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Thursday, August 21, 2014

Late Night Lounge Vol. 44 - Stay the Same (feat. Andreya Triana)



For almost five weekends i've been working on repairing a family bakery in Benguela. Of course the trip is too long by car, but i love it, because i can listen by my self to all the music that i've been searching on the web. And by that, after listening over and over to Thievery Corporation, i just realized that i was too stuck on the same page, and it was time to open my mind and discover... Bonobo... i did it, he fulfill my needs, i got it all but Black Sands that Claudio gave me, he is everyday on my playlist... he is the muster for me

this symphony makes you trip, not only you, me too... it took me back to Lisbon, Metro, some people running like crazy, others lost on their thoughts, all the midnights that i was coming from some "beer sessions" with friends.

I want to grow up just to embrace Andreya Triana's smooth voice, and i'm in love with her... meanwhile, let me do what i do best, working while the music is playing in my head.


Bonobo - Stay the Same (feat. Andreya Triana)


Cinco finais de semanas seguidos, e eu na correria sempre com a pressa de chegar à Benguela, para acompanhar os trabalhos de reparação que eu os meus pupilos estamos a fazer na pastelaria da família. Viagem de carro cansativa, mas nunca aborrecida, porque o amor pela musica me faz ter aqueles momentos, meus. Assim sendo, Thievery Corporation faz-me sentir preso na mesma pagina, e se ficar como aquele meu tio que é fiel a marca Ermenegildo Zegna, ficarei muito fechado, por isso é tempo de abrir novos horizontes, limpar os tímpanos e descobrir... descobrir mestres como BonoBo... foi feito, descobri reliquias, mas algo estava em falta, até eu descobrir no mac do Claudio, o Black Sand... agora sim tenho tudo.

Não penses que és a única pessoa que pode viajar com esta sinfonia, eu também tenho o direito... Nostalgia a parte, volto em alguns momentos, ao Metro de Lisboa, mortos vivos, atletas em maratonas da vida, eu observando o enredo, depois de uma sessão da minha bebida preferida, cerveja.

Quando for grande, quero abraçar a voz suave da Andreya Triana... enquanto isso deixem-me trabalhar naquilo que sei fazer melhor, claro, com a musica sempre a me acompanhar.

Monday, May 20, 2013

Movimento, by Aline Frazão


It's called Movimento and it's Aline Frazão's second album, a favorite of this blog. Aline is currently my favorite Angolan chanteuse, a voice that I have heard blossom into what it is today. I've had Movimento in rotation for about 20 days now; the singer gave me an advance copy. Perks of the trade, I guess. I felt privileged to have been one of the first people to hear this beauty from start to finish - 52 minutes of music of a quality as such that I couldn't wait to be able to share it with someone else. There's not much point to enjoying music this good without being able to share it, and today, 20th May,  the album is released in Portugal and I can finally write about it and share it with you.

Inevitably comparisons between Movimento and Aline's debut album Clave Bantu will arise. With 12 original tracks, her sophomore effort is one song longer than Clave Bantu and when it reaches the end it leaves me longing for more, as any great album will. As always there are some songs I like more than others, but song for song, generally Movimento's tracks are stronger, more polished, have better lyrics, and more memorable melodies. And it's more introspective. You hear a singer who is clearly on the ascendence, who is enjoying renewed self-confidence, greater maturity, and sure of her gift and her talent. This is clearly a singer enjoying her music.

Movimento begins with As Paredes do Mayombe, one of the more forgettable tracks; it begins to find its footing with Cacimbo, a beautiful melody with great lyrics. Desassossego, written by Angolan poet and author Carlos Ferreira 'Cassé' is the third track. And then comes the album's strongest period: tracks 4 through 9 are all gems.

For me, Tanto is this album's winner. It has the best lyrics, an intricate delivery and fantastic execution; I consider it Aline's best work to date. The song's video is almost as brilliant as the lyrics. It was here that I stopped the album and clicked back for the first time: I couldn't get enough, not yet anyways. After the song's climax we head to Crónica de um (des)encontro, another beautiful track that deserves another listen. It could very well be the album's third best track.

Nossa Festa and Poema em sol poente get better with time; at first listen I didn't rate them as highly as I do now, especially since I fell in love with Nossa Festa's lyrics. It's also a highlight on the album. We've arrived then at Lugar Vazio. After Tanto, it's my favorite song on Movimento. I prefer Tanto's lyrics but Lugar Vazio has a better melody. What a thing of beauty. I also enjoy the lyrics on A cidade que eu habito; among the last three songs on the album, Ronda, Kalemba and A última bossa, the highlight is Kalemba, brilliant in its simplicity.

I think I love Movimento because at its core it is an album about home - it reminds em of Luanda, my family, my friends, my past loves, and it makes me feel good. For me, Movimento was an aural trip home, to today's Luanda's. And it's a trip in which my companion is the warm, familiar, unmistakable sound of Aline's voice.

Thoroughly recommended.

Tanto
Lugar Vazio

Chama-se Movimento e é o segundo álbum da Aline Frazão, a cantora angolana mais apreciadas neste espaço. Há cerca de 20 dias que o tenho em rotação, tendo o recebido directamente da cantora. Ossos do ofício. Senti-me privilegiado por ser das primeiras pessoas a ouvir esta obra de arte, estes 52 minutos de música de uma qualidade tal que doía-me não poder a partilhar com alguém. O que vale poder ouvir música tão bela sem ter alguém com quem a partilhar? Hoje, dia 20 de Maio, data de lançamento deste  lindo disco, posso finalmente partilhar convosco a beleza que é o Movimento da Aline.

Foi um imenso prazer ouvir este disco. Surgem, inevitavelmente, comparações com o álbum de estreia da Aline, Clave Bantu. Com 12 faixas, todas originais, Movimento tem mais uma música que Clave Bantu e quando chega ao fim deixa-me com água na boca; quero mais. Como sempre, gosto mais de algumas músicas do que outras. Mas tema por tema, geralmente as músicas do Movimento têm melhor lírica, uma melodia mais memorável.  E é mais introspectivo. Ouve-se uma cantora em ascensão, com cada vez mais auto-confiança, mais maturidade, mais segura de si mesmo e do seu talento. Nota-se que a Aline arriscou mais, soltou-se mais um pouco, voou mais alto.

Movimento inicia com As Paredes do Mayombe, que não é das minhas preferidas nem das músicas mais memoráveis. O álbum melhora com Cacimbo, uma linda melodia e letra; a seguir vem Desassossego, uma letra do conhecido poeta e escritor angolano Carlos Ferreira 'Cassé'. Porém, o trecho mais forte do disco são as faixas 4 a 9; é neste trecho onde são encontradas as melhores músicas deste querido disco.

Para mim, Tanto (a quarta música) tem a melhor letra do disco e acredito ser a melhor música da Aline de sempre. O brilhante vídeo da música, publicado aqui, é quase tão bom como o tema. Foi aqui que parei de ouvir o álbum; fixei-me só no Tanto e só depois de o ouvir um par de vezes consigo continuar. É quase sempre assim. Depois do climax do Tanto vamos ao encontro de Crónica de um (des)encontro, outro bonito tema que merece especial atenção. Também é das músicas mas bem conseguidas do Movimento.

Nossa Festa e Poema em sol poente crescem com o tempo; na primeira audição não me chamaram muita atenção, mas com o passar do tempo apaixonei-me com a letra da Nossa Festa. Hoje é dos meus temas preferidos neste disco. Chegamos então ao Lugar Vazio. Depois de Tanto, esta é a minha música preferida em Movimento. Gosto mais da letra do Tanto, mas em termos de melodia Lugar Vazio ganha. Que música mais bonita. Também aprecio muito a letra d'A cidade que eu habito; Entre as três ultimas, Ronda, Kalemba A última bossa, o destaque vai para Kalemba, brilhante na sua simplicidade.

No fundo, Movimento faz-me lembrar de Luanda, de casa. Faz-me lembrar da minha família, dos meus amigos, dos amores do passado, e isto faz-me sentir bem. Para mim o Movimento é uma viagem por sonora pela nossa Luanda de hoje, pela voz marcante, familiar, calorosa que é a voz da Aline.

Recomendo. Mesmo.

Wednesday, October 10, 2012

Vaivém, by Leonardo Wawuti (Poema de Massalo)

O poema é do Massalo; a música, neo-soul de leve, suave e tenra, é do Wawuti; o desenho, lindo e acolhedor, é da Joana. E no desenho, os versos do Massalo, musicados pelo Wawuti, são legíveis e ganham vida...

Brevemente, o leitor poderá ter este lindo projecto, totalmente financiado pelo público angolano, nas suas mãos. Mas agora, neste momento, já pode ter o Vaivém nos seus ouvidos. 
Wawuti no estúdio a gravar "Vaivém"
Carregue no play mais à baixo e como sempre, faça 'right-click - save target as' para fazer o download da música.

Vaivém

Wednesday, October 3, 2012

Late Night Lounge Vol. 43 - Equilibria (Instrumental)

It’s a simple track really, instrumental and thus without a single lyric...unless you count Sabrina's whispers. But I find it incredibly soothing after a long day of work. Chilled, rhythmic, head-bobbing stuff. It goes brilliantly with a glass of chilled wine or whatever else you serve yourself to unwind. You can find Equilibria (Instrumental) on singer-songwriter Sabrina Malheiros album Vibrasons (which we talked about here), a collection of the Brazilian’s songs from her debut effort (also named Equilibria) remixed by various DJs.

Equilibria (Instrumental), however, doesn't list a single DJ as a remixer. Did Sabrina remix it herself?

Equilibria (Instrumental)

É uma faixa simples, até. Instrumental, sem letra alguma...a não ser que os sussuros da Sabrina sejam considerados "letra". Mas acho-a incrivelmente tranquilizadora depois de um dia longo de trabalho. É chilled, rítmica, e faz balançar a cabeça. É brilhante com um copo frio de vinho branco ou qualquer bebida que escolher para desanuviar. Pode encontrar Equilibria (Instrumental) no álbum Vibrasons da cantora brasileira Sabrina Malheiros (já explorado aqui), uma colecção de remixes das músicas do seu primeiro disco, coincidentemente também chamado Equilibria.

Normalmente as remixes estão a cargo dos DJs convidados, mas, curiosamente, no caso da Equilibria (Instrumental) não aparece o nome de nenhum DJ...talvez a Sabrina tenha feito ela própria a remix...

Sunday, August 26, 2012

E Kume Meu?

If A Tribe Called Quest sang in Portuguese, they would probably sound like this.

E Kume Meu is one of Coca o FSM's oldest jams, and it's rhythm and flow is an ode to pure old school hip-hop; you can easily hear the influence of groups like the aforementioned A Tribe Called Quest. I first heard this song off my cousin Songay's playlist, back when Myspace was all the rage and Coca o FSM had a page where he would release joints like this one. E Kume Meu is Angolan slang for "what's up man?" Don't worry if you can't understand the lyrics; just appreciate the work of one of Angola's most underrated, most versatile musical characters.

E Kume Meu?

Se A Tribe Called Quest cantasse em português, provavelmente soariam assim.

E Kume Meu é dos brindes mais antigos do Coca, e o ritmo e flow faz me lembrar hip-hop antigo, dos puros; ouve-se a influência de grupos como o supracitado Tribe Called Quest. A primeira vez que ouvi este som foi graças ao meu primo Songay, ainda no tempo do Myspace; aliás, esta música ainda consta no Myspace do Coca. Mas não é que o mano esteje a tentar ser americano ou a rimar em inglês; está mesmo a rimar em 'angolano', que é para além do português, e ouve-se 'Vila Alice' em vez de Brooklyn ou outra realidade qualquer. E para os manos que não sabiam que o Coca também rapa, bem, aqui vai a novidade.

Thursday, July 26, 2012

One Take Series, by Dino d'Santiago

Lounge favorite Dino is back, and what a return. I loved Eu e os Meus (remember Amanhã? How could one forget?), but I'll confess that I didn't give his next musical projects, including his award-winning stint with Nu Soul Family, the attention they deserved. Perhaps I'll revisit them in the near future...

What inspired me to write this post however was the Dino I see today; the Dino I see today is as versatile and as talented as ever, but also truer to his roots: for this particular reincarnation, he's known as Dino d'Santiago and will sing exclusively in creole and Portuguese.

And it's been a spectacular treat. The Dino I hear is pure and raw; it's that Dino that we heard in the song Mamã with Tito Paris. You can see the simple beauty of Cape Verdean music in the video he does below with my beloved Sara Tavares; you can marvel at the afro-portuguese fusion he executes to perfection with Pedro Mourato and Gileno Santana on the following video. The sound is so inviting and pristine that you could be forgiven for almost forgetting the cinematography and the beauty of these locations. What a breath of fresh air...



O nosso querido Dino está de volta, desta vez com "nova roupagem". Adorei Eu e os Meus (ainda lembram-se do Amanhã? Como esquecê-lo?), mas confesso que não prestei o mesmo grau de atenção aos seus próximos projectos e colaborações, incluindo a sua exitosa temporada com os Nu Soul Family. Talvez os poderei revisitar num futuro próximo...

O Dino que vejo hoje é o mesmo Dino, sempre versátil e majestosamente talentoso, mas é também um Dino que reencontrou a sua identidade: agora chama-se Dino d'Santiago e nesta sua nova empreitada, cantará somente em criolo e português.

E tem sido espectacular. Oiço um Dino puro, cru, roots, aquele Dino que ouvimos na música Mamã com o Tito Paris. É ver o vídeo abaixo com a minha amada Sara Tavares e admirar a simples beleza da música crioula; é ver o vídeo com o Pedro Mourato e Gileno Santana e ouvir a maravilha desta fusão afro-portuguesa. Isto para não falar na cinematografia de cada vídeo. Que lufada de ar fresco...


Tuesday, May 8, 2012

Caipirinha Lounge Cinema: Kubiko Unplugged Episode 2 - Aline Frazão

I waited up for this. Fresh off the press from Geração 80. // Madruguei à espera disso. Directamente da Geração 80:
O segundo episódio da web series, KUBIKO UNPLUGGED, tem como convidada ALINE FRAZÃO. Uma artista que acabou de lançar o seu primeiro disco, CLAVE BANTU, que já deixou marca em alguns palcos internacionais pela sonoridade única que criou inspirada nas suas viagens e origens.

Monday, May 7, 2012

Late Nite Lounge Vol. 41 - O Mambo, by Coca o FSM feat. Nikolas

Sunday night. New York. The city is calmer, more subdued. The relative quiet is pierced by the occasional honk, probably one of the many taxis speeding by outside; at this hour they are not as frustrated and rushed as they are during the day. The tea cup is almost done...my bed beckons. Outside, the buildings sparkle; the sky is clear but you rarely see starts in this city.

Inside, this is playing...

O Mambo

Domingo à noite. Nova Iorque. A cidade está mais calma, mais sossegada. São raras as buzinas dos taxis, que a esta hora já não estão tão apressados como ficam durante o dia. A chávena de chá já está quase no fim...a cama me chama. Amanhã é segunda, dia de trabalho. Lá fora, os prédios brilham; o céu está limpo, mas dificilmente vêm-se estrelas nesta cidade.

Cá dentro, toca isto....

Wednesday, April 25, 2012

Mônica da Silva

I think certain songs were made for certain seasons. Aí Então is one of those songs – it was tailor-made for spring. It’s light, airy, bright, and expectant; it’s easily memorable and even a bit addictive. I first heard Mônica da Silva’s single on Putumayo’s Brazilian Beat, when their promoters first made the album available for streaming. Putumayo, one of my main inspirations for this site, is renowned for their stellar compilations; Aí Então was a standout in an expertly curated album. The song is part of Mônica da Silva’s debut CD, Brasilissima, an album whose songs are a mellow, optimistic blend of bossa nova and indie pop that is at both modern and true to its roots. While the other songs don’t capture the exuberance of the standout track, I for one think that Mônica da Silva is one to keep an eye on. If you live in southern Florida, that’s easily done – the singer frequently performs there.

Aí Então

Creio que certas músicas foram feitas para certas estações do ano. Aí Então é uma destas músicas – não consigo ouvi-la sem pensar na primavera. Tem muitas das suas qualidades: é leve, brilhante, linda e alegre; a sua letra fica na ponta da língua e esquece-se com dificuldade. É um pouco viciante, até. Ouvi este single da Mônica da Silva ao mesmo tempo que ouvi pela primeira vez o novo CD do Putumayo, Brazilian Beat, CD que me foi dado para ‘stream’ pelos promotores da editora. A Putumayo, uma das grandes inspirações deste site, é conhecida pelas excelentes compilações que faz; Aí Então era um destaque numa compilação recheada de boa música. Aí Então faz parte do CD de estreia da Mônica, intitulado Brasillisima; é uma feliz mistura de bossa nova e indie pop, que mesmo moderno mantém-se fiel as raízes brasileiras da sua autora. É verdade que nenhum outro som no álbum consegue capturar a alegria e o a perfeição simples do single, mas acredito que estamos diante de um talento nato, para se ir acompanhando. Para os que vivem no sul de Florida, esta é uma tarefa fácil – a Mônica não só mora lá como aparece frequentemete em palco.

Saiba mais//Find out more: monicadasilva.com

Friday, March 2, 2012

Mallu Magalhães

Photo by Renato Reis
Mallu Magalhães is younger than me. Mallu Magalhães is younger than my brother Joel, who I consider an infant (hi Joel). But at 19, and at the risk of sounding sappy, she proves once again that talent knows no age. Pitanga, her THIRD studio album, was my introduction to her; I have yet to hear her first two efforts. If you are reading this in Brazil, you most likely already know all about Mallu; she's been quite the sensation there ever since she started displaying her precocious musical talent on Myspace at a time when kids her age were using it for very different purposes. Her eponymous debut was released around the time she was only 16.

But apparently I haven't been paying attention and Pitanga was thus my introduction to the bilingual Mallu, after I saw it listed somewhere as one of the top Brazilian albums of the year. I'm taken aback by the freshness with which she creates Brazilian music, incorporating in it elements of rock and folk. I've noticed this growing trend with Brazilian music, and she does it very well. However, my favorite songs on Pitanga remain the ones that sound the most...familiar. Sambinha Bom, for example, always has me pressing the back button once it's done. It's simple and pared down - a multi-instrumental but mellow samba, and her voice. At 2 minutes and 55 seconds, it's short and sweet. Por Que Você Faz Assim Comigo is a little more into folk territory and more of a wider window into the different type of music she's so good at; listen to it on your headphones and pay attention at its intricateness. And finally there's O, Ana, which, at 2:14, is one of the shortest songs on the album as well as one of the ones I've listened to the most...

Sambinha Bom
Por Que Você Faz Assim Comigo
O, Ana

A Mallu Magalhães é minha mais nova. A Mallu Magalhães é mais nova do meu puto Joel, que considero imberbe (fixe, Jujas?). Mas aos 19 anos, é mais uma prova, e perdoem-me o clichê, que o talento não tem idade. O seu TERCEIRO álbum, Pitanga, foi a minha introdução à sua música; falta-me ainda ouvir os primeiros dois. Se está a ler isto no Brazil, com certeza que já a conhece e este texto não é novidade nenhuma; a Mallu tem sido uma verdadeira sensação musical desde o tempo que decidiu mostrar ao mundo o seu talento precoce na sua página Myspace quando o resto do pessoal da sua idade ainda usava o Myspace para fins...distintos. Aos 16 anos, lançou o seu primeiro CD.

Mas pelos vistos eu estive distraído, e foi preciso ela lançar o terceiro álbum para eu tomar nota - encontrei a Pitanga numa lista dos melhores álbuns brasileiros do ano. Tem sido uma lufada de ar fresco ouvir a sua maneira peculiar de encarar a música brasileira, misturando-a com elementos de folk e rock. Tenho notado esta tendência na música brasileira actual, e a Mallu não foi a primeira e não será a última a usufruir desta nova sonoridade. Mas certamente que é gostoso ouvi-la, tanto em inglês como em português - ela canta nas duas línguas. Contudo, as minhas músicas preferidas do Pitanga continuam a ser as que empregam a musicalidade tradicional do Brasil. Sambinha Bom, por exemplo, é a minha preferida. Nada mais que um samba suave, ameno, e a sua voz. Tem 2 minutos e 55 segundos mas é linda, talvez mesmo por ser tão pequena. Por Que Você Faz Assim Comigo é talvez um pouco mais 'folk' e é um melhor exemplo da sua musicalidade no geral; escute-a nos seus headphones e aprecie a complexidade da composição. E por fim, temos O, Ana, que, com 2:14, é uma das mais curtas do álbum mas também umas das que mais oiço.

Friday, February 17, 2012

Trails and Ways goes Brazilian

I get an incredible amount of music sent to me; the vast majority isn't even in Portuguese. The people that send them rarely bother to look at the type of music the Lounge plays. But once in a while a kind, musical soul will actually send something worthwhile. Something worth listening to. Something in Portuguese, or inspired by the Lusophone culture and way of living. That's exactly what happened with Keith and his band Trails and Ways. They hail from Oakland but they sing in English with a bit of Portuguese here and there, testament to the musical inspiration acquired while they spent some time living in Fortaleza, Brazil. Bossa nova dream folk, they like to call it. The two songs featured here, One Note, inspired by Samba de Uma Nota Só, and Bimbom, which dispenses introduction, are from two EPs of theirs, Temporal and Territorial, respectively. Serve chilled and enjoy.

One Note
Bimbom

Ao longo destes anos tenho recebido uma quantidade incrível de música das mais diversas fontes, e a vasta maioria nem sequer era em português. Pelos vistos as pessoas que as mandam não fazem a mínima ideia do tipo de música que o Lounge toca. Mas de vez em quando, recebo pérolas musicais de gente que respira arte. Pérolas em português, ou inspiradas pela cultura e o sentimento artístico lusófono. Foi exactamente o que aconteceu com o Keith e a sua banda, Trails and Ways. São da zone de São Francisco mas viveram alguns meses em Fortaleza, de onde beberam uma dose saudável da vivência brasileira. Quando voltaram para os States até já conseguiam arranhar um certo português, como se escuta nas suas músicas. A sua sonoridade eles chamam de bossa nova dream folk. As duas músicas destacadas aqui, One Note (inspirada por Samba de Uma Nota Só) e Bimbom, que dispensa introduções, podem ser encontradas nos seus EPs Temporal e Territorial, respectivamente. Boa escuta.

http://trailsandways.com/

Monday, January 23, 2012

6tacool by Coca o FSM: Tass Bem, Pass Bem

After a football-filled day replete with all the raw emotions that accompany them, I'm retiring to bed with Coca o FSM echoing in my ears. Tass Bem, Pass Bem. You know the man, you know the drill. Happy Monday.

Tass Bem, Pass Bem

Depois de um dia recheado de futebol e as fortes emoções que o acompanham, retiro-me para a cama com Coca o FSM nos ouvidos. Tass Bem, Pass bem. E boa semana que vem.

Wednesday, December 21, 2011

6tacool by Coca o FSM: O Ano Q Vem

This one is something special. When Coca released Apaixonado Jovem back in October I mentioned it was my favorite yet...I figured I might as well stop making such statements since O Ano Q Vem is as enticing if not more. Music for the soul. I felt it deep. The tempo, Coca's delivery, the backing vocals...it's exciting to see him move from strength to strength and consistently churn out songs of this caliber from week to week. Click below to get a taste of baby-making soul music made in Angola.

Esta é especial. Tira-me do sério. Quando o Coca lançou Apaixonado Jovem, em Outubro, mencionei que era a minha preferida até então. Decidi que vou parar de fazer este tipo de pronunciamentos porque O Ano Q Vem é tão boa senão melhor. Alimento pr'alma, senti-a no fundo. O ritmo, o feeling, sente-se que o cantor ama a arte e sabe o que faz. Tem sido bastante interessante ver, ou melhor, ouvir o Coca a melhorar cada vez mais, consistentemente produzindo música desta qualidade. Clica acima para sentires soul music made in Angola. 

Monday, December 19, 2011

Clave Bantu, by Aline Frazão

There are not many Angolan singers quite like Aline Frazão. Turn on the radio in Luanda or Lubango or Benguela on any given day and you’re hard pressed to hear anything quite like her. She’s one of the country’s most unique talents and her debut solo album, Clave Bantu, further cements her position as one of Angola’s most exciting musicians. Some weeks ago she asked me what I thought about the album so far. This is what I emailed her:

“…I’ve heard Clave Bantu some six times from start to finish, including on my bus trip from New York to Washington where I listened to it at high volume and felt as if I was attending an intimate live music performance. I’ve let it marinate in my ear drums for some time now. One of the first things that came to mind was the thought: 'so now we have our own Sara Tavares.' It’s beautiful, very much so, and it’s also very much yours. It has your stamp on it. I think you’ve found your voice. Now I can listen to a song and say, ah, this is Aline. Compared with other CDs you’ve done (A Minha Embala), this one is in a different league. The production is well done and the sound is more professional. Some of your earlier songs are dressed differently on this album…Primeiro Mundo is very nice, emotional. It’s currently my favorite. I preferred the original Babel in some parts. Oriente is another one I love, as is Ceu da tua Boca…


Anyways, I’m listening to the album again now…”

When I interviewed Aline back in the earlier days of this blog she had mentioned that she wasn’t planning on ever releasing an album. I’m extremely pleased she has changed her mind, and I’m sure I share that sentiment with her many fans, in Angola, Brazil, Portugal, Spain, Argentina, and elsewhere. I’m also very proud of the way she did it, keeping full control over all aspects of the album production and doing it all on her own terms, independently. The end product is an album that is every inch Aline, in substance and in feeling.

Clave Bantu has 11 tracks; below you’ll find some of the album’s standout tracks, namely Primeiro Mundo, Oriente and Amanheceu. Both Jose Eduardo Agualusa and Ondjaki, two heavyweights of Angolan literature, contributed to two songs; Amanheceu, featured below, was written by Ondjaki (Agualusa wrote ‘O Ceu da Tua Boca’). The rest of the album was written by Aline, who proves not only to be an excellent songstress but also a wordsmith in the making. Jose Manuel Díaz, from Cuba, and Carlos Freire, from Galicia, contributed on bass and percussion, respectively. Listen to the tracks below to get a sampling of the album’s unique blend of acoustic afro-jazz with bossa influences.

Primeiro Mundo
Oriente
Amanheceu

Creio não existir, no panorama musical angolano, uma cantora tal como a Aline Frazão. Quando ligamos a rádio em Luanda, ou Lubango, ou Benguela, é difícil escutarmos música como esta, feita mesmo por uma filha cá de casa. É uma das vozes mais únicas da banda e o seu primeiro álbum à solo, Clave Bantu, só veio cimentar a sua posição como um dos talentos angolanos mais emocionates destes últimos tempos. Algumas semans atrás ela perguntou-me como estava a gostar do álbum. Foi essa a minha resposta por email, escrita ao som do disco em questão:

“Epa, já ouvi a Clave Bantu umas seis vezes do princípio ao fim, inclusive em alto e bom som na minha viagem de autocarro de New York para Washington, como se fosse um concerto intimista. Já o deixei temperar nos meus tímpanos um bom bocado. Das primeiras coisas que me veio a cabeça foi o pensamento: 'afinal já temos a nossa Sara Tavares.' Está lindo, lindo mesmo, e com um som e um 'feeling' muito teu, uma forma de cantar muito tua. Já tens a tua marca, creio. Já posso ouvir uma música e dizer, ah esta é a Aline. Comparando com as outras obras que lançaste (A minha embala) este está noutro campeonato. Os arranjos estão bem feitos e o som é profissional. Algumas das músicas que já conheço têm aqui uma outra roupagem...Primeiro Mundo está muito nice, emotivo. Neste momento é a minha preferida. Com a Babel talvez preferia a versão mais antiga em algumas partes. Oriente é outra das que amei, bem como Ceu da tua boca.


Enfim, estou a tocar o álbum outra vez agora...”

Quando entrevistei a Aline nos primeiros tempos deste blogue, ela tinha mencionado que não tencionava lançar um álbum próprio. Tal como eu, os seus fãs em Angola, Brasil, Portugal, Espanha, Argentina e por aí me diante estão extremamente felizes que ela mudou de ideias. Os seus ouvidos agradecem, as suas almas também. Sinto-me também orgulhoso dela porque não só lançou álbum, mas fê-lo a sua maneira: manteve o controlo total de todos os aspectos relacionados com o álbum e lançou-o de forma independente. O produto final é um álbum que é todo ele Aline, em substância e em feeling.

O disco tem 11 faixas; acima pode encontrar alguns dos temas mais brilhantes do disco, incluindo Primeiro Mundo, Oriente e Amanheceu. Tanto o José Eduardo Agualusa e o Ondjaki, dois nomes sonantes da literatura angolana, escreveram uma letra cada para o álbum; ‘Amanheceu’ é da autoria do Ondjaki e Agualusa escreveu ‘O Ceu da tua Boca’. O resto do álbum foi escrito pela Aline, que para além de ser uma excelente cantora também já dá mostras de ser boa escritora. A banda é composta pelo Jose Manuel Díaz, cubano, e Carlos Freire, galego, na percurssão. Oiça as músicas acima para ter uma ideia do aroma afro-jazz/bossa que traz o disco.

Clave Bantu on iTunes
alinefrazao.com
Como comprar Clave Bantu onde quer que esteje // How to buy Clave Bantu wherever your are

Friday, December 16, 2011

Late Nite Lounge Vol. 40: Tamba, by Y'akoto

Photo by Cláudio Lwakuti
I found out about Y'akoto through a post on Luanda Jazz Festival's Facebook page. It was love at first listen, as soon as she started crooning into the microphone. Jesus. That voice...her accent is glorious, her delivery is unique, her demeanor drips soul and class. It's that type of throaty cadence that I love. Y'akoto is a half German, half Ghanaian chanteuse that reminds me of Mayra Andrade in that both have lived and traveled extensively throughout West Africa and Western Europe, and both possess the type of voice that I find myself drawn to on late nights such as this one. This song in particular talks about the plight of child soldiers in my continent. There's not much out on Y'akoto, especially on this side of the Atlantic, but this woman is one to keep an eye on. I mean, an ear on.



Tamba

Soube desta beleza que é a Y'akoto por causa de um post na página Facebook do Luanda International Jazz Festival. Foi amor à primeira escuta. Jesus. Aquela voz...o sotaque dela é d'outro mundo, a maneira dela de cantar é fenomenal, toda sua forma de ser denota soul e classe. É aquele tipo de falar ofegante que eu adoro. A Y'akoto é uma cantora metade alemã e metade ganêsa que faz me lembrar da Mayra Andrade, já que as duas passaram grande parte das suas vidas a viver e a viajar extensivamente pela África ocidental e a Europa. E as duas detêm aquele tipo de voz que adoro ouvir em madrugadas como esta. Este som, Tamba, fala do inferno que é ser criança-soldado no meu continente. Por estas bandas não existe lá muita coisa sobre a Y'akoto, mas esta é uma mulher que vale a pena estar de olho. Quer dizer, de ouvido.

Y'akoto

Clave Bantu...

Only Aline to shake me out of this rut. I wanted to post this song when it came out, as the first single of Aline's new album. But as you've probably noticed, posts have been hard to come by on this space. There are many candidates at which to assign all culpability: this incredible city of New York, the new job, other side projects...but exposure to fascinating lusophone music is not one of them. And Aline's new CD, Clave Bantu, is a testament to that. I've been listening to it since before it came out (maintaining this site has its special privileges!) and I haven't grown tired of it. For now I'll leave you with Clave Bantu, and in case you don't already have the CD it will leave you wanting more. The album review is coming soon, so watch this space.

Clave Bantu

Só mesmo a Aline para me tirar desta preguiça. Quiz postar este som logo quando saiu como primeiro single do novo álbum da Aline. Mas como provavelmente já devem ter notado, tem sido difícil encontrar posts novos por estas bandas. Candidatos a quem atirar as culpas são muitos: esta incrível cidade de Nova Iorque, o emprego novo, outros projectos...mas a falta de música lusófona de qualidade não é um dos candidatos. E o novo CD da Aline, Clave Bantu, é prova disso. Tenho escutado este CD desde mesmo antes do seu lançamento (escrever este blogue tem os seus privilégios!) e continuo a fazer-lo. Por agora vos deixo com Clave Bantu, a música. Para vocês que ainda não têm o álbum, que nem devem ser muitos, esta música vai vos deixar com água na boca. Os meus pensamentos acerca do disco virão em breve, prometo!

Saturday, November 19, 2011

6tacool by Coca o FSM: So Sou Faray Ninguem Acreditou

This one's among the top three 6tacool jams by Coca so far. I've been playing it all week. What a surprise to hear him show off his rapping skills. Very well done, Coca. So Sou Faray is a jam for the late night.

So Sou Faray Ninguem Acreditou

Este som está entre os melhores dos que já ouvimos aqui feitos pelo Coca. Tenho tocado este brinde toda semana. Não sabia que o mano Coca tinha uma veia de rapper, mas deixou-a aqui bem patente. Granda som, este. Gostei.

Thursday, November 17, 2011

Tuesday, November 15, 2011

6tacool by Coca o FSM: Sem Massada, feat. Prince Wadada

Prince Wadada's ragga style meet Coca's soulful beats. I think it's the first collaboration between these two Angolan artists. Have a listen:

Sem Massada

O estilo ragga do Prince Wadada com os soul beats do Coca. Acho que é a primeira vez que estes dois artistas colaboram. Disse assim o Coca:

"He heyyy!! Hoje é sexta e como sempre dou um coxe de soul de borla...esta semana bumbei com o mo Faray...Prince Wadada que escreveu um som cheio de alma...eu acho que ta uma grande malha para relaxar com uns avilos a beber uma Cuca ou...um chazinho...sei la, vocês escolhem...
Boa sexta 
Coca o FSM"

Bom, neste caso terça-feira já que o Lounge se atrasou, mas não há makas, porque aqui 6tacool bumba sempre. Vem aí em breve mais dois brindes do Coca esta semana, para o Lounge estar finalmente up-to-date.

Friday, November 11, 2011

Terra e Água, by Electro Côco

Besides Amy Winehouse, Oliver Mtukudzi, Los Cafres, Tiken Jah Fakoly, a bit of Thievery Corporation and a dash of both Manu Chao and Bajofondo Tango Club, most of my week was spent listening to Electro Côco's album Côco do Mundo. I've talked about them here before, and also posted the Buscemi remix of their song 'Terra e Água'. But as is often the case with remixes, the original is better. I love the juxtaposition of the electronic drum n' bass beat with the more organic acoustic guitar and samba rhythm, as well as Vivani Godoy's always pleasant vocal. This song makes for an excellent sundowner.

Terra e Água

Para além da Amy Winehouse, Oliver MtukudziLos CafresTiken Jah Fakoly, um pouco de Thievery Corporation e uma pitade de Manu Chao e Bajofondo Tango Club, passei grande parte da minha semana a ouvir o álbum Côco do Mundo, pelo grupo Electro Côco. Já falei sobre eles neste epaço, bem como postei um remix feito por Buscemi da música que faz o título deste post. Mas como muitas vezes é o caso com remixes, a versão original é melhor. Aprecio a justaposição do drum n' bass electônico com o som mais orgânico feito pela guitarra e o samba, e, claro, a sempre agradável voz da Viviani Godoy. Esta música é perfeita para o fecho de mais um dia.

-Photo by axelvdb
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