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Saturday, July 19, 2014

Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: Arts & Crafts


Arts Crafts, by Jack Nkanga

Esta na hora, hoje é dia de Arte, e nada melhor do que apreciar este, que para mim já é um clássico de Jack Nknga. Serei atrevido demais em dizer que este é dos melhores "piano e voz" que ja ouvi em Angola, alguns tentaram e nao conseguiram. Alias, tem se dito que isto não é para qualquer um, mas como este jovem é um revolucionário criador, conseguiu, e acredito que assim o fez com a maior naturalidade possível, porque é notório a sua paixão e conhecimento de música.

Embora a sua promoção tenha começado um pouco tarde, acreditamos que haverá suporte suficiente daqueles fãs incondicionais, até porque o nosso Artista nunca nos decepciona.

No entanto o Caipirinha Lounge da a maior força ao Jack Nkanga e a sua em equipa, e que tudo corra da melhor maneira.

Com uma poesia muito peculiar do Jack, somos brindados com este fecho maravilhoso do OOPS.

E sem mais rodeios, confiram as datas dos eventos já agendados e oiçam um pouco do: 



Arts & Crafts


Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: It's So Hot


It's So Hot, by Jack Nkanga

A cereja no topo do bo... não!!!, vou começar de novo... A folha de hortelã no copo de Martini Rosato, e a lufada de ar fresco naqueles dias difíceis de respirar de tanto calor. Foi o que pensei no abrasador dia 5 de abril de 2013, quando me levantei de um sono (atingido logo após uma funjada) ao som desta música. Apaixonei-me logo a primeira audição, e ela gingava sonante, por cima daquela que é a minha mesa,  rica de proteínas musicais, a FM Stereo 96.50.

Funk andando de mãos dadas com o Soul, capaz de fazer rebolar James Brown, vezes sem conta, no seu ultimo leito. O talento, esta estampado na sua voz, e eu gosto especialmente quando ele nos brinda com aquele "grito" de leve nesta música... Hoootttaa.

Segredou-me o Jack Nkanga, que esta música foi inspirada do nada, que surgiu dentro do seu quarto,quando ele e o seu amigo (estrangeiro) produtor, dentro do seu quarto, se preparavam para mais uma criação... e o Ar Condicionado teimava em não funcionar. Tudo o resto saiu naturalmente das duas almas criadoras.

Posso considerar que esta é a melhor das melhores, e que se não fizesse parte deste EP, teria eu de inventar um best of para que ela não fugisse dos meus reprodutores.

Com a ajuda de Argeu na guitarra adicional, Bigao Solary no baixo e Helio Cruz no string, Jack violou todas as barreiras na música, o que é muito bom porque a música é mesmo assim.







Tuesday, July 15, 2014

Contagem decrescente para 'OOPS' de Jack Nkanga: Borboleta



Borboleta, by Jack Nkanga


*Foto: facebook

Ja até passei as músicas para o meu PC, porque oiço o disco pelo menos quatro vezes ao dia, e esqueço-me que ele poderá apresentar falhas em algum futuro próximo. É que este EP é extremamente viciante, e quando menos esperamos, este Artista na foto, nos presenteia com algo que nunca vi fazerem aqui na banda. Poderá já nao ser novidade em outras paragens, mas Borboleta para mim ultrapassou os limites de criatividade deste gênio da musica jovem angolana.

Ao principio, assim que ouvi-a entrar, parecia-me uma música infantil. Mas no final do primeiro play, preferi fazer uma pausa e ligar o "open mind mode", e foi assim que recuei, tocou, recuei, tocou e depois... recuei novamente e tocou novamente. Piano, Guitarra e Voz, combinação perfeita, acrescida da letra.

Acontece que as minhas suspeitas não fugiram muito da realidade. Quando perguntamos ao Jack, qual o motivo de tal inspiração, eis que recebemos estás palavras como resposta:

"Está na base duas estórias, uma real e outra fantasia: a) É uma experiência de vida de um amigo que se apaixona por uma moça na sua infância e que pela via de incidente causa curto circuito pelo bairro todo e que queima alguns dos presentes da vizinhança. b) um casal que vive num universo de animação, e que a sua moradia é o tecto das nuvens e aproveitam no máximo o seu tempo de vida, brincando, sorrindo, andando como os rios, correr como a ventania e circulam como o sistema solar"

Resumindo, a escolha dos instrumentos e a sua harmonização, são as mais adequadas a estória narrada.

Tendo sido composta pelo próprio, está música levou cerca de três horas a ser gravada e o mesmo afirma que foi gravada:

"Em condições de um "fly" (ser livre, muito afrente), de querer encontrar algo peculiar e que se possa apreciar como as coisas mais naturais que a natureza oferece"

Outra curiosidade tem a ver com o projecto em si, que segundo o nosso Artista:

"Este projecto teve duas classificações, nasceu Mixtape e acabou como EP (risos). Durante a fase de nascimento essa fazîa parte da seleção das 9 tracks do Cd , e quando sofreu a mudança pro EP foi retirada deste projeto, mas como ela é tão mágica e contagiante, a fabrica que tratou das cópias do disco voltou a coloca-la acidentalmente."

Oiçam:

Borboleta


Friday, July 11, 2014

Contagem decrescente para 'Oops!' de Jack Nkanga: Calm Down




Calm Down, by Jack Nkanga

Foto por: Songhai Pinto

Ja são dois dias seguidos a reproduzir, vezes sem conta, este pote de mel. É tanta euforia e adrenalina que chega momentos em que tenho de recuar a esta segunda faixa, para "Calm myself Down". Gosto especialmente desta musica, porque faz-me viajar, naqueles tempos em que era um tanto quanto namoradeiro, onde já sonhava alto e… mas anyways.

A inconformidade do Jack Nkanga podemos sentir nos versos desta musica, onde o mesmo expõe a sua relação para com o próximo, neste caso em especial com a sua dama. Jovem sempre sonhador, pretende tirar partido dos pequenos prazeres da vida, vivendo um dia de cada vez, gerindo os seus limites.

A maneira como Jack usa a voz parece um pouco Naif, talvez seja pelo enredo que ele cria ou talvez porque o mesmo sentia-se apaixonado e queria dar os passos certos ao lado da sua companheira. Tenho a mania de interpretar os versos do seu fazedor, mania esta adquirida nos tempos de escola, que acho importante para poder apreciar a musica no seu todo. Alias, acredito que não sou o único com mesmo método de avaliar a beleza daquilo que ouvimos.

As respostas do Jack contrariam as minhas interpretações acima, quando ele mesmo diz que:

"Não faço idéia daquilo que me inspirou a construí-la harmoniosamente, Mas sei que ao meio do exercício fez-me lembrar o clássico 'Stand by me' de Ben E. King."

Realmente!…Existe sempre aquele momento em que ouvimos uma música e parece que temos um "déjà vu". Depois deste belisco, recordei-me de como o contra baixo se evidencia no 'Stand by me'. E esta peça em questão é moldada por um piano logo ao inicio que põe excitado os nossos pelos de tão arrepiado que ficamos.

Esta música foi gravada nas condições mais básicas possíveis, segundo o mesmo:

"Criei a base harmónica com a guitarra e depois o resto passei aos demais (músicos), através do ouvido. Dentro do processo de gravação da música passei por dois estúdios, a Atomm Média e a Rádio Vial. A Atomm Média moveu-se para o quarto da minha casa, onde captamos as teclas e o baixo, fechando a gravação de voz e Bateria na Radio Vial. Perdi a noção do tempo de gravação mas sei que foi das músicas mais simples".

Os músicos intervenientes são, o nosso grande baterista Hélio Cruz, José Graciano na tecla, Sebastião Chyamba no baixo, e Nána no shaker.

Thursday, July 10, 2014

Contagem Decrescente para 'Oops!', de Jack Nkanga: Sonhador

                

Sonhador, by Jack Nkanga

Somos extremamente curiosos no que toca a música, e violamos todas as regras para conseguirmos tudo o que cobiçamos. Por isso, decidimos nos juntar a equipa que esta a preparar o lançamento do EP, acabado de sair do “forno", do grande Sonhador e visionário, Jack Nkanga. Como vocês, ansiamos tanto por este dia, que tivemos de criar um espaço especial para a divulgação desta obra de arte. E assim damos-vos dia a dia, até a data do lançamento, uma ideia do que vão encontrar neste magnifico EP.

Sinceramente já conhecia esta música, mas fiquei estupefacto ao ouvi-la com melhor qualidade e em alto/equilibrado som… pensei para comigo, WOW!!!… que musica cheia de energia e rica em melodia eletrizante! nunca pensei alguém ser capaz de fazer tal coisa em Português e em Angola. Significa isto dizer, e como disse um amigo meu, Stive Cacunga, "o rapaz nasceu no país errado". Realmente, é um inovador sem limite de ideias.

Sendo ele próprio o compositor desta musica, o mesmo afirma que a inspiração para a criar “deve-se ao facto de ser um artista inconformado” e que quando está ao fim de um conceito que esteja a ser elaborado, quer saber o que vem depois.
“Foi numa altura em que quis experimentar algo mais eletrizante, daí fui pesquisando ao fundo a harmonia do rock e a sua rítmica”.

"Esta versão foi gravada num ambiente saudável entre eu e os outros executantes da música, na RadioVial em Luanda, onde trabalhei com músicos irmãos de Moçambique, dentre eles o Eduardo no baixo, o Stelio Zoe na bateria e o Bernardo Domingos na guitarra lead”, acrescenta.

Com uma sessão de estúdio limitada de 3 horas, a sua gravação levou quatro horas. Acredito que o artista quis atingir a perfeição que, ao meu ver, conseguiu alcançar. A primeira vez que ouvi esta música foi numa das rádios da nossa cidade em que em entrevista, o musico disse que a mesma tinha sido gravada no Brasil. Segundo o mesmo, existe no entanto, uma primeira versão que foi gravada em São Paulo na Phoenix Studios, produzida pela Jps Atistas, o que faz desta música a mais antiga do disco.

Sem mais rodeios:
Sonhador

*Photo by Songhai Pinto

Saturday, March 3, 2012

Luísa Sobral

Photo by Catarina Limão
At just 24 years old, she has one of the most highly regarded Portuguese albums of the past year. Cherry on My Cake is Luísa Sobral's debut album, and it's a joy to listen to on a sunny Saturday afternoon like this one. Luísa herself has a voice to match her bright compositions, equally comfortable singing beautiful jazz ballads in English or her native Portuguese. She first burst into the spotlight in one of Portugal's televised music competitions, before heading to the states to study at the Berklee College of Music, a short walk away from where I studied a bit further down Commonwealth Avenue.

Although the majority of the album is in English, it's been some time since I've heard a Portuguese voice singing jazz like this. I actually just read a Youtube commenter describe her as the Portuguese Billie Holiday; who am I to argue with Youtube wisdom. I remember listening to the album for the first time and being struck by O Engraxador and Xico, the latter of which is featured below. It's a jazz number that retains a very Portuguese quality about it, not much less so because of its lyrics. But my two favorite songs on the album are both in English - Don't Let Me Down and the album's runaway track, Not There Yet. I find myself returning again and again to it - click play below to hear what I mean.

Xico
Don't Let Me Down
Not There Yet

Aos 24 anos, tem um dos melhores álbums portugueses do ano. Chama-se Cherry on My Cake e é maravilhoso de se ouvir numa tarde de sábado ensolarada como esta. A voz da Luísa é a companheira ideal das suas lindas composições, sejam elas em português ou inglês. Notabilizou-se no programa Ídolos da SIC aos 16 anos e depois rumou para os States, onde estudou na Berklee College of Music, uns minutos à pé de onde eu estudei.

A maioria das músicas no álbum são cantadas em inglês, mas há um tempo que não ouvia uma voz portuguesa a cantar jazz desta maneira. Já vi comentários no Youtube a proclamar-lhe a Billie Holiday portuguesa. E quem sou eu para duvidar da sabedoria colectiva do Youtube! A primeira vez que ouvi o disco, saltou-me logo à "vista" a música Xico, e também O Engraxador, mas após mais umas audições apaixonei-me mais pelas composições em inglês, particularmente Don't Let Me Down e, para mim, a melhor música do disco: Not There Yet. Volto sempre a ela. Carregue no play acima para ouvires do que falo...

Friday, September 9, 2011

Carmen Souza is coming to North America

A não perder! // Unmissable! Check out dates below:



Thursday, August 4, 2011

Caipirinha Lounge Jazz Sessions: M Sta Li Ma Bo, by Carmen Souza

Carmen Souza, by Rigas Ritmi Festival
Some albums get better with age, and Protegid by Carmen Souza is one of them. It’s the type of album that evolves with time (or maybe it’s you that’s evolving?), where the first listen is markedly different than the fifth, or the tenth, and so on. A couple of days ago I was relaxing at home when M sta li ma bo came on; although I had listened to it before, this time it seemed changed somehow. It fit my mood and my disposition perfectly, as great music always tends to do when played at the right times. I ended up listening to the entire album again, relishing its new flavor. As Protegid’s first track, M sta li ma bo is a fitting opener to a stellar album.

M sta li ma bo

Alguns álbuns amadurecem com o tempo, e Protegid, da luso-caboverdiana Carmen Souza, é um deles. É o tipo de álbum que evolve com o tempo (ou somos nós que evoluimos?), o tipo de álbum em que a primeira audição é deveras diferente da quinta, ou da décima, e por aí em diante. Uns dias atrás estava a relaxar em casa quando da aparelhagem surgiu M sta li ma bo; já o tinha escutado antes mais desta vez algo era diferente, melhor, mais doce. Mais em sintonia com a minha disposição actual. Acabei por ouvir o álbum por completo, outra vez, deliciando-me com o seu novo sabor. Como a primeira faixa de Protegid, M sta li ma bo é a abertura certa para um álbum lindo.

Friday, July 15, 2011

Caipirinha Lounge Jazz Sessions: Blue Puzzle, by Moreira Project

Moreira Chonguiça, by Festival Jazz & Blues
This is just a little taste of the type of sound that will invade Luanda in less than two weeks. This year the Luanda International Jazz Festival will be tremendous, and Moreira Chonguiça, with his pure afro-jazz, is a big reason why. Press play on Blue Puzzle…

Blue Puzzle

Isto é só um cheirinho do tipo de som que irá invadir Luanda daqui a menos de duas semanas. Este ano o Festival de Jazz virá com força, e o grande Morerira Chonguiça, com o seu afro-jazz puro, é um dos grandes culpados. Fiquem com Blue Puzzle…

Thursday, May 19, 2011

A Sonoridade da Fotografia: Massalo Photography on Caipirinha Lounge, Vol. 2**

Era exactamente isto que tinha em mente hoje à noite. Era exactamente isto que precisava esta madrugada. O Chet Baker é um artista ímpar. E eu nem sabia o que sentir primeiro, a foto ou a canção...

This was exactly what I was in the mood for tonight. Chet Baker is something else. I didn't quite know what to experience first, the song or the photograph...

You go to my head

Link to photo on Flickr
Massalo.net
Massalo on Flickr

*Ao longo do tempo, tenho admirado cada vez mais a arte de fotografar do Massalo Araújo, não só pela qualidade mas também pelas emoções que as suas fotos provocam, e a sensualidade que elas ostentam. Adoro ainda mais a forma que o Massalo usa a música para inspirar-se - é frequente vermos uma foto com o título de alguma frase de uma música. Pedi-lhe então permissão para começar a postar o seu trabalho aqui no Caipirinha Lounge, bem como a música que a inspirou ou que serve como seu título. Estes posts serão práticamente só música e imagem...palavras ficaram para outras ocasiões! (Obs: algumas fotos terão nudez. Se bem que não acho que há crianças a ler este site. E se há, sandinga :)

*I've come to admire Massalo Araújo's photographs for the emotions they provoke and the sensuality they convey. Even more so because he is inspired by music and frequently uses that art form as the title of his photos. I've asked him permission to start posting his work on Caipirinha Lounge along with the particular song that inspired or sets the tone for a particular photograph. These posts will generally be heavy on the image and music and short on the words...we hope you enjoy them! (Note: some photos will have nudity. Not that any kids read this anyways. But if they did, oh well :)

Thursday, April 7, 2011

Retrospectiva 2010 / Best of 2010: Luanda Jazz Festival

The third edition of the most spectacular festival in all of Angola is coming up in late July of this year, but I'm still reeling from last year's exhibition. Just to make sure you (or I) weren't dreaming, we saw Randy Crawford, Joe Sample, George Benson, Freshlyground, 340ml with Conjunto Ngonguenha, Blick Bassy, among many other talented artists...pinch yourself to make sure you weren't in fact dreaming. As a flackback, here is Rio de Janeiro Blues, a song the lovely Randy Crawford sang live in Luanda.

Rio de Janeiro Blue

Vem aí a terceira edição do Luanda International Jazz Festival. Mas só para ter a certeza que nem eu, nem tu estavamos a sonhar, nós vimos a Randy Crawford, o Joe Sample, George Benson, Freshlyground, 340ml com o Conjunto Ngonguenha, Blick Bassy, entre outros grandes artistas, aqui mesmo, na nossa tão amada buála chamada Luanda, no nosso próprio Cine Atlântico. Dizem as más línguas (organizadores do Festival) que esse ano será ainda "pior". Como é possível?! Até lá, fiquem com um encore do Rio de Janeiro Blues, da grande Randy Crawford. Música esta que foi cantada em Luanda.

Tuesday, March 22, 2011

Caipirinha Lounge Jazz Sessions: Tinho Pereira

When it comes to Brazilian jazz, Tinho Pereira is the truth. Chances are you've never heard of him - I hadn't until Carl Siegel of the record label Three Chord Truth sent me some music off Tinho's debut album Hand Made - and chances are you'll instantly appreciate the rich Brazilian sound that is pulsating through Tinho's music. Based in Shanghai for the past 5 years, Tinho Pereira is a regular at popular Shanghai jazz club JZ, where he creates magic with his 6-string bass every weekend to the aural joy of the clubs patrons; Hand Made, recorded in Brazil and featuring jazz musicians from all across the world, is his first studio album and highlights his classical training with both the bass and the guitar, both of which he can be seen clutching on the album cover.

Hand Made is quite the accessible jazz album and sounds like the work of a man who loves his craft. But among its highlights are two tracks in particular, one of which has been on repeat on my stereo. I'm talking about Brazilian Groove, which sounds exactly as what its title alludes to. A joyous and upbeat number, Brazilian Groove is the album opener and its saxophone riffs are only surpassed by the way Tinho masters his bass guitar and the amount of rhythm and soul that he extracts from it. The other highlight on the album is the aptly named Shanghai My City, which coincidentally is one of the songs that the singer himself is most proud of. Perhaps because it counts with the subtle participation of his then two-month old son...

Brazilian Groove
Shanghai My City

Nunca mais ouvi jazz brasileiro feito com o mesmo entusiasmo com que o faz o Tinho Pereira. Talvez nem nunca ouviu falar dele - eu também não tinha a mais pálida ideia da sua existência até receber um email do Carl Siegel do label Three Chord Truth com algumas músicas do seu álbum de estreia Hand Made- mas tenho a certeza que apreciará instantâneamente a essência brasileira do seu jazz. O Tinho vive em Shaghai há pelo menos 5 anos e faz parte da banda que anima as sempre concorridas noites do clube de jazz JZ, deliciando os presentes com os seus dotes quase que mágicos com o seu baixo. Hand Made, gravado no Brasil e contando com a participação de 20 artistas provenientes de vários cantos do mundo, é o seu primeiro álbum à solo e destaca o nível de treino e conhecimento que o Tinho Pereira tem com o baixo e a guitarra, seus instrumentos de eleição.

Hand Made é um album accessível e parece ser obra de alguém que ama fazer música. Mas entre os seus melhores temas estão as duas músicas aqui postadas, uma das quais tenho em repeat. Falo de Brazilian Groove, a primeira música que se ouve quando se põe o CD a tocar. O título dela diz tudo, é uma música alegre e solta, em que o saxofone faz um duelo lindo com o baixo do Tinho Pereira numa espécie de concurso para ver qual dos dois instrumentos conjura mais paixão e ritmo. O outro destaque do álbum é Shanghai My City, que por acaso também é uma das músicas preferidas do próprio artista. Talvez porque conta com a participação súbtil do seu filho que na altura tinha dois meses...

Tinho Pereira on Facebook
Hand Made on Amazon
Tinho Pereira's official website

Sunday, February 27, 2011

Caipirinha Lounge Jazz Sessions: El Último Trago, by Concha Buika

Concha Buika, by sally-rose
Late at night, when I'm in the mood for something slow and jazzy, something mesmerizing and sophisticated, I put on a Concha Buika record. Aside from the fact that I'm infatuated by her raw sensuality and fervor, I do think she's an immensely talented artist and a phenomenal musician. Everytime I hear her voice it's like hearing it again for the first time...you never get fully used to its distinctive sultry aroma, its depth, or its range. Buika has been featured on the Lounge before, but it's her latest album, El Último Trago, that's been haunting me as of late. It's a tribute to the famous Mexican ranchera singer Chavela Vargas, and contains numerous hits of hers. The renditions are done in an intriguing mix of Buika's favorite genres, including flamenco, soul, and of course, jazz.

Buika recorded this album in Cuba, and its influence is notable, especially because of Chucho Valdés presence. The afro-cuban jazz maestro accompanied Buika on the album, and his are the hands creating the exquisite piano melodies heard on El Último Trago. Included in this post are three beautiful songs by Chavela Vargas as sung by Concha Buika. The first, Cruz de Olvido, is a testament to Vargas' poetry, Valdés' piano skills and Buika's voice; Se me Hizo Facil is a similar track but with a slower tempo. Lastly there is Luz de Luna, a much jazzier track complete with a backing horn section.

Cruz de Olvido
Se me Hizo Facil
Luz de Luna

De madrugada, quando quero ouvir algo lento e agradável, jazzy, sofisticado e incomum de preferência, ponho na aparelhagem um álbum da Concha Buika. Continuo enfeitiçado pela sua sensualidade intensa e o seu fervor artístico, e a considero uma artista verdadeiramente talentosa. Criadora de melodias apaixonantes. Sempre que oiço a sua voz, é como se fosse a primeira vez...nunca me habituei ao seu aroma distinto, á sua subtileza, ao seu alcance. A Buika já foi perfilada aqui no Lounge várias vezes, mas é do seu último álbum, El Último Trago, sobre o qual quero falar hoje. É uma homenagem à cantora mexicana Chavela Vargas, e contém diversos éxitos da mesma, feitos a la Concha Buika, ou seja, numa mistura de flamenco, soul, e, claro, jazz.

A Buika gravou este álbum em Cuba, o que ofereceu ao disco uma influência notável do maestro afro-cubano de jazz, o Chucho Valdés. Ao dançarem por cima das teclas do piano, os seus dedos acompanharam lindamente a voz da Buika no El Último Trago. Incluídas neste post estão três canções da Chavela Vargas reinterpretadas pela Buika. A primeira, Cruz de Olvido, é um testamento à poesía da Vargas, as habilidades "pianísticas" do Chucho Valdés, e a voz da Buika; Se Me Hizo Facil é uma faixa parecida mas um pouco mais lenta. Por último temos Luz de Lunda, uma faixa muito mais jazzy e viva. 


El Último Trago on Amazon

Saturday, February 12, 2011

Caipirinha Lounge Jazz Sessions: Sara Serpa

After such tumultuous day like today, spent glued in front of BBC and CNN where the only music on offer were the chants of the valiant Egyptian demonstrators in Tahrir Square, nothing like pure, late night jazz to help cap a historic day and take your mind off things for a bit. My aural elixir of choice tonight is Sara Serpa, a stunning Portuguese jazz musician introduced to me by Mr. Philip Graham. You would probably not even know she is Portuguese as her style of singing jazz is usually devoid of words; rather, she uses her voice as an instrument, improvising just like the bassist of a jazz ensemble or even the saxophonist. The song Praia, off her 2008 album of the same name, is an exceptional example of that. But she can also sing using actual words, and when she does, the effect is beautiful, as exemplified on her duet with Greg Osby's saxophone, Two of One. The great American saxophonist invited Sara to feature in his latest project, the 9 Levels album. What a lovely find and what a session to end the day with.

Praia
Two of One

Depois de um dia tão cheio de emoção como foi o dia de hoje, um dia em que fiquei colado á BBC e á CNN a querer saber tudo e mais um pouco sobre os acontecimentos do Cairo e onde a única música ao meu dispor eram os cânticos dos corajosos demonstradores na Praça de Tahrir, nada melhor que um bom jazz para me fazer esquecer um pouco o presente. O elixir auricular que escolhi esta noite foram as músicas da Sara Serpa, cantora sobre a qual só conheci a pouco tempo por intermédio do Sr. Philip Graham. Nem sequer saberia que ela é portuguesa porque o seu estilo de cantar o jazz não é com palavras, mas sim com a arte do improviso. Ela usa a sua voz como se fosse um instrumento, tal como o baixista ou o saxofonista faz da improvisação a sua letra num jazz bem feito. A música Praia, acima, é um bom exemplo disso. Mas quando lhe dá para usar palavras, também o faz, e com belo efeito. Basta ouvir o seu dueto com o saxofone do Greg Osby, Two of One. Este grande saxofonista americano convidou a Sara para participar no seu projecto '9 Levels'. Que cantora, que voz. E que sessão de jazz para terminar um dia como este.

Sara Serpa's Official Website
Praia on Amazon
Sara Serpa on Facebook

Monday, January 10, 2011

Caipirinha Lounge Jazz Sessions: John Coltrane vs. The Jazz Renegades

Welcome to Jazz Sessions, a new series here at the Lounge where I get to share with you my growing fondness for jazz music. I've been listening to a lot of it here in Luanda recently thanks to my cousin Leo's burgeoning collection, as well as my uncle Antonio's equally burgeoning vaults replete with the finest jazz around. I guess it's not an accident that he's known as Mr. Jazz around these parts. Last night I managed to snag four jazz albums from him, the songs of which I'll share with you over the coming weeks. But what I want to share with you today comes from my cousin Leo's collection, along with another song from my own archives. Leo is a big fan of John Coltrane and it's hard not to be: he is only the greatest jazz musician to ever live. Read about him when you get the chance.

A couple of nights ago as we were driving out of Luanda in the direction of Luanda Sul along an empty Rocha Pinto road in the dead of night, he put on John Coltrane's album Traneing In, on Prestige Records, and to date it's been the best 40 minutes of jazz I've heard in my life. I'm a beginner in this but nonetheless I was transfixed. There were three of us in the car, including my brother, and I don't think any of us said a complete sentence while the album played. If this doesn't make you appreciate the quality of jazz music, I doubt anything will. My favorite track on Traneing In is the one featured here, Slow Dance.

The other jazz number I want to share with you comes from a more familiar source if you've been listening to this site for awhile: Thievery Corporation's compilation album Sounds From the Verve Hi-Fi release. It's titled Do It the Hard Way and is performed by the Jazz Renegades. I first heard it back in September 2010 in DC and had been waiting for the right opportunity to share it with you...this is it.

Slow Dance
Do it the Hard Way

Bem-vindos ao Jazz Sessions, uma nova série do Lounge onde eu posso dar asas à minha crescente fascinação por este género de música. Tenho ouvido muito jazz aqui em Luanda nos últimos tempos porque o tenho perto de mim em grandes quantidades: tanto o meu primo Leo como o meu tio António (aka Mr. Jazz, como foi chamado na revista Vida) têm colecções extensas daquele jazz do bom mesmo. Ontém à noite fui à casa dele e consegui sair de lá com quatro CDs de jazz, cujas músicas partilharei com vocês nas próximas semanas. As que quero partilhar com vocês hoje vêm dos cofres do primo Leo e também dos meus. O primo é um grande fã do John Coltrane, e é mesmo díficil não ser: pra mim ele é o melhor músico de jazz que alguma vez pisou o nosso planeta. Leiam sobre ele quando tiverem tempo.

Umas noites átras estavamos a regressar de Luanda para o Nova Vida, de madrugada, num Rocha Pinto isento de carros que até parecia uma pista. Estavamos três, eu, o Leo e o meu puto Joel. O Leo põe John Coltrane no stéreo, mas concretamente o seu album Traneing In, do Prestige Records, e para mim foram os melhores 40 minutos de jazz que já ouvi na minha vida. Acho que durante este período nem 10 palavras foram ditas pelos passageiros do carro. Sou iniciante nestas andanças mas acho que já dá para determinar, para sentir, jazz do bom. A minha faixa preferida em Traneing In é Slow Dance, e se ela não te faz gostar de jazz, então nada vai.

O outro jazz que queria partilhar com vocês é de uma fonte que já foi postada aqui diversas vezes. Falo dos Thievery Corporation: encontrei Do It The Hard Way numa compilação feita por eles chamada Sounds From the Verve Hi-Fi, e foi composta pelos Jazz Renegades. A primeira vez que a ouvi foi em Setembro 2010, em Washington, e estava à espera do momento certo para a partilhar. Eis o momento. 

*saxophone artwork: Jazz del Mar

Wednesday, September 29, 2010

Jazzmática

Their name gives us a clue of the type of sound they create: Jazzmática combines elements of jazz and hip-hop, but also dabbles in a diverse array of styles, such as neo-soul, nu-jazz, funk, bossa nova, reggae, afro-jazz and others. They're another example of Angola's thriving alternative music scene and might even remind you a bit of Afrologia. Their frontman, Helder Faradai, likes to refer to his band as "a matemática do jazz", or "the mathematics of jazz", which is where the band name comes from. Jazzmática has been around since 1999, slowly honing their sound and battling the many difficulties that come with creating music in Angola. They've been playing live here and there, appearing in Espaço Bahia, being featured in mixtapes and compilations, but thankfully their EP is due out later this year. A visit to their Myspace and their Soundcloud will give you a fresh taste of their music; my favorite song of theirs, Apenas Sei, features Rossana Rapozo and has a certain A Tribe Called Quest vibe to it.


Apenas Sei

O nome da banda já nos dá uma ideia do tipo de música que ela toca. Jazzmática é uma banda experimental que funde elementos de jazz e hip-hop, mas que também adiciona outros ritmos e estilos ao seu cocktail sonoro, tais como neo-soul, nu-jazz, funk, bossa nova, reggae, afro-jazz, enfim, misturar a música é uma coisa bela. São mais um exemplo da música 'alternativa' que se faz em Angola, a música que vale alguma coisa, aquele tipo de música que é feito com dedicação, suor, e amor. Talvez até te façam lembrar dos Afrologia. Diz-nos um dos membros da banda, o Helder Faradai, que o seu som é uma fusão de "jazz e matemática", daí o nome. Diz-me também o Helder que já existem desde 1999 mas que por vários motivos alheios ao seu control ainda não puderam lançar o tão esperado album; o mesmo deve saír ainda antes do fim do ano. Mas pelo menos conseguiram espalhar a sua música, a sua arte, por aqui e acolá, fazendo parte de mixtapes,  cantando com outros músicos, dando concertos no Espaço Bahia. Recomendo vivamente uma visita ao seu Myspace e Soundcloud para se ouvir mais sonoridades jazzmáticas, e aqui no Lounge deixo-vos com Apenas Sei com a participação da Rossana Rapozo, a minha música preferida deles. É tipo A Tribe Called Quest, versão angolana.

Tuesday, September 14, 2010

'Brazilian' Sounds From The Verve Hi-Fi

Sounds from the verve hi-fiSounds From The Verve Hi-Fi is a compilation album by DC DJ duo Eric Hilton and Rob Garza of Thievery Corporation fame. As with anything that Thievery ever touches, it's a fine piece of work and highlights some of the best Brazilian/Latin numbers from the legendary Verve Records vaults, which are teeming with quintessential, classic jazz music and the like. Verve was responsible for bringing bossa nova to the United States, with such records as the mythical Getz/Gilberto and Jazz Samba, the album that first gave America a taste of the sultry bossa genre. In effect, Verve is responsible for the bossa nova craze that sweeped America during the 60s and beyond. It was also responsible for introducing a certain Astrud Gilberto to the American public.

Included below for your aural enjoyment are two fairly rare jazz beauties. The first is an Astrud Gilberto cover of The Doors classic, Light My Fire. Hearing it sung evocatively by Miss Gilberto's beautifully smoky voice is as stunningly sexy as music gets. Menina Flor by Stan Getz and Luiz Bonfa is another amazing track, and its saxophone lazily caressing the soft bossa nova beat gets me every single time. Press play and enjoy the beauty of when jazz first met samba and created bossa nova.

Light My Fire
Menina Flor

Sounds From The Verve Hi-Fi é uma compilação feita pelo duo Eric Hilton e Rob Garza, os DJs que constituem a dupla dos Thievery Corporation. Como sempre, tudo que os Thievery fazem vira ouro, e esta compilação não é excepção. A compilação destaca as melhores músicas brasileiras da já lendária label de jazz americano, a mítica Verve Records. Foi a Verve Records que trouxe a bossa nova para os Estados Unidos, por intermédio de dois albuns importantíssimos na divulgação da bossa nova pelo mundo: Getz/Gilberto e Jazz Samba, os dois lançados no ínicio dos anos 60. É a verve a responsável pela forma como a bossa nova foi aceite pelo público americano, que naquela época não queria outra coisa e que até hoje conhece profundamente a clássica canção The Girl From Ipanema. E foi assim que os americanos primeiro ficaram a saber e depois se apaixonaram por uma tal de Astrud Gilbero.

Para fazer os seus tímpanos chorar de emoção, basta clicar nas duas músicas destacadas acima. A primeira é um cover da famosa canção dos The Doors, Light My Fire, cantado pela Astrud Gilberto de uma forma sensual e ofegante. Ás vezes penso que música mais sensual que esta, voz mais ofegante que a dela, não existe. Menina Flor é a segunda, composta por Stan Getz e Luiz Bonfa. A maneira que o saxophone acaricia esta bossa é difícil de digerir. Carregue no play e aprecie a beleza do momento em que o jazz seduziu a samba e criou a bossa nova.

Sounds From The Verve Hi-Hi on Amazon

Saturday, August 7, 2010

Luanda International Jazz Festival 2010: O Rescaldo (III)

Luanda International Jazz Festival 2010Encontro-me ainda ressacado de tanto jazz de qualidade.

Overdosed on jazz.

Desde o fecho da segunda edição deste Festival, tenho estado a viajar pela minha memória, revisitando as actuações, relembrando as músicas, tentando reviver as emoções. Qual delas a mais marcante? Qual o momento mais delicioso nestes três dias inesquecíveis? Abaixo está a minha eleição dos melhores momentos do Luanda International Jazz Festival.

I'm still hungover from so much quality jazz.

Overdosed on Jazz.

Since the end of this second edition of the Luanda Jazz Fest, I've been reminiscing on those three magnificent days, going over memories, dwelling on songs, trying to relive the emotions. Which performance was the most riveting? Which experience was the most memorable? Below are what I think were the best experiences of the Luanda International Jazz Festival
.

Sexta Feira / Friday:

Tuku

Houveram dois momentos memorávies da noite de quinta-feira. A primeira foi ver a actuação do Oliver Mtukudzi. Era um artista que mal conhecia, mas agora tornei-me adepto ferrenho e basta ele estar a menos que 300km de mim que eu vou lá o ver. Já estive a pesquisar as suas próximas actuações lá nos States, para quando regressar. O concerto dele começou calmo e perante um público ainda meio-adormecido. Mas ao longo do tempo foi conquistando mais e mais fãs, sentia-se! O público começou a comparecer em massa e a sala ia enchendo rápidamente. Então quando o Tuku e a sua banda deram o verdadeiro ar da sua graça e começaram a dançar...! A sua energia em palco, a sua dedicação e a sua vontade de fazer-nos rir, pular, vibrar, enfim, foi um dos pontos altos não só da sua actuação mas dos três dias do Festival.

Chengetai

340ml feat. Conjunto Ngonguenha
Foi um dos pontos altos da noite ver o Conjunto e os 340ml no mesmo palco, a tocarem juntos como se já tocassem juntos há muito tempo. A sua actuação em 'conjunto' apanhou todo mundo de surpresa mas mesmo assim pós toda gente a dançar. Se pouco daquele pessoal sabia quem eram os do Conjunto, depois daquele mini-concerto que soube à pouco muita gente passou a conhecê-los.
340ml & Conjunto Ngonguenha

Sábado / Saturday
George Benson
Sém dúvidas, a noite de sábado foi do George Benson. Tudo o que tinha de dizer acerca daquela grande noite, foi dito aqui.

Breezin'

Domingo / Sunday

Randy Crawford
Deslumbrate e feliz, a Randy Crawford foi a senhora de domingo à noite. Visivelmente emocionada de tanto carinho que recebia da plateia, ela e o seu conterrâneo Joe Sample brindaram-nos com um jazz suave e fascinante, ela com a sua voz incrível de outro mundo, e ele no piano que trata por tu. Vê-se que tocam juntos a décadas. Entre as canções intrepertadas pela Randy Crawford destacam-se 'Rio de Janeiro Blue' e a sempre deliciosa 'Feeling Good'.

Feeling Good

-340ml/Conjunto Ngonguenha photo by Massalo

Thursday, August 5, 2010

Lizz Wright vs. Randy Crawford

Lizz WrightOne of the curiosities of Luanda's recent Jazz Festival was that the slot following Waldemar Bastos' performance on Sunday suffered not one but two alterations. At first the organizers had counted on Diane Reeves, but she had to cancel due to a scheduling conflict. The next option was Lizz Wright, but she too had to cancel at the last minute due to exhaustion. Thankfully Randy Crawford and Joe Sample were readily available to make the long trip from LA to Luanda and perform at the Festival. But that was after I had fallen in love with Lizz Wright's voice. I'd gotten all into her vibe, her musicality, her way of singing jazz. I couldn't wait to see her live, int the flesh. While at first I was disappointed that she wouldn't be taking part, once I got seduced by Randy Crawford's crooning, my consternation was appeased. They are both phenomenal singers and Luanda was truly blessed to have one of them here. But is it even fair to compare the two? Probably not. But we will do it anyway. Which voice is sweeter, which jazz is more seducing? Below, Lizz Wright vs. Randy Crawford.

Lizz Wright
Hit the Ground
I'm Confessin'

Randy Crawford
Rio de Janeiro Blue
See Line Woman

Randy CrawfordUma das curiosidades do recém terminado Festival de Jazz de Luanda foi que o lugar a seguir ao do Waldemar Bastos esteve nas mãos de três pessoas diferentes. Primeiro foi da Diane Reeves, que depois acabou por cancerlar a sua performance devido à conflictos de programação. A organização decidiu então contratar a Lizz Wright, mas a mesma teve que cancelar no último minuto porque estava exausta. Mesmo à tempo e à tangente, a Randy Crawford e o Joe Sample decidiram colmatar este vazio e meteram-se logo no avião para fazer a longa viagem desde LA para Luanda. Mas isto foi depois de eu ter me apaixonado pela voz magnífica da Lizz Wright. Ela entrou na minha mente, musicalmente. O seu jazz seduziu-me, e por dias no escritório já não se tocava outra coisa. Quando foi anunciado o nome da Randy Crawford não restava alternativa senão ambientar-me as músicas dela...e que músicas. Rápidamente, a desilusão de não ver a Lizz tornou-se na ansiedade de ver e ouvir a Randy. As duas são cantoras impressionantes e Luanda pode sentir-se orgulhosa e abençoada por ter cá uma das duas. Mas será justo comparar as duas? Talvez não. Mas vamos o fazer na mesma. Qual a voz mais sedutora, qual o jazz mais lindo? Acima, Lizz Wright vs. Randy Crawford.

-Lizz Wright Photo by hansspeekenbrink
-Randy Crawford Photo by Heidi Zech Photography

Wednesday, July 14, 2010

Luciana Oliveira

She used to do back-up vocals for the Brazilian roots reggae band Natiruts, but it's hard to keep such a voice and such vitality asunder for long. Although she still collaborates with Natiruts, Luciana Oliveira, the diva from Brasília, has since embarked on a blossoming solo career that saw the 2008 release of her eponymous album. I learned about it through Keita Mayanda's Song of the Day Facebook posts, which has turned into something of an habit for me. Luciana Oliveira's album is an enticing, at times high-energy and other times sensual blend of MPB, jazz, soul, and electronica.

But perhaps the most interesting aspect of the album is how Afro-centric it is. Of the three songs featured here, Danda Luanda and O Verde do Mar de Angola (featuring the Cape Verdean Jair Dupret) deal especifically with my country of birth and have a rhythm and attitude that you only find in roots Angolan music. Brasília meets Luanda. Luciana has said that the music of her African ancestors is a big part of who she is and directly influences her music. Listen to the album and you will feel its African verve. The third song featured here, Pra Quem se Sabe, is a throwback to her Natiruts era, as it incorporates some always welcome roots reggae. Read more about Luciana here (in Portuguese).

Danda Luanda
O Verde do Mar de Angola
Pra Quem se Sabe

Costumava fazer back-up vocals para a banda de roots reggae brasileira Natiruts, mas é díficil manter uma voz dessas, uma vitalidade desse gênero, sempre em back-up. Enquanto que ainda colabora com os Natiruts, a Luciana Oliveira, natural de Brasília, decidium embarcar numa carreira à solo que não para de florescer, e em 2008 viu o lançamento do seu álbum epônimo. Soube dela através dos posts no Facebook do Keita Mayanda, 'Música do Dia" , o que tem se tornado hábito. O disco da Luciana é captivante, por vezes energético e por vezes sensual, misturando o MPB, jazz, soul e electronica.

Mas sem dúvida a faceta mais interessante do álbum, pelo menos para nós angolanos e para os amantes de música afro, é quão afrocentrico o álbum chega a ser. Das três músicas postadas aqui, Danda Luanda e O Verde do Mar de Angola (com participação do caboverdeano Jair Dupret) falam de localidades da minha terra e têm aquele ritmo e irreverência que só se encontra em múscia angola. Brasília, apresento-te Luanda. A Luciana tem dito que a música e a cultura dos seus ancestrais é e sempre será uma inspiração pra si e para a sua música. Basta ouvir o álbum para perceber e sentir a sua africanidade. A terceira música destacada aqui faz nos lembrar os clássicos dos Natiruts, com o reggae roots que incorpora. Leia mais acerca da Luciana aqui.


Luciana Oliveira on Myspace
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