em ascensão, com cada vez mais auto-confiança, mais maturidade, mais segura de si mesmo e do seu talento. Nota-se que a Aline arriscou mais, soltou-se mais um pouco, voou mais alto.

Movimento inicia com As Paredes do Mayombe, que não é das minhas preferidas nem das músicas mais memoráveis. O álbum melhora com Cacimbo, uma linda melodia e letra; a seguir vem Desassossego, uma letra do conhecido poeta e escritor angolano Carlos Ferreira 'Cassé'. Porém, o trecho mais forte do disco são as faixas 4 a 9; é neste trecho onde são encontradas as melhores músicas deste querido disco.

Para mim, Tanto (a quarta música) tem a melhor letra do disco e acredito ser a melhor música da Aline de sempre. O brilhante vídeo da música, publicado aqui, é quase tão bom como o tema. Foi aqui que parei de ouvir o álbum; fixei-me só no Tanto e só depois de o ouvir um par de vezes consigo continuar. É quase sempre assim. Depois do climax do Tanto vamos ao encontro de Crónica de um (des)encontro, outro bonito tema que merece especial atenção. Também é das músicas mas bem conseguidas do Movimento.

Nossa Festa e Poema em sol poente crescem com o tempo; na primeira audição não me chamaram muita atenção, mas com o passar do tempo apaixonei-me com a letra da Nossa Festa. Hoje é dos meus temas preferidos neste disco. Chegamos então ao Lugar Vazio. Depois de Tanto, esta é a minha música preferida em Movimento. Gosto mais da letra do Tanto, mas em termos de melodia Lugar Vazio ganha. Que música mais bonita. Também aprecio muito a letra d'A cidade que eu habito; Entre as três ultimas, Ronda, Kalemba A última bossa, o destaque vai para Kalemba, brilhante na sua simplicidade.

No fundo, Movimento faz-me lembrar de Luanda, de casa. Faz-me lembrar da minha família, dos meus amigos, dos amores do passado, e isto faz-me sentir bem. Para mim o Movimento é uma viagem por sonora pela nossa Luanda de hoje, pela voz marcante, familiar, calorosa que é a voz da Aline.

Recomendo. Mesmo.

Sunday, May 12, 2013

Caipirinha Lounge Cinema: Tanto, by Aline Frazão

Lindo. Simplesmente lindo. Não sei se gosto mais da letra, do vídeo ou da música. Geração 80 e Aline. Estão demais.

É tanta luz aqui,/Que até parece claridade./É tanto amigo aqui,/Que até parece 
que é verdade./É tanta coisa aqui,/Que até parece não há custo./É tanta regra 
aqui,/Que até parece um jogo justo./É tanto tempo aqui,/Que até parece 
não há pressa./É tanta pressa aqui,/Que até parece não há tempo./É tanto 
excesso aqui,/Que até parece não há falta./É tanto muro aqui,/Que até 
parece que é seguro./Tanto, tanto, tanto/Na embriaguez do encanto/É 
tanto ‘tanto faz’/Que ninguém sabe quem fez./Mundo, gira, mundo,/
Mundo vagabundo,/Não olhes, senão vês./É tanta pose aqui,/Que até 
parece não há esquema./É tanta História aqui,/Que até parece um 
problema./É tanto festa aqui,/Que até parece sexta-feira./É tanta 
dança aqui,/Que até parece a das cadeiras./Tanto flash aqui,/
Que até parece que ilumina./É tanta frase aqui,/Que até parece 
que resolve./É tanto ecrã aqui,/Que até parece um grande 
invento./É tanta força aqui,/Que até parece um movimento.


Beautiful. Simply beautiful. I don't know what I like more...the video, the song or the lyrics themselves. Geração 80 and Aline outdid themselves here.

There’s so much light here,/That it even seems bright,/There 
are so many friends here,/That they even seem real,/There 
are so many things here,/That they seem to be for free./
There’s so many rules here,/That it even seems a fair 
game./There’s so much time here,/It even seems there’s 
no hurry./There’s so much hurry here,/It even seems there’s 
no time./There’s so much excess here,/It even seems there’s 
no want,/There are so many walls here,/It seems that it is 
safe./So much, so much, so much/It’s a charming intoxication/
So many ‘whatevers’/That nobody knows who makes what./
The world keeps turning,/Wandering world,/Look away or you 
will see./There’s so much posturing here,/That there doesn’t seem 
to be a scheme./There’s so much History here,/That it even seems 
a problem./There’s so much partying here,/That it even seems to be 
Friday./There’s so much dancing here,/It even seems a game of musical 
chairs./So many flashes here,/That they even seem to light up./So many 
sentences here,/That they even seem to make sense./So many screens 
here,/That they even seem a great invention./So much strength here,/That 
it even seems a movement.


Música de Intervenção Rápida (MIR), by Azagaia


It's frequently said that Angola and Mozambique have similar political and social realities. We both had socialist regimes, we both suffered a debilitating civil war, and we both have issues when dealing with the basic tenants of a democratic state, such as freedom of expression, freedom of assembly and human rights. This is precisely the topic of Azagaia's first single since signing for Kongoloti Records:
“MIR - Música de Intervenção Rápida” (Rapid Intervention Music) is the song Azagaia wrote after the last demonstration of the veterans of war that was brutally ended by the mozambican police. The Minister of Justice responded saying that sometimes the Human Rights can be violated to protect “higher interests”.​
As always, Azagaia's delivery is energetic and blistering - the man always seems to be on form. Check out the video below:


Música de Intervenção Rápida

Que Angola e Moçambique têm realidades políticas e sociais paralelas já foi dito muitas vezes. Ambos tivemos regimes socialistas, ambos sofremos uma guerra civil debilitante e ambos temos problemas graves no que toca aos valores básicos de uma democracia, como liberdade de expressão, o direito a manifestação e os direitos humanos. Este é precisamente o tópico deste single do Azagaia, o primeiro desde que ele assinou pela Kongoloti Records. Como sempre, o mano Azagaia está em grande forma. Contunde, irreverente e sempre relevante. Nas palavras da Kongoloti:
Música de Intervenção Rápida” é o novo single do Azagaia, escrito logo após a última manifestação dos ex-combatentes de guerra que foi brutalmente interrompida pela polícia moçambicana. A Ministra da Justiça respondeu dizendo que em algumas situações os Direitos Humanos podem ser soprepostos por “interesses mais altos”.

Friday, May 10, 2013

Caipirinha Lounge Cinema: Movimento, by Aline Frazão - Episódio 3

Vem aí o novo álbum da Aline: chama-se Movimento e sai dia 20 de maio pela Ponto Zurca. Enquanto esperamos, podemos já começar a conhecer o que promete ser um lindo trabalho. Numa colaboração com a Geração 80, a Aline brinda-nos com o terceiro de vários episódios. A ver:

Aline's second studio album is coming soon. It's called Movimento and is slated for a 20th May release on the Ponto Zurca label. Until then, we can start geting to know what promises to be a beautiful piece of work. In a collaboration with Geração 80, Aline shares with us the third of several episodes. See below:



Aline Frazão - Movimento - Episódio #03 from Aline Frazão on Vimeo.

Dar e Receber, by Faradai feat. Gonçalo Clington


Dar e Receber is Helder Faradai's first single since signing for Kongoloti Records and features Angolan musician Gonçalo Clington. It has that polished, high quality production quality we've come to expect from Faradai and Jazzmática, but this one is a little sparser in its arrangements.

I'll let Helder explain his inspiration in his own words:
I was inspired by that show on Angolan FM stereo called...''Canta Angola'', where they played many sounds exulting our Angolan culture, in the musicality that is this country. This is a tribute to our elders, who took the Angolan music to another level, with distinction and success overseas, and to the younger generation gaining pace, showing that they too can do it and are willing to pursue the path and the heritage that is far from its end, for it´s emotion is found on the pursuit. To Liceu Vieira Dias, O cota Elias, Os irmãos Kafala Urbano de Castro, Os irmãos mingas, Teta Lando, Vum Vum Kamussadi, Carlos Lopes, Filipe Mukenga, Filipe Zau, David Zé and many others equally relevant.

Dar e Receber é o nome do primeiro single do Faradai desde que ele assinou pela Kongoloti Records. Conta com a participação do músico angolano Gonçalo Clington. Conta com aquela qualidade de produção que o mano Faradai já nos habituou, principalmente com a Jazzmática. Os vocals do brada Gonçalo Clington dão uma dimensão interssante ao brinde. Deixo o Helder explicar-se:
O contexto desse som inspirei-me naquela rubrica que passa sempre ao meio dia na FM stéreo entitulada ''Canta Angola'' em que passam imensos sons exultando a nossa cultura angolana na musicalidade que compõe esse país pelo que eu criei uma espécie de tributo aos nossos cotas que elevaram a outro patamar com distinção a musicalidade angolana além fronteiras e a nova geração que vem com dando passos mostrando que apesar das sementes firmes que os nossos mais velhos fizeram crescer os alicerces ao seu jeito tb vão mostrando como podem o caminho a herança e a vontade de continuar o legado que mal esta no fim da sua jornada pois a sua emoção encontra-se no seu decorrer Cotas como: Liceu Vieira Dias, O cota Elias Os irmãos Kafala Urbano de Castro Os irmãos mingas Teta Lando Paulo Flores Carlos Lopes Filipe Mukenga Filipe Zau e muitos outros
Já o verso do Gonçalo faz uma referência a nova escola e vaga de artistas que têm-se insurgido apaixonadamente pela preservação da nossa cultura inovando, reciclando e navegando outros mares na exteriorização da musica angolana. 
O conceito da fotografia que eu pretendia expor quando disponibiliza-se o som promocional pelos blogs e no fbook era simplesmente de um mais velho a dar um disco de vinil a uma criança( por aí aos seus 8 9 anos),que metaforicamente foi a altura que muitos de nós inconscientemente começaram a ganhar o interesse pela musica por influência dos nossos pais,e 20 anos mais tarde essa criança com o mesmo vinil a transmitir aquela musica mas de forma diferente que comparativamente é como nós a juventude adulta e geração dos anos 70 e 80.

Thursday, May 9, 2013

Introducing: Kongoloti Records



The Lounge's long time readers will know how much I appreciate Milton Gulli's music. The Portuguese-Mozambican musician has done some brilliant work over the years and participated in some fantastic projects and bands, including afro-beat collective Cacique '97, Dub Inna Week and Lovers Rock Inna Week, all of which are favorites of mine and have a special place here at the Lounge.

Milton Gulli's latest project is nothing more, nothing less than a full scale label. It's called Kongoloti Records and it's already starting to flex its muscles. Earlier this year one of my favorite Angolan musicians and lyricists, the talented Mr. Helder Faradai, signed for Kongoloti. Weeks later came the huge announcement: Mozambican rap's finest, mano Azagaia, had signed as well, releasing a new single to commemorate. The fact that two heavy hitters in the Lusophone music world signed for Kongoloti makes me excited of what's to come. It's like all my favorite worlds are colliding.

Milton, great job brotha. Here at the Lounge we've got our eyes on Kongoloti Records. It looks very promising...

Kongoloti in their own words:
We were intrigued by how much music from Lusophone Africa people really knew, so we started this journey to release new and established acts from this part of the world. Lusophone Africa is house to a lot of music that people rarely hear because is mostly consumed "indoors". From the traditional sounds of the north of Mozambique to the new urban tendencies sprawling on the streets of Luanda, from the slums in São Tome & Principe to the african ghettos in Lisbon, from urban to traditional, from electronic to acoustic, Kongoloti Records will always be a symbol of good and fresh music for yours ears!! Stay tuned for our first releases coming this 2013!!!


Os leitores de longa data do Lounge sabem o especial apreço que tenho pelo músico luso-moçambicano Milton Gulli. É ele a mente brilhante por trás de projectos como Cacique '97Dub Inna Week e Lovers Rock Inna week, entre outros - projectos estes que têm um espaço especial aqui no Lounge.

O mais recente projecto de Milton Gulli é nada mais nada menos que uma Editora. Chama-se Kongoloti Records e já começa a dar os seus primeiros passos. No príncípio deste ano, um dos meus músicos angolanos preferidos, o mui talentoso Helder Faradai, assinou pela editora. Semanas depois, o estrondoso anúncio: Azagaia, que está entre os meus rappers preferidos, também assinou pela Kongoloti e lançou um novo single. Dois nomes de peso da música lusófona para esta editora recém-nascida, o que nos faz adivinhar que mais surpresas estão para vir. 

Milton, estás de parabéns! Cá no Lounge, estamos de olhos postos na Kongoloti Records. A coisa promete...


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