Showing posts with label musica cabo verdiana. Show all posts
Showing posts with label musica cabo verdiana. Show all posts

Tuesday, March 12, 2013

Bem me Quer, Mar me Quer, by Pierre Aderne

Pierre Aderne's Bem me Quer, Mar me Quer was recommended to me by a friend who generally shares my taste in music and has a great ear for what's happening in the Portuguese market. The album was my companion during a trip to Lisbon last year, a trip in which I had the opportunity to meet Pierre Aderne and just barely missed a live performance of his.

Pierre calls his music MPB, not for the initials for the brazilian genre, but rather 'música portuguesa brasileira - Portuguese-Brazilian Music. He actually did a documentary of that same name exploring the obvious synergies between the music made on both sides of the Lusophone Atlantic, including Cape Verde. And it's easy to understand why - one listen to the particular sound of Pierre's compositions and you can clearly discern the Portuguese, Creole, and Brazilian rhythms. And after I found out that Pierre's father is Portuguese, his mother Brazilian and his birthplace is France, his proclivity to mix the sounds of his heritage is even more sensible. He now calls Lisbon home after having grown up in Brazil.

Listening to this album means hearing mornas and sambas coexist side by side, sung by Portuguese, Brazilian and creole accents, sometimes within the same song. Nha Morninha, featuring Sara Tavares, is a great example. I also thoroughly enjoy his song with Luís Caracol, Coração Manteigamy favorite on the album. Um lugar pra ficar, with the sultry, full-throated Portuguese fadista Gisela João and Portuguese pianist Mário Laginha, is a close second.

Bem me Quer, Mar me Quer is a pleasant, appealing, contagiously upbeat album that is easy to listen to and truly Lusophone. In the best sense of the word. I recommend it.

Nha Morninha
Coração Manteiga
Um lugar pra ficar


Este disco foi-me recomendado por uma pessoa com quem partilho muitos dos mesmos gostos musicais. O disco foi o meu parceiro numa viagem que fiz à Lisboa no ano passado...e nesta mesma viagem tive a oportunidade de conhecer Pierre Aderne e por pouco até teria a oportunidade de o ver cantar ao vivo.

O Pierre chama a sua música de MPB - "Música Portuguesa Brasileira." Chegou a fazer um documentário com este mesmo título. É fácil compreender porquê  - quem ouve a sonoridade particular das músicas do Pierre percebe isto logo. Cresceu no Brasil mas tem o coração em Lisboa. E depois de eu ter descoberto que o seu pai é português, a mãe brasileira e o seu local de nascença a França, a sonoridade única de Pierre faz todo sentido.

Entre mornas e sambas ouvem-se sotaques brasileiros e portugueses a cohabitarem na mesma música, dançando sob os mesmos ritmos. Nha Morninha, que Pierre canta com a Sara Tavares, é um bonito exemplo. Aprecio bastante também o dueto que faz com o português Luís Caracol na música Coração Manteiga; é a minha canção preferida no disco. Um lugar pra ficar, dueto com a fadista portuguesa de voz ofegante Gisela João e o pianista português Mário Laginha no piano, não fica muito atrás.

Bem me Quer, Mar me Quer é um disco ameno, simpático, alegre, e contagiante, de audição fácil e verdadeiramente lusófono. No mais belo sentido da palavra. Recomendo.







Sunday, February 3, 2013

Editor's Pick: The Top 10 Lusophone Albums of 2011

This isn't a typo. I really do mean 2011.

I used to make fun of the guys at Wakuti Musica and Luaty at Musica Uhuru for going months without updating their blogs. Now I can finally relate. This post was due a little over 1 year ago. As other projects, events, and dreams have gotten in the way, my Lusophone music consumption greatly suffered, and with it the pace of writing at the Lounge. I didn't even finish listening to most albums below until well into 2012.

But what great albums they are. From Komba (Buraka Som Sistema) to Proíbido Ouvir Isso (MCK) to Cherry on My Cake (Luísa Sobral), 2011 was (another) stellar year for Lusophone music. There were more collaborations among luso-artists and there were many high-profile concerts and musical events in the main Lusophone capitals in the world and several cities beyond those. Music in Portuguese is becoming ever more popular. I was lucky to see several Brazilian musicians here in New York and even got to see Buraka in action, and in a testament to all great albums, many of the ones profiled below are still in heavy rotation on my iPod, over a year after they came out.

Below were my favorite Lusophone albums of 2011.

Não, não é um erro. Quis mesmo dizer 2011.

Antes ria-me dos manos do Wakuti Música e o Luaty do blog Música Uhuru por ficarem meses sem um novo post nos seus respectivos blogs. Finalmente posso perceber o que causa este “silêncio”. Blogar todos os dias é obra, e este post que escrevo neste momento era pra sair há mais de um ano atrás. Um ano! Mas o tempo foi passando e a vida foi acontecendo. Projectos, eventos e sonhos foram surgindo e o meu consumo de música lusófona sofreu com isso, bem como a frequência dos posts neste espaço. Só acabei de ouvir os álbuns aqui perfilados já bem no meio de 2012.

E que grandes álbuns temos aqui. Desde o Komba (Buraka Som Sistema) ao Proibído Ouvir Isso (MCK) ao Cherry on My Cake (Luísa Sobral), 2011 tem sido (mais) um ano excelente para a música lusófona. Houve mais colaborações entre artistas lusófonos, grandes eventos culturais nas principais capitais da lusofonia e não só, e nota-se o crescimento da popularidade da música lusófona à volta do mundo. Tive a oportunidade de ver vários músicos brasileiros aqui em New York, incluindo os Buraka. E como todos grandes álbuns, os aqui perfilados continuam em constante rotação no meu iPod, mais de um ano depois de terem saído.

A seguir, os meus álbuns preferidos de 2011.

10. Komba, by Buraka Som Sistema (Portugal/Angola)


Buraka’s rise has been meteoric. They’ve basically carried the kuduro sound all over the world and made it cool outside of Luanda’s streets. It’s the first, if not the only, Luso-Angolan group that has truly become a globally-known band, selling out concerts from Rome to Tokyo to Paris to Mexico City (which is, incidentally, one of Conductor’s favorite cities for a Buraka concert). This year marked the first time they performed in India, where they gave their local New Delhi fans a taste of their infections electro-kuduro sound. And I finally had the opportunity to see them right here in New York City, in an unforgettable concert. Their music is still pure energy: festive and frenetic with a highly contagious rhythm that denotes a certain evolution in their sound, evidenced by some of the artists that they invited for this album. Sara Tavares on a kuduro? Yeah. Why not?

Voodoo Love

Buraka, by brooklynvegan.com
A ascenção meteórica dos Buraka tem sido vertiginosa. É o primeiro, se não o único, grupo luso-angolano que conseguiu realmente se impôr no mundo como uma banda global, esgotando concertos de Roma à Tóquio a Paris a Cidade do México (que por acaso é um dos lugares preferidos do Conductor). Este ano levaram pela primeira vez a sua mistura contagiosa de kuduro e electro à India, num concerto inédito em Nova Delhi. E eu finalmente tive a oportunidade de os ver actuar aqui em Nova Iorque, num concerto inesquecível. A música, esta continua energética, festiva, frenética, num ritmo alucinante em que se nota alguma evolução sonora da banda, mesmo vendo pelos artistas que eles decidiram convidar desta vez. Sara Taveres num kuduro? Ya. Porque não?

9. Chapa '97, by Cacique '97 (Portugal/Mozambique)


Afro-beat in Portuguese. I still can’t get over that. For people who love this genre, Luso-Mozambican collective Cacique ‘97’s new EP is tasty. It has all the ingredients with which these musicians have made us love them and also features another artist that we’ve grown to love, Nástio Mosquito. Cacique’s live performances, which make up 4 of the 6 songs in this EP, are full of life. Chapa ’97 is the standout here – it’s such a great tune. It was inspired by the unrest in Maputo towards the end of 2010, triggered by yet another price increase of basic goods. True, this only an EP and not a true album, but the energy in Cacique’s live performances and the quality of the work here merited its inclusion. Chapa ’97 live is something else.

American Cop

Cacique '97, by flun
Afro-beat em português. Para amantes do género, o novo EP da malta luso-moçambicana dos Cacique ’97 está saboroso. Tem todos os ingredientes com os quais estes músicos já nos habituaram e conta também com a participação de artistas que muito apreciamos, entre eles o Nástio Mosquito. São dois temas inéditos e 4 sons gravados ao vivo. Chapa ’97 é muito som, e o meu preferido. Foi inspirado nos confrontos que surgiram em Maputo em 2010 depois de mais uma súbida dos preços de produtos básicos. Sim, isto é só um EP e não um álbum própriamente dito, mas a qualidade do trabalho motivou a sua inclusão nesta lista. Chapa ’97 ao vivo é outra coisa.

8. Pitanga, by Mallu Magalhães (Brazil)


I was very impressed by the musical quality of Mallu's third studio album and how, at just 20 years old, she has truly found her voice. Pitanga contains confidence and assurance not usually seen in artists this young. The sound of her album is a unique mix of MPB, bossa nova, and folk rock, combining genres seldom seen in a Brazilian production. She binds it all together with that sweet, delicious voice of hers that she uses to great effect. It's almost like a caress, the way she whispers. Pitanga is the album I'd play on quiet nights while sipping a drink or lazy Sunday afternoons; it has a soothing effect. Sambinha Bom was one of my favorite tracks that year and one I still listen to regularly.

Highly Sensitive
Mallu, by Eneias Barros
Fiquei positivamente impressionado pelo terceiro álbum da Mallu e como ela, aos 20 anos, já foi capaz de encontrar a sua voz e o seu estilo próprio de interpretar a música. O álbum chama-se Pitanga e nele a Mallu liberta-se, mostrando confiança e certeza em si própria, no seu talento, e na sua música, confiança esta que nem sempre é comum em artistas tão jovens. O som dela é uma mistura incomum de MPB, bossa nova, e folk rock, géneros que normalmente não coabitam numa produção brasileira. A voz deliciosa, sussurrante dela actua como um instrumento sobre as diversas melodia. É quase como uma carícia, a voz doce dela. Pitanga é o álbum que toco em noites calmas enquanto aprecio um vinho ou então em tardes preguiçosas de domingo; tem um efeito acalmante. Sambinha Bom é uma das melhores músicas que ouvi em 2011 e uma que ainda toco regularmente.

7. World Massala, by Terrakota (Portugal)


I have a lot of love for Terrakota. Their musical versatility is simply incredible. World Massala, their most recent album, is a previously unheard of mix of Lusophone music and Indian music, and they actually traveled to the Indian subcontinent to drink the music from the source. I’m also a fan of Terrakota for reasons beyond their music. They’re environmentally-friendly stance, their simple and altruistic lifestyle, their complete disregard for imaginary land borders, and even their political choices are qualities I greatly appreciate. When Angolan youth were getting beat up in the streets of Luanda for legally protesting against the regime, Terrakota showed their indignation is social media platforms and even in concert, when they, alongside the regime’s favorite protestor Ikonoklasta, showed their solidarity with the Angolan youth that had been farcically incarcerated. Despite its Indian flavor, World Massala also has some more afro-centric and Brazilian-sounding jams. Ilegal below is one of them.

Ilegal


Tenho muito amor pelos Terrakota. A sua versatilidade musical é simplesmente incrível. O World Massala é uma mistura previamente inexistente de música lusófona com ritmos indianos, e eles viajaram até ao subcontinente asiático para sentirem de perto a música. Mas também aprecio muito a postura deles enquanto artistas e seres humanos. Gosto da atitude ambientalista deles,a forma simples e altruísta como encaram a vida e até mesmo das suas opções mais políticas: quando os jovens angolanos estavam a apanhar porrada nas ruas de Luanda por se manifestarem, os manos da Terrakota mostraram a sua indignação nas redes sociais e na mesma altura realizaram um concerto com o “arruaceiro-em-chefe” em que o mesmo, e a banda, se mostraram solidários com os jovens injustamente incarcerados. Apesar do seu sabor indiano, o World Massala também contém ritmos do continente berço e outros com sabor mais brasileiro. Ilegal acima é um deles.

6. Dor de Mar, by Tcheka (Cape Verde)



It’s one of my favorite albums to listen to in the morning as I’m getting ready to work and also during my commute. It has the power to clear my mind, to relax me, to prepare me for the day ahead. It is definitely the best album to come out of Cape Verde in 2011. Dor de Mar is another strong effort from Tcheka, full of beautiful melodies and haunting tunes that only a Cape Verdean can create and only those islands can inspire. And once again, the songs are enhanced by Tcheka’s voice – the man can sing. This album is Tcheka’s fourth and I hope for the sake of Lusophone music that he continues to give us these sonic treasures.

Pexera Porto

Tcheka, by Jono Terry
É dos meus álbuns preferidos para ouvir logo de manhã enquanto me preparo para o trabalho, e também adoro ouvi-lo no subway. O álbum relaxa-me, clarifica-me a mente e prepara-me para enfrentar o dia. É definitivamente o meu álbum preferido a sair de Cabo Verde em 2011. Mais uma vez o Tcheka conseguiu compôr um álbum musicalmente forte, repleto de lindas melodias e canções que só um caboverdeano pode sonhar e só aquelas ilhas podem inspirar. E mais uma vez cada melodia, cada canção é reforçada pela voz do Tcheka...realmente o homem sabe cantar. Este já é o quarto álbum do Tcheka e pelo bem da música lusófona, espero que continue a nos oferecer estes tesouros sonoros.

5. The Cherry on My Cake, by Luísa Sobral (Portugal)



Several publications considered Luísa Sobral's debut album The Cherry on My Cake as the best Portuguese album of 2011 and I'd have to agree. What an assured and accomplished debut by the young woman. She has a wealth of talent at her disposal and if her breakthrough success on both sides of the Atlantic (US and Portugal) is anything to go by, she'll be singing for awhile. I love that Luísa made the choice to sing in both Portuguese and English; it gives her jazzy, lighthearted album a distinct sound and feel. Hearing her croon in Portuguese is particularly satisfying, and her English still retains a bit of a Portuguese accent. I'm a huge fan of accents, especially when sung to music like this. Not There Yet was amongst my favorite songs of 2011, while O Engraxador below is another standout track.

O Engraxador

Luisa Sobral, by EU Neighbourhood Info Centre
Várias publicações consideraram o álbum de estreia de Luísa Sobral,  The Cherry on My Cake, como o melhor álbum português de 2011. Terei de concordar. Que grande estreia por parte de uma cantora tão nova e talentosa. O facto que a Luísa encontrou sucesso não só em Portugal como também aqui nos States logo na primeira tentativa é prova que ela veio para ficar. Adoro o facto dela ter escolhido cantar tanto em inglês como em português; a presença dos dois idiomas, a maneira como as duas línguas funcionam igualmente bem nas músicas jazzy e alegres, torna o álbum distinto. Sou um apreciador de jazz em português e não é todos os dias que o oiço. E também sou um apreciador de sotaques - gosto de ouvir o sotaque aportuguesado do inglês da Luísa. Not There Yet, single do álbum, foi dos meus sons preferidos de 2011, enquanto que O Engraxador é outro tema que aprecio.

4. Clave Bantu, Aline Frazão (Angola)



After I found out about Aline and her music, I dreamt of seeing her play at the Luanda Jazz Festival. I also hoped that one day she would edit an album, even though she said she had no plans to do so at the time. In 2011 she released her studio debut Clave Bantu and in 2012 she played in the Luanda Jazz Festival. Some dreams do come true, apparently...

There are not many albums like this one in the Angolan market. There aren't many albums with this sublime simplicity, this beauty, this lightness. Guitar, voice, percussion. It's an album that's easy to listen to and contains influences from other Lusophone areas, including Brazil, Cape Verde, Portugal, and...Galicia. It was independently produced and released by Aline herself. Of the 11 tracks, two were written by very well known Angolan authors: Ondjaki wrote Amanheceu while José Eduardo Agualusa wrote O Céu da Tua Boca. The other nine songs are Aline's. I'll leave you with Na Boca do Mundo, one of the standouts.

Na Boca do Mundo

Aline, by Obra Social Caja Madrid
Pouco após conhecer a Aline sonhava em ver-lhe cantar no Luanda Jazz Festival. Sonhava também em escutar um disco dela, porque na altura em que comecei a ouvir as suas músicas ela nem sequer tencionava lançar um álbum. Em 2011 ela lançou Clave Bantu e em 2012 cantou no Luanda Jazz Festival. Alguns sonhos tornam-se realidade...

Não existem muitos álbuns como este no mercado angolano. Não existem muitos álbuns com esta liberdade, esta beleza, esta simplicidade. Guitarra, voz e percurssão. É um álbum de audição fácil, suave, com influências de vários pontos da lusofonia, incluindo Brasil, Cabo Verde, Portugal e...a Galicia. Foi produzido de forma independente. Das onze faixas, duas foram escritas por conhecidos cantores angolanos: o Ondjaki escreveu Amanheceu e o José Eduardo Agualusa é o autor de O Céu da Tua Boca. As outras nove músicas foram lindamente escritas pela Aline. Fique com Na Boca do Mundo.

3. Proibído Ouvir Isso, by MCK (Angola)


His songs usually don't play on the radio - only his tamer songs get airtime. His videos aren’t shown on TV. He’s anti-regime. Still, his album release event in Luanda's Praça da Independência attracted more crowds than any other release event in the capital that year. Thousands of people turned up to try to get a copy of one of the most anticipated album of the year. Once again, with his characteristic humility, MC Katrogipolongopongo calmly sold out his album and continued to spread his unique brand of social critique. He then went to the provinces and did the same thing. The effect was immediate. The phrase 'país do Pai Banana' (father banana's country) entered into the national lexicon. Even Rafael Marques took a break from his usual articles and wrote an extensive piece on this album, becoming a music blogger for a day. Proibído Ouvir Isso features some heavy-hitters of the Lusophone music scene, including Angola's Paulo Flores and kuduro artist Bruno M, and Portuguese producing maestro Sam the Kid. This was simply the best Angolan rap album of 2011 and the one that was able to create serious discussion about the social ills that plague us as Angolans.

Eu Sou Angola

Lançamento do Proibído Ouvir Isso
Foto do blog Kano Kortado
Não tocava na rádio. Não passa na televisão. É anti-regime. Mas mesmo assim, o lançamento do mais novo disco do MC do Bairro de Lata foi talvez o lançamento mais concorrido do ano em Luanda. Eram milhares de pessoas ávidas em conseguir uma cópia do CD. Mais uma vez, com a humildade que lhe é característica, o MC Katrogipolongopongo encheu a Praça da Independência em Luanda e vendeu milhares de exemplares. Depois viajou pelas províncias e fez o mesmo. O efeito foi imediato. A frase “país do Pai Banana” entrou no léxico nacional. O álbum foi motivo de um artigo extenso no site do Rafael Marques e fez com que o homem se tornasse music blogger por instantes. Contou também com a participação de grandes talentos do panorama musical angolano e não só, entre eles o Bruno M, Paulo Flores e Sam the Kid. É simplesmente o melhor álbum de rap angolano de 2011, e mais do que isso, foi álbum que mais despertou a nossa consciência crítica como cidadãos angolanos. Ponto final.

2. Lovers Rock Inna Week, by Grasspoppers (Portugal)


It's an ambitious, heavy-hitting album, filled with musicians at the top of their game. Selma Uamusse. Milton Gulli. Helder Faradai. Just to name a few. Cape-Verdeans, Mozambicans, Angolans. English, Creole, and Portuguese. This album has it all. Grasspoppers released the album for free on their website, which means that you (still) have the possibility of listening to quality Lusophone reggae without spending a single cent. When the album first came out I was unable to listen to much of anything else for days. On the subway on the way to work, at home as I made dinner, in the city streets as I walked to friend's houses, it was Lovers Rock that was playing. I still listen to it regularly over a year after its release. Carta a Uma Cidade Anoitecida was among my absolute favorite songs of 2011. At night, in the quiet dark, alone or with company, or on that night drive when it seems the road is all yours, there are few better songs to play than that one. This was, without a doubt, one of the albums that most influenced me in 2011.

Black Brothers Riddim


É um álbum estonteante, com personagens em grande forma. Selma Uamusse. Milton Gulli. Helder Faradai. Só para citar estes. Cabo-verdianos, moçambicanos, portugueses, angolanos. Português, crioulo, inglês. O álbum tem de tudo. Os manos dos Grasspoppers ofereceram o Lovers Rock de graça no seu website. Ou seja, tem a possibilidade de escutar reggae lusófono de qualidade sem gastar um único centavo. Quando o álbum saiu, ouvia-o durante dias seguidos. No subway a caminho do trabalho, em casa enquanto preparava o jantar. Ainda o oiço com frequência, mais de 1 ano depois de ter saído. Carta a Uma Cidade Anoitecida foi talvez a música que mais gostei de ouvir em 2011. À noite, no escuro, na solidão ou com uma companhia, no carro de madrugada com a estrada vazia, não conheço melhores músicas para se escutar. Este foi, definitivamente, um dos álbuns que mais me marcou em 2011.

1. Nó na Orelha, by Criolo (Brazil)



Quite simply the best Lusophone album of 2011, and definitely the best Lusophone rap album to come out in some time. It was considered by national and international publications as the best Brazilian album of 2011. Nó na Orellha broke down several barriers and introduced Criolo to a worldwide audience. On the success of this album, Kléber Gomes, his real name, finally left São Paulo and held live concerts in Paris, London, and right here in New York City, introducing rapt audiences to the distinctive rhythm of his Paulista rap. There's a lot to love about this album. It is the complete package: lyrically profound, excellently produced, and so much more than just rapping. Criolo infused his brand of hip hop with soul, intelligence, and a distinctly Brazilian identity - he sings in some tracks, croons in others and then lays down rhymes with the same skill as the best. From the afro-beat opener to the samba closer, Criolo's second album contains several sonic landscapes, among them funk, MPB, blues, and brega. It is a trascendental album and further establishes São Paulo as the source of all that's brilliant about modern Brazilian, and Lusophone, music.

Lion Man

Criolo, por Tinho Sousa
Simplesmente o melhor álbum lusófono de 2011, e definitivamente o melhor álbum de rap lusófono que eu ouvi nos últimos tempos. Foi considerado como o melhor álbum brasileiro de 2011 por várias publicações brasileiras e internacionais. Nó na Orelha quebrou vários preconceitos e apresentou o Criolo à uma audiência mundial. Por causa do sucesso deste álbum o Kléber Gomes, como também é conhecido, teve a oportunidade de actuar ao vivo em várias capitais mundiais, incluindo Paris, Londres, e Nova Iorque. Introduziu o seu rap paulista ao mundo. Há muito que respeitar e apreciar neste álbum - é um trabalho completo. Liricamente profundo, excelentemente produzido, e muito mais que rap. Este MC conseguiu criar o seu próprio estilo de rimar e encarar o hip-hop. O hip-hop do Criolo tem soul, inteligência e uma identidade brasileira distinta. E como se não bastasse, este homem também sabe cantar. Não existe amor em SP é uma obra de arte por si só. Desde o afro-beat da primeira música ao samba da última, Nó na Orelha é uma viagem por várias paisagens sonoras, incluindo funk, MPB, blues e brega. É um disco trascendente que mais uma vez estabelece São Paulo como a fonte de tudo que é brilhante na música brasileira e lusófona moderna.

Friday, August 17, 2012

Caipirinha Lounge Apoia: Gira Disk Conexão

 
O Lounge Apoia! É já neste dia 23 de Agosto, no famoso B.Leza em Lisboa. Antes, ouvia só falar no nome e não sabia bem do que se tratava; hoje, depois de ter visitado o espaço durante a minha estadia em Portugal na semana passada, já posso falar com propriedade que o B.Leza é um lugar apaixonante, perfeito para concertos e a apreciação de música em geral. Que sítio fantástico, com gente simpática de todas as esferas sociais. Na noite em que fui, dancei lá uns kizombas e uns sembas depois de mais de um ano e meio sem pisar em pistas de danças lusófonas...foi como matar a sede. Sem mais rodeios, o comunicado dos nossos parceiros da Conexão Lusófona:
A Conexão Lusófona, movimento de jovens da Lusofonia, promoverá uma noite temática, no próximo dia 23 de Agosto no B.Leza em Lisboa.
"Gira Disk Conexão" é o nome do evento, que em formato de baile, que revisitará clássicos dos anos 60 e 70 interpretados por uma nova geração de lusófonos.

Bob da Rage Sense, Dino d'Santiago, Selma Uamusse, Tamin e Tiku prestam tributo às suas influências num evento que promete fazer com que todos viagem no tempo e não parem de dançar!
Parte das receitas deste evento reverterão a favor do novo site da Conexão Lusófona que promoverá as artes, o turismo e as oportunidades profissionais no espaço da Lusofonia.
Um cruzamento entre o passado e o presente, de olhos bem postos no futuro. Lisboa promete ferver aos ritmos da Conexão!
Contamos convosco na divulgação, na presença e apelamos a que todos se vistam a rigor!

Tive a oportunidade e o prazer de participar na escolha das músicas; só para vos dar um dar um cheirinho do que está para vir, aqui vai a versão original de Chove Chuva, do Jorge Ben Jor, que consta no seu primeiríssimo disco, Samba Esquema Novo, saído no longíquo ano de 1963. Relíquia!

Chove Chuva

Thursday, July 26, 2012

One Take Series, by Dino d'Santiago

Lounge favorite Dino is back, and what a return. I loved Eu e os Meus (remember Amanhã? How could one forget?), but I'll confess that I didn't give his next musical projects, including his award-winning stint with Nu Soul Family, the attention they deserved. Perhaps I'll revisit them in the near future...

What inspired me to write this post however was the Dino I see today; the Dino I see today is as versatile and as talented as ever, but also truer to his roots: for this particular reincarnation, he's known as Dino d'Santiago and will sing exclusively in creole and Portuguese.

And it's been a spectacular treat. The Dino I hear is pure and raw; it's that Dino that we heard in the song Mamã with Tito Paris. You can see the simple beauty of Cape Verdean music in the video he does below with my beloved Sara Tavares; you can marvel at the afro-portuguese fusion he executes to perfection with Pedro Mourato and Gileno Santana on the following video. The sound is so inviting and pristine that you could be forgiven for almost forgetting the cinematography and the beauty of these locations. What a breath of fresh air...



O nosso querido Dino está de volta, desta vez com "nova roupagem". Adorei Eu e os Meus (ainda lembram-se do Amanhã? Como esquecê-lo?), mas confesso que não prestei o mesmo grau de atenção aos seus próximos projectos e colaborações, incluindo a sua exitosa temporada com os Nu Soul Family. Talvez os poderei revisitar num futuro próximo...

O Dino que vejo hoje é o mesmo Dino, sempre versátil e majestosamente talentoso, mas é também um Dino que reencontrou a sua identidade: agora chama-se Dino d'Santiago e nesta sua nova empreitada, cantará somente em criolo e português.

E tem sido espectacular. Oiço um Dino puro, cru, roots, aquele Dino que ouvimos na música Mamã com o Tito Paris. É ver o vídeo abaixo com a minha amada Sara Tavares e admirar a simples beleza da música crioula; é ver o vídeo com o Pedro Mourato e Gileno Santana e ouvir a maravilha desta fusão afro-portuguesa. Isto para não falar na cinematografia de cada vídeo. Que lufada de ar fresco...


Sunday, July 22, 2012

Ikono no Okayplayer, Nancy Vieira no Womex, Batida no Soundway!!

É o que digo, música lusófona está bateire. Recebi duas excelentes notícias do blog dos manos do Grasspoppers, Afro LX, um blog que muito aprecio, e a terceira notícia recebi do Okayplayer em formato de entrevista a um mano que muito admiro. Detalhes em baixo!

It's what I keep saying, music in Portuguese is going places. If it's not "there" already, wherever "there" is. I got two pieces of excellent news from one of my favorite blogs, Afro LX, run by my brethren from Grasspoppers, and the other from Okayplayer:


A cantora caboverdeana Nancy Vieira foi selecionada para fazer parte no WOMEX, prestigiando assim o evento com a sua linda voz e cimentando o seu lugar como uma das cantoras mais importantes daquele arquipélago;


Nancy Vieira of Cape Verde was invited to play in WOMEX, further establishing herself as one of the islands premiere voices;




A banda luso-angolana Batida assinou pela Soundway Records e tem agora a possibilidade de espalhar o seu "vintage kuduro" para uma audiência verdadeiramente mundial; estou muito feliz pelos gajos, que neste preciso momento se encontram na Europa a tocar mambos como Alegria a personagens que nunca antes tiveram contacto com este tipo de energia;

Batida has signed for international record label Soundway Records, which further allows them to disseminate their highly contagious, infections brand of kuduro which is unlike any other; at this precise moment they're doing a tour of Europe, playing stuff like Alegria, the likes of which their awe-struck audience has never even fathomed;




Por fim, o mano Ikonoklasta (Luaty Beirão) foi entrevistado por nada mais nada menos que os bradas do Okayplayer/Okayafrica, que tomaram interesse no facto que o mesmo sofreu uma tentativa de incriminação com o agora já famoso caso da cocaína na roda da bicicleta. A entrevista fala também sobre a repressão violenta e criminosa que estão sujeitos o Ikono e seus amigos, repressão esta que conta com o apoio estatal angolano.


And lastly but certainly not least, Ikonoklasta (Luaty Beirão) was interviewed by Okayplayer/Okayafrica regarding the brutal violent and criminal state-sponsored repression he and his friends have been subjected to since they decided to test their civil rights in Angola

Sunday, January 22, 2012

Caipirinha Lounge Cinema: Brown Skin Guy

This is the first single off The Grasspoppers brilliant new CD, Lovers Rock Inna Week, featuring the captivating Mozambican Selma Uamusse. The video was released three days ago on The Grasspoppers blog, Afro Lx, and captures images of the crew in concert.

Este é o primeiro single do brilhante novo CD dos Grasspoppers, Lovers Rock Inna Week, e conta com a participação da moçambicana Selma Uamusse e a sua voz captivante. O vídeo foi lançado há três dias no blog da malta dos Grasspoppers, Afro Lx, e contém imagens do grupo em concerto.


Brown Skin Guy - Grasspoppers from Ras Kitchen Film on Vimeo.

Saturday, December 17, 2011

Obrigado, Cesária.

Photo by Rosa Paolicelli

Friday, December 16, 2011

Primeiro Podcast Zarpante

Photo by Cláudio Lwakuti
Last week our partners Zarpante released their first podcast. It's a collection of quality, alternative Lusophone music, and contains a familiar voice or two...watch out for Leonardo Wawuti, Coca o FSM, and other gems. Happy listening.

Zarpante 01 by Zarpante Lda

A semana passada os nossos parceiros do Zarpante lançaram o seu primeiro podcast. É uma colecção de música lusófona alternativa de qualidade, e talvez vão reconhecer uma voz ou outra. Destaque para o Leonardo Wawuti, Coca o FSM, e outros talentos. Feliz escuta.

-Photo by Cláudio Lwakuti

Friday, November 18, 2011

Dor de Mar, by Tcheka

Cape Verde's most exciting musicians have traditionally been women. It is simply impossible to talk about the country's musical contribution without mentioning names such as Cesária Évora immediately after you mention the words "Cape Verdean music." Brilliant talents such as Sara TavaresMayra AndradeLura, Carmen SouzaNancy VieiraMaria de Barros, and more, have kept Cesária's legacy alive and well. But the country also boasts some excellent male musicians, chief among them the inimitable and unequaled Bana, whose musical career spanned over 60 years.

Over the past 8 years, however, another male talent from the culturally rich archipelago of Cape Verde has garnered more and more respect and acclaim for the quality of his compositions and his music. Tcheka, as Manuel Lopes Andrade is known, has emerged to become one of Cape Verde's best male singers, and currently my favorite. His musical strength has grown from album to album, and his newest piece of work, Dor de Mar, cements his position as the premier ambassador of Cape Verdean batuque music.

Dor de Mar is full of beautiful melodies infused with the impressive range of Tcheka's voice. The rhythms are emotionally evocative of his homeland and the lyrics detail the daily reality of his countrymen and women. It's one of those albums that's meant to be played from start to finish on a quiet afternoon or evening, an album that will momentarily make you forget whatever you're doing as you pay more and more attention to the music. Among the album's standout tracks are the opener, Kriadu Assim, as well as Antuneku and Fla Mantenha.

Kriadu Assim
Antuneku
Fla Mantenha

Tradicionalmente, os músicos mais conhecidos de Cabo Verde têm sido mulheres. É simplesmente impossível falar de música caboverdeana sem pronunciar o nome da Cesária Évora na mesma frase. Telentos brilhantes como a Sara TavaresMayra AndradeLuraCarmen SouzaNancy VieiraMaria de Barros, têm sabido manter acesa a chama e o legado da diva dos pés descalços. Mas o país também criou varios filhos que conseguiram levar a sua música além fronteiras, principalmente o inegualável e inimitável Bana, cuja carreira durou mais que 60 anos.

Durante os últimos anos, um outro talento masculino do culturalmente rico arquipelago de Cabo Verde tem dado nas vistas pela qualidade sonora das suas composições e as letras emotivas das suas músicas. Tcheka, que também responde pelo nome Manuel Lopes Andrade, tem se tornado um dos melhores músicos do país, e neste momento é o meu preferido. Tem sabido ser melhor a cada disco que lança, e o seu trabalho mais novo, o Dor de Mar, fortalece a sua posição como o principal embaixador do batuque, um dos estilos de músicas próprios de Cabo Verde.

Dor de Mar está repleto de lindas melodias infundidas com a variedade distinta da voz do Tcheka. Os ritmos fazem lembrar o mar e as suas letras vislumbram a sua realidade e a realidade dos seus conterrâneos. É um daqueles álbuns que sabe bem tocado do príncipio ao fim tarde de fim de semana ou uma noite calma; um álbum que por vários e demorados instantes faz-nos esquecer o que estamos a fazer, faz-nos focalizar só mesmo na música e nada mais. Entre as melhores canções estão a primeira do álbum, Kriadu Assim, bem como Antuneku e Fla Mantenha.

Monday, October 24, 2011

Sara Tavares na Casa 70


Tuesday, September 27, 2011

Caipirinha Lounge Cinema: Tchoro na More, by Tcheka


O Tcheka é sem dúvidas um dos filhos mais talentosos de Cabo Verde e um dos meus cantores lusófonos preferidos. É só ouvir a presença dele em várias mixtapes do Lounge. Muito se tem ouvido das divas caboverdeanas, entre elas vozes como a Mayra Andrade, a Lura, e a Sara Tavares, mas em Tcheka estas beldades encontraram um par masculino. Fico, portanto, muito feliz em saber que o Tcheka prepara-se para lançar um novo álbum, entitulado Dor de Mar. Há dias o portal da Buála publicou a seguinte entrevista com o cantor, que retomo aqui na íntegra, bem como o vídeo oficial de Tchoro na Mare, o primeiro vídeo do álbum:

Tcheka is without a doubt one of Cape Verde's most talented sons and one of my favorite Lusophone artists. I've been unable to keep him out of most of the Lounge's mixtapes, such is my respect for him. You'll always hear about Cape Verde's talented divas, such as Mayra Andrade, Lura, and Sara Tavares, but little on the masculine front; Tcheka is as gifted as them. I'm quite excited then that he's preparing to launch a new studio album, titled Dor de Mar. Several days ago Buála published an interview with the man, which you can read below. Check out as well the official video for the first single off his new album, Tchoro na Mare.


Tcheka descreve sua música como sendo “música tradicional de Cabo Verde com influência erudita e do jazz”. O seu novo trabalho “Dor de Mar” surge após quatro anos de pausa em que o músico amadureceu a sua experiência profissional. “Dor de Mar” é um álbum “mais Tcheka”.
O Tcheka participou do álbum “Argui”, em 2003, em 2005 lançou o álbum “Nu Monda” e em 2007 “Longi”. Foram distâncias de 2 anos e agora precisou de 4 anos para lançar, o novo álbum, “Dor de mar”, porquê?
Isso aconteceu porque eu fiz este trabalho como produtor também. Fiz os arranjos e tudo foi feito por mim e então eu precisava de mais tempo para poder trabalhar esses aspectos e tomar essa decisão. Porque quando se faz um disco sozinho precisa-se de tempo e de espaço para se poder pensar e conseguir o resultado desejado.
E porque decidiu fazer tudo, desta vez? Porque surgiu a oportunidade ou porque queria mostrar mais da sua pessoa?
Para além de querer mostrar mais, apesar de cada disco que eu fiz ter sido muito importante porque fazem parte da minha carreira, eu também senti que, cada vez estava a perder algo. Eu queria estar presente como director musical. E isso não tem nada a ver com o facto de os outros discos estarem mal, muito pelo contrário, são muito bons. Mas quando tu próprio estás à frente de tudo, podes incluir elementos, que para ti são importantes no teu trabalho, não tens de negociar tanto, então, é completamente diferente.
Então fale-me desse processo desde “Argui”, álbum em que participou em 2003, até agora, ao “Dor de Mar”. O que mudou?
Ganhei muita experiência. Nos outros três discos eu era simplesmente mais um músico, um cantor. E com a experiência que ganhei nesses três discos senti-me capaz e com força para decidir fazer este novo disco sozinho. 
E o que quer dizer com “Dor de Mar”?
Dei este nome ao disco porque eu vivi numa aldeia em que o problema da apanha de areia é muito importante e o desgaste da natureza está a sentir-se cada vez mais. Então este nome é uma espécie de alerta para este tipo de problemas ambientais.
Agora o Tcheka falou de uma das temáticas e em termos musicais o que se pode ouvir em “Dor de Mar”?
Ouve-se música de Cabo Verde mas com algumas influências de jazz e um pouco de tudo mas sempre com o meu cunho pessoal. A minha intenção é mostrar que a música não tem fronteiras e que tem as portas abertas para todo tipo de influências e para tudo o que um músico queira dar. Por exemplo, eu não tenho banda, então para gravar o disco eu tinha as minhas ideias definidas e convidei músicos e cada músico levou as suas experiências e isso é muito importante. Mas o que eu defendo no meu trabalho é que haja uma base e que as pessoas a identifiquem como Tcheka.
E os músicos que tocam consigo neste disco vêm de que países?
Angola [Ndu, bateria], Camarões [Guy Sanguy, baixo eléctrico], França [Thierry Fanfan, baixo acústico], Cabo Verde [Ivan Gomes, guitarrista] e Madagáscar. É uma mistura de países diferente e é normal que eles incluam as suas influências, mas a minha preocupação é manter a base Tcheka. 
E tem uma música preferida neste álbum?
Eu não tenho uma música preferida. Tudo depende do momento que estou a viver. É como se tivesse cinco filhos, seriam todos iguais para mim.
Todos os temas no álbum foram escritos por si excepto um, porquê?
Gravei um tema de Norberto Tavares [Forti bu dan cu stango] à minha maneira. Mas eu queria mostrar que, para além de ele ser um grande compositor, ele também é um grande músico. Eu acho que é bom regravar temas de grandes artistas para homenageá-los e Norberto Tavares foi um grande músico que hoje já não temos, então, é uma forma de homenageá-lo.
E agora terminar, porque é que o público deve ouvir “Dor de mar”?
É um disco novo, tem outro tipo de arranjos e é um disco mais Tcheka!


-Entrevista por Carla Fernandes

Thursday, September 15, 2011

Caipirinha Lounge Presents: Lusofonia Acústica, Vol. 3


The third edition of the Lusofonia Acústica series is finally available for download. So far it’s the playlist that I’ve had the most fun working on, just because of the sheer quality of music that has been released recently, or that I’ve finally stumbled upon. It was only in these last few months that I found out about talented and unique artists like Thiago Pethit, Tulipa Ruíz, and Tiê, all from Brazil; it was in these last few months that Aline and César released their impressive album A Minha Embala; it was in these last few months that I started listening to the Portuguese Ana Moura’s distinctive voice, got a hold of the cape-verdean Mayra Andrade’s acoustic live recording, and delved deeper into Narf & Manecas Costa’s Guinean-Galician musical union. At the same time I haven’t forgotten about the usual suspects, such as Terrakota, who released a strong album in World Massala, Sara Tavares, and even the Kafala Brothers, who I hadn’t heard in years. So as I said, a huge pleasure this playlist has been. I hope you enjoy it. Below is the order the tracks should be played in; click the picture or the link above to download your copy.

Lusofonia Acústica Vol. 3 


1. Kaputo Mwangolê, by Banda Next (Angola)
2. Sweet Jardim, by Tiê (Brazil)
3. Pé na Tchon, by Terrakota (Portugal)
4. Nunca Mais, by Zuco 103 (Brazil)
5. Amiga da Minha Mulher, by Seu Jorge (Brazil)
6. Filho da Kianda, by Paulo Flores feat. Romi Anauel (Angola)
7. Ponciana, by Lura (Cape Verde)
8. Né Djarabi, by Terrakota ft. Paulo Flores (Portugal/Angola)
9. N’pirdi Coragem, by Eneida Marta (Guinea-Bissau)
10. Assinado Eu, by Tiê (Brazil)
11. Zorro, by António Zambujo (Portugal)
12. Jeitos, by Aline Frazão (Angola)
13. Fuga N° 1, by Thiago Pethit (Brazil)
14. Do Amor, by Tulipa Ruíz (Brazil)
15. Ponto de Luz, by Sara Tavares (Cape Verde)
16. África, by Kafala Brothers (Angola)
17. Natural Luz, by Ellen Oléria (Brazil)
18. A Sós Com a Noite, by Ana Moura (Portugal)
19. Esta Noite, by Narf & Manecas Costa (Galicia/Guinea-Bissau)
20. Transparente, by Mariza (Portugal)
21. August Day Song, by Bebel Gilberto (Brazil)
22. Telemóvel, by Tcheka (Cape Verde)
23. Dimokransa, by Mayra Andrade (Cape Verde)
24. Bagi, by Kimi Djabaté
25. Olhar Adiante (Angola)


Está finalmente disponível para download o terceiro volume da série Lusofonia Acústica. Foi talvez até agora a compilação que tive mais prazer em selecionar, devido à alta qualidade das músicas ao meu dispor. Foram nestes últimos meses que conheci a obra sonora de grandes artistas como Thiago Pethit, Tulipa Ruíz, e da Tiê, todos do Brasil; foram nestes últimos meses que a Aline e o César lançaram A Minha Embala; foram nestes últimos meses que conheci a voz da portuguesa Ana Moura, que ouvi o CD acústico da cabo-verdeana Mayra Andrade, e que ouvi com mais seriedade o trabalho em conjunto do Narf e o Manecas Costa, que souberam unir a Guiné-Bissau com a Galicia. Mas não me esqueci também dos suspeitos do costume, caso dos Terrakota, que lançaram um grande álbum em World Massala, a Sara Tavares, e até os Kafala Brothers, que não ouvia há uns bons anos. Foi, portanto, uma delicia construir esta playlist. Espero que gostem. Eis a ordem das músicas. Carregue no link acima ou na foto para fazer o download da playlist.

- Cover photo by Cláudio Lwakuti

Monday, September 12, 2011

Lusofonia Acústica Vol. 3 on 8tracks

The 3rd edition of Caipirinha Lounge's Lusofonia Acústica series features 25 beautiful acoustic tracks by the Lusophone world's most talented contemporary musicians, including Brazil's Thiago Pethit, Angola's Banda Next, and Portugal's Ana Moura. Download available very soon!

 

 A terceira edição da Lusofonia Acústica contém 25 lindas composições maioritáriamente acústicas cantadas pelos mais talentosos músicos da actualidade lusófona, incluindo o Thiago Pethit do Brazil, a Banda Next de Angola, e a Ana Moura de Portugal. Brevemente disponível para download aqui mesmo!

Friday, September 9, 2011

Carmen Souza is coming to North America

A não perder! // Unmissable! Check out dates below:



Friday, August 12, 2011

The Grasspoppers Presents: Lovers Rock Inna Week

As soon as I heard that The Grasspoppers were releasing the successor to Dub Inna Week, continuing with the theme of creating an album from start to finish in the space of one week while proverbially locked in their studios in Lisbon, I was curious to see if they could top their first effort. The successor, Lovers Rock Inna Week, takes the original concept but adds a different theme: love. Thus all the songs on Lovers Rock are about love and lust, set to sumptuous reggae beats. After letting the album marinate in my soul and soak into my eardrums for the last couple of days, listening to it to and from work, dissecting it, listening to it from start to finish and then on shuffle, I feel like I’m finally ready to write about it.

Lovers Rock Inna Week grows with each listen. If there were any kinks in the original Inna Week album, the Gulli siblings and their many collaborators smoothed things out. The melodies are captivating, the reggaes are infectious, the bass line is sick. Helder Faradai features in several tracks and is in an inspired mood throughout; Prince Wadada is another regular on this album and is used to great effect. Marisa Gulli’s voice at first listen doesn’t seem to be anything special but I absolutely love hearing her on these reggaes, even just speaking rather than singing: on this album, Dancehall do Engate is Dub Inna Week’s Dub Safari, where she just speaks on top of the reggae beat. But the strength of this album is such that although songs like Dancehall do Engate and Meu Novo Amor (where Milton Gulli Daniel Cruz sings) are among my preferred jams, they’re not even among the three songs featured here.

That honor has to go to Brown Skin Guy, Doo Doo Doo and Carta a Uma Cidade Anoitecida. The Grasspoppers released Brown Skin Guy as their single as they promoted the album, to spike people’s interest. It’s a very strong track and as the second song on the album, sets things up beautifully. The Mozambican diva Selma Uamusse, whose voice reminds me a bit of Macy Gray, is fantastic, and the chorus, which goes “secretly in love, with my best friend…” is more relatable than you’d think...

Both Doo Doo Doo and Carta a Uma Cidade Anoitecida feature an Helder Faradai in fine form. The man adds an element of quality Angolan rap on these reggae tracks that elevate them; Prince Wadada, David Cruz and Milton Gulli also add their vocals to the Doo Doo Doo and the end result is pretty damn good. Carta a Uma Cidade Anoitecida features Marisa Gulli on spoken word, and she just kills it. Helder Faradai makes an appearance towards the second half of the song. This song in particular transforms after each listen and is perhaps the album’s standout track.

I was talking (Facebook chatting) with Helder yesterday and he asked me which album I thought was better. As hard as the question is, and as much as each compilation deserves to stand on its own, the comparisons are inevitable. I have to say, though, that Lovers Rock is the better of the two. The entire album just gels together – for example, the Intro and the last song Garota are the same rhythm & beat, and when the intro starts you want it to go on for longer, only for it to stop after less than a minute. But then when Garota come on you feel rewarded, because that was such a good beat to go to waste. True, some songs don’t work as well as others – I don’t care much for Fall in Luv – but when you take into account that they cranked this out in one week, collaborating with some of the best Lusophone artists out there, it’s damn impressive. Six paragraphs later and I’m finally able to shut the hell up and give you the links (click on the link below or the image) so you can download the entire album (for free.99) and listen for yourself.

The Grasspoppers Presents: Lovers Rock Inna Week

Brown Skin Guy
Doo Doo Doo
Carta a Uma Cidade Adormecida

Logo que dei conta que o lançamento do novo álbum dos Grasspoppers, o sucessor do Dub Inna Week, era iminente, fiquei curioso em saber se conseguiriam repetir a proeza. É que o que eles fazem é impressionante: fecham-se no seu cubico em Lisboa e durante uma semana fazem o álbum inteiro, do princípio ao fim, num ambiente que deve ser propício para a criação de música de qualidade. Desta vez o tema foi o amor, e em vez de dub as melodias são de um reggae suntuoso, vivo, recheado. Depois de deixar o álbum a temperar nos molhos da minha mente, depois de o deixar penetrar pelos meus tímpanos enquanto caminhava do trabalho à casa, ou na selva do subway de Nova Iorque, do princípio ao fim, seguido ou em shuffle, sinto que já o conheço o suficiente para escrever sobre ele.

O Lover’s Rock Inna Week cresce com cada audição. Das pouquissimas falhas que existiam no Dub Inna Week, os manos Gullis e os seus vários colaboradores fizeram com que não restasse quase nenhuma. As melodias são captivantes, os reggaes contagiantes, as bass lines um espectáculo. O Helder Faradai participa em várias faixas e estava claramente inspirado durante a gravação; o Prince Wadada é outra participação regular e benvinda neste álbum. A voz da Marisa Gulli não parece ser grande coisa em termos de timbre e técnica mas adoro ouvi-la nestes reggaes e adoro o seu jeito particular de encarar as músicas: muitas vezes ela nem canta, limita-se simplesmente a falar, a conversar com o ritmo e o ouvinte, e o efeito é excelente. Se no álbum passado ela o fez no Dub Safari, neste álbum ela o faz novamente, mas de uma forma mais sexy, no Dancehall do Engate. Fogo, também quero ser engatado assim. Mas a qualidade deste álbum é tal que grandes sons como Dancehall do Engate e Meu Novo Amor, em que o Milton Daniel Cruz canta, nem estão entre as minhas três músics preferidas.

Esta particularidade vai para Brown Skin Guy, Doo Doo Doo, e Carta a Uma Cidade Adormecida. Os Grasspoppers lançaram Brown Skin Guy como o primeiro single do álbum enquanto o promoviam, para aguçar o apetite do pessoal. Acertaram em cheio. É um som forte, e como o primeiro brinde após a intro, faz um bom papel em definir o estado de espírito do álbum. A diva moçambicana Selma Uamusse tem uma voz que causa arrepios. Faz-me lembrar a Macy Gray, e a sua pariticipação nesta música foi fantástica. O refrão, “secretly in love with my best friend...” dá que pensar…

Tanto Doo Doo Doo e Carta a Uma Cidade Anoitecida contam com a participação do Helder Faradai, que está em grande forma. O mano adiciona o elemento de rap angolano de qualidade à estas faixas de reggae, e o resultado eleva a complexidade do som; o Prince Wadada, o David Cruz e o Milton Gulli também adicionam os seus ‘vocals’ ao Doo Doo Doo e o resultado final faz desta música entre as melhores do disco. Carta a Uma Cidade Anoitecida tem a participação da Marisa Gulli em formato de spoken word, e mais uma vez a moça ‘arrebenta’ com o mambo. O Helder Faradai aparece mas pra segunda metade do som. Esta música em particular merece várias audições e é talvez a melhor do Lovers Rock.

Ontém estava a falar com o Faradai (leia-se: a conversar Facebookalmente) e ele perguntou-me qual dos dois Inna Weeks era melhor. É uma pergunta difícil de responder, e cada compilação merece ser avaliada nos seus próprios méritos. Mas as comparações são por natureza inevitáveis, e para mim o Lovers Rock é o mais completo e o melhor dos dois álbuns. Gosto da maneira que o álbum foi concebido, e dos detalhes pequenos – por exemplo, a intro começa logo com um beat muito forte mas por ser intro é bastante pequena, e pensamos logo que o beat foi sub-aproveitado; mas, quando vem Garota, a última música do disco, com o mesmo beat e ritmo, vemos que afinal o beat não foi desperdiçado. Curti este toque. E claro, algumas músicas não trabalham tão bem como outras – não achei Fall in Luv grande coisa – mas quando levamos em conta que todo este trabalho gravado numa semana, e contou com a colaboração de vários músicos lusófonos de qualidade, é um trabalho impressionante. Já vão seis parágrafos; vou mazé me calar e vos fornecer o link para fazerem o download (grátis!) do álbum (clicando abaixo ou na imagem), para que oiças por ti próprio(a). E deixo aqui também a descrição dos manos acerca da sua compilação:

The Grasspoppers Presents: Lovers Rock Inna Week

“Sim ... perdemos novamente a cabeça durante uma semana. Fechados no mesmo estúdio que no ano passado, sem nenhuma preocupação, nenhuma pressão, as mesmas bebidas, as mesmas fumaças, os mesmos instrumentos e o mesmo computador portátil! Esta vez, em vez de dub, tentámos recriar o feeling daquelas velhas canções de reggae romântico, dos anos 60 aos anos 90. Lovers Rock foi a nova tarefa e pudemos sentir o amor no ar ... o Verão estava a começar. Foi necessário muito treino para captar aquele feeling: a audição dos discos de Gregory Isaacs, Dennis Brown, Sugar Minott , Freddy Mcgregor, Johnny Osbourne, Alton Ellis, entre outros, alimentou a nossa inspiração para a semana do amor. A doce combinação de vozes de soul com basslines e ritmos de reggae foi a nossa inspiração. Soubemos imediatamente que iríamos precisar de grandes cantores que pudessem assumir o reggae romântico como o seu hábitat natural. Tivemos cantores de soul, cantores de reggae, cantores de jazz, e quando eles vieram ao estúdio, o mel gotejava do microfone enquanto a banda continuava a despejar novos riddims e idéias. Criação pura inspirada pelos grandes clássicos. Às vezes doce e romântico, às vezes sexy e provocante, eis a nossa mensagem de amor para o louco século 21.

Clica na imagem para fazer o download gratuito!!!


For free download click on the photo!!!" - The Grasspoppers
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...