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Wednesday, April 8, 2015

CFKappa: Redireccionando Influências


Enquanto escrevo estas linhas tenho nos headphones a música "Diário de um Rapper", do CFKappa (Cláudio Fernando Kiala), que pode ser encontrada no primeiro post que escrevi sobre ele, em 2009. Ou seja, há seis anos que oiço os raps do meu chará. Em 2010 o Cláudio concedeu uma entrevista algo extensa a este mesmo portal, tendo dito na altura, "tenho fé no futuro de Angola por saber que farei parte dele."

E tinha razão.

Homem de vários talentos e possuidor de um empreendedorismo nato, o que mais me impressiona no Kappa é que mesmo com tudo que ele faz, ainda teve tempo de sobra para aperfeiçoar e amadurecer o seu rap sem nunca perder a essência e sonoridade particular que o caracteriza. Há continuidade na sua trajectória. Oiço agora "Graduação" e noto aí a matriz da identidade sonora que ouvimos ao longo do seu mais recente trabalho, Redireccionando Influências, o melhor conjunto de músicas que o CFKappa já lançou até hoje. É um álbum que demanda ser ouvido para se poder compreender a evolução do rap angolano por intermédio de um dos seus mais novos intérpretes, alguém que ainda está na sua década dos 20 mas que já carrega nas costas um legado notável.

É impossível falar das músicas do CFKappa sem mencionar o que lhe dá a sua essência: os dotes de produção do Kennedy. Aliás, toda label Cérebro Records é responsável pela sonoridade única (e o sucesso) dos sons do Cláudio. Este não é um rap necessariamente agressivo, nem monótono, mas sim um rap que carrega consigo das mais diversas influências musicas, principalmente o jazz e a chamada "música negra". Oiçam, por exemplo, o som "Conglomerado". É um dos meus preferidos no álbum, precisamente pela sonoridade jazzy e leve, a descontração, e, claro, o conteúdo: um "shout-out" do autor à sua label. Três minutos e onze segundos é o suficiente para se ter noção do caracter deste álbum e do cantor em si.

Outra pérola aqui é o "Mantém-te em Movimento", a última faixa do disco e uma maneira bastante positiva de o terminar. Aprecio a mensagem; este é o meu brinde de eleição logo de manhã, enquanto me preparo. Enfrenta-se melhor o hustle com este som nos ouvidos.

Mas a pedrada que mais me surpreendeu no Redireccionando Influências foi o Ewéee. Simplesmente não conhecia esta faceta do Kappa. Este som é material bélico, arma de destruição massiva e de longe o mais agressivo da carreira do jovem. O trabalho do DJ Ritchelly aqui também não é de bem. Este mambo ficou no repeat durante tempo considerável enquanto desconstruía cada estrofe deste assassinato lírico.

"Sou tão cabeça na lua que hoje rimo com asteróides
A psicoanálise não previu a minha mente
'Warido' Freud..." 

Inserir aqui aquele emoji de olhos esbugalhados. E tem mais dessas, em cada estrofe, em diversas linhas. A prova de que o CFKappa não é só rap manso, "bolo-leite" como o próprio diz. 

Para meros ouvintes como eu, é sempre gratificante acompanhar a ascenção, e amadurecimento, de um dos rappers mais promissores do meu país. Redireccionando Influências é o cimentar do CFKappa no actual panorama musical angolano.

Conglomerado
Mantém-te em Movimento
Ewéee

Redireccionando Influências on Bandcamp


As I write these lines I'm listening to CFKappa (Cláudio Fernando Kiala's) "Diário de um Rapper" on my headphones, from the first ever post I wrote about him back in 2009. Which means I've been listening to Kappa's raps for six years. In 2010 he was interviewed at length on this blog, where he memorably said "I have faith in Angola's future because I know I'll be a part of it."

How right he was.

Multi-faceted, multi-skilled and a natural entrepreneur, what most impresses me about Kappa is the fact that through it all he's been able to mature, nurture and perfect his rap without ever losing sight of its essence and its rather unique sound. You can recognize a CFKappa joint and there's continuity in his craft. I'm listening to Graduação now and it possesses the same type of sound heard throughout Kappa's newest album, Redireccionando Influências. It's the best collection of songs that he's ever put out. It demands to be heard, if anything because it will help you understand and evaluate Angolan rap's evolution through the verses of one of its youngest rappers, a man still in his twenties but already boasting an impressive resumé.

It's impossible to talk about CFKappa's work without acknowledging that which makes it what it is: Kennedy's production value. In fact, the entire Cérebro Records label is responsible for the unique sound (and success) of Cláudio's raps. It's not necessary an agressive brand of rap, or the monotonous, predictable beats prevalent in the global market, but rather a rap that is obviously influenced by jazz, soul, and other forms of "black music". Listen to Conglomerado, for example. It's one of my favorite on the album precisely because of its laid-back, jazzy, easy sound, and because it's a humorous ode to his label. Three minutes and eleven seconds is enough for it to make his mark and give you a taste of what this artist and his album are about.

Another highlight here is "Mantém-te em Movimento", the last track on the album. It signs off on a high note and has a positive, uplifting, motivational message. I like to listen to it in the morning before my daily grind; it helps me hustle.

But the album's standout, and the track that most surprised me, was Ewéee. I simply didn't know this side of CFKappa. He's on top of his game on this one, showcasing agressive and intricate vocals doused in double-meanings and clever wordplay; it's deliciously brutal. I had it on repeat for quite awhile in order to deconstruct every single verse, attack, pun and diss. It's Kappa's way of saying that he's not all soul beats and jazz influences - he can be vicious when he wants to be.

For mere listeners like myself, it's always gratifying to witness the ascension of one of my country's most promising rappers. It's been a pleasure to watch him mature. With Redireccionando Influências he has firmly staked his place in Angola's current musical space.

Saturday, July 19, 2014

Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: Arts & Crafts


Arts Crafts, by Jack Nkanga

Esta na hora, hoje é dia de Arte, e nada melhor do que apreciar este, que para mim já é um clássico de Jack Nknga. Serei atrevido demais em dizer que este é dos melhores "piano e voz" que ja ouvi em Angola, alguns tentaram e nao conseguiram. Alias, tem se dito que isto não é para qualquer um, mas como este jovem é um revolucionário criador, conseguiu, e acredito que assim o fez com a maior naturalidade possível, porque é notório a sua paixão e conhecimento de música.

Embora a sua promoção tenha começado um pouco tarde, acreditamos que haverá suporte suficiente daqueles fãs incondicionais, até porque o nosso Artista nunca nos decepciona.

No entanto o Caipirinha Lounge da a maior força ao Jack Nkanga e a sua em equipa, e que tudo corra da melhor maneira.

Com uma poesia muito peculiar do Jack, somos brindados com este fecho maravilhoso do OOPS.

E sem mais rodeios, confiram as datas dos eventos já agendados e oiçam um pouco do: 



Arts & Crafts


Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: It's So Hot


It's So Hot, by Jack Nkanga

A cereja no topo do bo... não!!!, vou começar de novo... A folha de hortelã no copo de Martini Rosato, e a lufada de ar fresco naqueles dias difíceis de respirar de tanto calor. Foi o que pensei no abrasador dia 5 de abril de 2013, quando me levantei de um sono (atingido logo após uma funjada) ao som desta música. Apaixonei-me logo a primeira audição, e ela gingava sonante, por cima daquela que é a minha mesa,  rica de proteínas musicais, a FM Stereo 96.50.

Funk andando de mãos dadas com o Soul, capaz de fazer rebolar James Brown, vezes sem conta, no seu ultimo leito. O talento, esta estampado na sua voz, e eu gosto especialmente quando ele nos brinda com aquele "grito" de leve nesta música... Hoootttaa.

Segredou-me o Jack Nkanga, que esta música foi inspirada do nada, que surgiu dentro do seu quarto,quando ele e o seu amigo (estrangeiro) produtor, dentro do seu quarto, se preparavam para mais uma criação... e o Ar Condicionado teimava em não funcionar. Tudo o resto saiu naturalmente das duas almas criadoras.

Posso considerar que esta é a melhor das melhores, e que se não fizesse parte deste EP, teria eu de inventar um best of para que ela não fugisse dos meus reprodutores.

Com a ajuda de Argeu na guitarra adicional, Bigao Solary no baixo e Helio Cruz no string, Jack violou todas as barreiras na música, o que é muito bom porque a música é mesmo assim.







Tuesday, July 15, 2014

Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: Momentos de Glória


Momentos de Glória, by Jack Nkanga

*Foto: Songhai Pinto

Cada vez que oiço esta música, a minha mente viaja sempre para um campo de futebol cheio de adeptos a cantarem em uníssono este refrão. Perguntam-me, porque? não saberei responder, porque nem sou apaixonado por futebol, mas a forma como este refrão se reproduz no meu leitor, lembra aqueles hinos futebolísticos de alguns clubes europeus.

Esta é uma daquelas músicas que levanta o ânimo, pela a sua mensagem e energia. Poderá ser para alguns, um "Louvor", sim porque a febre de louvores nos carros de luanda atingiu ja, os 80o C.

Para Jack Nkanga, a vida, sobretudo das pessoas, é a inspiração para fazer este tipo de música, para alem de que o "simples facto de saber que estar em vida, é sujeitar-se a viver consequências e ter a capacidade de vence-las, e tocar a vida para frente"

Esta, é "Uma forma de dizer que o sismo existe mas nós também existimos e que se ele se manifesta
nós também nos manifestamos cantando a glória. O que é cantar a glória? é ser positivista no pensar e agir com a razão da felicidade"


Jack Nkanga, numa gravação que levou cerca de quatro horas, contou com o apoio de Hélio Cruz, na Bateria, Bigão Solari no Baixo, José Graciano nas Teclas e Isau Baptista na Guitarra.


Momentos de Glória


Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: Borboleta



Borboleta, by Jack Nkanga


*Foto: facebook

Ja até passei as músicas para o meu PC, porque oiço o disco pelo menos quatro vezes ao dia, e esqueço-me que ele poderá apresentar falhas em algum futuro próximo. É que este EP é extremamente viciante, e quando menos esperamos, este Artista na foto, nos presenteia com algo que nunca vi fazerem aqui na banda. Poderá já nao ser novidade em outras paragens, mas Borboleta para mim ultrapassou os limites de criatividade deste gênio da musica jovem angolana.

Ao principio, assim que ouvi-a entrar, parecia-me uma música infantil. Mas no final do primeiro play, preferi fazer uma pausa e ligar o "open mind mode", e foi assim que recuei, tocou, recuei, tocou e depois... recuei novamente e tocou novamente. Piano, Guitarra e Voz, combinação perfeita, acrescida da letra.

Acontece que as minhas suspeitas não fugiram muito da realidade. Quando perguntamos ao Jack, qual o motivo de tal inspiração, eis que recebemos estás palavras como resposta:

"Está na base duas estórias, uma real e outra fantasia: a) É uma experiência de vida de um amigo que se apaixona por uma moça na sua infância e que pela via de incidente causa curto circuito pelo bairro todo e que queima alguns dos presentes da vizinhança. b) um casal que vive num universo de animação, e que a sua moradia é o tecto das nuvens e aproveitam no máximo o seu tempo de vida, brincando, sorrindo, andando como os rios, correr como a ventania e circulam como o sistema solar"

Resumindo, a escolha dos instrumentos e a sua harmonização, são as mais adequadas a estória narrada.

Tendo sido composta pelo próprio, está música levou cerca de três horas a ser gravada e o mesmo afirma que foi gravada:

"Em condições de um "fly" (ser livre, muito afrente), de querer encontrar algo peculiar e que se possa apreciar como as coisas mais naturais que a natureza oferece"

Outra curiosidade tem a ver com o projecto em si, que segundo o nosso Artista:

"Este projecto teve duas classificações, nasceu Mixtape e acabou como EP (risos). Durante a fase de nascimento essa fazîa parte da seleção das 9 tracks do Cd , e quando sofreu a mudança pro EP foi retirada deste projeto, mas como ela é tão mágica e contagiante, a fabrica que tratou das cópias do disco voltou a coloca-la acidentalmente."

Oiçam:

Borboleta


Monday, July 14, 2014

O Melhor Presente


Sou muito propenso a viciar-me em músicas. Sou capaz de ouvir a mesma música vezes sem conta durante um determinado período de tempo. Tenho a certeza que não sou o único. A mais recente vítima do meu vício musical foi a faixa ‘O Melhor Presente’ dum álbum especial sobre o qual eu já devia ter partilhado aqui há muito mais tempo.

Das melhores partes de ter voltado para Luanda é poder ter acesso rápido à música que se faz aqui. Se antes só me comunicava com os meus cantores preferidos por email, hoje já é possível beber um fino com eles algures na nossa capital e falar dos seus mais recentes trabalhos discográficos. Foi assim que soube que alguns dos meus rappers preferidos, incluindo o Keita Mayanda, Leonardo Wawuti, Verbal e Damani Van-Dunem, juntaram-se para criar um EP de poucas faixas e muitas rimas. Na época natalícia de 2013 este quarteto lançou o álbum Boas Festah. Os detalhes:

“A ideia surgiu à mesa no almoço de aniversário do Verbal.  ‘Que tal gravarmos um EP para lançar antes do ano terminar?’ O cepticismo inicial rapidamente transformou-se em entusiasmo e na última semana de dezembro Leonardo Wawuti, Damani Van Dunem, Verbal e Keita Mayanda, no meio de toda a azáfama do final do ano gravaram o EP intitulado “Bhoas Festah” inspirado no espírito festivo dessa época e dedicado a todos quanto acompanham a vida artística dos quatro rappers, um presente portanto. O EP contém 7 faixas, sendo uma Intro, um Interlúdio, um Outro e 4 faixas musicais. Foi inteiramente produzido por Brother Kev, produtor angolano quase retirado da cena musical e irmão do Verbal. “Bhoas Festah” foi concebido para ser leve e dinâmico, com versos pequenos e temas leves, a única participação vocal extra é a do rapper Nick, na faixa “O Melhor Presente”. Todos os temas foram escritos em estúdio e gravados logo de seguida, durante 3 noites.”

O Melhor Presente devia é ser mais longo. Disse o mesmo ao Keita, que respondeu com uma gargalhada. A música dura somente 2 minutos e 2 segundos mas quando acaba, o ouvinte pede mais. O trabalho de produção do Brother Kev é excelente – quem dera que ele fosse mais activo. Aquele saxofone…

O que mais gosto no Melhor Presente é a letra. Mais uma vez o quarteto dá provas do seu liricismo, desde os “Jordans no armário” do Leo ao último verso do brinde:

O que eu quero não cabe debaixo de uma árvore
E o Pai Natal não consegue trazer via chaminé
Também não é uma mansão revistida em mármore
Ou acordar num Bugatti só para seguir o cliché
O melhor presente um dia até já persegui
Vaguiei por desejos meus até que um dia percebi
Que o tenho desde tenra idade
Uma rica família e…felicidade.

Bem haja.

O Melhor Presente


Sunday, July 13, 2014

Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: Redentor


Redentor, by Jack Nkanga

O meu primeiro contacto com o novo álbum do Jack Nkanga foi precisamente por via desta músicae mais concretamente pelo vídeo que partilhamos aqui convosco. Lembro-me de ter visto o vídeo na televisão alguns meses depois de ter regressado à Luanda; apanhei o vídeo pelo meio e fiquei captivado não só pelas imagens que via - uma viagem pela Ilha de Luanda, em rápida velocidade, intercalada com imagens do Jack a cantar e de uma mulher, a presumível razão do canto do Jack. No fim do vídeo veio a informação que eu tanto queria - Redentor, o nome da música.

Como o resto do álbum do Jack, o estilo e conceito da música não são comuns na grande maioria do trabalho feito por outros artistas angolanos. Este souful pop suave, ritmico, envolvente, captivou-me exactamente por ser tão raro cá em Angola. Alías, é por isso que aprecio este álbum. Talvez por ter a conhecido primeiro, a Redentor continua a ser a minha música preferida do Oops!. Curioso, quis saber o que inspirou, o que fez com que escrevesse esta música em particular. Mas como sempre com o Jack, nada é tão simples quanto isso. Cada música tem várias camadas.

"Tem vezes em que os seres humanos manifestam-se através dum sentimento de tardío entendimento Mas o efeito está patente, que depois suscíta a reação de críticos e obrigam a estes seres a defender os seus atos. Quando criei essa música não havia céu sobre mim," disse.

"Via luz, cores e outros fenómenos, confesso que me kuiou pois conclui que o meu paladar é ativo até mesmo durante o sono pois reconhecí o sabor do Safu enquanto morría numa madrugada. Foi brincadeira considerada e depois levou-se ao termo".

Redentor foi composta pelo próprio Jack e gravada no Atomm Média (leia-se: o quarto do Jack), para depois ser concluída na Rádiovial. Participaram na música o Isaú Baptista, nas guitarras, o incontornável Hélio Cruz na batería e captação, enquanto que o baixo esteve a cargo de Bigão Solari. Por fim, o José Graciano esteve nas teclas.

Não sou o único que aprecia bastante esta música. "Foi à partir do estúdio que percebi os seus mais profundos efeitos, isso depois da colocação das guitarras e batería," disse o Jack. Redentor é a terceira promo do Oops! e foi nomeada para o prémio Rádio Luanda 2013 na categoría Afro-Jazz.

 

Boa escuta.

-Cláudio Silva

Saturday, July 12, 2014

Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: Living Soul


Living Soul, by Jack Nkanga
*Foto: Songhai Pinto


Sou pouco conhecedor do estilo Rock, e confesso que do pouco que oiço, seleciono apenas tudo que me é suave, por isso, será perca de tempo para os grandes críticos entrarem em debate aceso comigo acerca da matéria. 

Para mim o estilo do Jack Nkanga é muito próprio, mesmo sofrendo algumas influencias, como por exemplo uma guitarrazinha a "la Reggae”, nesta música em especial. Digo que é um estilo sui generis porque, notei que a sua preocupação não é de que exista uma sequência de palavras que rimam, nem obedecer regras da poesia. Simplesmente, a intenção é de transmitir, harmoniosamente, aquilo que ele sente, com frases directas e objectivas. Possivelmente isto será uma característica do Rock, não haver preocupações poéticas. E para nao me enrolar muito, prometo fazer uma pesquisa mais aprofundada sobre a questão ao invés de estar aqui a balbuciar sobre algo que pouco ou nada domino.

Living Soul tem um ritmo muito dançante, e não sei porquê recorda-me aquele filme dos anos 70/80, Grease, com o John Travolta, onde a febre do Rock estava patente no comportamentos dos jovens da época.

Está musica, composta pelo próprio, levanta a minha alma logo pela manha, não só por ser dançante, mas também pela sua eletrizante rítmica e a sua mensagem, que nos faz lembrar que as nossas vivências, atitudes e o nosso ânimo, de certa forma afectam aqueles que nos rodeiam, principalmente os mais chegados. Se não, oiçam só o que o coro diz:

Living Soul
You’re the source
Of my accomplishments
in life
So i love you, so i love you...

Segundo o Jack - por vezes quero trata-lo directamente quebrando aquela distancia profissional, mas por vezes tenho medo que perca essa toda admiração que tenho por ele, se nos tornarmos muito íntimos -... mas como ia dizendo, segundo o Jack Nkanga, "a áurea de pessoas em vida e a facilidade que elas têm de nos tocar, e nós nos prendermos a elas", foi a base de criação para esta relíquia, e o mesmo acredita ainda que esta relação entre as pessoas "é que faz sentido a vida"

A curiosidade a volta desta música é que a mesma nasceu em português e foi posteriormente adaptada para o inglês, que, segundo nos informa foi "sugerido por um amigo com o intuito de poder faze-la chegar a mais mercados, através do próprio idioma"

Living Soul, passou por três estúdios: Atomm Média, quarto do Jack NKanga, onde foi feita a gravação do Baixo e guia de Guitarra rítmica; Radio Vial, para a captação de voz, Guitarra e do Clapper e pela Letras & Sons, para a gravacão da Bateria.

"Foi gravada em condições básicas, aquelas que a Konono Soul Music conseguiu reunir, como uma produtora no seu começo. Sem estruturas, mas com muita vontade de fazer acontecer as coisas. Perdi a noção de quanto tempo levou a ser gravada"

Participaram no entanto, nesta musica o guitarrista da Banda Maravilha, Isaú Baptista, o Stelio Zoe na Bateria, Nana no Clapper e Bigão Solari.


Living Soul


Friday, July 11, 2014

Contagem decrescente para 'Oops!' de Jack Nkanga: Calm Down




Calm Down, by Jack Nkanga

Foto por: Songhai Pinto

Ja são dois dias seguidos a reproduzir, vezes sem conta, este pote de mel. É tanta euforia e adrenalina que chega momentos em que tenho de recuar a esta segunda faixa, para "Calm myself Down". Gosto especialmente desta musica, porque faz-me viajar, naqueles tempos em que era um tanto quanto namoradeiro, onde já sonhava alto e… mas anyways.

A inconformidade do Jack Nkanga podemos sentir nos versos desta musica, onde o mesmo expõe a sua relação para com o próximo, neste caso em especial com a sua dama. Jovem sempre sonhador, pretende tirar partido dos pequenos prazeres da vida, vivendo um dia de cada vez, gerindo os seus limites.

A maneira como Jack usa a voz parece um pouco Naif, talvez seja pelo enredo que ele cria ou talvez porque o mesmo sentia-se apaixonado e queria dar os passos certos ao lado da sua companheira. Tenho a mania de interpretar os versos do seu fazedor, mania esta adquirida nos tempos de escola, que acho importante para poder apreciar a musica no seu todo. Alias, acredito que não sou o único com mesmo método de avaliar a beleza daquilo que ouvimos.

As respostas do Jack contrariam as minhas interpretações acima, quando ele mesmo diz que:

"Não faço idéia daquilo que me inspirou a construí-la harmoniosamente, Mas sei que ao meio do exercício fez-me lembrar o clássico 'Stand by me' de Ben E. King."

Realmente!…Existe sempre aquele momento em que ouvimos uma música e parece que temos um "déjà vu". Depois deste belisco, recordei-me de como o contra baixo se evidencia no 'Stand by me'. E esta peça em questão é moldada por um piano logo ao inicio que põe excitado os nossos pelos de tão arrepiado que ficamos.

Esta música foi gravada nas condições mais básicas possíveis, segundo o mesmo:

"Criei a base harmónica com a guitarra e depois o resto passei aos demais (músicos), através do ouvido. Dentro do processo de gravação da música passei por dois estúdios, a Atomm Média e a Rádio Vial. A Atomm Média moveu-se para o quarto da minha casa, onde captamos as teclas e o baixo, fechando a gravação de voz e Bateria na Radio Vial. Perdi a noção do tempo de gravação mas sei que foi das músicas mais simples".

Os músicos intervenientes são, o nosso grande baterista Hélio Cruz, José Graciano na tecla, Sebastião Chyamba no baixo, e Nána no shaker.

Thursday, July 10, 2014

Contagem Decrescente para 'Oops!', de Jack Nkanga: Sonhador

                

Sonhador, by Jack Nkanga

Somos extremamente curiosos no que toca a música, e violamos todas as regras para conseguirmos tudo o que cobiçamos. Por isso, decidimos nos juntar a equipa que esta a preparar o lançamento do EP, acabado de sair do “forno", do grande Sonhador e visionário, Jack Nkanga. Como vocês, ansiamos tanto por este dia, que tivemos de criar um espaço especial para a divulgação desta obra de arte. E assim damos-vos dia a dia, até a data do lançamento, uma ideia do que vão encontrar neste magnifico EP.

Sinceramente já conhecia esta música, mas fiquei estupefacto ao ouvi-la com melhor qualidade e em alto/equilibrado som… pensei para comigo, WOW!!!… que musica cheia de energia e rica em melodia eletrizante! nunca pensei alguém ser capaz de fazer tal coisa em Português e em Angola. Significa isto dizer, e como disse um amigo meu, Stive Cacunga, "o rapaz nasceu no país errado". Realmente, é um inovador sem limite de ideias.

Sendo ele próprio o compositor desta musica, o mesmo afirma que a inspiração para a criar “deve-se ao facto de ser um artista inconformado” e que quando está ao fim de um conceito que esteja a ser elaborado, quer saber o que vem depois.
“Foi numa altura em que quis experimentar algo mais eletrizante, daí fui pesquisando ao fundo a harmonia do rock e a sua rítmica”.

"Esta versão foi gravada num ambiente saudável entre eu e os outros executantes da música, na RadioVial em Luanda, onde trabalhei com músicos irmãos de Moçambique, dentre eles o Eduardo no baixo, o Stelio Zoe na bateria e o Bernardo Domingos na guitarra lead”, acrescenta.

Com uma sessão de estúdio limitada de 3 horas, a sua gravação levou quatro horas. Acredito que o artista quis atingir a perfeição que, ao meu ver, conseguiu alcançar. A primeira vez que ouvi esta música foi numa das rádios da nossa cidade em que em entrevista, o musico disse que a mesma tinha sido gravada no Brasil. Segundo o mesmo, existe no entanto, uma primeira versão que foi gravada em São Paulo na Phoenix Studios, produzida pela Jps Atistas, o que faz desta música a mais antiga do disco.

Sem mais rodeios:
Sonhador

*Photo by Songhai Pinto

Sunday, May 11, 2014

Mercado Negro, by 7Xagas


Por Songay Pinto
Foto por Coca o FSM

Zigui Za, za za za.... Existe um álbum e um artista esquecidos no mercado do rap angolano. O trabalho deste artista foi nada explorado por todos nós, ao meu ver. Talvez seja porque na altura em que o mesmo foi lançado (independentemente), o músico se encontrava dividido entre Angola e Portugal.

Para mim, 7 Xagas é um músico de referência, no estilo de que falo, se continuasse a nos oferecer ’N' projectos seus, iria fazer muita gente feliz. Digo isto porque o mesmo não se limita em fazer rap. No seu disco, notamos uma série de influências musicais, e concluindo, o rapaz faz música como alimento Pr'Alma.

Pela primeira vez retiro da sua tela, a faixa com o título de Mercado Negro. Música esta que retrata um pouco a vida das nossas Zungueiras.

Outra vez?!!! - perguntam vocês - ... A verdade é que estamos à semanas a ouvir, naquelas ondas modulares, diálogos, contradições e mal entendidos, sobre a situação dos nossos ambulantes que deambulam (vagueam) pelas artérias da nossa cidade. Uma situação de difícil resolução, tendo em vista que a mesma não passa em apenas proibir e "fiscalizar" (correr com elas, e espancar) os mesmos, nem, porém, construir mercados num qualquer areal atirado naquelas estradas onde eu, como cidadão, igual a todos os outros, apenas faço uso quando pretendo fazer viagem para uma das províncias. Falo-vos por exemplo do Roque Santeiro.

E é disto que esta música nos fala, as dificuldades, a correria, o movimento e encontrões com que todos nós nos deparamos.

Aqui, 7Xagas consegue criar na nossa mente, uma sequência de imagens que formam uma envolvente quase real que faz-nos sentir a deambular também pelas ruas, por alguns instantes. Um autêntico EBAY, tudo se encontra e tudo é encontrado, é incrivelmente engraçado para quem pela primeira vez se confronta com este cenário, logo a saída do 4 de Fevereiro...

Não iria admirar se algum dia me vendessem uma casa do kilamba no nosso Mercado Negro...

Mercado Negro


Thursday, April 24, 2014

Tereza Ana, by Waldemar Bastos


Nota do autor: Para o Caipirinha Lounge continuar vivo, será necessário o contributo dos seus mais fiéis ouvintes. O meu primo Songay Pinto é um deles, e é por causa dele que conheço muitas das músicas e artistas que populam o meu subconsciente. Tenho o prazer de o convidar para o seu primeiro guest post no Lounge. Porque se ser sempre eu a falar, também já cansa! Sem mais rodeios:

Tereza Ana...

Zungueiro da música alimentar, cheia de vitamina cultural e de riqueza natural (entenda-se como riqueza natural, a música tocada com alma), é assim que me identifico. Muitos devem ter ”lido“ falar sobre mim, Songay Pinto, o primo que muitas das vezes inspirou Cláudio Silva na busca do que não é vendido nos ecrãs e naquelas ondas modulares, simplesmente porque a mesmice é nojenta.

No entanto, também, muito aprendi com ele, e sou grande fã. Humano de poucas falas, pouco social, mas, de muitos sentimentos. O meu sonho é de um dia comunicarmos literalmente através da música, dos sons, ritmos e batucadas... mas, daquela batucada do estilo Dalú Roger, percussionista angolano que muito admiro. Jovem, cheio de idade, e de paixão pela sua arte. Ja imaginaram? De baixo de uma mulemba (árvore folhenta e fresca) a expelir o amor e a revolta que sentimos... mas apenas com a música!!!

Muitas das vezes, em conversas vulgares, com pessoas que me rodeiam, pesco sempre um vocábulo que me leva sempre a uma qualquer música existente que na sua lírica, consta a mesma palavra.

Acredito que algumas pessoas com quem convivo ja se deram conta disto... isto sou eu, amante da música. Durmo sempre com ela. Existe menos Stress, é o meu refúgio, sempre foi e sempre será. Alívio as minhas frustrações e fracassos. Quem fala assim até parece conhecer muito de música!

Pois é... eu nada sei acerca dela, mas eu adoro a seus “panos", sempre cheios de movimentos e cores, e foi por isso que eu roubei um violão do meu primo Paulo Sérgio, irmão do Cláudio Silva, violão com cordas em falta e que até hoje nem sei tocar uma única nota...talvez seja por isso que existe um equilíbrio no mundo, uns nasceram para encantar e outros para serem admiradores, e eu escolhi ser promotor de evento, por isso me juntei em 2009 ao Luanda international Jazz Festival, como produtor... executivo, digamos. Já tentei ser ”cantor”, um dia postarei aqui uma música minha, meia descompassada e em rap – ha ha ha ha ha ha – nem queiram ouvir.

Tereza Ana

- Songay Pinto

*Photo: Waldemar Bastos, by Publico.pt

Tuesday, November 5, 2013

Vida



Sim, o Lounge continua vivo.

Foram cerca de 170 dias desde o último post aqui no Lounge. Nunca na pequena história deste blogue houve uma paragem assim tão longa. Foram muitas as pessoas que perguntaram se o Lounge morreu.

"E então, o que se passa com o Lounge?! Nunca mais postaste nada meu!"

Desde o último post, houveram mudanças profundas na vida conjunta do autor e do blogue, que afinal são a mesma coisa, inseparáveis um do outro. O Yahoo Media Player parou de funcionar - foi extinto pelos donos. Alguns links foram se desactualizando. Nunca mais houve Editor's Picks e listas dos melhores álbuns do ano. O meu consumo de música lusófona diminuiu drasticamente.

A paragem foi motivado pelos mais variados motivos, entre eles pessoais e profissionais. Envolvi-me full-time em outros projectos. Sou mau em gestão de tempo e parei de ter tempo para tudo.

Mas talvez a maior mudança de lá pra cá é que o último post foi escrito em Brooklyn, enquanto que este é escrito à partir de Luanda, de onde o Lounge passará emitir de agora em diante.

É verdade: Luanda agora será a minha casa "permanente".

Os últimos meses foram também marcados pelo passamento físico de dois familiares, um depois do outro. Em momentos destes avaliámos por completo as nossas vidas, as nossas relações, as nossas escolhas.

Invariavelmente, acabamos sempre por voltar às coisas que mais gostávamos, que mais nos davam (dão) alegria. E por isso o regresso ao Lounge foi inevitável: estava na hora de voltar a escrever aqui.

O regresso ao Lounge foi motivado pelo aumento recente do meu consumo de música, próprio da vivência cá em Luanda e pela passagem recente por Lisboa, cidade que me apaixona cada vez mais. Foi lá onde vi vários concertos e onde finalmente readquiri aquele 'bichinho' da música, aquela sede de ouvir mais, muito mais. A sede de consumo e partilha que originou o Lounge.

Foi lá onde tive a oportunidade de ver os Batida e o Seu Jorge a actuarem ao vivo pela primeira vez. De ver jam sessions a nascer de madrugada em Alfama.

Em Luanda, o meu consumo musical também cresceu - são constantes as noites com música ao vivo. O Espaço Bahia, especialmente, continua a ser palco de artistas fora do comum. Descobri o King's Club, o Bakama, as noites de jazz no Doo.Bahr. Mas mais importante ainda, descobri as actividades da malta que respira música e que procura, nos lugares mais variados da cidade, um pouco de ar para 'respirar'. Fiz novos amigos.

Esta nova incarnação do Lounge será menos regrada que a anterior. Alguns posts, como este, serão só em português, outros serão em inglês. Dependendo da minha pancada naquele determinado momento. Às vezes o trabalho constante da tradução de textos contribuía para a falta de vontade de escrever.

Em forma de homenagem para a cidade que agora me acolhe, partilho aqui dois vídeos que retratam um pouco da vivência singular desta cidade de amor e ódio. O primeiro tema chama-se É Luanda e é uma homenagem do cantor Diclas One ao falecido André Mingas. Não conhecia o Diclas One antes de ver este vídeo e desconheço os seus outros trabalhos mas gostei muito do conceito do vídeo e da forma como ele interpreta o trabalho de um dos melhores músicas angolanos.

O segundo tema, da Sandra Cordeiro, também está muito bem conseguido. Os leitores perceberão que os vídeos são parecidos e retratam a vida da cidade. Há bastante tempo que oiço a Sandra é fico feliz por ver o seu amadurecimento. Está fantástica nesta música.

Foram estas duas músicas que me acolheram quando cá cheguei e que ajudam a explicar um pouco o porquê do regresso...

Porque sim, o Lounge continua vivo.

 

Foto: Estrada Benguela-Luanda

Monday, May 20, 2013

Movimento, by Aline Frazão


It's called Movimento and it's Aline Frazão's second album, a favorite of this blog. Aline is currently my favorite Angolan chanteuse, a voice that I have heard blossom into what it is today. I've had Movimento in rotation for about 20 days now; the singer gave me an advance copy. Perks of the trade, I guess. I felt privileged to have been one of the first people to hear this beauty from start to finish - 52 minutes of music of a quality as such that I couldn't wait to be able to share it with someone else. There's not much point to enjoying music this good without being able to share it, and today, 20th May,  the album is released in Portugal and I can finally write about it and share it with you.

Inevitably comparisons between Movimento and Aline's debut album Clave Bantu will arise. With 12 original tracks, her sophomore effort is one song longer than Clave Bantu and when it reaches the end it leaves me longing for more, as any great album will. As always there are some songs I like more than others, but song for song, generally Movimento's tracks are stronger, more polished, have better lyrics, and more memorable melodies. And it's more introspective. You hear a singer who is clearly on the ascendence, who is enjoying renewed self-confidence, greater maturity, and sure of her gift and her talent. This is clearly a singer enjoying her music.

Movimento begins with As Paredes do Mayombe, one of the more forgettable tracks; it begins to find its footing with Cacimbo, a beautiful melody with great lyrics. Desassossego, written by Angolan poet and author Carlos Ferreira 'Cassé' is the third track. And then comes the album's strongest period: tracks 4 through 9 are all gems.

For me, Tanto is this album's winner. It has the best lyrics, an intricate delivery and fantastic execution; I consider it Aline's best work to date. The song's video is almost as brilliant as the lyrics. It was here that I stopped the album and clicked back for the first time: I couldn't get enough, not yet anyways. After the song's climax we head to Crónica de um (des)encontro, another beautiful track that deserves another listen. It could very well be the album's third best track.

Nossa Festa and Poema em sol poente get better with time; at first listen I didn't rate them as highly as I do now, especially since I fell in love with Nossa Festa's lyrics. It's also a highlight on the album. We've arrived then at Lugar Vazio. After Tanto, it's my favorite song on Movimento. I prefer Tanto's lyrics but Lugar Vazio has a better melody. What a thing of beauty. I also enjoy the lyrics on A cidade que eu habito; among the last three songs on the album, Ronda, Kalemba and A última bossa, the highlight is Kalemba, brilliant in its simplicity.

I think I love Movimento because at its core it is an album about home - it reminds em of Luanda, my family, my friends, my past loves, and it makes me feel good. For me, Movimento was an aural trip home, to today's Luanda's. And it's a trip in which my companion is the warm, familiar, unmistakable sound of Aline's voice.

Thoroughly recommended.

Tanto
Lugar Vazio

Chama-se Movimento e é o segundo álbum da Aline Frazão, a cantora angolana mais apreciadas neste espaço. Há cerca de 20 dias que o tenho em rotação, tendo o recebido directamente da cantora. Ossos do ofício. Senti-me privilegiado por ser das primeiras pessoas a ouvir esta obra de arte, estes 52 minutos de música de uma qualidade tal que doía-me não poder a partilhar com alguém. O que vale poder ouvir música tão bela sem ter alguém com quem a partilhar? Hoje, dia 20 de Maio, data de lançamento deste  lindo disco, posso finalmente partilhar convosco a beleza que é o Movimento da Aline.

Foi um imenso prazer ouvir este disco. Surgem, inevitavelmente, comparações com o álbum de estreia da Aline, Clave Bantu. Com 12 faixas, todas originais, Movimento tem mais uma música que Clave Bantu e quando chega ao fim deixa-me com água na boca; quero mais. Como sempre, gosto mais de algumas músicas do que outras. Mas tema por tema, geralmente as músicas do Movimento têm melhor lírica, uma melodia mais memorável.  E é mais introspectivo. Ouve-se uma cantora em ascensão, com cada vez mais auto-confiança, mais maturidade, mais segura de si mesmo e do seu talento. Nota-se que a Aline arriscou mais, soltou-se mais um pouco, voou mais alto.

Movimento inicia com As Paredes do Mayombe, que não é das minhas preferidas nem das músicas mais memoráveis. O álbum melhora com Cacimbo, uma linda melodia e letra; a seguir vem Desassossego, uma letra do conhecido poeta e escritor angolano Carlos Ferreira 'Cassé'. Porém, o trecho mais forte do disco são as faixas 4 a 9; é neste trecho onde são encontradas as melhores músicas deste querido disco.

Para mim, Tanto (a quarta música) tem a melhor letra do disco e acredito ser a melhor música da Aline de sempre. O brilhante vídeo da música, publicado aqui, é quase tão bom como o tema. Foi aqui que parei de ouvir o álbum; fixei-me só no Tanto e só depois de o ouvir um par de vezes consigo continuar. É quase sempre assim. Depois do climax do Tanto vamos ao encontro de Crónica de um (des)encontro, outro bonito tema que merece especial atenção. Também é das músicas mas bem conseguidas do Movimento.

Nossa Festa e Poema em sol poente crescem com o tempo; na primeira audição não me chamaram muita atenção, mas com o passar do tempo apaixonei-me com a letra da Nossa Festa. Hoje é dos meus temas preferidos neste disco. Chegamos então ao Lugar Vazio. Depois de Tanto, esta é a minha música preferida em Movimento. Gosto mais da letra do Tanto, mas em termos de melodia Lugar Vazio ganha. Que música mais bonita. Também aprecio muito a letra d'A cidade que eu habito; Entre as três ultimas, Ronda, Kalemba e A última bossa, o destaque vai para Kalemba, brilhante na sua simplicidade.

No fundo, Movimento faz-me lembrar de Luanda, de casa. Faz-me lembrar da minha família, dos meus amigos, dos amores do passado, e isto faz-me sentir bem. Para mim o Movimento é uma viagem por sonora pela nossa Luanda de hoje, pela voz marcante, familiar, calorosa que é a voz da Aline.

Recomendo. Mesmo.

Sunday, May 12, 2013

Caipirinha Lounge Cinema: Tanto, by Aline Frazão

Lindo. Simplesmente lindo. Não sei se gosto mais da letra, do vídeo ou da música. Geração 80 e Aline. Estão demais.

É tanta luz aqui,/Que até parece claridade./É tanto amigo aqui,/Que até parece 
que é verdade./É tanta coisa aqui,/Que até parece não há custo./É tanta regra 
aqui,/Que até parece um jogo justo./É tanto tempo aqui,/Que até parece 
não há pressa./É tanta pressa aqui,/Que até parece não há tempo./É tanto 
excesso aqui,/Que até parece não há falta./É tanto muro aqui,/Que até 
parece que é seguro./Tanto, tanto, tanto/Na embriaguez do encanto/É 
tanto ‘tanto faz’/Que ninguém sabe quem fez./Mundo, gira, mundo,/
Mundo vagabundo,/Não olhes, senão vês./É tanta pose aqui,/Que até 
parece não há esquema./É tanta História aqui,/Que até parece um 
problema./É tanto festa aqui,/Que até parece sexta-feira./É tanta 
dança aqui,/Que até parece a das cadeiras./Tanto flash aqui,/
Que até parece que ilumina./É tanta frase aqui,/Que até parece 
que resolve./É tanto ecrã aqui,/Que até parece um grande 
invento./É tanta força aqui,/Que até parece um movimento.


Beautiful. Simply beautiful. I don't know what I like more...the video, the song or the lyrics themselves. Geração 80 and Aline outdid themselves here.

There’s so much light here,/That it even seems bright,/There 
are so many friends here,/That they even seem real,/There 
are so many things here,/That they seem to be for free./
There’s so many rules here,/That it even seems a fair 
game./There’s so much time here,/It even seems there’s 
no hurry./There’s so much hurry here,/It even seems there’s 
no time./There’s so much excess here,/It even seems there’s 
no want,/There are so many walls here,/It seems that it is 
safe./So much, so much, so much/It’s a charming intoxication/
So many ‘whatevers’/That nobody knows who makes what./
The world keeps turning,/Wandering world,/Look away or you 
will see./There’s so much posturing here,/That there doesn’t seem 
to be a scheme./There’s so much History here,/That it even seems 
a problem./There’s so much partying here,/That it even seems to be 
Friday./There’s so much dancing here,/It even seems a game of musical 
chairs./So many flashes here,/That they even seem to light up./So many 
sentences here,/That they even seem to make sense./So many screens 
here,/That they even seem a great invention./So much strength here,/That 
it even seems a movement.


Friday, May 10, 2013

Caipirinha Lounge Cinema: Movimento, by Aline Frazão - Episódio 3

Vem aí o novo álbum da Aline: chama-se Movimento e sai dia 20 de maio pela Ponto Zurca. Enquanto esperamos, podemos já começar a conhecer o que promete ser um lindo trabalho. Numa colaboração com a Geração 80, a Aline brinda-nos com o terceiro de vários episódios. A ver:

Aline's second studio album is coming soon. It's called Movimento and is slated for a 20th May release on the Ponto Zurca label. Until then, we can start geting to know what promises to be a beautiful piece of work. In a collaboration with Geração 80, Aline shares with us the third of several episodes. See below:



Aline Frazão - Movimento - Episódio #03 from Aline Frazão on Vimeo.

Dar e Receber, by Faradai feat. Gonçalo Clington


Dar e Receber is Helder Faradai's first single since signing for Kongoloti Records and features Angolan musician Gonçalo Clington. It has that polished, high quality production quality we've come to expect from Faradai and Jazzmática, but this one is a little sparser in its arrangements.

I'll let Helder explain his inspiration in his own words:
I was inspired by that show on Angolan FM stereo called...''Canta Angola'', where they played many sounds exulting our Angolan culture, in the musicality that is this country. This is a tribute to our elders, who took the Angolan music to another level, with distinction and success overseas, and to the younger generation gaining pace, showing that they too can do it and are willing to pursue the path and the heritage that is far from its end, for it´s emotion is found on the pursuit. To Liceu Vieira Dias, O cota Elias, Os irmãos Kafala Urbano de Castro, Os irmãos mingas, Teta Lando, Vum Vum Kamussadi, Carlos Lopes, Filipe Mukenga, Filipe Zau, David Zé and many others equally relevant.

Dar e Receber é o nome do primeiro single do Faradai desde que ele assinou pela Kongoloti Records. Conta com a participação do músico angolano Gonçalo Clington. Conta com aquela qualidade de produção que o mano Faradai já nos habituou, principalmente com a Jazzmática. Os vocals do brada Gonçalo Clington dão uma dimensão interssante ao brinde. Deixo o Helder explicar-se:
O contexto desse som inspirei-me naquela rubrica que passa sempre ao meio dia na FM stéreo entitulada ''Canta Angola'' em que passam imensos sons exultando a nossa cultura angolana na musicalidade que compõe esse país pelo que eu criei uma espécie de tributo aos nossos cotas que elevaram a outro patamar com distinção a musicalidade angolana além fronteiras e a nova geração que vem com dando passos mostrando que apesar das sementes firmes que os nossos mais velhos fizeram crescer os alicerces ao seu jeito tb vão mostrando como podem o caminho a herança e a vontade de continuar o legado que mal esta no fim da sua jornada pois a sua emoção encontra-se no seu decorrer Cotas como: Liceu Vieira Dias, O cota Elias Os irmãos Kafala Urbano de Castro Os irmãos mingas Teta Lando Paulo Flores Carlos Lopes Filipe Mukenga Filipe Zau e muitos outros
Já o verso do Gonçalo faz uma referência a nova escola e vaga de artistas que têm-se insurgido apaixonadamente pela preservação da nossa cultura inovando, reciclando e navegando outros mares na exteriorização da musica angolana. 
O conceito da fotografia que eu pretendia expor quando disponibiliza-se o som promocional pelos blogs e no fbook era simplesmente de um mais velho a dar um disco de vinil a uma criança( por aí aos seus 8 9 anos),que metaforicamente foi a altura que muitos de nós inconscientemente começaram a ganhar o interesse pela musica por influência dos nossos pais,e 20 anos mais tarde essa criança com o mesmo vinil a transmitir aquela musica mas de forma diferente que comparativamente é como nós a juventude adulta e geração dos anos 70 e 80.

Thursday, May 9, 2013

Introducing: Kongoloti Records



The Lounge's long time readers will know how much I appreciate Milton Gulli's music. The Portuguese-Mozambican musician has done some brilliant work over the years and participated in some fantastic projects and bands, including afro-beat collective Cacique '97, Dub Inna Week and Lovers Rock Inna Week, all of which are favorites of mine and have a special place here at the Lounge.

Milton Gulli's latest project is nothing more, nothing less than a full scale label. It's called Kongoloti Records and it's already starting to flex its muscles. Earlier this year one of my favorite Angolan musicians and lyricists, the talented Mr. Helder Faradai, signed for Kongoloti. Weeks later came the huge announcement: Mozambican rap's finest, mano Azagaia, had signed as well, releasing a new single to commemorate. The fact that two heavy hitters in the Lusophone music world signed for Kongoloti makes me excited of what's to come. It's like all my favorite worlds are colliding.

Milton, great job brotha. Here at the Lounge we've got our eyes on Kongoloti Records. It looks very promising...

Kongoloti in their own words:
We were intrigued by how much music from Lusophone Africa people really knew, so we started this journey to release new and established acts from this part of the world. Lusophone Africa is house to a lot of music that people rarely hear because is mostly consumed "indoors". From the traditional sounds of the north of Mozambique to the new urban tendencies sprawling on the streets of Luanda, from the slums in São Tome & Principe to the african ghettos in Lisbon, from urban to traditional, from electronic to acoustic, Kongoloti Records will always be a symbol of good and fresh music for yours ears!! Stay tuned for our first releases coming this 2013!!!


Os leitores de longa data do Lounge sabem o especial apreço que tenho pelo músico luso-moçambicano Milton Gulli. É ele a mente brilhante por trás de projectos como Cacique '97, Dub Inna Week e Lovers Rock Inna week, entre outros - projectos estes que têm um espaço especial aqui no Lounge.

O mais recente projecto de Milton Gulli é nada mais nada menos que uma Editora. Chama-se Kongoloti Records e já começa a dar os seus primeiros passos. No príncípio deste ano, um dos meus músicos angolanos preferidos, o mui talentoso Helder Faradai, assinou pela editora. Semanas depois, o estrondoso anúncio: Azagaia, que está entre os meus rappers preferidos, também assinou pela Kongoloti e lançou um novo single. Dois nomes de peso da música lusófona para esta editora recém-nascida, o que nos faz adivinhar que mais surpresas estão para vir. 

Milton, estás de parabéns! Cá no Lounge, estamos de olhos postos na Kongoloti Records. A coisa promete...


Sunday, May 5, 2013

Caipirinha Lounge Cinema: Movimentos, por Aline Frazão

Vem aí o novo álbum da Aline: chama-se Movimento e sai dia 20 de maio pela Ponto Zurca. Enquanto esperamos, podemos já começar a conhecer o que promete ser um lindo trabalho. Numa colaboração com a Geração 80, a Aline brinda-nos com os primeiros de vários episódios. A ver:

Aline's second studio album is coming soon. It's called Movimento and is slated for a 20th May release on the Ponto Zurca label. Until then, we can start geting to know what promises to be a beautiful piece of work. In a collaboration with Geração 80, Aline shares with us the first two of several episodes. See below:


Aline Frazão - Movimento - Episódio #01 from Aline Frazão on Vimeo.


Aline Frazão - Movimento - Episódio #2 from Aline Frazão on Vimeo.

Saturday, April 13, 2013

A Safra, by Café Negro

Rock in Angola is in the ascendancy.

Although the genre has been around in Angola since the country's first years, and has been featured in a radio program called Volume 10 on Rádio FM/Rádio Escola for the past 17 years,  it's not until now that it is truly gaining a foothold. The first proper Angolan rock album wasn't released until 2006 - Neblina's Innocence Falls in Decay -  and to this day the genre continues to attract controversy and stigma.

Of all the genres Angola has imported from beyond its borders, rock is the one that gets the most grief. Or at least is used to. Because as of late rock has been gaining ground. You can see it in Luanda: more establishments are playing rock concerts, and more and more people are going to them. Elinga, perhaps Luanda's most unique cultural venue, now hosts regular rock nights (Elinga Rock Sessions), while King's Club, the Vila Alice staple that has always been popular with the rock crowd, not only continues to host frequent rock concerts but has a growing audience and popularity as well. The blog RockLuanda keeps you up to date with all things rock in the city but also in Benguela and Huambo, the two other places where Angolan rock is gaining popularity. There is even a documentary  - Death Metal Angola - about the people behind the first ever national rock concert in Angola with the legacy of war as a background.

It is precisely in this favorable environment that a new Angolan rock band, Café Negro, emerged. Composed of Ary, Eddy British, Jô Batera, Maiô Bass and the distinctive Irina Vasconcelos on vocals, the band released their first album, A Safra, in April of last year. But even before that, they had been getting their music online; Marissa Moorman at Africa is a Country wrote a brief post about them January of last year.

Café Negro defines their sound as "alternative pop rock", and A Safra is precisely that. The album seems to have been conceived for the general Angolan public - an audience that has a very limited exposure to the genre. As such, rock aficionados might find the tracks to be a bit formulaic. Most tracks seem to follow a familiar pattern of crescendos, climaxes and guitar solos. Another issue I have with the album is that a lot of it is English; Café Negro is at their best when they sing in Portuguese. With this in mind, the standout track on this album is definitely Kilapanga do Órfão. It has exactly what Café Negro does very well: a very unique fusion of traditional Angolan rhythms - in this case kilapanga, from northern Angolan - with elements of hard rock and Portuguese lyrics. It's a winner. Another personal favorite of mine is Incerto - I appreciate the lyrics but mostly I just appreciate the lyrics as sung by Irina Vasconcelos. What a voice.

The band has received widespread acclaim in Angola and now make frequent appearances in festivals and concerts, whether they are rock-themed or not; they are now working on their second album. Café Negro are at their best when they do tracks like Kilapanga do Orfão and create new sonic landscapes, fusing genres and creating music that have never been heard before; such an approach is ultimately more satisfying and worthwhile than the English-language pop rock of some of these tracks. Hopefully their upcoming album will have more of the former.

Kilapanga do Órfão
Incerto

Em Angola, rock está em ascensão.

Apesar deste estilo de música estar presente em Angola desde os primeiros dias da sua existência como país, e apesar do rock ser o foco principal do programa Volume 10, que passa na Rádio FM/Rádio Escola há 17 anos, talvez só agora é que podemos dizer que o rock está realmente a ganhar espaço e popularidade. O primiero álbum de rock angolano só foi lançado em 2006 - o Innocence Fall in Decay da banda Neblina – e até hoje continua o stigma e a controvérsia acerca deste género musical. Porém, começa-se a notar algumas mudanças nos níveis de aceitação do rock.

De todos os estilos musicais que foram chegando ao país, o rock é o que mais sobrancelhas tem levantado. Ou melhor, levantava. Porque agora, vê-se que o rock está a ganhar o seu espaço. Observa-se isso em Luanda: cada vez mais lugares albergam concertos de rock e cada vez mais gente aparece neles. O Elinga, um espaço cultural único em Luanda, alberga concertos e eventos de rock regularmente (os famosos Elinga Rock Sessions) enquanto que o King’s Club na Vila Alice, que sempre foi o ponto de encontro para os amantes de rock, continua fiel a si mesmo. O blog RockLuanda é paragem obrigatória para todos que queiram saber mais sobre o rock em Angola bem como participar em eventos do género não só em Luanda mas também em Benguela e no Huambo, duas cidades onde o rock angolano respira saúde. Até existe um documentário – Death Metal Angola – sobre os corajosos manos por trás do primeiro festival nacional de rock em Angola (são eles também que gerem o orfanato Okutiuka), com os efeitos da guerra como pano de fundo.

É precisamente neste clima que surge uma nova banda de rock angolano, de nome Café Negro. Composto pelos membros Ary, Eddy British, Jô Batera, Maiô Bass e a surpreendente Irina Vasconcelos nos vocais, a banda lançou o seu primeiro álbum, A Safra, em Abril de 2012. Mas mesmo antes disto, já andavam na boca do público e a partilhar vídeos online; foi sobre eles que a Marissa Moorman do blog Africa is a Country escreveu um pequeno post em Janeiro do ano passado.

A banda define o seu estilo do música como “pop rock alternativo” e A Safra é exactamente isso. O álbum parece ter sido concebido para o público em geral – um público que tem pouca exposição ao rock. Dito isto, os amantes do rock propriamente dito podem achar os ritmos e melodias deste álbum um tanto quanto previsíveis. A maioria das músicas parecem seguir o mesmo padrão sonoro, tornando a sua estrutura um tanto quanto repetitiva. Outro pequeno capricho que tenho com o álbum é facto de várias músicas serem em inglês. Creio que estão no seu melhor quando cantam mesmo em português. Com isto em mente, a melhor faixa do disco é de longe Kilapanga do Órfão. É precisamente nesta música que se vê o grande valor desta banda: nunca antes tinha ouvido, nem sei se alguma vez antes existiu uma mistura de kilapanga (ritmo tradicional do norte de Angola) com elementos de hard rock e letra em português. O resultado é excelente. Outra faixa que bastante aprecio é Incerto - aprecio a letra mas aprecio mesmo a voz da Irina Vasconcelos. Que voz.

Desde mesmo antes do lançamento do seu disco, a banda Café Negro tem sido muito bem recebida em Angola e é presença cada vez mais frequente em concertos de rock mas também de música em geral. Neste momento trabalham no seu segundo álbum. A meu ver, a banda está no seu melhor quando faz música como Kilapanga do Órgão...é algo novo, único...é algo só deles, que só o seu grupo criou - um novo panorama sonoro usando géneros e sons que nunca antes foram misturados. Creio que se continuarem neste espírito e apostarem no novo em vez de repetitivos arranjos sonoros com letras em inglês, deixarão um maior e mais nutritivo legado. 
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