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Sunday, July 22, 2012

Ikono no Okayplayer, Nancy Vieira no Womex, Batida no Soundway!!

É o que digo, música lusófona está bateire. Recebi duas excelentes notícias do blog dos manos do Grasspoppers, Afro LX, um blog que muito aprecio, e a terceira notícia recebi do Okayplayer em formato de entrevista a um mano que muito admiro. Detalhes em baixo!

It's what I keep saying, music in Portuguese is going places. If it's not "there" already, wherever "there" is. I got two pieces of excellent news from one of my favorite blogs, Afro LX, run by my brethren from Grasspoppers, and the other from Okayplayer:


A cantora caboverdeana Nancy Vieira foi selecionada para fazer parte no WOMEX, prestigiando assim o evento com a sua linda voz e cimentando o seu lugar como uma das cantoras mais importantes daquele arquipélago;


Nancy Vieira of Cape Verde was invited to play in WOMEX, further establishing herself as one of the islands premiere voices;




A banda luso-angolana Batida assinou pela Soundway Records e tem agora a possibilidade de espalhar o seu "vintage kuduro" para uma audiência verdadeiramente mundial; estou muito feliz pelos gajos, que neste preciso momento se encontram na Europa a tocar mambos como Alegria a personagens que nunca antes tiveram contacto com este tipo de energia;

Batida has signed for international record label Soundway Records, which further allows them to disseminate their highly contagious, infections brand of kuduro which is unlike any other; at this precise moment they're doing a tour of Europe, playing stuff like Alegria, the likes of which their awe-struck audience has never even fathomed;




Por fim, o mano Ikonoklasta (Luaty Beirão) foi entrevistado por nada mais nada menos que os bradas do Okayplayer/Okayafrica, que tomaram interesse no facto que o mesmo sofreu uma tentativa de incriminação com o agora já famoso caso da cocaína na roda da bicicleta. A entrevista fala também sobre a repressão violenta e criminosa que estão sujeitos o Ikono e seus amigos, repressão esta que conta com o apoio estatal angolano.


And lastly but certainly not least, Ikonoklasta (Luaty Beirão) was interviewed by Okayplayer/Okayafrica regarding the brutal violent and criminal state-sponsored repression he and his friends have been subjected to since they decided to test their civil rights in Angola

Thursday, June 28, 2012

Angola: Passado e Presente da Música de Resistência

A Sara Moreira escreveu este brilhante artigo para o website Global Voices Online. É um artigo que examina o papel da música nos movimentos reivindicativos de Angola, tanto no período ante-independência como agora. Lembrou-me um pouco de um post que escrevi no Lounge e que chamei "O Grito Político do Hip-Hop Lusófono". O artigo da Sara realça a repressão violenta sofrida pelo movimento que hoje reclama contra a permanência de Dos Santos no poder há mais de três décadas; movimento este cujas personagens mais proeminentes são músicos. É, por isso, inevitável a comparação que ela faz com o movimento musical dos anos 70 que foi fortemente reprimido pelas autoridades portuguesas. Sem mais rodeios:

Angola: Passado e Presente da Música de Resistência
Por Sara Moreira


No final de Maio de 2012, a Amnistia Internacional reportou [1] que com a proximidade das eleições em Angola, estava a haver uma escalada da repressão contra a liberdade de expressão no país, nomeadamente contra músicos de intervenção. O comunicado pedia a investigação exaustiva e imparcial de um ataque violento contra um grupo de activistas críticos do governo, que incluía o rapper “Hexplosivo Mental [2]“.

Duas semanas mais tarde, a 11 de Junho, outro rapper que não esconde a sua oposição aberta ao governo, Luaty Beirão, também conhecido por Ikonoklasta ou Brigadeiro Mata Frakuxz [3]foi preso [4] no aeroporto de Lisboa, por alegadamente transportar cocaína na sua bagagem.

Nas redes sociais são muitos que acreditam que a verdadeira motivação da prisão de #Ikonoklasta [5] é política, já que a sua voz dissidente é uma das que tem ganho mais visibilidade desde que o descontentamento com o governo do PresidenteJosé Eduardo dos Santos [6], há 33 anos no poder, passou a tomar mais frequentemente a forma de protestos nas ruas, e nos palcos de Luanda. Em Março de 2011, Luaty foi preso numa manobra de antecipação do governo que acabou por anular a manifestação agendada para 7 de Março [7], e um ano depois foi espancado [4] por milícias pró-regime em Cazenga.

Viagem no tempo dos Ritmos de resistência

Ao mesmo tempo, a música da resistência angolana das décadas de 50 e 60 foi homenageada num encontro organizado pela associação sem fins lucrativos Centro Interculturacidade [8] em Lisboa, no início de Junho. Celebrando a presença de Amadeu Amorim, que integrou os históricos N'Gola Ritmos [9] [en], e numa viagem ao passado da música de intervenção, o blog Interculturacidade apresenta [10] o conjunto musical da seguinte forma:

motor da ideia de independência de Angola, e por isso perseguido. desmantelado e com vários dos seus elementos presos. Amadeu esteve longo tempo no Tarrafal e mais tempo esteve o líder do conjunto, Carlos Liceu Vieira Dias.
Numa entrevista publicada [12] no blog Nós Por Cá, de Silvia Milonga, em 2002, Amadeu Amorim explica “o que era o N’gola Ritmos no contexto social e político” de então:
No fundo, era uma rebelião pacífica, tentando despertar consciências adormecidas, que não acreditavam em mais nada, eram 500 anos de colonização. Não havia televisão, nem rádio para toda gente, os jornais não chegavam aos musseques nem ao interior do país e nós sabíamos que uma canção ficava presa no assobio, no cantar. Na LNA quando cantávamos em kimbundu, as pessoas viravam a cara meias envergonhadas, chamavam-nos os mussequeiros. Algumas pessoas no meio daquela malta que estavam acordadas, entediam porque cantávamos em kimbundu, mais tarde outros apareceram a dizer que falavam ou cantavam em kimbundu. Chegamos a rádio Esperança, uma rádio que transmitia de Brazaville, ouvida às escondidas. A nossa canção era a única que existia, as pessoas ouviam a rádio e o N’gola Ritmos, passando a mensagem de que não chegamos ao fim, vamos começar agora.
Continue a ler aqui.

Angola: Rhythms of Resistance, Past and Present


Sara Moreira wrote this brilliant article for Global Voices Online, examining how music has played such an important part in the resistance movements of the Angolan people, both in the late 60s and early 70s as well as right now. It reminded me a bit of an article I wrote a couple of years ago highlighting the charged political leanings of Lusophone hip-hop. Sara's article puts the spotlight on the persecution and violent repression of the movement that has recently been protesting against Dos Santos' three-decades-old rule; the most prominent people in this movement, it turns out, are invariably musicians. It's therefore inevitable that parallels are drawn between the repression of pro-independence musicians back in the 70s. Read on:

Angola: Rhythms of Resistance, Past and Present
by Sara Moreira

On 24 May, 2012, Amnesty International reported [1] that as the August elections in Angola approached, intimidation and violence against freedom of speech was expected to escalate, including that against political musicians. The report called for a full and impartial investigation into a violent attack against a group of anti-government activists, which included rapper Hexplosivo Mental [2].

Two weeks later, on June 11, another artist, known for his open opposition to the government, Luaty Beirão, also known as Ikonoklasta or Brigadeiro Mata Frakuxz, was arrested [3][pt] at the airport of Lisbon, for allegedly carrying cocaine in his luggage. On social media, many people commented that the real reason behind #Ikonoklasta [4]'s detention was political. In recent times, the rapper's voice of dissent has become more and more visible, as he openly lent support to the frequent street protests in Luanda where dissidents have been holding demonstrations to voice discontent with the government of President José Eduardo dos Santos [5], who has been in power for 33 years now.

Previously, Luaty had been arrested in March 2011, in a preemptive maneuver [6] by the government which resulted in the cancellation of the proposed large-scale, anti-government demonstrations scheduled for March 7,2011. One year later he was attacked [3] [pt] by pro-regime militias in Cazenga.

Time travelling to other ‘rhythms' of resistance


In a journey to another time of Angolan music of resistance, the historical group N'Gola Ritmos [7] from the 50's and 60's, was honored by the non-profit association Centro Interculturacidade [8] [pt] in Lisbon, in the beginning of June, 2012. Celebrating the presence of Amadeu Amorim, one of the members of N'Gola Ritmos [7], blog Interculturacidadepaid [9] [pt] a tribute to the group, which was described as:

Motor da ideia de independência de Angola, e por isso perseguido. Desmantelado e com vários dos seus elementos presos. Amadeu esteve longo tempo no Tarrafal e mais tempo esteve o líder do conjunto, Carlos Liceu Vieira Dias.

(Force behind the idea of independence in Angola, and thus persecuted, dismantled, and several of its members arrested. Amadeu was long time in Tarrafal [prison camp [11] in Cape Verde] - and the leader of the group, Carlos Liceu Vieira Dias, (was in prison) even longer.)


In an interview published [12] [pt] on the blog Nós Por Cá, by Silvia Milonga in 2002, Amadeu Amorim explained “what N’gola Ritmos stood for in the social and political context” back then:
No fundo, era uma rebelião pacífica, tentando despertar consciências adormecidas, que não acreditavam em mais nada, eram 500 anos de colonização. Não havia televisão, nem rádio para toda gente, os jornais não chegavam aos musseques nem ao interior do país e nós sabíamos que uma canção ficava presa no assobio, no cantar. Na LNA quando cantávamos em kimbundu, as pessoas viravam a cara meias envergonhadas, chamavam-nos os mussequeiros. Algumas pessoas no meio daquela malta que estavam acordadas, entediam porque cantávamos em kimbundu, mais tarde outros apareceram a dizer que falavam ou cantavam em kimbundu. Chegamos a rádio Esperança, uma rádio que transmitia de Brazaville, ouvida às escondidas. A nossa canção era a única que existia, as pessoas ouviam a rádio e o N’gola Ritmos, passando a mensagem de que não chegamos ao fim, vamos começar agora.
Basically, it was a peaceful rebellion, trying to awaken dormant consciences, who did not believe anything else, seeing the 500 years of [Portuguese] colonization. There was no television or radio for everyone, the newspapers did not reach the slums or the interior of the country and we knew that a song stayed stuck in a whistle, in singing. In the LNA [Angolan National Liberation] when we sang in Kimbundu, people turned their face half ashamed, they called us ‘mussequeiros' [a mention to people from the slums, musseques in Portuguese]. Some people amidst those guys who were awake, understood why we sang in Kimbundu, others showed up later saying that they spoke or sang in Kimbundu. We made it to Esperança (Hope) Radio, a radio broadcast of Brazzaville, heard in secret. Our song was the only one that existed, people were listening to the radio and to N'gola Ritmos, the message saying that we hadn't come to an end, we are just starting, was in the loop.

Read the rest of the entry here. // Continue a ler aqui.


Friday, May 25, 2012

Caipirinha Lounge Apoia: TEDxLuanda - Nós Amanhã



É já amanhã!

Dia 26 de Maio, pela primeira vez em Angola. É um evento a não perder. Todas as informações no site: www.tedxluanda.com

Friday, April 27, 2012

Aline Frazão featured in Fader.com

Fellow Angolan music aficionado Benjami Lebrave, our brother from Akwaaba Music who always has his ear on the latest African sound, recently featured Aline Frazão on his Lungu Lungo column at Fader, an expertly curated US-based magazine about fashion, culture, and of course, music. It's always a pleasure to see quality Angolan music featured in these types of websites, and to see the discourse on Angolan music expand beyond the ubiquitous kuduro. There is so much more to listen to...

Lungu Lungu: Lusophone Grace
Story by Benjamin Lebrave


Most people don’t know a whole lot about Lusophone music, meaning music from Portuguese-speaking countries. If anything, Brazil usually comes to mind first—in my experience, whenever I play music from places like Angola, the response is usually something like, “Oh, this sounds Brazilian.” It doesn’t, really, but there are definitely musical elements common to many genres coming from Lusophone countries. I assume it’s because the Portuguese colonized early, and were not afraid to mix with local populations. The Portuguese and their cultural influence have been around longer, and have penetrated deeper, than other colonizing powers. 
Now fast forward to post-colonial times, and imagine a musician with Angolan, Cape Verdian and Portuguese roots. Raised in Angola, with family in Brazil. I would dare any Lusophone specialist to pinpoint where such music comes from. I like the idea that a specialist or layman might both be puzzled by Aline Frazão‘s music. A real mishmash of influences—and not all of them stemming from Lusophone genres. 
“I cannot remember not being in touch with music” says Aline, who grew up in Luanda. She attended a Portuguese school, where she sang fado, and started performing in public from the age of 9. When she was 15, she heard an Ella Fitzgerald collection, and with it, discovered vocal jazz: “I felt like I was discovering a new dimension, the voice as an instrument… Jazz opened up doors in my mind.” 
After she completed high school, she moved to Europe to go to university. Lisbon first, then Barcelona, then Madrid. As Aline puts it, her experience in Europe is itself a kind of musical education: she is exposed to other genres, has the opportunity to meet other musicians with different backgrounds, different focuses, and, just as importantly, she can perform for a wide range of publics. She now lives in Santiago de Compostela, a more quiet place where she can enjoy a slower pace and truly focus on her music. Santiago also happens to be at the heart of Galícia, which linguistically and culturally straddles in between Castilian Spanish and Portuguese. 
Click here to continue reading at TheFader

Tuesday, April 24, 2012

Angola: In the eye of the beholder

Tanta Asneira pra Dizer Luanda É Bonita
Foto por Edson Chagas
I like it when Louise finds herself in Luanda – besides humorous and ironic tweets I can always expect good quality journalism, in English, about the city where I was born. The piece below is one of her most recent articles on my city’s burgeoning arts scene.

Gosto quando o destino força a Louise a regressar a Luanda – para além de tweets engraçados e irônicos posso sempre esperar por jornalismo bem feito, em inglês, sobre a cidade que me viu nascer. O artigo abaixo é um dos seus mais recentes e fala sobre a excelente cultura artística de Luanda.

Angola: in the eye of the beholder
A successful play and a downtown arts festival both tap into Luandans' fascination for their own city and its urban life.
Angola's capital, Luanda, boasts a rich cultural calendar for 2012, dominated by works that have the city itself at their heart. One of the highlights is Nuno Milagre's new play [I]Tanta Asneira Para Dizer Luanda é Bonita[/I] (Utter Nonsense to Say Luanda is Beautiful), which was on in January at the Teatro Nacional Chá de Caxinde.
Portuguese director Milagre, who first worked in Angola in 2002 on the critically acclaimed film [I]O Herói[/I], shows a comedic but probing appreciation of Luanda's idiosyncrasies, the good and the bad, the amusing and the tragic.

click here to read the rest of the article (from The Africa Report)

Wednesday, December 21, 2011

MCK no país do pai banana, by Rafael Marques

Gosto muito do Rafael Marques, não só pela sua coragem, "balls of steel", e "cojones", mas também pela sua forma de escrever e pela sua suprema dedicação na luta contra a injustiça extrema que grassa a sociedade angolana. Já não o vejo a anos (a última vez que ele me viu eu era criança, puto mesmo) mas nunca parei de acompanhar as suas diversas escritas e investigações. Agora com o site do Maka Angola tem se tornado ainda mais fácil. E foi com muito agrado que li a sua última crónica, relacionada com um artista que ambos adoramos: o MCK. Já escrevi aqui neste espaço sobre o seu resurgimento, mas não é todos os dias que o Rafael Marques faz uma crítica musical. Por isso, ponho aqui o mesmo texto que ele escreveu no seu site, com duas músicas do "Proíbido Ouvir Isso" no fim. O texto chama-se "MCK no país do pai banana" e vale muito a pena ler. Sem mais rodeios:

Em 2003, MCK, então com 22 anos, conferiu ao movimento rap em Angola extraordinária notabilidade política e social, em parte devido a uma intervenção assassina da guarda pretoriana do presidente José Eduardo dos Santos.
A 26 de Novembro do mesmo ano, soldados da guarda presidencial amarraram e arrastaram o lavador de carros Arsénio Sebastião “Cherokee”, 27 anos, para a água, no embarcadouro do Mussulo, em Luanda. Afogaram-no, ignorando os pedidos de clemência da multidão que circulava pelo local.

Que crime Cherokee teria cometido para merecer execução pública e sumária.

Os efectivos da Unidade de Guarda Presidencial (UGP) surpreenderam Cherokee a cantarolar “A Téknika, as Kausas e as Konsekuências” de MCK, também conhecida como o “Sei Lá o Quê, Uáué”, uma crítica acintosa ao governo de Dos Santos. Mataram-no imediatamente para que servisse de lição a todos.

O álbum de MCK era uma produção improvisada, clandestina (underground), distribuída por vendedores ambulantes. Os candongueiros, que fazem circular o povo por esta cidade de engarrafamentos intermináveis, amplificavam a curiosidade sobre o álbum pela regularidade com que tocavam a música para que os passageiros ganhassem consciência social através da música. É também nesta cidade de Luanda, onde a maioria não tem emprego formal e dedica tempo bastante para lamentar as suas malambas, que MCK tomou a dianteira em atacar os inqualificáveis abusos de poder como causas do mal-estar da sociedade. O artista rimava também contra o espírito de corrupção dos próprios cidadãos que preferiam adular os mesmos líderes políticos que os têm sujeitado à opressão, à miséria e à falta de educação, em troca do sonho de uma vida fácil. Este continua a ser o pesadelo da sociedade angolana.

Passados oito anos, “Proibido Ouvir Isto” é a nova proposta discográfica de MCK, com 15 faixas. Um trabalho mais estilizado e amadurecido, com líricas mais polidas e o mesmo espírito de revolta social. Diplomado nos meandros da sobrevivência social, MCK narra, através da batida, três elementos fundamentais da realidade actual: aA corrosão dos valores morais na busca obsessiva de dinheiro; o abuso de poder e de confiança e a falta de visão comum sobre o destino do país.

Em dueto com Paulo Flores, MCK interpreta uma nova versão de “Nzala” (fome), de Elias dya Kimuezo, que combina acústica, violino e a fala rapper, numa ode à criança com fome. É uma mensagem de amor, um apelo à solidariedade para com as crianças desta imensa Angola que precisam tanto de um pão como de uma mão cheia de afecto.

Numa outra faixa, com Bruno M, MCK revisita o drama da juventude dos musseques para quem o crime parece ser das poucas opções de realização na vida. É uma viagem pelas transformações ideológicas e da economia política angolana, pelos sistemas prisional e de justiça que discriminam e desumanizam os excluídos da sociedade. MCK denuncia também a manipulação da realidade angolana: “Biografias apagadas/ Jornalistas comprados/ E ai daqueles que se atreverem a enfrentar o mercenarismo político/ Mas ai de mim se não viver como um verdadeiro crítico deste cenário político/(…) Sacrifica-se a maioria pelos caprichos de uma minoria (…)”.

Na faixa “O País do Pai Banana” MCK ataca quem se empoleira “eternamente” no poder e já sem discernimento para gerir a realidade: “Também quero a paz no prato, dignidade e paz no prato./ Prefiro morrer a tiro do que morrer a fome, irmãos./ A disparidade é enorme, vivemos presos nesta armadilha, condenados a sermos escravos de três famílias./ Tudo é deles, do Talatona à Ilha, os diamantes são deles, o petróleo é deles, a imobilária é deles/ (…) para nós só temos o Zango e o Panguila./ O patrão é o colono, na terra do pai banana”.

MCK compõe, assim, o seu ritmo contra o novo-riquismo emergente dos actos de rapina e pilhagem dos recursos do Estado, que definem o modo de governação e o estilo de vida das famílias reinantes. Insurge-se contra a mentalidade neo-colonial e de claro desprezo para com o sofrimento do povo que anima a acção e o obsessivo apego ao poder por parte destas famílias. Este, afinal, será o legado de três décadas de reinado, trágico, do nosso “Pai Banana”. O músico profere a sua sentença: “Só temos uma opção/ Ou acabamos com a corrupção/ Ou a corrupção acaba connosco/ No país do Pai Banana.”

Numa infusão de reggae, o Ikonoklasta (também conhecido por Brigadeiro Mata Frakuz, ou simplesmente Luaty Beirão) e o MCK produzem, na opinião do autor, a melhor faixa do álbum, e a mais corrosiva das líricas (“A Bala Dói”). Luaty Beirão tem sido um dos principais impulsionadores dos protestos de rua contra o regime de José Eduardo dos Santos e uma das principais vítimas da sua brutalidade. É também a manifesta consciência de um jovem da classe dominante que troca o conforto do sistema para se juntar aos seus companheiros mais desfavorecidos. Fá-lo em irmandade e comunhão de ideais por uma Angola melhor e mais justa. O pai de Luaty, João Beirão, foi um dos mais próximos colaboradores do Presidente nos anos 90 e seguintes, na qualidade de director-geral da então poderosa Fundação Eduardo dos Santos (FESA).

“Sempre nos prometem comida/ Mas só nos dão porrada/ Nosso estômago até já grita/ Mas eles têm babas que cospem balas e a bala dói/ A bala bói, a bala dói [refrão] (…) /Palavras estão ‘bora minadas/ Esperança ficou mortelada [mutilada]”. Os jovens, com bom senso de humor, enquadram e desmontam o famoso discurso do Presidente em que não assume qualquer responsabilidade pela crescente pobreza em Angola porque, dizia José Eduardo dos Santos: “Quando nasci, já havia pobreza.” MCK lembra, assim, porquê esses “Tigres de papel sentem medo do Luaty”.

Em “Vida no Avesso”, MCK relata os paradoxos da política angolana e o desespero de muitos que acreditam apenas em uma intervenção divina para que o falso santo e a sua seita de malfeitores sejam “excomungados” da consciência nacional e devolvam a liberdade ao povo. “A chuva tem estatuto e mais garra que a oposição/ Desmascara as burlas das obras de um milhão (…)/ Jesus Cristo volta já/ Teu povo está a chorar (…)/

Com este disco, MCK retoma o seu lugar cimeiro como um dos artistas da mudança de mentalidade e da formação de uma nova consciência social em Angola.
A Bala Doi
O País do Pai Banana

Tuesday, September 27, 2011

Caipirinha Lounge Cinema: Tchoro na More, by Tcheka


O Tcheka é sem dúvidas um dos filhos mais talentosos de Cabo Verde e um dos meus cantores lusófonos preferidos. É só ouvir a presença dele em várias mixtapes do Lounge. Muito se tem ouvido das divas caboverdeanas, entre elas vozes como a Mayra Andrade, a Lura, e a Sara Tavares, mas em Tcheka estas beldades encontraram um par masculino. Fico, portanto, muito feliz em saber que o Tcheka prepara-se para lançar um novo álbum, entitulado Dor de Mar. Há dias o portal da Buála publicou a seguinte entrevista com o cantor, que retomo aqui na íntegra, bem como o vídeo oficial de Tchoro na Mare, o primeiro vídeo do álbum:

Tcheka is without a doubt one of Cape Verde's most talented sons and one of my favorite Lusophone artists. I've been unable to keep him out of most of the Lounge's mixtapes, such is my respect for him. You'll always hear about Cape Verde's talented divas, such as Mayra Andrade, Lura, and Sara Tavares, but little on the masculine front; Tcheka is as gifted as them. I'm quite excited then that he's preparing to launch a new studio album, titled Dor de Mar. Several days ago Buála published an interview with the man, which you can read below. Check out as well the official video for the first single off his new album, Tchoro na Mare.


Tcheka descreve sua música como sendo “música tradicional de Cabo Verde com influência erudita e do jazz”. O seu novo trabalho “Dor de Mar” surge após quatro anos de pausa em que o músico amadureceu a sua experiência profissional. “Dor de Mar” é um álbum “mais Tcheka”.
O Tcheka participou do álbum “Argui”, em 2003, em 2005 lançou o álbum “Nu Monda” e em 2007 “Longi”. Foram distâncias de 2 anos e agora precisou de 4 anos para lançar, o novo álbum, “Dor de mar”, porquê?
Isso aconteceu porque eu fiz este trabalho como produtor também. Fiz os arranjos e tudo foi feito por mim e então eu precisava de mais tempo para poder trabalhar esses aspectos e tomar essa decisão. Porque quando se faz um disco sozinho precisa-se de tempo e de espaço para se poder pensar e conseguir o resultado desejado.
E porque decidiu fazer tudo, desta vez? Porque surgiu a oportunidade ou porque queria mostrar mais da sua pessoa?
Para além de querer mostrar mais, apesar de cada disco que eu fiz ter sido muito importante porque fazem parte da minha carreira, eu também senti que, cada vez estava a perder algo. Eu queria estar presente como director musical. E isso não tem nada a ver com o facto de os outros discos estarem mal, muito pelo contrário, são muito bons. Mas quando tu próprio estás à frente de tudo, podes incluir elementos, que para ti são importantes no teu trabalho, não tens de negociar tanto, então, é completamente diferente.
Então fale-me desse processo desde “Argui”, álbum em que participou em 2003, até agora, ao “Dor de Mar”. O que mudou?
Ganhei muita experiência. Nos outros três discos eu era simplesmente mais um músico, um cantor. E com a experiência que ganhei nesses três discos senti-me capaz e com força para decidir fazer este novo disco sozinho. 
E o que quer dizer com “Dor de Mar”?
Dei este nome ao disco porque eu vivi numa aldeia em que o problema da apanha de areia é muito importante e o desgaste da natureza está a sentir-se cada vez mais. Então este nome é uma espécie de alerta para este tipo de problemas ambientais.
Agora o Tcheka falou de uma das temáticas e em termos musicais o que se pode ouvir em “Dor de Mar”?
Ouve-se música de Cabo Verde mas com algumas influências de jazz e um pouco de tudo mas sempre com o meu cunho pessoal. A minha intenção é mostrar que a música não tem fronteiras e que tem as portas abertas para todo tipo de influências e para tudo o que um músico queira dar. Por exemplo, eu não tenho banda, então para gravar o disco eu tinha as minhas ideias definidas e convidei músicos e cada músico levou as suas experiências e isso é muito importante. Mas o que eu defendo no meu trabalho é que haja uma base e que as pessoas a identifiquem como Tcheka.
E os músicos que tocam consigo neste disco vêm de que países?
Angola [Ndu, bateria], Camarões [Guy Sanguy, baixo eléctrico], França [Thierry Fanfan, baixo acústico], Cabo Verde [Ivan Gomes, guitarrista] e Madagáscar. É uma mistura de países diferente e é normal que eles incluam as suas influências, mas a minha preocupação é manter a base Tcheka. 
E tem uma música preferida neste álbum?
Eu não tenho uma música preferida. Tudo depende do momento que estou a viver. É como se tivesse cinco filhos, seriam todos iguais para mim.
Todos os temas no álbum foram escritos por si excepto um, porquê?
Gravei um tema de Norberto Tavares [Forti bu dan cu stango] à minha maneira. Mas eu queria mostrar que, para além de ele ser um grande compositor, ele também é um grande músico. Eu acho que é bom regravar temas de grandes artistas para homenageá-los e Norberto Tavares foi um grande músico que hoje já não temos, então, é uma forma de homenageá-lo.
E agora terminar, porque é que o público deve ouvir “Dor de mar”?
É um disco novo, tem outro tipo de arranjos e é um disco mais Tcheka!


-Entrevista por Carla Fernandes

Thursday, August 11, 2011

Caipirinha Lounge Apoia: Triângulo, O Novo Projecto da Geração 80





Recebi hoje este email interessante do amigo Mário Bastos e achei importante divulgar:

Olá,

A Geração 80 está neste momento a preparar mais um projecto inovador e gostaria de contar com a tua ajuda para encontrar possíveis candidatos para o triângulo que estamos a montar em conjunto com Portugal (Vende-se Filmes e Buála) e Brasil (Primo Filmes e tás a ver?).

Triângulo é um documentário (75′) sobre a nova imigração que, nos últimos anos, tem vindo a se estabelecer entre as cidades de Lisboa, Rio de Janeiro e Luanda. Trata-se de uma coprodução entre Angola, Portugal e Brasil composta por três histórias de meia hora cada assinadas por um jovem realizador de cada país.

As três cidades serão apresentadas ao espectador a partir de um (ou mais) imigrantes: um angolano no Rio, um brasileiro em Lisboa, uma portuguesa em Luanda. O espectador percorre cada uma das cidades por meio de histórias de imigrantes. Fixando-se no país estrangeiro, estas pessoas defrontam-se com preconceitos, burocracias e mal-entendidos. Descobrem o outro lado de mitos como o sonho europeu, o novo eldorado africano ou um Brasil só de festa e samba. Descobrem também novas identidades, reconhecem traços culturais e fortalecem cumplicidades. Triângulo vai abordar o estado da relação amorosa entre Portugal – Angola – Brasil, que comunicam na mesma língua mas nem sempre se entendem.


COMO PODES AJUDAR ESTE PROJECTO?

Para a parte Angolana, a produtora Geração 80 resolveu explorar o universo feminino da recém emigrante portuguesa em Luanda, queremos tirá-la da rota típica do expatriado e descobrirmos em conjunto a Luanda do outro lado de lá, mesmo ali ao lado.

Se conheces ou és uma emigrante portuguesa ( entre os 20 e 40 anos) recém chegada a Luanda (nem que seja há um ano ou alguém que venha a Luanda de x em x tempos em trabalhos de consultoria) e estás interessada em partilhar a tua experiência / pontos de vistas, contacta-nos! Mesmo que não estejas interessada em partilhar a tua experiência em frente a câmara, escreve e manda para nós pois também vai ajudar nos muito no nosso trabalho de pesquisa.

Mário Bastos (Realizador): mbastos@geracao-80.com / +244 923 34 44 09
Jorge Cohen (Produtor): jcohen@geracao-80.com / +244 923 33 09 55


Aquele abraço e contamos com o teu apoio!


Mário Bastos

Thursday, July 7, 2011

Sounds Sensational: Caipirinha Lounge entrevistado pela Sonangol Universo

A couple of months ago I was interviewed by Sonangol's Universo magazine for their cover story on the current state of Angolan music and its worldwide resurgence. The article, prominently featuring Cabo Snoop, is called Sounds Sensational and it starts on page 30; my quotes begin on page 37. Happy reading and be sure to check out their "Suggestions for Further Listening", many which are featured here in the Lounge. Click on the link below:

http://bit.ly/plSLJg

Há uns meses atrás fui entrevistado pela revista da Sonangol, a Universo, para falar sobre o estado actual da música angola. O artigo em questão, Sounds Sensational, com o Cabo Snoop em grande plano, começa na página 30; eu sou citado à partir da página 37. Boa leitura e não se esqueçam de ler a secção marcada "Suggestions for Further Listening", onde são vários artistas que já foram perfilados aqui no Lounge. Clica no link bit.ly acima.

Thursday, November 25, 2010

Caipirinha Lounge Apoia: Angola Nos Trilhos da Independência

É um projecto dinâmico e arrojado. Seguem mais informações, e o trailer:

"Angola segue, independente, a caminho dos 40 anos e esse facto torna urgente a necessidade de preservar os testemunhos dos que contribuíram para que aqui chegássemos.
Na luta pela independência participaram indivíduos, que nos podem ainda narrar as suas experiências vividas. Testemunhos que é preciso recolher, registar e preservar.

A tarefa é urgente e a colaboração de todos é necessária. Só assim poderemos assegurar que através do trabalho de estudiosos e investigadores, as gerações mais novas e vindouras venham a enriquecer o seu conhecimento sobre a nossa História.

Com o objectivo de contribuir com a sua parte nesta tarefa de todos, a Associação Tchiweka de Documentação (ATD) decidiu, para além das suas actividades correntes, levar a cabo o Projecto “Angola nos Trilhos da Independência” que tem por objectivo proceder à recolha de testemunhos orais de nacionais ou estrangeiros, directa ou indirectamente envolvidos na luta anticolonial.

Angola nos Trilhos da Independência”, pretende contribuir para uma pesquisa abrangente, que permita o registo de testemunhos no mosaico do movimento nacionalista.

Este Projecto tem uma duração de 5 anos. Em 2015, com base no material recolhido e com execução Geração-80, a ATD pretende promover um documentário sobre o trabalho realizado."


Projecto Trilhos - Trailer Nacional - Português from Projecto Trilhos on Vimeo.

In English:

Angola is independent for almost 40 years and this fact makes it urgent the need to preserve testimonies of those who contributed to this achievement.

Some people that participated in the struggle for independence can still share recounts of their experiences. Testimonials that – we must collect, record and preserve.

The task is urgent and everyone’s cooperation is needed. This way, we can ensure that, through the work of scholars and researchers, the younger generations and the ones to come will enrich their knowledge about our History.

The “Associação Tchiweka de Documentação” (ATD) association decided, in addition to its regular activities, to carry out the project “Angola – Nos Trilhos da Independência” with the goal of contributing with its share in this common task. This project aims to collect oral testimonies of domestic or foreign, directly or indirectly involved in the anti-colonial struggle.

“Angola – Nos Trilhos da Independência”, intends to contribute for a comprehensive research, which allows the registration of testimony in the nationalist movement medley.

This project will span over 5 years. In 2015, based on gathered material and with “Geração-80” production, ATD will promote a documentary about the work done.


Projecto Trilhos - National - English from Projecto Trilhos on Vimeo.

Monday, November 8, 2010

Angola Soundtrack: The Unique Sound Of Luanda (1968-1976)


Samy Ben Redjeb, founder of the famed German label Analog Africa, is yet another man who couldn't resist the undeniable allure of vintage Angolan popular music. Part of a larger, and growing, trend that has seen popular Angolan music featured in such widely known media outlets as NPR, Portuguese film festival IndieLisboa, and of course Maianga's 2009 realease Comfusões 1, Redjeb's release is one of the most complete and original compilations of the golden era of Angolan music that money can buy, up there with such well known classics as Soul of Angola and Angola - The Greatest Songs from the 60s and 70s. Analog's Angola Soundtrack has many songs that you won't find in either of those compilations, including rare works by Jovens do Prenda, David Zé and Africa Show, among several others. Samy actually went to Luanda to find and talk to many of the artists featured on his compilation; read on about his adventure in the press release below.

O Samy Ben Redjeb, fundador da famosa label alemã de música africana, Analog Africa, é mais um amante de música que se rendeu as qualidades inegáveis da música popular angolana. Faz parte de uma tendência um tanto quanto mundial por parte de renomadas instituições e publicações internacionais de valorizarem a música popular angolana do período ante-independência. Só estes últimos meses tivemos música popular angolana a tocar na NPR (rádio nacional dos Estados Unidos), ou a ser destacada no festival IndieLisboa, ou ainda a ser 'remixada' em albums como o Comfusões 1, da Maianga Produções. Mas, a compilação do Samy Redjeb é uma das mais originais e completas que existem no mercado mundial, e mesmo não sendo tão completa e exaustiva como Angola - The Greatest Songs from the 60s and 70s, seguramente que está no mesmo patamar que Soul of Angola. A compilação da Analog Africa contém muitas músicas que não fazem parte das compilações citadas acima, incluindo trabalhos raros de gente como David Zé, Jovens do Prenda, e Africa Show. Pudera...o próprio Samy foi até Luanda para conversar com os artistas por trás destas músicas ou pelo menos para as encontrar em estado bruto. Leia abaixo a sua press release:

"For its ninth release, Analog Africa unearths musical gems from Angola, the former Portuguese colony in south central Africa. The compilation ‘Angola Soundtrack‘ includes tracks from 1965 – 1976, arguably the golden era of Angolan music.

Angolan music is truly unique and stands on its own as a sound that can only be found in that part of the world. Rhythms such as Rebita, Kazukuta, Semba and Merengue, all of which are presented on ‘Angola Soundtrack’, might be unfamiliar to most listeners, but they are superbly melodic and highly danceable, a powerful confluence of traditional rhythms from Luanda’s islands, psychedelic guitar sounds imported from neighboring Congo, Latin grooves, old school Caribbean merengue and the hard beat of the Angolan carnival bands conspired to create the modern music of Angola. These sounds were immortalized by two excellent recording companies – Fadiang (Fábrica de Discos Angolano) and Valentim de Carvalho.


The nascent Angolan music scene was set on fire by a small group of courageous singers, backed by an array of super tight bands and led by extraordinary guitarists who revolutionized the musical and the political panorama of the 60s and 70s. These great electric bands of Angola were a well-kept secret until the late 90s when France-based music label Buda Musique released a short-lived series of Angolan music compiled by Ariel de Bigault.

Inspired and taken aback, these releases proved to be crucially influential to Analog Africa’s founder Samy Ben Redjeb: 'Listening to Angolan music suddenly became part of my daily life and when my label was founded a few years later, the idea of releasing an Angolan compilation was never too far away from my mind.

From the nine Analog Africa releases thus far, ‘Angola Soundtrack‘ has been the most difficult to create. The travel visa was in itself a struggle and logistically and financially Luanda is a nightmare. After two unsuccessful years, I eventually found shelter at a home in Prenda, a musseque (township) outside of the capital. I had come to this former Portuguese colony to meet my favorite Angolan musicians, to convey my love and admiration for what they have created, as well as license some of my favorite tunes for my label while documenting their story.

I had no idea what to expect from the trip – more than once was I told to expect complicated situations, and that if I thought I knew Africa, I should wait until I experience Luanda. I was prepared for the worst. To my surprise I encountered an amazingly positive vibe and, except for heavy traffic jams and high costs, I am entirely grateful of my Angolan experience.
With the support of Zé Keno, the legendary guitarist of Jovens Do Prenda, I managed to meet most of the composers of the songs featured here. The numerous anecdotes they provided are presented in the 44-page booklet that comes with this compilation.'"

Track-listing:

1. Mamukueno – “Rei do Palhetinho” 3:10
2. Os Kiezos – “Comboio” 3:35
3. Jovens Do Prenda – “Ilha Virgem” 3:45
4. Zé Da Lua – “Ulungu Wami” 2:50
5. Os Bongos – “Pachanga Maria” 3:20
6. Dimba Diangola – “Tira Sapato” 2:55
7. Santos Júnior – “N´Gui Banza Mama” 4:25
8. N´Goma Jazz – “Mi Cantando Para Ti” 3:35
9. Ferreira Do Nascimento – “Macongo Me Chiquita” 3:50
10. David Zé – “Uma Amiga” 2:40
11. Jovens Do Prenda – “Farra Na Madrugada” 4:45
12. Os Korimbas – “Sémba Braguez” 4:20
13. Dimba Diangola – “Fuma” 4:08
14. Alliace Makiadi – “Passeio por Luanda” 3:50
15. Os Bongos – “Kazucuta” 3:20
16. Quim Manuel O Espirito Santo – “Eme Lelu” 5:02
17. Africa Ritmos – “Pica O Dedo” 4:00
18. Africa Show – “Massanga Mama” 5:35
 
Buy the album / Compre o album:

Saturday, September 25, 2010

Funk Before War: Angolan Popular Music Featured on NPR / Música Popular Angolana em Destaque na rádio americana NPR

Long time Caipirinha Lounge connoisseur Becca Mateus alerted me to this article on NPR's popular website, aptly titled Funk Before War in Angola. It seems that yet another international publication/broadcaster has woken up to the raw aural beauty that is pre-war Angolan popular music, and I'm happy it's one of NPR's stature. Here is an excerpt from the article, written by 'EGON':

"As far back as the 1960s, there was a thriving recording industry in Angola. The largest record company of colonial ruler Portugal, Valentim de Carvalho, set up a pressing plant in Luanda and officially pressed licensed repertoire from labels like CBS and EMI. But some of the labels that existed before Angola's independence (Rebita and Ngola, circa 1972-1976) and its brutal civil war (CDA and Merengue, circa 1975-1977) sound nothing like the David Bowie and Barbara Streisand schlock that was hocked to the Portuguese people the 15 years prior. 

Urban Angolan music from the 1970s was made for a populace in revolt. It is a heady, rhythmic sound that swings with the recognizable semba (which, as you might guess, draws from the same rhythms as the Brazilian samba) as often as it does with the Angolan merengue. It can jump into uncharted frenetic realms that are a unique mixture of local rhythms like rebita and semba, imported rhythms like samba and merengue, and rumba from neighboring Congolese tribes."


Egon goes on to profile several vintage Angolan songs, included below and available for download for your cultural enjoyment. Chosen artists include such luminaries as Artur Nunes and David Zé. The song descriptions are by EGON.

Ki Sua Ngui Fuá
"A pre-revolution lamento that was released on the stalwart Rebita label, Nunes’ “Kisua Ki Ngui Fua” is a haunting dirge, where Nunes speaks to his mother about his death."

Inimigo
"Zé espouses the MPLA’s philosophies in liner notes and sembas of the record. The description of 'Nguma/Inimgo (Enemy)' reads: 'Those who mistreat and kill us are the enemy, and only organized will we be victorious.'

Kolonial
"This historical narrative owes as much to the voice of living Angolan treasure Rui Alberto Vieira Dias Mingas as it does to bassist and songwriter Carlitos Vieira Dias. It purports to be about the letters and correspondence ferried by boats traveling between Luanda and Lisbon, but could also be about human cargo."

Música Popular Angolana em Destaque na rádio americana
NPR 

Leitora do Lounge há longa data, foi a Becca Mateus que me deu a alerta sobre este artigo da NPR (National Public Radio), a melhor e mais culta estação de rádio americana e uma das únicas que ainda toca música de qualidade. Quase todas as outras já estão vendidas ao ClearChannel, empresa de média que controla grande parte da cultura radiofónica americana e que toca sempre o mesmo lixo. O título da peça é Funk Before War in Angola (O Funk Antes da Guerra em Angola), e foi escrita por EGON, cuja esposa é luso-angolana. É mais uma publicação/emissora internacional a sentir a poesia e a força cultural da música popular angola, e é com um enorma satisfação que vejo que a nossa música finalmente está sendo ouvida á volta do mundo e que as notícias acerca de Angola não têm só que ver com guerras, corrupção e outras atrocidades mas sim com o nosso legado cultural e artístico e a nossa identidade como angolanos. Algumas das músicas destacadas no artigo, entre elas canções de 'pais grandes' como o Artur Nunes e o David Zé, estão disponíveis acima para download. Bom proveito.

Friday, September 17, 2010

Fernando Ribeiro on "Uma tarde ao som de Ruy Mingas"

Ruy MingasHá dias atrás escrevi um post acerca da música clássica do Ruy Mingas, o Monangambé. Transcreno na íntegra o comentário do Fernando Ribeiro, por considerar bastante interessante o link que ele nos fornece. Obrigado Fernando!

"Prezado Cláudio,

O monangambé, como é que ele vivia e como é que ele era tratado foram assunto de um artigo que escrevi para o blogue "Mukandas do Monte Estoril", a convite do proprietário deste. Não fiquei satisfeito com o texto, que ficou muito palavroso, mas procurei retratar a realidade, tal como ela era no tempo do colono.

Um dia destes, talvez eu reescreva completamente o texto e o publique no meu próprio blogue, devidamente acompanhado pela canção de Rui Mingas (que agora assina Ruy com Y, vá-se lá saber porquê...).

Se tiver curiosidade em saber o que escrevi, aponte o seu rato para o seguinte link:

http://huambino.blogs.sapo.pt/84610.html"
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