Tuesday, July 27, 2010

Luanda International Jazz Festival 2010 Countdown Series: Freshlyground

Durante as próximas semanas o Lounge vai destacar todos os artistas que estarão presente na segunda edição do Luanda International Jazz Festival, muitas vezes reciclando posts que já foram destacados neste espaço. O elenco é mesmo 'bala'. Iinclui grandes nomes do jazz internacional tal como o George Benson e o Ronny Jordan, funky beats pelos Freshlyground e os 340ml, coladera e batuque pela Lura, músicas da África oeste pelo Blick Bassy...a lista continua. Os primeiros artistas destacados serão os que actuarão na sexta-feira, o dia inaugural do festival. Os Freshlyground são os últimos a tocar na noite de sexta-feira...vai ser um fim imperdível, o climax da abertura.

No Festival de Jazz do ano passado em Luanda, os Freshlyground subiram ao palco e puseram a plateia a dançar de emoção. Rebentaram com tudo. Tanto foram apreciados pelo público Luandense, e tantos discos venderam, que a banda sul-africana vai voltar à Luanda para actuar nesta segunda edição do Luanda Jazz Festival. A sua música é uma mistura de afro-pop com elementos de jazz, blues, dub, e música tradicional sul –africana. Os integrantes da banda são sul-africanos, zimbabueanos, e moçambicanos, e a cantora Zolani Mahola é talvez a personagem mais conhecida dos Freshlyground. É portadora de uma voz invejável, uma voz que é parte integral do som distinto desta banda. Os Freshlyground rápidamente se tornaram no grupo mais popular da África do Sul, tocando em diversos concertos em alusão ao recém terminado Mundial de Futebol (onde foram co-autores do hino Waka-Waka com a Shakira), sempre deliciando o seu público com as suas músicas alucinantes.

Para nos familiarizamos um pouco mais com o seu mais recente álbum, Radio África, estão aqui destacadas duas músicas. A primeira é Fire is Low, o primeiro single do disco, e a segunda é a energética e humorosa Big Man, com a participação dos Les Nubians.

Mais à baixo seguem vários posts que foram escritos neste site acerca dos Freshlyground. Comecemos pelo primeiro.

Fire is Low
Big Man


Over the next couple of weeks the Lounge will highlight all the artists that will be present in this year's Luanda International Jazz Festival, many times using posts that have already been featured here. The line-up is mouthwatering and includes such jazz virtuosos as George Benson and Ronny Jordan, funky beats by Freshlyground and 340ml, coladera and batuque by Lura, Cameroonian tunes by Blick Bassy...the list goes on. The first featured artists will be the ones performing on Friday, the inaugural day of the Festival. Freshlyground are the last act - the climax of the opening night.

Freshlyground's performance in last year's Luanda International Jazz Festival was memorable. According to my cousins they went on that stage and owned it, bringing everyone to their feet, not just vibing to the music but dancing, moving, screaming. They were so appreciated by the public that their CD sold like it hadn't done before (for a hefty price, too) and they're coming back to give us some more. This is the second straight year that Freshlyground will be at the Festival, and they're one of the most anticipated acts. Their music is a mix of afro-pop and jazz, blues and jazz, dub and traditional South African music. The band is made up of people from South Africa, Zimbabwe, Mozambique, and Zolani Mahola is perhaps their most enigmatic member. Her voice is just absolutely stunning and a big part of the band's unique sound. The group has quickly shot to prominence in South Africa and played a series of concerts during the World Cup, as well as penned the Cup's anthem, Waka-Waka, along with Shakira.

To familiarize ourselves with some of what they might play in Luanda, below are two songs from their newest album Radio Africa. Fire is Low is the album's first single, while the energetic and humorous Big Man features the celebrated Les Nubians sisters.

Further below are the Lounge's other posts on Freshlyground, starting with the first Freshlyground post written on this website.

Freshlyground

FreshlygroundMusic has always been a unifier, bringing together people of different races, cultures, and creeds into common ground. It’s one of the things I like most about it, and it’s a beautiful thing. People that wouldn’t normally talk to each other in any other setting suddenly find themselves dancing with a person totally different from them at a concert, and a friendship is born. So imagine the power that music has on a racially tense, ethnically challenged, fragmented society like South Africa’s. Here is a 7 strong band diverse in color and culture, with members black and white, from Zimbabwe to Mozambique to South Africa, jamming and dancing together to the same beat, creating bliss.

Freshlyground is the hottest musical act in southern Africa and has been for awhile. It’s afro-pop mixed with jazz, blues, dub, and traditional South African music. They recently wreaked havoc at the Luanda Jazz Festival, with my older brother saying they were perhaps the most popular performance there. So much so that my younger brother, who recently returned to the states from Luanda, brought with him nothing less than Freshlyground’s outstanding second album, Nomvula. It was an album that I yearned for, having heard their first single Doo Bee Doo a couple of years ago by suggestion of my cousin who lives in Cape Town. It’s a feel good, no worries sort of tune that will stay with you long after you stopped hearing, because it also happens to be insanely catchy.

But what I like most about Freshlyground, besides the depth and intelligence of their music, is of course the throaty, distinctive voice of its lead singer, South African Zolani Mahola. I mean, really! Listen to that voice! Her voice puts an already diverse musical sound into another level altogether. It reaches its zenith in I’d Like, a beautiful, beautiful song that is as sentimental as it is amorous, and which most of my extended family had the pleasure of seeing live (yes, I might still be bitter about missing the Luanda Jazz Festival).The end of the song climaxes in a stunning blend of violin and flute, played by band members Kyla Rose Smith (violin) and Simon Atwell on the flute. Lastly there is Nomvula (After the Rain) sung entirely in Xhosa, one of South Africa’s native languages. In it Zolani sings about her youth in a motherless environment and the strength and resilience of her father, but the song might as well be in English because the emotion poring through doesn’t need translation. Press play and enjoy South Africa’s finest.

Doo Bee Doo
I'd Like
Nomvula

A música unifica seres humanos, é uma ponte que junta pessoas de diversas raças, crenças, e culturas. Adoro a música por causa deste seu poder peculiar, realmente é uma coisa linda e por mais que tente, não consigo sequer racionalizar um mundo sem ela. É bonito ver duas pessoas que normalmente nunca teriam uma conversa , nem sequer trocariam um olhar, de repente esquecerem-se de barreiras socias e dançarem desalmadamente num concerto de um artista que os dois apreciam. E assim cresce o potencial para mais uma amizade. Agora imaginem o poder que a música tem numa sociedade como a da Àfrica do Sul, repleta de tensão étnica, racial, e social. Imaginem quão belo é ver uma banda de 7 integrantes, bracos e pretos, culturalmente diversos, de três países diferentes (Zimbabwe, Moçambique, e Àfrica do Sul), todos partilhando o mesmo palco, saltando e dançando juntos, fazendo música boa, de agradar a alma.

É o que faz o Freshlyground. Esta é a banda mas quente da parte sul de Àfrica ha vários anos. É afro-pop com elementos de jazz, blues, dub, e música tradicional sul –africana. Foram eles que segundo o meu irmão, deitaram a casa à baixo no Luanda International Jazz Festival para o delírio da plateia, que se fartou de comprar os seus albums. Uma das pessoas que comprou o segundo cd dos Freshlyground foi o meu puto Joel, que chegou a dias aos States com o cd Nomvula na sua bagagem. É daqueles tipos de cds que se ouvem do princípio ao fim sem problemas. Era um album que estava a procurar a muito tempo, album este que inclui o single Doo Bee Doo, musica esta que me foi sugerida pelo meu primo que vive em Cape Town. É uma canção linda, energética, capaz de pôr um sorriso na cara de qualquer um.

Mas o que eu gosto mais dos Freshlyground, sem ser o conteúdo das suas letras e a inteligência das suas músicas, é a voz da sul-africana Zolani Mahola. Por amor de Deus, que voz! Voz com V maísculo. A voz dela é uma parte integral do som distinto desta banda. Na música I’d Like a sua voz atinge o auge, hipnotizando o ouvinte por completo. É uma canção muito linda mesmo, e a minha família disse que ao vivo é ainda melhor. A canção atinge um climax intenso, com o violino da integrante Kyla Rose Smith e a flauta de Simon Atwell, tambêm parte da banda. Por último inclui a canção Nomvula (Depois da Chuva), toda ela cantada em Xhosa, uma lingua tradicional sul-africana. Nesta canção Zolani canta sobre a sua juventude sem figura materna e a força de vontade de seu pai em lhe dar uma vida melhor. A emoção à mostra nesta canção nem precisa de tradução. Carrega no play e disfruta o melhor que a Àfrica do Sul tem a oferecer.

-Photo by Fondazione Arezzo Wave Italia

Freshlyground's Official Website - A must read
Freshlyground on Myspace
The Nomvula cd on Amazon

Caipirinha Lounge Cinema: Pot Belly, by Freshlyground

Try not to get addicted to Pot Belly, the lead single from Freshlyground’s new album, Ma’ Cheri.



Tente não viciar-se no Pot Belly, o single principal do novo album dos Freshlyground, Ma’ Cheri.

Cape Town Lusófono

For a long time I've been wanting to write a post in homage to the city that has so graciously hosted us for over a month, but I never knew quite how. Cape Town is so much more complex than a first impression permits. The racial exclusion is rampant, the townships destitute, and District 6 Museum was a sobering reminder of the senseless depravities of humanity. But Cape Town's charm is undeniable. The constant backdrop of Table Mountain, the serene, verdant preserve of Kirstenbosch Gardens, the bustling Waterfront, the drive along Chapman's Peak, the beauty of the Cape of Good Hope, the epic passions lived out at Green Point Stadium, the trendy models and stunning people at Camps Bay, the nightlife chaos of Long Street. My return to Luanda is in two days and I'm not sure I want to go back.

Cape Town rates as one of my favorite cities worldwide, and definitely my favorite city in Africa thus far. For you see, Cape Town also has a certain Lusophone charm. You see it in the details: the proliferation of Vida e Caffés, the constant presence of Nando's, the higher than average number of Portuguese supporters during the World Cup. Vida e Caffé is South Africa's version of Starbucks, except with a Portuguese name, logo, and selling Portuguese bread on a bilingual menu. Their employees sport shirts with "Angola" and "Mozambique" emblazoned on their backs. Nando's is another strong South African concept with roots in Lusofonia; just look at their logo and their menu. Their grilled chicken rivals Luanda's street-side churrasco. Throughout Cape Town's streets you see Portuguese and Brazilian restaurants here and there, the best of which must be Braza, a Portuguese/Brazilian/Mozambican/Angolan restaurant.

And of course, there is the music. This might be a stretch, but Cape Town's loveliest and most recognized musicians, Freshlyground, have in their ranks a genius of a bassist, hailing from Mozambique. As you drive around Cape Town you notice the places and names that Freshlyground sing about: you buy your liquor at Mowbray and finally understand Mowbray Kaap, for example.

Along with 340ml, another South African/Mozambican band, Freshlyground has been the soundtrack to the beautiful 5 weeks I spent in Cape Town. They are truly ambassadors of their city, part and parcel with its history. "Zolani used to ride the same bus as I!", says my cousin Victor in one of his particularly emotional moments listening to Freshlyground. I can still vividly picture the first time I heard the remix of Castles in the Sky...we were driving on Victoria Road on our way to dinner at Camps Bay with the Atlantic Ocean to our right and stunning, cliff-side houses to our left, passing by Clifton. The sky, a brilliant blue. The mood in the car, too beautiful to describe. Happiness is felt with those you love, and within hearing distance of music like this. Zulu Lounge is another favorite of mine, listened to on the sobering drives home from a night out at Long Street or along the drive at Chapman's Peak.

Perhaps the best part is that both 340ml and Freshlyground will be at the Luanda Jazz Festival in two weeks...maybe I'll never truly escape Cape Town after all.

Castles (Remix)
Zulu Lounge

É já há algum tempo que tenho tentado escrever um post homenageando a cidade que tem nos hospedado tão graciosamente há mais que um mês. Mas nunca sei bem como começar. Cape Town é muito mais complexo do que parece à primeira vista. A exclusão racial é assustante, os ‘townships’ são deploravelmente pobres (mas muito mais organizadas e desenvolvidas que os nossos musseques luandense), e o Museu do District 6 é uma lembrança de como a humanidade pode ser cruel. Mas é impossível não se deixar apaixonar pelo charme único de Cape Town. A Table Mountain sempre presente, sempre majestosa, o verde brilhante e resplendente dos Jardins de Kirstenbosch, a concorrida Waterfront, um passeio de carro pelo Chapman’s Peak, a beleza inspiradora do Cabo da Boa Esperança, as paixões e desilusões vividas no Estádio de Green Point, a vida nocturna caótica de Long Street. O meu regresso para Luanda é em dois dias mas não sei se quero voltar tão cedo!

Depois de a ter conhecido minimamente, Cape Town ocupa um lugar entre as minhas preferidas cidades do mundo, e a minha preferida em África até agora. É que, a Cidade do Cabo tem uma particularidade interessante, um pequeno segredo não tão bem guardado: a sua lusofonia. Notas esta lusofonia nos pequenos detalhes: a proliferação dos Vida e Caffés, a constante presença dos Nando's, e um número acima do normal de apoiantes da selecção das quinas. O Vida e Caffé é uma cadeia de cafeterias que são a versão sul-africana do Starbucks, mas com um nome aportuguesado, pãos portugueses quentinhos, e um menu em inglês e português. Os seus servidores vestem camisolas com o nome “Angola” ou “Moçambique” estampados nas suas costas. Nando’s é outra cadeia sul-africana bastante concorrida que tem as suas raízes na lusofonia. Basta olhar para o seu símbolo e o seu menu. Os seus churrascos são quase tão deliciosos como os que vendem nas ruas de Luanda, e um pouco mais sanitários. Andando pelas ruas de Cape Town, reparas nos restaurantes portugueses e brasileiros escondidos aqui e ali. Um dos melhores é o Braza, um conceito português, brasileiro, moçambicano, e angolano.

E claro, não podia de deixar faltar a música. Os músicos mais famosos de Cape Town hoje em dia, os Freshlyground, têm no seu meio um moçambicano, o seu baixista. Enquanto andas e conduzes por Cape Town os nomes das músicas deles começam a fazer mais sentido. Compras bebidas em Mowbray e lembras-te do som deles Mowbray Kaap, por exemplo.

Junto com os 340ml, outra banda sul-africana/moçambicana, os Freshlyground têm sido a banda sonora das 5 inesquecíveis semanas que passei em Cape Town. Os Fresh são mesmo embaixadores da sua cidade e parte da sua história recente. “A Zolani andava no mesmo autocarro que eu,” conta-me o meu primo Victor num dos seus momento mais alegres enquanto ouvia os Freshlyground. Ainda me lembro vivamente da primeira vez que ouvi a remix de Castles in the Sky...estavamos a conduzir na Victoria Road à caminho dum jantar em Camps Bay com o oceano Atlântico de um lado e as emblemáticas casas das rochas de Clifton à nossa esquerda. O céu, um azul brilhante. A vibe no carro, feliz e descontraída. Sabíamos que partilhávamos um momento lindo, ao som de uma música única. A felicidade sente-se ao lado de quem mais amas, e ao som de música assim. Zulu Lounge é outra das minhas preferidas. Oiço-a à noite, depois de uma noite bem passada na Long Street, ou enquanto dominamos as curvas de Chapman’s Peak.

Mas a melhor parte é que tanto os 340ml e os Freshlyground estarão em Luanda para o International Jazz Festival dentro de duas semanas (e no mesmo dia!)...talvez nunca escape Cape Town, afinal.


-Photo: Bartolomeu Dias Beacon, Cape of Good Hope. By Claudio Silva; Zolani photo by Tofs Stefano

Portuguese version coming soon

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