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Saturday, August 8, 2009

Valete

ValeteValete. Atheist, thoroughly anti-capitalist, and the most gifted, intelligent hip-hop artist in the Lusophone world. His latest album, Serviço Público, is peppered with 15 second excerpts from speeches by such leaders as Fidel Castro, Hugo Chavez, and Che Guevara. It’s political rap at its finest. The son of São Tomé immigrants, Valete was born and bred in the not so touristy parts of Lisbon where his father sweated for a meager wage and his mother was a seamstress. His interest in rap started at a young age and he suffered a couple of failures before the Portuguese hip-hop apparatus was finally able to ignore his innate genius no longer. For Portuguese speakers, his deft lyricism, sick wordplay and choice of vocabulary are a joy to listen to. He is a poet, that’s what it really comes down to.

The three songs featured here are an example of his mastery of Portuguese, as well as his choice of metaphors and wordplay. After Haja O Que Houver, Mulher Que Deus Amou, featured in his first studio album, Educação Visual, is my favorite love song in the Portuguese language. It’s raw and explicit, but it’s real. Revelação is an imaginary debate that Valete has with God himself (the deeper voice is supposed to be God), asking him such questions as “where were you during the fog that enveloped Auschwitz” and accusations such as “ships left with slaves and you watched from your veranda.” In the end of the song “God” admits to being the Devil, the only existing superior being, saying that he created man in his evil image. Dark, mind-stimulating rap that you won’t find in your radio’s Top 40.

Anti-Heroi is vintage, angry and energetic Valete, in which he laments the state of the world, the deadly aspects of capitalism (Valete is not the biggest fan of the IMF), and social injustice. He invokes Nelson Mandela, Angolan writer Pepetela, Lumumba, Arafat, among other revolutionary icons – this songs plays out like a Third World Manifesto.

If you ever buy a Portuguese rap album, Serviço Público should be it. It even features Lounge favorite Ikonoklasta in a song or two, and it did wonders in the Portuguese musical universe.

Mulher Que Deus Amou
Revelação
Anti-Heroi

Valete. Ateu, irremediávelmente anti-capitalista, e o rapper lusofono mais dotado, inteligente, e inconformado. O seu ultimo album, Serviço Público, contém vários clips sonoros de líderes revolucionários da esquerda tais como Fidel Castro, Hugo Chavez, e Che Guevara. É rap político ao seu melhor nível. Valete é filho de pais São Tomenses que emigraram para Portugal, e passou uma infância em condições díficeis no bairro do Benfica, em Lisboa. Seu pai mal conseguia sustentar a família com o seu salário mediocre, e sua mãe era costureira e o dinheiro que trazia para casa tambêm não era grande coisa. O seu interesse em hip-hop começou muito cedo, e ele começou a escrever em meados de 1997. Mas só depois de alguns falhanços é que o público português finalmente reconheceu o valor incontornável deste artista. Para pessoas que falam português, o seu domínio da lingua, o seu liricismo, e o seu vocabulário são impressionantes de se ouvir. O homem é um poeta.

As três canções destacadas aqui demonstram o seu domínio da lingua e o seu estilo peculiar de rimar. Depois de Haja O Que Houver, Mulher Que Deus Amou (do seu primeiro album, Educação Visual) é talvez a melhor canção de amor na lingua portuguesa. É uma canção com liricas cruas e explicitas, mas vem do coração. Ja o som Revelação é um debate que Valete tem com “Deus”, tecendo-lhe perguntas tais como “Onde estavas tu no nevoeiro que encobriu Auschwitz,” e fazendo acusações como “Naus partiram com escravos e tu ficaste a varanda.” No fim do som, “Deus” admite ser em realidade o “Diabo”, único ser superior existente. Rap assim so mesmo no underground, porque o mainstream ja está comprometido.

Anti-Heroi é Valete em seu melhor, um rap cheio de energia e intensidade, onde ele lamenta o estado actual do mundo, os aspectos negatives de capitalismo e do FMI, e a injustiça social. Ele fala da inspiração que obteve atraves de tais ícones como Nelson Mandela, Pepetela, Lumumba, Arafat, e etc…é um verdadeiro manifesto do Terceiro Mundo.

Serviço Público foi um grande sucesso em Portugal e não só, com um convidado de peso:o nosso já conhecido Ikonoklasta. É um daqueles albums que se toca do princípio ao fim, sem ter que saltar músicas. A não perder.

Valete on Myspace
Valete on Last.fm
Valete's label, Horizontal Records

Monday, October 19, 2009

CFKappa

CfkappaYou hear the beat drop and a voice rapping. The voice sounds robust, mature even; the delivery of the lyrics is top-notch. The flow is sick and the rhymes have substance. Then you find out this kid is 17 years old and your world perspective changes. At least that’s the way I saw it. I don't like to overhype things but I really do believe CFKappa (Claudio Fernando Kiala) is the most promising player in Angolan hip hop. He really only started rapping and writing lyrics a couple of years ago but his ascension has been such that both Valete and MCK have heralded his arrival into Lusophone’s rap scene and sang with him during Valete’s series of live performances in Luanda. Valete in particular seemed taken with CFKappa and said that he saw a reflection of himself in the young MC…I can only imagine the impact of those words on CFKappa, who considers Valete his favorite rapper. CFKappa hasn’t yet released an album but instead participated in numerous mixtapes. The song below, Diário de Um Rapper (A Rapper’s Diary) is a song of his featured on Angolan producer Mad Contrário’s Mixtape, Madlândia. Special thanks to premier Angolan hip-hop music blog Cenas que Curtimos (new in the linklist, along with Wakuti Musica) for helping to bring exposure to this young phenomenon.

Diario de Um Rapper

Carregas no play e começas a curtir a cena. O beat dropa, o ritmo é cool e laid back, e depois uma voz começa a rappar. A voz parece madura, os lyrics têm tronco e cabeça. O flow está perfeito e a maneira que as palavras são soltas faz lembrar rappers do estilo Kid MC e Valete. Depois descobres que esta voz pertence a um jovem de 17 anos, e o teu mundo extremece. Pelo menos pra mim, foi assim a experiência de ouvir o CFKappa (Cláudio Fernando Kiala) pela primeira vez. Não sou muito dado a me empolgar em cenas antes do tempo, mas acho mesmo que CFKappa é dos rappers mais talentosos de Angola e o seu embaixador mais promissor. Ele so se apaixonou sériamente pelo rap a poucos anos atrás mas a sua ascensão pelo mundo de hip hop lusofono tem despertado o interesse e o respeito dos rappers mais conceituados da praça, como é o caso de Valete e MCK. O Valete em particular gostou imenso do rapaz e disse que CFKappa lembrava-lhe de si mesmo nos seus tempos de puto, palavras que o MC angolano de certeza gostou de ouvir, considerando que Valete é uma grande influência para este jovem promissor. O CFKappa ainda não lançou album, mais ja ten várias músicas na net e em mixtapes. Um destes sons é Diário de Um Rapper, que aparece na mixtape Madlândia, produzida por Mad Contrário, um productor angolano. Obrigado especial ao Cenas que Curtimos e Wakuti Música (recentes adições ao blogroll!) por ajudar a divulgar este fenómeno.

-Photo by Samurai

Must Reads:
CFKappa on Myspace
CFKappa Official Website

Thursday, August 12, 2010

One Beat, Two Messages / Um Som, Duas Mensagens

Valete, MCK, Keita Mayanda. Three of my favorite hip-hop artists, two of my favorite hip-hop songs, one single beat. Keita Mayanda started it all with his soulful, heartfelt rap song, 'Equilíbrio'. A song about the powers of love, of all things. A rap about balance, equilíbrio. About relationships and selfishness. The brooding beat was then used by Valete and MCK on a sort of remix, 'A Mentira do Vosso Amor' (The Lies of Your Love). In it, the always surprising Valete goes further on the topic of love, the love for art, love for hip-hop, where it comes from, and where it falters. MCK finishes the song off with his own views on the dedication, sweat, and love that he pours into hip-hop, only to see it bastardized and tarnished by those who don't understand the art. One of the finer messages of Lusophone hip-hop, by three of its most skilled disciples.

Equilíbrio
A Mentira do Vosso Amor

Valete, MCK, Keita Mayanda (sebem que o Valete não está na foto directamente acima, quem está é outro grande do rap angolano, o Leonardo Wawuti). Três dos meus artistas de rap preferidos, duas das minhas preferidas canções, um simples beat. Foi o Keita Myanda que começou tudo com o seu soulful brinde, 'Equilíbrio'. É daqueles brindes que têm o poder de fazer-nos reflectir. Fala sobre o poder do amor, é um som sobre equilíbrio emocional, sobre relações fortes, sobre egoísmo, enfim, carrega no play e ouve tu mesmo. Este mesmo beat foi depois usado pelo Valete e o MCK numa espécie de remix, 'A Mentira do Vosso Amor'. O sempre irreverente Valete vai mas longe no tópico do amor, falando na mentira do amor que ele vê a sua volta. "Eu nunca amei com vosso amor", diz ele. O MCK contribui na estrofe seguinte. Eis as suas primeiras palavras:


Quem corre por gosto vai sempre mais longe / É o amor qe me inspira viver como monge / As vezes sem pão mas sempre a fazer sons / Que refletem a pureza aquilo que eu sinto / Meu vem do o coração por isso nao minto / A mentira do vosso amor esta na bajulação / Dos broxes que fazem ao chefes atras da promoção / Nas promessas estranhas / Nas esperanças ja castanhas / É com mentira que tu ganhas campanhas / O meu amor vive hospedado na lagrima de quem sofre / Não tem preço nao cabe no teu cofre.

Para melhor percebemos o contexto deste som, e da importância do MCK no rap angolano e o tal amor que os três nutrem pelo hip-hop verdadeiro, orgânico, das origens, eis o que o Valete disse acerca do MC Katrogipolongopongo:

O Rap em Angola mais visível, tem uma cara muito festiva e exibicionista. É mesmo possível compararmos com o rap americano mainstream. Muitos sons para o club e muitos mc’s a celebrar uma suposta vida sumptuosa. MCK representa a face mais underground. Em Angola há também quem o classifique como um mc da escola do "Rap Revolucionário". O Mano conseguiu fazer um buzz estrondoso e hoje é conhecido e aclamado em Angola, e marca uma diferença assinalável em relação à maioria do rap Angolano mainstream. K fala da Angola real. A Angola da ditadura, a Angola dos indigentes, A Angola dos contrastes pavorosos. O Mano já chegou mesmo a ter problemas com o governo, por lhe terem associado a movimentos contra-poder. Seria muito fácil para o Kapa seguir as tendências do mainstream. Rimar "Money, cash, hoes" e provavelmente vender mais e ser até mais afamado do que já é. Mas o mano é bem maior do que isso tudo. Tem compromissos irrescindíveis. Está comprometido consigo mesmo, com a arte, e com a sua luta. Antes morrer de pé do que viver de joelhos. Eu e o Kapa, temos trabalhado juntos e temos uma parceria que de certa forma se enquadra no projecto "Um Só Caminho" e estamos a tentar abrir canais nos nossos países para mc’s da Lusofonia. O Kapa distribuiu o meu álbum em Angola, com enorme sucesso e agora vamos editar conjuntamente o Azagaia.

Rap com tanta relevância social, feito com tanto amor à camisola, só mesmo lusófono. Ou quase isso.

Thursday, July 1, 2010

No Trânsito... / In Traffic...

Luanda Traffic
I like to think of myself as a calm human being, but I’ve come very close to losing it sitting in that horrendous Luandan traffic, sharing the road with complete lunatics. I remember the last time I was in such a predicament. It was in May. I was with a couple of friends and cousins and we all had to the bright idea to go catch a movie at Belas Shopping at 9:45pm, only to still be sitting in traffic at 10:00pm. On a weeknight. I missed the part where driving in Luanda became a fool’s errand, even that late at night.

But whenever I am in a rotten, explosive mood due to that Luandan traffic, nothing better than to exacerbate the situation by listening to hard-core but erudite Portuguese rap. Enter Valete and Azagaia. I love listening to Valete when he’s rapping in one of his flammable moods, like in Anti-Herói for instance. Alternativos, in which he raps with the Mozambican poet Azagaia, also has vintage angy Valete. It does wonders to me listened to at high volumes, sitting in my car. My scowl gets uglier, my contempt for the clinically insane candongueiro driver deepens, and the anti-commercial, anti-establishment, anti-mainstream lyrics of Alternativos ring in my ears and sound like the absolute truth.

Alternativos

Gosto de pensar que sou um homem calmo e sensato, mas quando estou preso naquele infernal trânsito luandense, partilhando a estrada com gente que só pode ser completamente louca, com a óbvia falta de neurónios e sem qualquer gosto pela vida, quase que perco a cabeça. É demais. Lembro-me da última vez que estive nesta situação. Foi em Maio. Eu, uns primos e uns amigos tivemos a brilhante ideia de ir ver um filme no belas shopping às 21:45. Saímos de casa com antecedência, mas obviamente não com a antecedência que a situação merecia porque às 22:00 ainda estávamos em pleno engarrafamento. Em pleno dia de semana. Não sabia que conduzir em Luanda tinha se tornado missão impossível.

Quando estou em tais situações de alta tensão, com uma disposição de horrores, nada melhor que piorar a situação com um bom rap hard-core, brutal, e erudito, daqueles que só rappers como o Valete e o Azagaia conseguem fazer. Gosto de ouvir o Valete quando ele está naqueles moods explosivos dele, como em Anti-Herói. Em Alternativos, música do grande Azagaia, temos mais doses do Valete indignado. No meio do trânsito, ponho-a a tocar no carro em altos volumes, e a minha cara de quem comeu limões entorta ainda mais, as minhas opiniões pouco amigáveis sobre aquele taxista suicida ficam ainda menos amigáveis, e a letra da música em questão, em que o Valete e o Azagaia explicam todas suas atitudes anti-comerciais e anti-mainstream soam como a verdade pura.

Friday, March 18, 2011

A Melhor Rima de Sempre, by Orelha Negra feat. Valete

Over the last few days I've been bopping my head to Portuguese group Orelha Negra's latest mixtape. Orelha Negra, literally translating to "Black Ear", will soon be talked about here in the Lounge - they are a very talented group that creates transcendent urban beats steeped in black musicality, including jazz, funk, soul, and hip-hop. The mixtape that I've been listening to is their latest creation, and in it they feature my favorite rapper, Valete, in 'A Melhor Rima de Sempre', literally translating to "The Best Rhyme Ever". It's one of Valete's most personal songs to date, an ode to his best friend and fellow rapper Adamastor in which Valete recounts his journey from a booed unknown to one of the most respected names in Lusophone hip-hop. The moody, sublime production work was sampled and created by Orelha Negra, and on it Valete spills his guts, calling on Adamastor to return to the hip-hop game. In the end, he asks where all the pioneers of Lusophone rap, in particular Portuguese rap, have gone.

Watch this space for a post on Orelha Negra...for now, stay with 'A Melhor Rima de Sempre'.

A Melhor Rima de Sempre

Durante os últimos dias tenho estado a ouvir a mixtape do grupo português Orelha Negra, que brevemente terá o seu próprio post aqui no Lounge. É um grupo que faz música transcendente inspirada na black culture, uma mistura potente de jazz, funk, soul e hip-hop, com resultados fenómenais. Entre tais resultados está esta tal mixtape, onde podemos encontrar uma das mais novas músicas do meu rapper preferido, o Valete, chamada 'A Melhor Rima de Sempre'. É uma das músicas mais marcantes e pessois do Keides Lima, uma música em que ele presta homenagem ao seu grande amigo e companheiro de hip-hop, o grande Adamastor. A produção da música, a cargo da Orelha Negra, é coisa de outro mundo, desde o começo ao fim. É coisa de quem percebe de sampling e mixagem. E a letra do Valete requer atenção para quem quer realmente saber a sua história no mundo do hip-hop, a história de um desconhecido que com muita perseverância, esforço e suor se tornou numa das principais personagens do hip-hop lusófono e não só.

Para breve, um post sobre o grupo Orelha Negra. Por agora, fiquem com A Melhor Rima de Sempre.

Saturday, April 23, 2011

M.I.R.I.A.M., by Orelha Negra feat. Xeg e Hulda


This is another one that just can't seem to leave my current playlist. If you remember the post on Valete's A Melhor Rima de Sempre, then this song will seem very familiar - after all, Orelha Negra is using the same exact beat. But the difference in the two songs lies in the very different delivery methods used by Valete and Xeg. The beat might be the same, but the mood of the song is completely different, as are the lyrics, as is the word flow and lyricism. While Valete reminisces about the young days of his rap career with his partner in crime Adamastor, Xeg's rap is about his devotion to a particular woman. It's when you listen to music like this that you realized that Portuguese is beautiful.

Tudo sem ti é nada
Nunca senti nada igual
Por ninguém...

M.I.R.I.A.M.

Esta é outra que não quer sair da rodagem. Há vezes mesmo que a oiço várias vezes, uma depois da outra. Se o leitor se lembra de ter ouvido A Melhor Rima de Sempre do Valete ha algumas semanas atrás, com certeza que o beat desta música vai lhe parecer bastante similar...porque a Orelha Negra usa o mesmíssimo beat.  Só que a diferença nesta música está na maneira diferente que o Valete e o Xeg usam o flow do beat para disparar as suas rimas com a eloquencia e conhecimento da língua próprios dos bons rappers lusófonos. O beat pode ser o mesmo, mas o feeling de cada som é totalmente diferente, e o seu liricismo também. Enquanto que o Valete reconta os seus primeiros dias no rap e da influência que o Adamastor teve na pessoa que ele é hoje, já o Xeg 'rappa' sobre o amor total que ele sente por uma mulher. A rima acima demonstra que é quando se ouve música assim que se nota que o português é uma língua linda.

Wednesday, December 30, 2009

O rescaldo do show do Kid MC: Azagaia for President

AzagaiaO show do Kid MC foi o primeiro espectáculo de hip-hop que vejo em Luanda desde, salvo erro, 2006 ou 2007. E para mim foi o mais marcante. Finalmente pude ver em palco rappers que admiro muito, nomeadamente o MCK e o Ikonoklasta. O Kid MC também não deixou os seus créditos em mãos alheias. O homem é mesmo agressivo e não tem papas na língua – quando entra em acção, o palco é só dele e de mais ninguem. E quando pisou a foto do Dji Tafinha, uaué! Mas a pessoa mesmo que “stole the show”, como se diz em inglês, foi o Azagaia.

Antes do concerto ja o meu primo estava em ligeiro estado de choque por causa da vinda do fenómeno moçambicano Azagaia a Luanda. Devido a minha ignorância acerca do mesmo, não tinha ouvido as músicas dele. Mas o meu primo dizia em alto e bom som que “o Azagaia é mais forte que o Valete.” Sendo o Valete o meu rapper preferido, de sempre, ri-lhe na cara, em alto e bom som. La o meu primo e o meu irmão puseram o Azagaia a tocar para eu poder me ambientar antes do concerto, e fiquei boqueaberto. Com certeza que o Azagaia inspirou-se no Valete, ja que os seus flows têm algumas semelhanças. E continuo a achar que não é melhor que Valete, mas isto são os meus gostos particulares, e em abono da verdade o Azagaia anda mesmo perto de ser tão bom como o Mr. Lima (Valete).

Mas mesmo tendo lhe ouvido antes do concerto, não foi o suficiente para sentir por dentro a sua poesia, de a absorver por completo. Por isso não estava preparado para a entrada fulminate dele em palco. Entrou a la Che Guevara, todo ele fardado em estilo guerrilla para o delírio do público presente. A sua presença em palco era íncrivel. Com punhos no ar e letras revolucionárias, o concerto mais pareceu um comício da esquerda do que um outra coisa. Foi halucinante. Mas nem mesmo isso teria me preparado para o que veio depois. Em 20 minutos o Azagaia fez o que a oposição política angolana não faz ha vários anos.

Da boca do Azagaia nunca saiu o nome do Zé Du. Ele simplesmente se limitou a fazer algumas perguntas picantes. “Quem vendeu a minha pátria...quem vendeu a tua pátria...quem vendeu a nossa pátria,” cantou ele. Em princípio o povo não respondeu em unissono, mas aqui e ali ouviam-se murmúrios do tipo “Zé Du!” O Azagaia não parou aí. Um pouco depois perguntou, “será que ha alguém que vos deve um pedido de desculpas?” E começou a repetir a frase “corruptos fora! Assassinos fora!” E é assim que, depois dele cantar Combatentes da Fortuna, estava toda a plateia a gritar em voz alta, em unissono, de boca cheia, com punhos no ar, “Ze Du foraaaa! Ze Du foraaaa!” Cenas não vistas em Luanda a muito, mas muito tempo. O homem estava em fogo, e mesmo quando saiu do palco, mesmo com o palco vazio, só se ouvia o grito do povo, um grito de revolta.

Azagaia for president ou quê?

Incluída aqui esta o som “As Mentiras da Verdade”, para aguçar o vosso apetite até um post a sério acerca do Azagaia em princípios de Janeiro do próximo ano, porque Babalaze é um album a sério (se bem que a maioria que esta a ler este post ja deve ter o album rsrs)!

As Mentiras da Verdade

Fotos do evento aqui, aqui, e aqui tambem.

Sunday, December 27, 2009

Dino & The Soulmotion

Dino SoulmotionA forma como “descobri” o talento musical do Dino foi um tanto quanto absurda. Ele foi um dos primeiros ‘fãs’ do grupo do Caipirinha Lounge no Facebook. Antes da minha viagem para Luanda, estive la a ver quem seriam os valiosos visitantes deste site e deparei-me com um tal de Dino Soulmotion, e após uma curta pesquisa no Google e a audição dos singles dele “Não Vou Partir” e “A Curtir o Som”, decidi adquirir o album. Posso dizer de boca cheia que Eu E Os Meus é um dos melhores álbums R&B/Soul lusofono do ano que finda daqui a quatro dias.

O soul music do Dino & The Soulmotion (a sua banda acompanhante) é fortemente influenciado pelo hip-hop. Ora, veremos as personagens com quem o Dino colabora. O disco foi editado pela label do conceituado rapper Português Sam The Kid (que está em Luanda para um concerto a ter lugar hoje, domingo!), e que também participa no grande som “O Nomeado”. Outro grande rapper que faz parte deste projecto é o nosso ja conhecido Valete, o PacMan (Da Weasel), Virgul, entere outros. Mas devido a sua origem Cabo-Verdiana, o disco também esta recheado de temas inspirados por aquelas ilhas musicalmente maravilhosas do oceano Atlântico, e conta com a participação de Tito Paris.

Foi díficil escolher só três canções para partilhar aqui, porque realmente quero que comprem este álbum, é daqueles que cada música é boa e toca-se do príncipio (Nu Preconceito) ao fim (Amanhã). Após repetidas audições durante as minhas 14 horas de espera no aeroporto Charles de Gaulle em Paris, e não só, cheguei a conclusão que dos temas que melhor representam a diversidade auricular do álbum, “Filho do Gueto” com Valete (hip-hop abrilhantado pelo soul que ja se tornou trademark do Dino), “Por Ti Eu Espero” (groove daqueles inspirados por Marvin Gaye), e “Dez Ilhas” (sabor crioulo) são talvez os três mais expressivos. Para não falar do “Nomeado II” com Angela Pais, mas este é para um Late Nite Lounge a vir em breve...;)

Filho do Gueto
Por Ti Eu Espero
Dez Ilhas

The way I found out about Dino’s musical prowess was a bit absurd. He was one of the first fans of Caipirinha Lounge on Facebook, and before my trip to Luanda I was looking at the diversity of the site’s “fans” and Dino caught my eye, as Soulmotion is not a common last name. After a quick search on Google and the subsequent browse through his Myspace where I listened to his singles “Não Vou Partir” and “A Curtir o Som”, I was sold. I got the full album. And I can say with certainty that its one of the best soul/R&B albums of the year that’s about to finish.

The brand of soul music composed by Dino & The Soulmotion (his band) is greatly influenced by hip-hop. It’s easy to see why. Before he went solo Dino collaborated with a lot of the finest MCs in Portugal, and his debut CD, Eu e Os Meus, was released by Sam The Kid’s label, Quarto Mágico. Sam The Kid, one of Portugal’s hip-hop pioneers, also features in one of the tracks on this CD, namely “O Nomeado”. Another hip-hop artists that sings with Dino is our well-known Valete, PacMan and Virgul from the Portuguese rap band Da Weasel, and others still. And because of Dino’s Cape Verdean heritage, Eu e Os Meus has a certain island flavor that strongly comes through in a couple of tracks, one of which was composed by that legend Tito Paris.

It was quite difficult to choose just three songs to post here. This is one of those CDs that you can play from start to finish – both the opener and especially the closer, “Amanhã”, are kick ass tracks. It’s one of those albums that I’m going to have to urge you to buy if Portuguese soul is your thing, and even if it isn’t (yet). After repeated hearings before and after my 14 hour odyssey at Charles de Gaulle airport, I figured out that the three tracks that best represented this album’s aural diversity were “Filho do Gueto” featuring Valete (Valete’s lyricism meets Dino’s trademark soul), “Por Ti Eu Espero” (a groovy beat reminiscent of Marvin Gaye) and “Dez Ilhas” (tastes like Cape Verde). And then there’s a hidden gem, a track called Nomeado II featuring Angela Pais, but that’s better suited for a Late Nite Lounge session, coming soon...;)


Integrantes da banda Soulmotion:
Batuques: Sérgio Silva; Baixo: Ginho Marques; Guitarras: Bruno Macedo; Piano: João Salcedo; Percussão: Manuel Santiesteban; Vocais de apoio: Cati Freitas & Diana Martinez

-Photo do Myspace do Dino & The Soulmotion

Myspace do Dino & The Soulmotion
MTV Exclusive: Dino & The Soulmotion

Sunday, November 4, 2012

Caipirinha Lounge Cinema: Meu País, by Valete feat. Nuno Lopes


From the first seconds of this song, and it's short, measured buildup, I could tell I would thoroughly enjoy it. My appreciation for it went up as the verses progressed. Valete talks about what the impending economic catastrophe is doing to the Portuguese, especially its youth. How emigration makes more and more sense, and how many people leave their loved ones and their livelihood (to earn a lot more money in Angola, for example). If the content wasn't enough, the quality of production of this track is sublime. Having Nuno Lopes feature was a great decision - you won't hear many hip-hop tracks with this kind of ambiance and musical versatility.

Meu País

Logo nos primeiros segundos desta música, já se previa a sua grandeza. O Valete consegue, nas palavras à baixo, exprimir um sentimento, uma forma de encarar as opções de vida, que já começa a ser comum na presente realidade portuguesa. E principalmente entre a sua juventude. No que toca a produção em si, espectacular. Como se a letra e a rica produção não bastassem, a participação de Nuno Lopes também foi uma aposta acertada. Nao devem existir muitas músicas com esta sonoridade e com esta versatilidade. 

Por fim, a execução do video-clipe foi o toque de meste, a cereja em cima do bolo. 

Meu País serve como introdução ao novo disco do Valete. É o seu primeiro single. Se o resto do álbum for assim tão fértil e comovente, fico ansioso por ouvir o resto do producto. 

Tou a arrumar as malas,
Levo quase tudo até o meu kimono de judo (quase tudo),
Já não sei se volto,
Quem imigra quer voltar,
mas muitos poucos voltam à base,
Farto disto tudo,
Farto de estar desempregado de nada servem estes canudos,
Quando há trabalho são sempre temporários,
Humilhantes precários, os salários hilários,

União Europeia a colapsar,
Portugal a mergulhar nestes dias funerários,
Vou-me embora,
vou,vou pra Luanda,
Já não há nada aqui pra mim,
isto já não anda nem desanda,

Estas são as minhas ultimas lágrimas,
Últimas paginas, neste pais que hoje tresanda,
Portugal, meu céu meu lamaçal,
Assista ao recital da minha fuga da tua varanda,

Meu país, vou me embora...
Meu país, vou me embora...

Portugal vou me embora...
Portugal vou me embora...

Ana, meu amor por ti é irrefutável,
Memorável nas nossas vidas,
Divino inenarrável,
Mas vou me embora, minha alma chora,
E devora a minha carne e deixa me assim inconsolável,
Tens emprego estável situação invejável,
Não faria sentido vires comigo,Ana,seria irresponsável,

Fica aqui, progride na empresa,
Tenho a certeza que chegarás lá em cima com a tua destreza,
É melhor acabarmos esta relação,
A minha volta é um ponto de interrogação é tudo uma incerteza, Ana

Não chores, não deflores
Ainda mais esta dor que me atinge com tanta crueza,
Acabamos mas serei sempre teu, O
O teu Romeu que viverá do que imana a tua grandeza,
Vou me embora, sê feliz,
Mesmo com a cicatriz deste amor e levar-te pra tristeza


Meu país, vou me embora...
Meu país, vou me embora...

Portugal vou me embora...
Portugal vou me embora...

Monday, August 10, 2009

Caipirinha Lounge Cinema: Anti-Herói, by Valete

Below is the official video of Anti-Herói, from Valete’s second studio album Serviço Público.

Acima está o video clip official de Anti-Herói, do Segundo disco de Valete, Serviço Público.

Thursday, February 18, 2010

Coming Soon: Caipirina Lounge Interview to Azagaia, Conductor, CFK, and...Valete

É com grande prazer que anuncio uma mão cheia de grandes entrevistas em breve no Lounge, com o conteúdo substancial com que já se habituaram. Entrevistas feitas a alguns dos artistas mais influentes da música lusófona de 2009. Desde o grande Mano Azagaia que falará sobre o seu Babalaze, um dos meus álbuns preferidos do ano que findou, passando para o beatmaster Conductor e as suas opiniões acerca dos Buraka e não só, até ao CFKappa e o seu percurso como o miúdo maravilha do nosso hip-hop alternativo. E para o cúmulo, teremos os palpites do pai grande do rap lusófono, o único, o irreverente, o Valete. Fiquem atentos, que isto aqui promete...

It’s with great pleasure that I announce a handful of what promise to be insightful interviews coming soon to the Lounge. Four of the most influential lusophone artists of 2009 are coming to share with us a bit of their thoughts and their inspirations: Mano Azagaia, the great Mozambican lyricist, will talk to us about Babalaze (one of my favorite albums of 2009) and the political situation in Mozambique; Buraka Som Sistema's Conductor will tell us about how kuduro is changing dance music worldwide; and Angola’s kid phenomenon CFKappa will be sharing his breakneck jounery through Angola’s underground alternative rap scene. And to top it all off, Lusophone’s most gifted, talented, and notorious hip-hop artist, Valete, will share with us some of his musings on politics, rap, and atheism. Stay tuned!

Friday, October 2, 2009

Valete in Luanda!

One of my favorite rappers, a man by the name of Valete, has arrived in Luanda as Angolan rapper Kool Klever’s guest of honor. The concert in Cine Atlântico (Oct 4) will feature the finest rap talent in Luanda, including Kid MC and, of course, MCK. Samurai over at Madtapes has more.

Um dos meus rappers preferidos, um tal de Valete, chegou hoje a Luanda como convidado especial de Kool Klever, para actuar no concerto deste no dia 4 de Outubro no Cine Atlântico. Este concerto certamente ira arrasar, tal é o talento à mostra: Kid MC, Bomber Jack, MCK, etc. A não perder! Obtenha mais informações sobre o evento no Madtapes.

Monday, April 5, 2010

Caipirinha Lounge Interview: Entrevista à CFKappa

"Tenho fé no futuro de Angola por saber que farei parte dele."
Tem apenas 17 anos mas já é um artista bastante aplaudido por quem conhece o hip-hop angolano. Admiro o seu amor pelo hip-hop, a sua inteligência, e o seu gosto pela escrita. Aqui vai a entrevista à uma das maiores promessas do hip-hop angolano, e quiça, lusófono.

*No fim da entrevista, façam download do som Graduação, meu som preferido deste artista até agora.

O hip-hop

O que te atrai no hip-hop?

A beleza das palavras, as inúmeras formas de as empregar e acima de tudo, o bem que ele faz à alma quando bem feito. A criatividade espantosa que certos MCS têm demonstrado também me impulsiona a procurar fazer o inédito ou quebrar recordes.

Como encaras o hip-hop em Angola e como descreves a sua evolução?

Na minha opinião, o Hip Hop em Angola é como o Hip Hop em qualquer outra parte do mundo. Com bons e maus rappers, com pessoas que se preocupam acima de tudo com a mensagem que vão passar nas letras e com outros com a imagem que vão passar para os ouvintes. É como tudo… O bom e o mau. O Hip Hop em Angola de facto sofreu alguma evolução considerável, não só no número de Mcs, mas também na qualidade dos instrumentais, creio que as músicas têm sido mais difundidas agora, e os órgãos de comunicação social têm prestado mais atenção ao Hip Hop nacional. Não acompanho o Hip Hop nacional a fundo há muito tempo mas creio que os B-Boys também evoluíram (apesar de ainda achar que não têm a atenção que realmente merecem, bem como o Graffiti). A sua evolução é positiva, vemos cada vez mais inovações e é disso que se espera… O inédito.

Como encaras o hip-hop no mundo lusófono em geral?

Na minha sincera opinião eu acho que se podia fazer mais por parte dos MCs, mas que apesar de tudo, é de louvar o trabalho que muitos Mcs estão por aí a fazer. Nota-se uma certa evolução por parte dos menos preguiçosos e uma persuasão à imitação por parte dos mais preguiçosos (que infelizmente não são poucos). Existem Mcs que procuram se superar, em diversos aspectos e felizmente têm sucesso nesse objectivo, e isso é de admirar. Quanto aos outros elementos do Hip Hop, eu não consigo responder com precisão. Por exemplo, conheço apenas cerca de 5 a 6 DJs de Hip Hop em Angola, conheço muito poucos graffwritters (se calhar os dedos da minha mão direita sirva para os contar), e pelo menos agora algum certo número de B-Boys, que também não são o suficiente mas que têm procurado fazer bem o seu trabalho. Não tive a oportunidade de conhecer B-Boys em Moçambique, conheci alguns Djs de Hip Hop (pelo menos parece que há mais por lá), Mcs não faltam, e também senti um bocado a ausência dos graffittis. Em Portugal creio existir mais, Djs, muitos Mcs, parece que o graffitti é mais notável também e não tenho informação sobre B-Boys. Quanto aos outros países, não posso comentar por falta de informações que possam vir a justificar a minha resposta.

Quais os rappers que mais te inspiram?

Kanye West, Azagaia, Ludacris, Asmall, Mukadaff e Valete


A tua idade tem sido um empecilho ou uma mais-valia?

A minha idade é só um número. Claro que devo admitir que algumas pessoas chegam a admirar o trabalho que faço por ser tão novo, mas para mim a idade é indiferente quando se há conteúdo positivo. Os anos passam e espero sinceramente evoluir com este tempo.

O que estudas, e porquê?

Engenharia de Telecomunicações. Foi a opção em que mais me identifiquei depois de ter sido “privado” de fazer medicina. Gosto do facto de poder criar e dos diversos ramos em que poderei me enquadrar estudando tal coisa.


Tens planos para uma carreira virada exclusivamente pelo hip-hop, ou tencionas acabar os estudos e ter uma carreira de “escritório”? Ou pensas encontrar um ponto de encontro entre as duas opções?

Não vou dizer que farei Hip Hop para sempre, mas que irei fazer enquanto ele não se sobrepor às minhas prioridades. Como prioridade pretendo ter a minha carreira como Engenheiro de Telecomunicações e, caso o Hip Hop não represente contraposição continuarei a fazer enquanto me sentir motivado e inspirado.

Já lançaste várias mixtapes...para quando o lançamento do teu primeiro álbum?

Prefiro ainda não citar datas… Mas podem esperá-lo a partir do segundo semestre do presente ano.

Qual é a música da tua autoria que mais gostas de ouvir?

Um milhão em Um (Com Janice Tiana) – Essa é do álbum…

Descreve-nos o CFKappa como artista.

Cfkappa como artista é um indivíduo que procura sempre inovar e levar de maneira diferente, boa música para aqueles que vão ouvir. Procuro angariar experiência sempre que posso e gosto de me auto-desafiar traçando metas por vezes exaustivas de se alcançar.

E como jovem?

Como jovem, diria um pouco diferente do que a tendência da contemporaneidade têm exigido, talvez por não gostar muito de ficar na rua a falar de motas, cervejas e frequentar discotecas em tenra idade, e sim preferir estar em casa, ler livros, ouvir e escrever músicas e estar sempre a tentar criar alguma coisa.

A cultura e a música

Falemos um pouco sobre cultura. Quais são para si os pontos fortes da cultura angolana?

Até agora, a música é o mais forte, pois tem-se feito arte para a benevolência e ainda (para os mais ambiciosos e visionários) se tem tirado proveito dela para viver. Isso quer dizer, que quando o artista consegue viver da arte que faz, há uma enorme valorização por parte de quem consome. Por outro lado, não se precisa viver da arte ou ganhar (materialmente) da mesma para ser consumido a larga escala por quem entende de música. Portanto, a música é sem dúvida o ponto mais forte da cultura angolana. Outro ponto forte, embora pouco valorizado é o artesanato. Os nossos artesãos fazem “magia” com as mãos produzindo obras lindíssimas que nunca passam por despercebidas aos olhos de quem vagueia, seja nacional ou estrangeiro. Portanto, considero estas duas vertentes como pontos mais fortes

O que mais o faz sentir-se orgulhoso de ser angolano?

As inúmeras identidades culturais. A cultura angolana, bem como os seus hábitos e costumes, é distinto, é único, e isso faz sentir especial. As nossas cobiçadas riquezas naturais faz-me sentir filho de um povo reconhecido e abençoado. Enfim, muita coisa me faz sentir-me orgulhoso de ser angolano.

Quais são os teus artistas lusófonos preferidos?

Azagaia
Bob da Rage Sense
Valete
X da Questão
Muralha
Kalibrados
Abdiel
Y-Not
Hernâni Mudanisse
Asmall
MV Bill
Conjunto Ngonguenha
MCK
Reptile
Valete and CFKappa
A literatura

És um dos mais novos integrantes da União dos Escritores Angolanos. Como surgiu a tua paixão pela literatura?

Ganhei o gosto pela escrita ainda muito novo, mas os meus escritos não eram tão cativantes, pela minha inexperiência, apesar de tudo. Após o primeiro livro que li – “Quem Me Dera Ser Onda” de Manuel Rui – ganhei forças para continuar a escrever e aperfeiçoar cada vez mais a minha habilidade na escrita.

Quais são as tuas principais influências literárias?

Sidney Sheldon, Dan Brown, Paulo Coelho e Manuel Rui Monteiro.

Quem é o teu autor preferido, e porquê?

Dan Brown. Este é um homem que na literatura considero impressionante pela coerência nos seus textos, capacidade de detalhar o que quer transmitir, de maneira que nos sintamos dentro do assunto. Ele transmite uma tensão enorme a quem lê o livro, de maneira que nunca queremos parar de ler para ver o que acontece a seguir. O seu vasto conhecimento de história e a maneira como ele relaciona às suas ficções nos obrigando a raciocinar e questionar as nossas ideias é incrível. Simplesmente amo os seus escritos.

Que tipo de livros tencionas escrever?

Atendendo à fraca aderência da juventude ao mundo da leitura, pretendo escrever livros que estimulem a todas as idades, mas acima de tudo aos jovens, que têm uma certa fobia a livros ou a literatura em si.

O que te inspira na literatura?

A capacidade que o escritor tem de representar em palavras, situações, estados e momentos que levam o bom leitor a se sentir inseridos nos mesmos, viver aquela mesma ansiedade descrita, desenhar mentalmente certas descrições tal como o autor pretendia explicar, etc.

A sociedade

O que achas dos valores e padrões morais da juventude angolana?

Acho que estes serão perdidos enquanto o número de jovens que se preocupam continuar a representar a minoria. Nada está perdido de todo, enfim, podem facilmente ser resgatados e preservados (para os que ainda não se perderam) com um pouco de empenho. Dar mais valor aos valores culturais é uma coisa muito importante. Muitos jovens mal sabem exactamente onde seus pais nasceram e quais as suas origens, bem como pelo menos o nome da língua que é falada na sua província de proveniência e coisas do género.

Como encaras a sociedade angolana em geral?

Encaro a sociedade angolana como uma sociedade com futuro evidente e promissor caso haja um pouco mais de dinamismo e autonomia por parte dos próprios cidadãos. Valorizar o que é mais importante, não perder a identidade cultural e acima de tudo investir na educação me parecem ser alguns dos passos fundamentais para se chegar à um “avanço” e “desenvolvimento” consideráveis.

Qual a sua opinião acerca do actual clima politico do país?

Lamentável…

Achas que os jovens angolanos deviam estar mais ligados a questões de cidadania e política?

De certa forma sim. Acho que a juventude tem realmente demonstrado inclinações à assuntos não tão importantes quanto aos que concernem de maneira mais directa à sua vida. Muitos jovens reclamam de certas decisões tomadas mas nunca vi sequer alguém escrever um artigo a protestar ou se fazer ouvir em lugares que não sejam numa roda de 5 pessoas em tom de voz reduzido para não ter problemas. Assuntos como a leitura, ética/cidadania e política deviam fazer parte das discussões, fóruns e interesses da juventude, pois de certa forma, os acaba afectando de uma maneira ou de outra e decidindo seu futuro.

Tens fé no futuro de Angola?

Tenho fé no futuro de Angola por saber que farei parte dele.

Queres partilhar connosco alguns dos teus sonhos, como artista e como homem?

Lançar o meu álbum, lançar inúmeras e bem aceites obras literárias, Formar-me, servir de exemplo para muita gente, ter equilíbrio na vida amorosa, profissional, familiar, financeira e psicológica. Também gostaria de realizar um grande show depois do meu álbum e enfim, ser bem sucedido em tudo o que eu fizer e projectar.

5 MCs que respeitas, em Angola ou no estrangeiro:

Keyta Maianda
Kool Klever
MCK
Lukeny Fortunato
Kennedy Ribeiro

5 artistas que ouves quase que diariamente:

Kanye West
Ludacris
James Blunt


Petro ou D’Agosto?

Petro

Prato angolano preferido?

Fúmbua (Acho que se escreve assim…)

Cidade preferida em Angola?

Lubango

Livro preferido?

Quem me dera ser onda… (Manuel Rui Monteiro)

Música preferida de todos os tempos?

Efectos Vocales (Nach)

Pensamento do dia:

”Rappers, transformem os vossos beefs em comida, enviem para o Haiti, pois há quem precisa”

Graduação

-Photos by Samurai

Tuesday, November 2, 2010

Caipirinha Lounge Cinema: Diário do Incorrigível Pt. 01, by Kid MC

The video below presents you with a window into the burgeoning Angolan rap scene. Kid MC is one of the country's better rappers, a proven lyricist with an explosive flow and persona that's quickly developing a large fan base throughout the entire country and beyond. Many in Angola are starting to compare him to Valete, and it's obvious the latter's influence on the former. The video below is from Kid's producer, label CEO and serial blogger Samurai of Madtapes. Access his site for anything Kid MC-related, but mostly just groove to the rhythm below.

Kid MC's newest CD, O Incorrigível, will be released in Luanda on 18 Dec 2010. Judging from this short 1:52 min clip, it's going to be something worth listening to.




O vídeo acima dá-vos mais uma amostra da potencialidade do rap angolano. É terra fértil para mentes liricistas. No universo do hip-hop angolano, o Kid MC consegue ser uma personagem que se destaca da concorrência devido a sua grande capacidade de escrita e o seu flow e personalidade explosiva. Devido aos concertos que o mesmo promove em vários pontos do país a sua popularidade tem estado a crescer um pouco por todo território angolano. São várias as vozes que o comparam com o Valete, e para mim é nítida a influéncia do Keides Lima no Kid MC. O vídeo á cima é do website do Samurai, destino principal para qualquer assunto relacionado com o Kid. Chega de escrita, carrega no play e curte a mensagem do vídeo...interioriza a letra...

O Incorrigível sai às ruas no dia 18 de Dezembro em Luanda. Com base na letra e no conteúdo acima, o album promete...

Wednesday, January 9, 2013

Halloween

Halloween, the man who shook me from my writing lethargy.

One of my (many) handicaps with Lusophone music is my lack of in-depth knowledge of Portuguese rap, from Portugal. I’m completely in tune with the hip-hop scene in Angola, I’ve listened to almost everything that Azagaia from Mozambique has put out, I’ve scratched the surface of Brazilian hip-hop, but when it comes to Portuguese hip-hop, the one that started it all in the Lusophone world, I’m woefully inadequate.

There is a particular Portuguese rapper however that I have been vaguely aware of for quite some time now. My cousin Anderson, the same guy who introduced me to Valete, had told me about man who went by the name of Halloween and was unlike any hip-hop artist he had ever seen. I never really got into Halloween and didn't take my cousins advice seriously. Some years later Halloween did a concert in Luanda and people went nuts. I still didn't feel the urge to listen to his stuff.

That all changed on a recent trip to Lisbon. I was with friends, amongst them a Lusophone rapper, and the topic of Halloween came up. My friend and the rapper disagreed about Halloween’s skill and street credibility, but both agreed that his song No Love, included below, was immense. They played it from the speakers, and that was the first time I heard Halloween rap.

Once I got bit, it was difficult to stop. I've been listening to him for the better part of the last two months. Halloween, born Allen Pires Sanhá in Guinea-Bissau, also known as Allen Halloween or Bruxa (Witch), is quite unlike any Lusophone rapper I have listened to. It’s difficult to describe his sound, but I will say that it’s the grittiest, bleakest, rawest but yet conscious and instrospective brand of Lusophone hip-hop I have ever heard. One second he is rapping about stealing money, the next he’s lamenting about how a life of crime is simply not worth it. Shy and anti-social, He sees himself and his crew for what they are, and has a bleak, brutally honest way of assessing his contribution to the world. We are, in effect, listening to a product of his environment, a man who’s habitat is Lisbon’s notorious slums and poverty-stricken streets, wasteland of the many African immigrants that flocked here from Cape Verde, Guinea-Bissau, Angola, etc.

Through interviews and through his rhymes Halloween has told his story of neglect, drugs, and street crime, and you can hear the pain, anguish, and anger in his voice. The haunting drawl with which he raps, especially in No Love, is particularly striking. So far I’ve only listened to his debut album, Projecto Mary Witch (2006), and among the tracks that are tame enough for me to share them here with you, seeing how this site is more associated with Bossa Nova music, is SOS Mundo, the memorable No Love, and Várias Vidas. Yes, No Love is the standout, the one that even rappers who dislike him give him props for, but SOS Mundo, an exposé into the failures of society, and Várias Vidas, in which he chronicles the doomed life of his friends that couldn’t give up on a life of crime, are excellent examples of “Hip-Hop Tuga” at its finest. But the most iconic song on this album remains "Dia de Um Dread de 16 Anos" (A Day in the Life of a 16 year-old Thug), a 10 minute sojourn into a nightmare of despair, crime, and drugs.

SOS Mundo
No Love
Várias Vidas

Halloween, o homem que sacudiu-me da minha letargia e fez-me escrever no Lounge depois de largas semanas de ausência.

Um dos (vários) buracos que tenho no meu conhecimento da música lusófona é a minha falta de conhecimento profundo do hip-hop Português própriamente dito. Oiço nomes por alto – Da Weasel, Sam the Kid, Mind da Gap – mas nunca explorei com dedicação as suas músicas. Já com o hip-hop angolano não perco um álbum de todos os artistas que aprecio, já ouvi quase tudo que há para ouvir do moçambicano Azagaia, e aos poucos vou conhecendo melhor o hip-hop brasileiro. Mas quanto a Portugal, sou um zero à esquerda.

Mas há um rapper Português em particular cujo nome oiço falar há vários anos. O meu primo Anderson, o mesmo rapaz que me introduziu ao Valete  falou-me de um rapper ‘estranho’ mas muito habilidoso que respondia pelo nome de Halloween. Um rapper que era diferente de todos os rappers que ele ouvia na altura. Por qualquer razão e não obstante a sugestão do meu primo, tive pouco interesse em ouvir as músicas do Halloween na altura. Alguns anos depois o Halloween foi para Luanda para delírio do público lá, e mesmo assim eu nada.

Tudo mudou quando estive em Lisboa recentemente. Estava com amigos, entre eles um rapper lusófono, e surgiu uma discussão acalorada sobre os méritos (ou não) do Halloween. A certa algura os dois amigos concordam que sim, mesmo discordando do valor do Halloween, podiam os dois acordar que a música No Love (incluída acima) era uma coisa rara, das melhores músicas de hip-hop Tuga que ambos tinham ouvido. Tocaram-na dos speakers e foi assim que ouvi o Halloween pela primeira vez. No Love foi a minha introdução ao universo peculiar do Halloween.

Foi como se um bichinho tivesse me mordido. Ando a ouvir o Halloween há dois meses, quase todos os dias. A tentar perceber as letras, a sentir-lhes, a acompanhar um ritmo das rimas, a conhecer o homem pela sua escrita. O Halloween, nascido em Bissau como Allen Pires Sanhá e também conhecido como Allen Halloween ou Bruxa, é completamente diferente de qualquer outro rapper lusófono que já ouvi. E no mundo do hip-hop de hoje, em que rappers parecem ser sósias um dos outros, isto é positivo. É difícil descrever o seu som, mas posso dizer que é do rap mais cru, real, e um tanto quanto radical (fiel às raízes), mas ao mesmo tempo consciente e introspectivo, que eu jamais ouvi. Num som está a rimar sobre roubar dinehiro duma velhota, no outro está a alertar aos mais jovens que a vida do crime não compensa. Pelo que ouvi, o mano é um tanto quanto anti-social e introvertido, e tem uma maneira muito dele e muito honesta de encarar a sua vida, sua e da sua crew. Assume o que é, sem pedir licença a ninguém. Nota-se que estamos perante um homem que viveu o que relata e é um producto dos piores bairros de Lisboa, os bairros de miséria onde habitam imigrantes africanos constantemente marginilazidos pela sociedade.

Pelas suas entrevistas e pelas suas rimas o Halloween conta uma história de marginalização, drogas e crime, e ouve-se a dor, a angústia e a raiva na sua voz. Mas em alguns sons o mano também demonstra um certo sentido de humor. A maneira como ele voca é impar...a performance dele no No Love é particularmente memorável. Até agora ainda só ouvi o seu primeiro álbum, o Projecto Mary Witch (2006) e entre as músicas suficientemente “calmas” que posso partilhar aqui neste espaço, já que vos habituei a bossas e reggaes inofensivos, estão SOS Mundo, No Love, e Várias Vidas. Oiçam a letra com atenção. Oiçam cada música várias vezes, com calma. E quando terminarem, procurem ouvir “Dia de um Dread de 16 Anos”. É um pesadelo de 10 minutos mas talvez dos sons mais icônicos do mano.

Saturday, August 29, 2009

Boss AC

Boss ACBack in the day, when I still lived in Peniche (a small sea-side town in Portugal), my brother Paulo and my cousin Songay would put this rapper’s CD in the stereo system and straight up jam. I still remember certain tracks from Boss AC’s first album nearly by heart; such was the frequency with which he was played in my household. Back then I wasn’t the biggest fan of rap or hip hop – how times have changed. Boss AC was one of the first to rap in Portuguese, back when hip hop in Portugal was very underground and underappreciated. Boss AC was a pioneer. Originally from Cape Verde, he quickly established himself as one of Portugal’s premier rap artists, and his debut album Manda Chuva, partly produced by Troy Highwater (who also produced works by LL Cool J, Outkast, Busta Rhymes, etc) was pretty damn good. He followed that album with his second effort, Rimar Contra Maré, but it was his third album, R.A.P. – Ritmo, Amor, e Palavras, that in my opinion was his most accomplished one yet.

The three tracks featured here are from his third album, which not only went platinum in Portugal, but is one of the top three highest selling hip hop CDs in the country and earned Boss an MTV Europe nomination for Best Portuguese Act. One of my favorite tracks of Portuguese rap is Boa Vibe, featuring Carla Moreira. It’s a loungey, low key affair in which he describes the meaning of boa vibe, or in English good vibes, or in Spanish buena onda; the translations are many but the feeling is the same. Hip Hop (Sou eu e es tu) is his ode to the genre, and in it he waxes lyrical about the meaning of hip hop in his life, what he thinks hip hop is, and what he thinks it is not. Lastly there is the gem here, Que Deus, which evokes memories of Valete’s Revelação. Again, the theme is questioning many of God’s decisions and whether He even exists at all, and it is a telling intellectual piece. But the striking thing about that track is that it features Pedro Ayres Magalhães of Madredeus, as well as Teresa Salgueiro’s voice throughout. I mean, once you click play and hear the violins, you’ll notice that it is no ordinary hip hop track. Not many other rappers thought that mixing Madredeus unique sound with hip hop would be a good idea, but here Boss AC does it wonderfully.


Boa Vibe
Hip Hop (Sou eu e es tu)
Que Deus

Ainda me lembro dos tempos antigos em Peniche (Portugal), quando o meu primo Songay e o meu irmão Paulo punham músicas deste rapper na nossa aparelhagem a alto volume. Eu ainda era um puto franzino que não achava la grande coisa sobre hip hop. Como as coisas mudam. Hoje tenho um grande respeito por Boss AC, um dos primeiros rappers que comecei a ouvir com frequência. Ele é um dos pioneiros do rap tuga, desde os tempos em que o movimento hip hop ainda era algo muito underground em Portugal. O Boss é de origem Cabo-Verdiana, e as suas raízes africanas estão presente nos seus albuns, o primeiro dos quais chamou-se Manda Chuva, o tal album tocado diariamente pelo meu cousin e brada. Manda Chuva foi parcialmente produzido por Troy Highwater, que tambem trabalhou com Busta Rhymes, Outkast, LL Cool J, etc. Boss AC não brinca em serviço. O seu segundo album foi Rimar Contra a Maré, mas o meu preferido, o album em que Boss AC arrasa com tudo e todos, foi o seu terceiro, intitulado R.A.P. – Ritmo, Amor, e Palavras.

As três músicas destacadas aqui são do seu terceiro album, que não só atingiu a marca de Disco de Platina, mas continua sendo um dos três CDs de hip hop mas vendidos em Portugal. Em 2005 foi nomeado para os prémios da MTV Europe como Best Portuguese Act. Este album contem um dos meus raps preferidos em portugues, o Boa Vibe, o ’feeling positivo a pairar no ar’. Em inglês se diz good vibes, em espanhol buena onda – é engraçado que cada lingua tem uma expressão para descrever esse sentimento universal. Boa Vibe é cantado com Carla Moreira e é um som suave e low key. A segunda canção, Hip Hop (Sou eu e es tu) foi um sucesso enorme no mundo lusofono. “Hip hop não é a banda sonora dum crime,” diz o Boss. Que Deus, o ultimo som destacado aqui, de certeza que o fará lembrar do rap Revelação, de Valete. É um rap intellectual, em que Boss AC faz perguntas e criticas a Deus e questiona a sua existência. Mas o que realmente eleva o valor deste track é a produção de Pedro Ayres Magalhães dos Madredeus, e, claro, a voz de Teresa Salgueiro. Não é todos os dias que se ouve um rap com arranjos de violinos e elementos de fado, mas Boss AC não é qualquer um.

- Photo by Nokia On.Live

Boss AC Official website
Boss AC on iTunes

Monday, May 16, 2011

10 Great Reasons to Listen to Music in Portuguese

Often overlooked and constantly under-appreciated, music in Portuguese is undergoing a remarkable renaissance that is redefining the many genres that it spans. Produced in countries in several different continents and showcasing an astonishing diversity of sound, lyricism, talent, rhythm, and innovation, music in Portuguese is rapidly attracting new listeners and fans across the world, many of which can't even understand the lyrics. Whether its created in Angola, Portugal, Brazil, Mozambique, Cape Verde or, increasingly, in collaborations between artists residing in these different countries, music in Portuguese is a welcome respite from the generic, mass-produced vapid fare clogging our airwaves.

Below are 10 great reasons to listen to music in Portuguese. For the long-time readers of this site, many of the songs, artists and genres are familiar, but for first time visitors, this might open up a window to a new, vibrant musical culture.

1. Bossa Nova
By Lwakuti Loyo (7 Xagas)
It's one of my favorite genres of music and perhaps one of the first genres to put music in Portuguese on the proverbial map. One of Brazil's most beautiful exports, bossa nova was created in the late 1950s and was made immortal by the collective geniuses of António Carlos Jobim, Vinicius de Moraes, and Elis Regina, among several others. I wrote about my favorite bossas on this post here, and below is one of the genre's most iconic songs, Só Tinha de Ser Com Você, sung by Elis Regina and Tom Jobim.

Só Tinha de Ser Com Você

2. Madredeus
Teresa Salgueiro, by Volume 12
Madredeus is and will probably always be my favorite musical group from Portugal. I started listening to them at a young age because of my father always having several CDs of theirs in the car; it wasn't until much later in life that I began to grasp the beauty of their music. Teresa Salgueiro's exquisite voice is a pleasure to listen to, but credit must also be given to the entire band's unique musicality. Below is one my favorite songs of theirs, a song that displays all that is amazing about Madredeus. It's called Guitarra.

Guitarra

3. Buraka Som Sistema
Kalaf, Buraka Som Sistema, by NRK P3
Kuduro's explosion around the world has been nothing short of remarkable, and Buraka are a big reason why. Buraka band member Andro Carvalho 'Conductor' gave an interview to this blog in which he tells us just how exhilarating Buraka's meteoric rise has been and just how high energy their concerts have been. As for kuduro itself, I guess when the genre starts making it into big budget Hollywood films (ie Fast 5, which features Lucenzo's Danza Kuduro, although the song's "kuduroness" is debatable), we can safely say it's gone beyond viral and into the realm of the mainstream. Hangover (BaBaBa) is Buraka's latest concoction.

Hangover (BaBaBa)

4. Música Popular Angolana (MPA)
Blue Note, by Lwakuti Loyo (7Xagas)
The world has finally started to take notice of the quality, genre-transcending recordings that were made in Angola before it's independence. The critical acclaim surrounding Analog Africa's Angola Soundtrack: The Unique Sound of Luanda (1968-1976), as well as numerous compilations, remixes, and national radio appearances  is further proof that Angola's popular music of decades past is experiencing a renaissance amidst renewed interest from music lovers everywhere. Check out the short but vibrant jam Tira Sapato by Dimba Diangola to get a taste of MPA.

Tira Sapato

5. 340ml
Paulo Chibanga of 340ml, by braulio.mora
This might be cheating - 340ml don't sing in Portuguese. However all four immensely band members, who now reside in Johannesburg, hail from Maputo, Mozambique and their sound is a mixture of Mozambique's marrabenta, Brazil's bossa, afro-jazz, and a whole lot of dub. I had the pleasure of meeting them and seeing them perform live in the Luanda International Jazz Festival do the delirium of their Angolan fans, myself included. They're one of my favorite bands and are widely in demand not only in southern Africa but now increasingly in Europe as well. Make It Happen is one of my favorite songs from them.

Make it Happen

6. MPB
Tulipa Ruiz, by CGauer
While in the US the music that plays on the radio is deplorable at best and largely uninspiring, in Brazil it's the opposite. Popular Brazilian music (MPB) is as good as ever, and several young musicians are making sure it stays that way. I'm talking in particular of artists such as Maria Gadú, Tulipa Ruiz, Luísa Maita and Marcela Bellas, four women who have been reinterpreting the genre with their simple yet sublime individuality. Aqui by the very talented Tulipa Ruiz is a prime example.

Aqui

7. Contemporary Fado
António Zambujo, by Deezer.com
For you Portuguese speakers out there, this article has it spot on when it comes to describing the new generation of fado singers emerging from Portugal and the contemporary fado they sing. I'm thinking in particular of Deolinda, Mariza and, of course, António Zambujo, my favorite contemporary Portuguese singer right now. His wordplay is exquisite, as is his delivery, and his voice has a hard to find quality to it. The man is a poet with a gift for singing. Fado da Vida Bela is my current 'obsession'.

Fado da Vida Bela

8. Milton Gulli: Cacique '97 and Dub Inna Week
Milton Gulli, by Manuel Lino
Mr. Gulli is the creative power between two of the most exciting projects in alternative Portuguese music: Cacique '97 and their unique brand of Portuguese afro-beat, and Dub Inna Week with its superb dub rhythms. Both projects have proven to be hugely successful and have attracted a following around Europe and Africa, and feature collaborations with musicians from several Lusophone countries. Below is their album opener, Jorge da Capadócia.

Jorge da Capadócia

9. Cape Verde after Cesária

Mayra Andrade. Sara Tavares. Tcheka. Nancy Vieira. Lura. Maria de Barros. Cesária Évora's legacy on this Lusophone archipelago is eternal, but the beauty of it all is that she inspired all of the supremely gifted musicians named above. It's amazing that such a tiny country could have produced such a caliber of musicians, all of which have legions of fans around the world, playing to packed houses from Lisbon to Paris to Boston, where I had the pleasure of seeing Sara Tavares live. Morna is a beautiful, melancholic melody, and if you haven't heard it before, let Nancy Vieira show you what I mean:

É Morna

10. Lusophone Hip-Hop
Lusophone countries have been blessed with proficient wordsmiths. In our countries, rap is still the preferred music of social intervention and it's usually politically charged; the worship of material wealth and fat asses hasn't yet asphyxiated the creativity  of our consummate hip-hop artists. Mozambique has Azagaia, Brazil boasts Gabriel o Pensador, Angola has Ikonoklasta, Portugal has Valete, and this is just scratching the surface. Their lyrics are explosive but completely realistic, dealing with the many hardships and injustices that beset their fellow countrymen, and two artists on that list (Azagaia and Ikono) have been harassed by the law or even put in jail in their respective countries for "talking too much". Even if you don't understand the lyrics, take a listen to Subúrbios just so you can experience Valete's delivery.

Subúrbios

-Title photo by Lwakuti Loyo (7 Xagas)

Post inspired by Mr. Robertson F. Barros' list on Amazon.com
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