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Wednesday, April 8, 2015

CFKappa: Redireccionando Influências


Enquanto escrevo estas linhas tenho nos headphones a música "Diário de um Rapper", do CFKappa (Cláudio Fernando Kiala), que pode ser encontrada no primeiro post que escrevi sobre ele, em 2009. Ou seja, há seis anos que oiço os raps do meu chará. Em 2010 o Cláudio concedeu uma entrevista algo extensa a este mesmo portal, tendo dito na altura, "tenho fé no futuro de Angola por saber que farei parte dele."

E tinha razão.

Homem de vários talentos e possuidor de um empreendedorismo nato, o que mais me impressiona no Kappa é que mesmo com tudo que ele faz, ainda teve tempo de sobra para aperfeiçoar e amadurecer o seu rap sem nunca perder a essência e sonoridade particular que o caracteriza. Há continuidade na sua trajectória. Oiço agora "Graduação" e noto aí a matriz da identidade sonora que ouvimos ao longo do seu mais recente trabalho, Redireccionando Influências, o melhor conjunto de músicas que o CFKappa já lançou até hoje. É um álbum que demanda ser ouvido para se poder compreender a evolução do rap angolano por intermédio de um dos seus mais novos intérpretes, alguém que ainda está na sua década dos 20 mas que já carrega nas costas um legado notável.

É impossível falar das músicas do CFKappa sem mencionar o que lhe dá a sua essência: os dotes de produção do Kennedy. Aliás, toda label Cérebro Records é responsável pela sonoridade única (e o sucesso) dos sons do Cláudio. Este não é um rap necessariamente agressivo, nem monótono, mas sim um rap que carrega consigo das mais diversas influências musicas, principalmente o jazz e a chamada "música negra". Oiçam, por exemplo, o som "Conglomerado". É um dos meus preferidos no álbum, precisamente pela sonoridade jazzy e leve, a descontração, e, claro, o conteúdo: um "shout-out" do autor à sua label. Três minutos e onze segundos é o suficiente para se ter noção do caracter deste álbum e do cantor em si.

Outra pérola aqui é o "Mantém-te em Movimento", a última faixa do disco e uma maneira bastante positiva de o terminar. Aprecio a mensagem; este é o meu brinde de eleição logo de manhã, enquanto me preparo. Enfrenta-se melhor o hustle com este som nos ouvidos.

Mas a pedrada que mais me surpreendeu no Redireccionando Influências foi o Ewéee. Simplesmente não conhecia esta faceta do Kappa. Este som é material bélico, arma de destruição massiva e de longe o mais agressivo da carreira do jovem. O trabalho do DJ Ritchelly aqui também não é de bem. Este mambo ficou no repeat durante tempo considerável enquanto desconstruía cada estrofe deste assassinato lírico.

"Sou tão cabeça na lua que hoje rimo com asteróides
A psicoanálise não previu a minha mente
'Warido' Freud..." 

Inserir aqui aquele emoji de olhos esbugalhados. E tem mais dessas, em cada estrofe, em diversas linhas. A prova de que o CFKappa não é só rap manso, "bolo-leite" como o próprio diz. 

Para meros ouvintes como eu, é sempre gratificante acompanhar a ascenção, e amadurecimento, de um dos rappers mais promissores do meu país. Redireccionando Influências é o cimentar do CFKappa no actual panorama musical angolano.

Conglomerado
Mantém-te em Movimento
Ewéee

Redireccionando Influências on Bandcamp


As I write these lines I'm listening to CFKappa (Cláudio Fernando Kiala's) "Diário de um Rapper" on my headphones, from the first ever post I wrote about him back in 2009. Which means I've been listening to Kappa's raps for six years. In 2010 he was interviewed at length on this blog, where he memorably said "I have faith in Angola's future because I know I'll be a part of it."

How right he was.

Multi-faceted, multi-skilled and a natural entrepreneur, what most impresses me about Kappa is the fact that through it all he's been able to mature, nurture and perfect his rap without ever losing sight of its essence and its rather unique sound. You can recognize a CFKappa joint and there's continuity in his craft. I'm listening to Graduação now and it possesses the same type of sound heard throughout Kappa's newest album, Redireccionando Influências. It's the best collection of songs that he's ever put out. It demands to be heard, if anything because it will help you understand and evaluate Angolan rap's evolution through the verses of one of its youngest rappers, a man still in his twenties but already boasting an impressive resumé.

It's impossible to talk about CFKappa's work without acknowledging that which makes it what it is: Kennedy's production value. In fact, the entire Cérebro Records label is responsible for the unique sound (and success) of Cláudio's raps. It's not necessary an agressive brand of rap, or the monotonous, predictable beats prevalent in the global market, but rather a rap that is obviously influenced by jazz, soul, and other forms of "black music". Listen to Conglomerado, for example. It's one of my favorite on the album precisely because of its laid-back, jazzy, easy sound, and because it's a humorous ode to his label. Three minutes and eleven seconds is enough for it to make his mark and give you a taste of what this artist and his album are about.

Another highlight here is "Mantém-te em Movimento", the last track on the album. It signs off on a high note and has a positive, uplifting, motivational message. I like to listen to it in the morning before my daily grind; it helps me hustle.

But the album's standout, and the track that most surprised me, was Ewéee. I simply didn't know this side of CFKappa. He's on top of his game on this one, showcasing agressive and intricate vocals doused in double-meanings and clever wordplay; it's deliciously brutal. I had it on repeat for quite awhile in order to deconstruct every single verse, attack, pun and diss. It's Kappa's way of saying that he's not all soul beats and jazz influences - he can be vicious when he wants to be.

For mere listeners like myself, it's always gratifying to witness the ascension of one of my country's most promising rappers. It's been a pleasure to watch him mature. With Redireccionando Influências he has firmly staked his place in Angola's current musical space.

Monday, July 14, 2014

O Melhor Presente


Sou muito propenso a viciar-me em músicas. Sou capaz de ouvir a mesma música vezes sem conta durante um determinado período de tempo. Tenho a certeza que não sou o único. A mais recente vítima do meu vício musical foi a faixa ‘O Melhor Presente’ dum álbum especial sobre o qual eu já devia ter partilhado aqui há muito mais tempo.

Das melhores partes de ter voltado para Luanda é poder ter acesso rápido à música que se faz aqui. Se antes só me comunicava com os meus cantores preferidos por email, hoje já é possível beber um fino com eles algures na nossa capital e falar dos seus mais recentes trabalhos discográficos. Foi assim que soube que alguns dos meus rappers preferidos, incluindo o Keita Mayanda, Leonardo Wawuti, Verbal e Damani Van-Dunem, juntaram-se para criar um EP de poucas faixas e muitas rimas. Na época natalícia de 2013 este quarteto lançou o álbum Boas Festah. Os detalhes:

“A ideia surgiu à mesa no almoço de aniversário do Verbal.  ‘Que tal gravarmos um EP para lançar antes do ano terminar?’ O cepticismo inicial rapidamente transformou-se em entusiasmo e na última semana de dezembro Leonardo Wawuti, Damani Van Dunem, Verbal e Keita Mayanda, no meio de toda a azáfama do final do ano gravaram o EP intitulado “Bhoas Festah” inspirado no espírito festivo dessa época e dedicado a todos quanto acompanham a vida artística dos quatro rappers, um presente portanto. O EP contém 7 faixas, sendo uma Intro, um Interlúdio, um Outro e 4 faixas musicais. Foi inteiramente produzido por Brother Kev, produtor angolano quase retirado da cena musical e irmão do Verbal. “Bhoas Festah” foi concebido para ser leve e dinâmico, com versos pequenos e temas leves, a única participação vocal extra é a do rapper Nick, na faixa “O Melhor Presente”. Todos os temas foram escritos em estúdio e gravados logo de seguida, durante 3 noites.”

O Melhor Presente devia é ser mais longo. Disse o mesmo ao Keita, que respondeu com uma gargalhada. A música dura somente 2 minutos e 2 segundos mas quando acaba, o ouvinte pede mais. O trabalho de produção do Brother Kev é excelente – quem dera que ele fosse mais activo. Aquele saxofone…

O que mais gosto no Melhor Presente é a letra. Mais uma vez o quarteto dá provas do seu liricismo, desde os “Jordans no armário” do Leo ao último verso do brinde:

O que eu quero não cabe debaixo de uma árvore
E o Pai Natal não consegue trazer via chaminé
Também não é uma mansão revistida em mármore
Ou acordar num Bugatti só para seguir o cliché
O melhor presente um dia até já persegui
Vaguiei por desejos meus até que um dia percebi
Que o tenho desde tenra idade
Uma rica família e…felicidade.

Bem haja.

O Melhor Presente


Wednesday, June 11, 2014

Tanto Tempo, by Orelha Negra feat. Dino, Tamin, e Filipe Gonçalves


Por Songay Pinto

Contrabaixo…"que faz o tempo/ pra ter tanto tempo/ pra dar azas a imaginação!"... digito no meu teclado algumas frases como se de um instrumento musical se tratasse, e, a cada tecla que namoro, sinto esta peça dos Deuses correr as minhas veias assim como sentia Whitney, Kobain, Hendrix e tantos outros. O que vocês estão a ouvir é algo que ilumina as vossas mentes assim do nada. Paixão com leveza…precisam experimentar, ouvir, curtir, re..(suspiro)..laxaaar. Não existem palavras que expliquem a maravilha que sai do vosso pedaço de plásticos, ímans, fios e sei la mais o quê.

Essa é daquelas sonoridades que faz o ambulante, apaixonado pela música...… "vem me buscar, leva-me pra junto de ti/ faz-me acreditar/ que é bom ter-te perto de mim"…Ai ai ai DINO, me surpreendes! Mais uma vez o contrabaixo, amigos! Prendam-se a um instrumento assim como eu me prendo a melodia da minha grande paixão TAMIN… amor… o… que… é…. de… ti…Os instrumentos conversam entre si, e ela suavemente se apresenta... como se o vento e o pássaro, num enredo ao estilo Disney, estivessem a sussurrar! E nada sai de sintonia, é so nos deixarmo levar. Incrível a voz desta Mona Lisa, paixão de todos os rappers, músicos e compositores. Muitos a querem ter, poucos com capacidade chegam com carroceria de fraca qualidade.

Incrível ainda, é esta musica feita em português e por portugueses. Se ela tocasse todos os dias em frequências comerciais, não iria mesmo me fartar, porque é divino! E foi preciso deixa-la em repeat e na companhia de pessoas certas para eu poder sentir de verdade o que sinto por esta música.

Tanto Tempo


Sunday, May 11, 2014

Mercado Negro, by 7Xagas


Por Songay Pinto
Foto por Coca o FSM

Zigui Za, za za za.... Existe um álbum e um artista esquecidos no mercado do rap angolano. O trabalho deste artista foi nada explorado por todos nós, ao meu ver. Talvez seja porque na altura em que o mesmo foi lançado (independentemente), o músico se encontrava dividido entre Angola e Portugal.

Para mim, 7 Xagas é um músico de referência, no estilo de que falo, se continuasse a nos oferecer ’N' projectos seus, iria fazer muita gente feliz. Digo isto porque o mesmo não se limita em fazer rap. No seu disco, notamos uma série de influências musicais, e concluindo, o rapaz faz música como alimento Pr'Alma.

Pela primeira vez retiro da sua tela, a faixa com o título de Mercado Negro. Música esta que retrata um pouco a vida das nossas Zungueiras.

Outra vez?!!! - perguntam vocês - ... A verdade é que estamos à semanas a ouvir, naquelas ondas modulares, diálogos, contradições e mal entendidos, sobre a situação dos nossos ambulantes que deambulam (vagueam) pelas artérias da nossa cidade. Uma situação de difícil resolução, tendo em vista que a mesma não passa em apenas proibir e "fiscalizar" (correr com elas, e espancar) os mesmos, nem, porém, construir mercados num qualquer areal atirado naquelas estradas onde eu, como cidadão, igual a todos os outros, apenas faço uso quando pretendo fazer viagem para uma das províncias. Falo-vos por exemplo do Roque Santeiro.

E é disto que esta música nos fala, as dificuldades, a correria, o movimento e encontrões com que todos nós nos deparamos.

Aqui, 7Xagas consegue criar na nossa mente, uma sequência de imagens que formam uma envolvente quase real que faz-nos sentir a deambular também pelas ruas, por alguns instantes. Um autêntico EBAY, tudo se encontra e tudo é encontrado, é incrivelmente engraçado para quem pela primeira vez se confronta com este cenário, logo a saída do 4 de Fevereiro...

Não iria admirar se algum dia me vendessem uma casa do kilamba no nosso Mercado Negro...

Mercado Negro


Sunday, May 12, 2013

Música de Intervenção Rápida (MIR), by Azagaia


It's frequently said that Angola and Mozambique have similar political and social realities. We both had socialist regimes, we both suffered a debilitating civil war, and we both have issues when dealing with the basic tenants of a democratic state, such as freedom of expression, freedom of assembly and human rights. This is precisely the topic of Azagaia's first single since signing for Kongoloti Records:
“MIR - Música de Intervenção Rápida” (Rapid Intervention Music) is the song Azagaia wrote after the last demonstration of the veterans of war that was brutally ended by the mozambican police. The Minister of Justice responded saying that sometimes the Human Rights can be violated to protect “higher interests”.​
As always, Azagaia's delivery is energetic and blistering - the man always seems to be on form. Check out the video below:


Música de Intervenção Rápida

Que Angola e Moçambique têm realidades políticas e sociais paralelas já foi dito muitas vezes. Ambos tivemos regimes socialistas, ambos sofremos uma guerra civil debilitante e ambos temos problemas graves no que toca aos valores básicos de uma democracia, como liberdade de expressão, o direito a manifestação e os direitos humanos. Este é precisamente o tópico deste single do Azagaia, o primeiro desde que ele assinou pela Kongoloti Records. Como sempre, o mano Azagaia está em grande forma. Contunde, irreverente e sempre relevante. Nas palavras da Kongoloti:
Música de Intervenção Rápida” é o novo single do Azagaia, escrito logo após a última manifestação dos ex-combatentes de guerra que foi brutalmente interrompida pela polícia moçambicana. A Ministra da Justiça respondeu dizendo que em algumas situações os Direitos Humanos podem ser soprepostos por “interesses mais altos”.

Friday, May 10, 2013

Dar e Receber, by Faradai feat. Gonçalo Clington


Dar e Receber is Helder Faradai's first single since signing for Kongoloti Records and features Angolan musician Gonçalo Clington. It has that polished, high quality production quality we've come to expect from Faradai and Jazzmática, but this one is a little sparser in its arrangements.

I'll let Helder explain his inspiration in his own words:
I was inspired by that show on Angolan FM stereo called...''Canta Angola'', where they played many sounds exulting our Angolan culture, in the musicality that is this country. This is a tribute to our elders, who took the Angolan music to another level, with distinction and success overseas, and to the younger generation gaining pace, showing that they too can do it and are willing to pursue the path and the heritage that is far from its end, for it´s emotion is found on the pursuit. To Liceu Vieira Dias, O cota Elias, Os irmãos Kafala Urbano de Castro, Os irmãos mingas, Teta Lando, Vum Vum Kamussadi, Carlos Lopes, Filipe Mukenga, Filipe Zau, David Zé and many others equally relevant.

Dar e Receber é o nome do primeiro single do Faradai desde que ele assinou pela Kongoloti Records. Conta com a participação do músico angolano Gonçalo Clington. Conta com aquela qualidade de produção que o mano Faradai já nos habituou, principalmente com a Jazzmática. Os vocals do brada Gonçalo Clington dão uma dimensão interssante ao brinde. Deixo o Helder explicar-se:
O contexto desse som inspirei-me naquela rubrica que passa sempre ao meio dia na FM stéreo entitulada ''Canta Angola'' em que passam imensos sons exultando a nossa cultura angolana na musicalidade que compõe esse país pelo que eu criei uma espécie de tributo aos nossos cotas que elevaram a outro patamar com distinção a musicalidade angolana além fronteiras e a nova geração que vem com dando passos mostrando que apesar das sementes firmes que os nossos mais velhos fizeram crescer os alicerces ao seu jeito tb vão mostrando como podem o caminho a herança e a vontade de continuar o legado que mal esta no fim da sua jornada pois a sua emoção encontra-se no seu decorrer Cotas como: Liceu Vieira Dias, O cota Elias Os irmãos Kafala Urbano de Castro Os irmãos mingas Teta Lando Paulo Flores Carlos Lopes Filipe Mukenga Filipe Zau e muitos outros
Já o verso do Gonçalo faz uma referência a nova escola e vaga de artistas que têm-se insurgido apaixonadamente pela preservação da nossa cultura inovando, reciclando e navegando outros mares na exteriorização da musica angolana. 
O conceito da fotografia que eu pretendia expor quando disponibiliza-se o som promocional pelos blogs e no fbook era simplesmente de um mais velho a dar um disco de vinil a uma criança( por aí aos seus 8 9 anos),que metaforicamente foi a altura que muitos de nós inconscientemente começaram a ganhar o interesse pela musica por influência dos nossos pais,e 20 anos mais tarde essa criança com o mesmo vinil a transmitir aquela musica mas de forma diferente que comparativamente é como nós a juventude adulta e geração dos anos 70 e 80.

Thursday, May 9, 2013

Introducing: Kongoloti Records



The Lounge's long time readers will know how much I appreciate Milton Gulli's music. The Portuguese-Mozambican musician has done some brilliant work over the years and participated in some fantastic projects and bands, including afro-beat collective Cacique '97, Dub Inna Week and Lovers Rock Inna Week, all of which are favorites of mine and have a special place here at the Lounge.

Milton Gulli's latest project is nothing more, nothing less than a full scale label. It's called Kongoloti Records and it's already starting to flex its muscles. Earlier this year one of my favorite Angolan musicians and lyricists, the talented Mr. Helder Faradai, signed for Kongoloti. Weeks later came the huge announcement: Mozambican rap's finest, mano Azagaia, had signed as well, releasing a new single to commemorate. The fact that two heavy hitters in the Lusophone music world signed for Kongoloti makes me excited of what's to come. It's like all my favorite worlds are colliding.

Milton, great job brotha. Here at the Lounge we've got our eyes on Kongoloti Records. It looks very promising...

Kongoloti in their own words:
We were intrigued by how much music from Lusophone Africa people really knew, so we started this journey to release new and established acts from this part of the world. Lusophone Africa is house to a lot of music that people rarely hear because is mostly consumed "indoors". From the traditional sounds of the north of Mozambique to the new urban tendencies sprawling on the streets of Luanda, from the slums in São Tome & Principe to the african ghettos in Lisbon, from urban to traditional, from electronic to acoustic, Kongoloti Records will always be a symbol of good and fresh music for yours ears!! Stay tuned for our first releases coming this 2013!!!


Os leitores de longa data do Lounge sabem o especial apreço que tenho pelo músico luso-moçambicano Milton Gulli. É ele a mente brilhante por trás de projectos como Cacique '97, Dub Inna Week e Lovers Rock Inna week, entre outros - projectos estes que têm um espaço especial aqui no Lounge.

O mais recente projecto de Milton Gulli é nada mais nada menos que uma Editora. Chama-se Kongoloti Records e já começa a dar os seus primeiros passos. No príncípio deste ano, um dos meus músicos angolanos preferidos, o mui talentoso Helder Faradai, assinou pela editora. Semanas depois, o estrondoso anúncio: Azagaia, que está entre os meus rappers preferidos, também assinou pela Kongoloti e lançou um novo single. Dois nomes de peso da música lusófona para esta editora recém-nascida, o que nos faz adivinhar que mais surpresas estão para vir. 

Milton, estás de parabéns! Cá no Lounge, estamos de olhos postos na Kongoloti Records. A coisa promete...


Sunday, February 3, 2013

Editor's Pick: The Top 10 Lusophone Albums of 2011

This isn't a typo. I really do mean 2011.

I used to make fun of the guys at Wakuti Musica and Luaty at Musica Uhuru for going months without updating their blogs. Now I can finally relate. This post was due a little over 1 year ago. As other projects, events, and dreams have gotten in the way, my Lusophone music consumption greatly suffered, and with it the pace of writing at the Lounge. I didn't even finish listening to most albums below until well into 2012.

But what great albums they are. From Komba (Buraka Som Sistema) to Proíbido Ouvir Isso (MCK) to Cherry on My Cake (Luísa Sobral), 2011 was (another) stellar year for Lusophone music. There were more collaborations among luso-artists and there were many high-profile concerts and musical events in the main Lusophone capitals in the world and several cities beyond those. Music in Portuguese is becoming ever more popular. I was lucky to see several Brazilian musicians here in New York and even got to see Buraka in action, and in a testament to all great albums, many of the ones profiled below are still in heavy rotation on my iPod, over a year after they came out.

Below were my favorite Lusophone albums of 2011.

Não, não é um erro. Quis mesmo dizer 2011.

Antes ria-me dos manos do Wakuti Música e o Luaty do blog Música Uhuru por ficarem meses sem um novo post nos seus respectivos blogs. Finalmente posso perceber o que causa este “silêncio”. Blogar todos os dias é obra, e este post que escrevo neste momento era pra sair há mais de um ano atrás. Um ano! Mas o tempo foi passando e a vida foi acontecendo. Projectos, eventos e sonhos foram surgindo e o meu consumo de música lusófona sofreu com isso, bem como a frequência dos posts neste espaço. Só acabei de ouvir os álbuns aqui perfilados já bem no meio de 2012.

E que grandes álbuns temos aqui. Desde o Komba (Buraka Som Sistema) ao Proibído Ouvir Isso (MCK) ao Cherry on My Cake (Luísa Sobral), 2011 tem sido (mais) um ano excelente para a música lusófona. Houve mais colaborações entre artistas lusófonos, grandes eventos culturais nas principais capitais da lusofonia e não só, e nota-se o crescimento da popularidade da música lusófona à volta do mundo. Tive a oportunidade de ver vários músicos brasileiros aqui em New York, incluindo os Buraka. E como todos grandes álbuns, os aqui perfilados continuam em constante rotação no meu iPod, mais de um ano depois de terem saído.

A seguir, os meus álbuns preferidos de 2011.

10. Komba, by Buraka Som Sistema (Portugal/Angola)


Buraka’s rise has been meteoric. They’ve basically carried the kuduro sound all over the world and made it cool outside of Luanda’s streets. It’s the first, if not the only, Luso-Angolan group that has truly become a globally-known band, selling out concerts from Rome to Tokyo to Paris to Mexico City (which is, incidentally, one of Conductor’s favorite cities for a Buraka concert). This year marked the first time they performed in India, where they gave their local New Delhi fans a taste of their infections electro-kuduro sound. And I finally had the opportunity to see them right here in New York City, in an unforgettable concert. Their music is still pure energy: festive and frenetic with a highly contagious rhythm that denotes a certain evolution in their sound, evidenced by some of the artists that they invited for this album. Sara Tavares on a kuduro? Yeah. Why not?

Voodoo Love

Buraka, by brooklynvegan.com
A ascenção meteórica dos Buraka tem sido vertiginosa. É o primeiro, se não o único, grupo luso-angolano que conseguiu realmente se impôr no mundo como uma banda global, esgotando concertos de Roma à Tóquio a Paris a Cidade do México (que por acaso é um dos lugares preferidos do Conductor). Este ano levaram pela primeira vez a sua mistura contagiosa de kuduro e electro à India, num concerto inédito em Nova Delhi. E eu finalmente tive a oportunidade de os ver actuar aqui em Nova Iorque, num concerto inesquecível. A música, esta continua energética, festiva, frenética, num ritmo alucinante em que se nota alguma evolução sonora da banda, mesmo vendo pelos artistas que eles decidiram convidar desta vez. Sara Taveres num kuduro? Ya. Porque não?

9. Chapa '97, by Cacique '97 (Portugal/Mozambique)


Afro-beat in Portuguese. I still can’t get over that. For people who love this genre, Luso-Mozambican collective Cacique ‘97’s new EP is tasty. It has all the ingredients with which these musicians have made us love them and also features another artist that we’ve grown to love, Nástio Mosquito. Cacique’s live performances, which make up 4 of the 6 songs in this EP, are full of life. Chapa ’97 is the standout here – it’s such a great tune. It was inspired by the unrest in Maputo towards the end of 2010, triggered by yet another price increase of basic goods. True, this only an EP and not a true album, but the energy in Cacique’s live performances and the quality of the work here merited its inclusion. Chapa ’97 live is something else.

American Cop

Cacique '97, by flun
Afro-beat em português. Para amantes do género, o novo EP da malta luso-moçambicana dos Cacique ’97 está saboroso. Tem todos os ingredientes com os quais estes músicos já nos habituaram e conta também com a participação de artistas que muito apreciamos, entre eles o Nástio Mosquito. São dois temas inéditos e 4 sons gravados ao vivo. Chapa ’97 é muito som, e o meu preferido. Foi inspirado nos confrontos que surgiram em Maputo em 2010 depois de mais uma súbida dos preços de produtos básicos. Sim, isto é só um EP e não um álbum própriamente dito, mas a qualidade do trabalho motivou a sua inclusão nesta lista. Chapa ’97 ao vivo é outra coisa.

8. Pitanga, by Mallu Magalhães (Brazil)


I was very impressed by the musical quality of Mallu's third studio album and how, at just 20 years old, she has truly found her voice. Pitanga contains confidence and assurance not usually seen in artists this young. The sound of her album is a unique mix of MPB, bossa nova, and folk rock, combining genres seldom seen in a Brazilian production. She binds it all together with that sweet, delicious voice of hers that she uses to great effect. It's almost like a caress, the way she whispers. Pitanga is the album I'd play on quiet nights while sipping a drink or lazy Sunday afternoons; it has a soothing effect. Sambinha Bom was one of my favorite tracks that year and one I still listen to regularly.

Highly Sensitive
Mallu, by Eneias Barros
Fiquei positivamente impressionado pelo terceiro álbum da Mallu e como ela, aos 20 anos, já foi capaz de encontrar a sua voz e o seu estilo próprio de interpretar a música. O álbum chama-se Pitanga e nele a Mallu liberta-se, mostrando confiança e certeza em si própria, no seu talento, e na sua música, confiança esta que nem sempre é comum em artistas tão jovens. O som dela é uma mistura incomum de MPB, bossa nova, e folk rock, géneros que normalmente não coabitam numa produção brasileira. A voz deliciosa, sussurrante dela actua como um instrumento sobre as diversas melodia. É quase como uma carícia, a voz doce dela. Pitanga é o álbum que toco em noites calmas enquanto aprecio um vinho ou então em tardes preguiçosas de domingo; tem um efeito acalmante. Sambinha Bom é uma das melhores músicas que ouvi em 2011 e uma que ainda toco regularmente.

7. World Massala, by Terrakota (Portugal)


I have a lot of love for Terrakota. Their musical versatility is simply incredible. World Massala, their most recent album, is a previously unheard of mix of Lusophone music and Indian music, and they actually traveled to the Indian subcontinent to drink the music from the source. I’m also a fan of Terrakota for reasons beyond their music. They’re environmentally-friendly stance, their simple and altruistic lifestyle, their complete disregard for imaginary land borders, and even their political choices are qualities I greatly appreciate. When Angolan youth were getting beat up in the streets of Luanda for legally protesting against the regime, Terrakota showed their indignation is social media platforms and even in concert, when they, alongside the regime’s favorite protestor Ikonoklasta, showed their solidarity with the Angolan youth that had been farcically incarcerated. Despite its Indian flavor, World Massala also has some more afro-centric and Brazilian-sounding jams. Ilegal below is one of them.

Ilegal


Tenho muito amor pelos Terrakota. A sua versatilidade musical é simplesmente incrível. O World Massala é uma mistura previamente inexistente de música lusófona com ritmos indianos, e eles viajaram até ao subcontinente asiático para sentirem de perto a música. Mas também aprecio muito a postura deles enquanto artistas e seres humanos. Gosto da atitude ambientalista deles,a forma simples e altruísta como encaram a vida e até mesmo das suas opções mais políticas: quando os jovens angolanos estavam a apanhar porrada nas ruas de Luanda por se manifestarem, os manos da Terrakota mostraram a sua indignação nas redes sociais e na mesma altura realizaram um concerto com o “arruaceiro-em-chefe” em que o mesmo, e a banda, se mostraram solidários com os jovens injustamente incarcerados. Apesar do seu sabor indiano, o World Massala também contém ritmos do continente berço e outros com sabor mais brasileiro. Ilegal acima é um deles.

6. Dor de Mar, by Tcheka (Cape Verde)



It’s one of my favorite albums to listen to in the morning as I’m getting ready to work and also during my commute. It has the power to clear my mind, to relax me, to prepare me for the day ahead. It is definitely the best album to come out of Cape Verde in 2011. Dor de Mar is another strong effort from Tcheka, full of beautiful melodies and haunting tunes that only a Cape Verdean can create and only those islands can inspire. And once again, the songs are enhanced by Tcheka’s voice – the man can sing. This album is Tcheka’s fourth and I hope for the sake of Lusophone music that he continues to give us these sonic treasures.

Pexera Porto

Tcheka, by Jono Terry
É dos meus álbuns preferidos para ouvir logo de manhã enquanto me preparo para o trabalho, e também adoro ouvi-lo no subway. O álbum relaxa-me, clarifica-me a mente e prepara-me para enfrentar o dia. É definitivamente o meu álbum preferido a sair de Cabo Verde em 2011. Mais uma vez o Tcheka conseguiu compôr um álbum musicalmente forte, repleto de lindas melodias e canções que só um caboverdeano pode sonhar e só aquelas ilhas podem inspirar. E mais uma vez cada melodia, cada canção é reforçada pela voz do Tcheka...realmente o homem sabe cantar. Este já é o quarto álbum do Tcheka e pelo bem da música lusófona, espero que continue a nos oferecer estes tesouros sonoros.

5. The Cherry on My Cake, by Luísa Sobral (Portugal)



Several publications considered Luísa Sobral's debut album The Cherry on My Cake as the best Portuguese album of 2011 and I'd have to agree. What an assured and accomplished debut by the young woman. She has a wealth of talent at her disposal and if her breakthrough success on both sides of the Atlantic (US and Portugal) is anything to go by, she'll be singing for awhile. I love that Luísa made the choice to sing in both Portuguese and English; it gives her jazzy, lighthearted album a distinct sound and feel. Hearing her croon in Portuguese is particularly satisfying, and her English still retains a bit of a Portuguese accent. I'm a huge fan of accents, especially when sung to music like this. Not There Yet was amongst my favorite songs of 2011, while O Engraxador below is another standout track.

O Engraxador

Luisa Sobral, by EU Neighbourhood Info Centre
Várias publicações consideraram o álbum de estreia de Luísa Sobral,  The Cherry on My Cake, como o melhor álbum português de 2011. Terei de concordar. Que grande estreia por parte de uma cantora tão nova e talentosa. O facto que a Luísa encontrou sucesso não só em Portugal como também aqui nos States logo na primeira tentativa é prova que ela veio para ficar. Adoro o facto dela ter escolhido cantar tanto em inglês como em português; a presença dos dois idiomas, a maneira como as duas línguas funcionam igualmente bem nas músicas jazzy e alegres, torna o álbum distinto. Sou um apreciador de jazz em português e não é todos os dias que o oiço. E também sou um apreciador de sotaques - gosto de ouvir o sotaque aportuguesado do inglês da Luísa. Not There Yet, single do álbum, foi dos meus sons preferidos de 2011, enquanto que O Engraxador é outro tema que aprecio.

4. Clave Bantu, Aline Frazão (Angola)



After I found out about Aline and her music, I dreamt of seeing her play at the Luanda Jazz Festival. I also hoped that one day she would edit an album, even though she said she had no plans to do so at the time. In 2011 she released her studio debut Clave Bantu and in 2012 she played in the Luanda Jazz Festival. Some dreams do come true, apparently...

There are not many albums like this one in the Angolan market. There aren't many albums with this sublime simplicity, this beauty, this lightness. Guitar, voice, percussion. It's an album that's easy to listen to and contains influences from other Lusophone areas, including Brazil, Cape Verde, Portugal, and...Galicia. It was independently produced and released by Aline herself. Of the 11 tracks, two were written by very well known Angolan authors: Ondjaki wrote Amanheceu while José Eduardo Agualusa wrote O Céu da Tua Boca. The other nine songs are Aline's. I'll leave you with Na Boca do Mundo, one of the standouts.

Na Boca do Mundo

Aline, by Obra Social Caja Madrid
Pouco após conhecer a Aline sonhava em ver-lhe cantar no Luanda Jazz Festival. Sonhava também em escutar um disco dela, porque na altura em que comecei a ouvir as suas músicas ela nem sequer tencionava lançar um álbum. Em 2011 ela lançou Clave Bantu e em 2012 cantou no Luanda Jazz Festival. Alguns sonhos tornam-se realidade...

Não existem muitos álbuns como este no mercado angolano. Não existem muitos álbuns com esta liberdade, esta beleza, esta simplicidade. Guitarra, voz e percurssão. É um álbum de audição fácil, suave, com influências de vários pontos da lusofonia, incluindo Brasil, Cabo Verde, Portugal e...a Galicia. Foi produzido de forma independente. Das onze faixas, duas foram escritas por conhecidos cantores angolanos: o Ondjaki escreveu Amanheceu e o José Eduardo Agualusa é o autor de O Céu da Tua Boca. As outras nove músicas foram lindamente escritas pela Aline. Fique com Na Boca do Mundo.

3. Proibído Ouvir Isso, by MCK (Angola)


His songs usually don't play on the radio - only his tamer songs get airtime. His videos aren’t shown on TV. He’s anti-regime. Still, his album release event in Luanda's Praça da Independência attracted more crowds than any other release event in the capital that year. Thousands of people turned up to try to get a copy of one of the most anticipated album of the year. Once again, with his characteristic humility, MC Katrogipolongopongo calmly sold out his album and continued to spread his unique brand of social critique. He then went to the provinces and did the same thing. The effect was immediate. The phrase 'país do Pai Banana' (father banana's country) entered into the national lexicon. Even Rafael Marques took a break from his usual articles and wrote an extensive piece on this album, becoming a music blogger for a day. Proibído Ouvir Isso features some heavy-hitters of the Lusophone music scene, including Angola's Paulo Flores and kuduro artist Bruno M, and Portuguese producing maestro Sam the Kid. This was simply the best Angolan rap album of 2011 and the one that was able to create serious discussion about the social ills that plague us as Angolans.

Eu Sou Angola

Lançamento do Proibído Ouvir Isso
Foto do blog Kano Kortado
Não tocava na rádio. Não passa na televisão. É anti-regime. Mas mesmo assim, o lançamento do mais novo disco do MC do Bairro de Lata foi talvez o lançamento mais concorrido do ano em Luanda. Eram milhares de pessoas ávidas em conseguir uma cópia do CD. Mais uma vez, com a humildade que lhe é característica, o MC Katrogipolongopongo encheu a Praça da Independência em Luanda e vendeu milhares de exemplares. Depois viajou pelas províncias e fez o mesmo. O efeito foi imediato. A frase “país do Pai Banana” entrou no léxico nacional. O álbum foi motivo de um artigo extenso no site do Rafael Marques e fez com que o homem se tornasse music blogger por instantes. Contou também com a participação de grandes talentos do panorama musical angolano e não só, entre eles o Bruno M, Paulo Flores e Sam the Kid. É simplesmente o melhor álbum de rap angolano de 2011, e mais do que isso, foi álbum que mais despertou a nossa consciência crítica como cidadãos angolanos. Ponto final.

2. Lovers Rock Inna Week, by Grasspoppers (Portugal)


It's an ambitious, heavy-hitting album, filled with musicians at the top of their game. Selma Uamusse. Milton Gulli. Helder Faradai. Just to name a few. Cape-Verdeans, Mozambicans, Angolans. English, Creole, and Portuguese. This album has it all. Grasspoppers released the album for free on their website, which means that you (still) have the possibility of listening to quality Lusophone reggae without spending a single cent. When the album first came out I was unable to listen to much of anything else for days. On the subway on the way to work, at home as I made dinner, in the city streets as I walked to friend's houses, it was Lovers Rock that was playing. I still listen to it regularly over a year after its release. Carta a Uma Cidade Anoitecida was among my absolute favorite songs of 2011. At night, in the quiet dark, alone or with company, or on that night drive when it seems the road is all yours, there are few better songs to play than that one. This was, without a doubt, one of the albums that most influenced me in 2011.

Black Brothers Riddim


É um álbum estonteante, com personagens em grande forma. Selma Uamusse. Milton Gulli. Helder Faradai. Só para citar estes. Cabo-verdianos, moçambicanos, portugueses, angolanos. Português, crioulo, inglês. O álbum tem de tudo. Os manos dos Grasspoppers ofereceram o Lovers Rock de graça no seu website. Ou seja, tem a possibilidade de escutar reggae lusófono de qualidade sem gastar um único centavo. Quando o álbum saiu, ouvia-o durante dias seguidos. No subway a caminho do trabalho, em casa enquanto preparava o jantar. Ainda o oiço com frequência, mais de 1 ano depois de ter saído. Carta a Uma Cidade Anoitecida foi talvez a música que mais gostei de ouvir em 2011. À noite, no escuro, na solidão ou com uma companhia, no carro de madrugada com a estrada vazia, não conheço melhores músicas para se escutar. Este foi, definitivamente, um dos álbuns que mais me marcou em 2011.

1. Nó na Orelha, by Criolo (Brazil)



Quite simply the best Lusophone album of 2011, and definitely the best Lusophone rap album to come out in some time. It was considered by national and international publications as the best Brazilian album of 2011. Nó na Orellha broke down several barriers and introduced Criolo to a worldwide audience. On the success of this album, Kléber Gomes, his real name, finally left São Paulo and held live concerts in Paris, London, and right here in New York City, introducing rapt audiences to the distinctive rhythm of his Paulista rap. There's a lot to love about this album. It is the complete package: lyrically profound, excellently produced, and so much more than just rapping. Criolo infused his brand of hip hop with soul, intelligence, and a distinctly Brazilian identity - he sings in some tracks, croons in others and then lays down rhymes with the same skill as the best. From the afro-beat opener to the samba closer, Criolo's second album contains several sonic landscapes, among them funk, MPB, blues, and brega. It is a trascendental album and further establishes São Paulo as the source of all that's brilliant about modern Brazilian, and Lusophone, music.

Lion Man

Criolo, por Tinho Sousa
Simplesmente o melhor álbum lusófono de 2011, e definitivamente o melhor álbum de rap lusófono que eu ouvi nos últimos tempos. Foi considerado como o melhor álbum brasileiro de 2011 por várias publicações brasileiras e internacionais. Nó na Orelha quebrou vários preconceitos e apresentou o Criolo à uma audiência mundial. Por causa do sucesso deste álbum o Kléber Gomes, como também é conhecido, teve a oportunidade de actuar ao vivo em várias capitais mundiais, incluindo Paris, Londres, e Nova Iorque. Introduziu o seu rap paulista ao mundo. Há muito que respeitar e apreciar neste álbum - é um trabalho completo. Liricamente profundo, excelentemente produzido, e muito mais que rap. Este MC conseguiu criar o seu próprio estilo de rimar e encarar o hip-hop. O hip-hop do Criolo tem soul, inteligência e uma identidade brasileira distinta. E como se não bastasse, este homem também sabe cantar. Não existe amor em SP é uma obra de arte por si só. Desde o afro-beat da primeira música ao samba da última, Nó na Orelha é uma viagem por várias paisagens sonoras, incluindo funk, MPB, blues e brega. É um disco trascendente que mais uma vez estabelece São Paulo como a fonte de tudo que é brilhante na música brasileira e lusófona moderna.

Wednesday, January 9, 2013

Halloween

Halloween, the man who shook me from my writing lethargy.

One of my (many) handicaps with Lusophone music is my lack of in-depth knowledge of Portuguese rap, from Portugal. I’m completely in tune with the hip-hop scene in Angola, I’ve listened to almost everything that Azagaia from Mozambique has put out, I’ve scratched the surface of Brazilian hip-hop, but when it comes to Portuguese hip-hop, the one that started it all in the Lusophone world, I’m woefully inadequate.

There is a particular Portuguese rapper however that I have been vaguely aware of for quite some time now. My cousin Anderson, the same guy who introduced me to Valete, had told me about man who went by the name of Halloween and was unlike any hip-hop artist he had ever seen. I never really got into Halloween and didn't take my cousins advice seriously. Some years later Halloween did a concert in Luanda and people went nuts. I still didn't feel the urge to listen to his stuff.

That all changed on a recent trip to Lisbon. I was with friends, amongst them a Lusophone rapper, and the topic of Halloween came up. My friend and the rapper disagreed about Halloween’s skill and street credibility, but both agreed that his song No Love, included below, was immense. They played it from the speakers, and that was the first time I heard Halloween rap.

Once I got bit, it was difficult to stop. I've been listening to him for the better part of the last two months. Halloween, born Allen Pires Sanhá in Guinea-Bissau, also known as Allen Halloween or Bruxa (Witch), is quite unlike any Lusophone rapper I have listened to. It’s difficult to describe his sound, but I will say that it’s the grittiest, bleakest, rawest but yet conscious and instrospective brand of Lusophone hip-hop I have ever heard. One second he is rapping about stealing money, the next he’s lamenting about how a life of crime is simply not worth it. Shy and anti-social, He sees himself and his crew for what they are, and has a bleak, brutally honest way of assessing his contribution to the world. We are, in effect, listening to a product of his environment, a man who’s habitat is Lisbon’s notorious slums and poverty-stricken streets, wasteland of the many African immigrants that flocked here from Cape Verde, Guinea-Bissau, Angola, etc.

Through interviews and through his rhymes Halloween has told his story of neglect, drugs, and street crime, and you can hear the pain, anguish, and anger in his voice. The haunting drawl with which he raps, especially in No Love, is particularly striking. So far I’ve only listened to his debut album, Projecto Mary Witch (2006), and among the tracks that are tame enough for me to share them here with you, seeing how this site is more associated with Bossa Nova music, is SOS Mundo, the memorable No Love, and Várias Vidas. Yes, No Love is the standout, the one that even rappers who dislike him give him props for, but SOS Mundo, an exposé into the failures of society, and Várias Vidas, in which he chronicles the doomed life of his friends that couldn’t give up on a life of crime, are excellent examples of “Hip-Hop Tuga” at its finest. But the most iconic song on this album remains "Dia de Um Dread de 16 Anos" (A Day in the Life of a 16 year-old Thug), a 10 minute sojourn into a nightmare of despair, crime, and drugs.

SOS Mundo
No Love
Várias Vidas

Halloween, o homem que sacudiu-me da minha letargia e fez-me escrever no Lounge depois de largas semanas de ausência.

Um dos (vários) buracos que tenho no meu conhecimento da música lusófona é a minha falta de conhecimento profundo do hip-hop Português própriamente dito. Oiço nomes por alto – Da Weasel, Sam the Kid, Mind da Gap – mas nunca explorei com dedicação as suas músicas. Já com o hip-hop angolano não perco um álbum de todos os artistas que aprecio, já ouvi quase tudo que há para ouvir do moçambicano Azagaia, e aos poucos vou conhecendo melhor o hip-hop brasileiro. Mas quanto a Portugal, sou um zero à esquerda.

Mas há um rapper Português em particular cujo nome oiço falar há vários anos. O meu primo Anderson, o mesmo rapaz que me introduziu ao Valete  falou-me de um rapper ‘estranho’ mas muito habilidoso que respondia pelo nome de Halloween. Um rapper que era diferente de todos os rappers que ele ouvia na altura. Por qualquer razão e não obstante a sugestão do meu primo, tive pouco interesse em ouvir as músicas do Halloween na altura. Alguns anos depois o Halloween foi para Luanda para delírio do público lá, e mesmo assim eu nada.

Tudo mudou quando estive em Lisboa recentemente. Estava com amigos, entre eles um rapper lusófono, e surgiu uma discussão acalorada sobre os méritos (ou não) do Halloween. A certa algura os dois amigos concordam que sim, mesmo discordando do valor do Halloween, podiam os dois acordar que a música No Love (incluída acima) era uma coisa rara, das melhores músicas de hip-hop Tuga que ambos tinham ouvido. Tocaram-na dos speakers e foi assim que ouvi o Halloween pela primeira vez. No Love foi a minha introdução ao universo peculiar do Halloween.

Foi como se um bichinho tivesse me mordido. Ando a ouvir o Halloween há dois meses, quase todos os dias. A tentar perceber as letras, a sentir-lhes, a acompanhar um ritmo das rimas, a conhecer o homem pela sua escrita. O Halloween, nascido em Bissau como Allen Pires Sanhá e também conhecido como Allen Halloween ou Bruxa, é completamente diferente de qualquer outro rapper lusófono que já ouvi. E no mundo do hip-hop de hoje, em que rappers parecem ser sósias um dos outros, isto é positivo. É difícil descrever o seu som, mas posso dizer que é do rap mais cru, real, e um tanto quanto radical (fiel às raízes), mas ao mesmo tempo consciente e introspectivo, que eu jamais ouvi. Num som está a rimar sobre roubar dinehiro duma velhota, no outro está a alertar aos mais jovens que a vida do crime não compensa. Pelo que ouvi, o mano é um tanto quanto anti-social e introvertido, e tem uma maneira muito dele e muito honesta de encarar a sua vida, sua e da sua crew. Assume o que é, sem pedir licença a ninguém. Nota-se que estamos perante um homem que viveu o que relata e é um producto dos piores bairros de Lisboa, os bairros de miséria onde habitam imigrantes africanos constantemente marginilazidos pela sociedade.

Pelas suas entrevistas e pelas suas rimas o Halloween conta uma história de marginalização, drogas e crime, e ouve-se a dor, a angústia e a raiva na sua voz. Mas em alguns sons o mano também demonstra um certo sentido de humor. A maneira como ele voca é impar...a performance dele no No Love é particularmente memorável. Até agora ainda só ouvi o seu primeiro álbum, o Projecto Mary Witch (2006) e entre as músicas suficientemente “calmas” que posso partilhar aqui neste espaço, já que vos habituei a bossas e reggaes inofensivos, estão SOS Mundo, No Love, e Várias Vidas. Oiçam a letra com atenção. Oiçam cada música várias vezes, com calma. E quando terminarem, procurem ouvir “Dia de um Dread de 16 Anos”. É um pesadelo de 10 minutos mas talvez dos sons mais icônicos do mano.

Tuesday, November 20, 2012

O Regresso do Brigadeiro


O segundo post que escrevi neste blog, há mais de 4 anos atrás, foi um som do Ikonoklasta/Brigadeiro Matrafrakuxz/Luaty, chamado 2000 Dikas. É um dos meus sons preferidos do mano. Ainda me lembro da primeira vez que ouvi o Ikonoklasta. Foi no disco do Katro que também ouvia pela primeira vez. Trincheira de Ideias. Nunca me esqueço nem do disco nem de onde estava quando o ouvi - na sala da casa da minha tia na Vila Alice, já de noite, e graças ao meu mano Paulo. Foi numa altura em que simplesmente não estava exposto ao rap de qualidade, muito menos rap lusófono de qualidade. O álbum certamente teve um grande impacto na forma como passei a encarar o rap como estilo musical de intervenção social, e ajudou a formular as minhas ideias sobre as assimetrias sociais e políticas em Angola. Despertou também em mim uma sede para consumir tudo que fosse do Brigadeiro (e do Katro), e esta sede levou-me a conhecer outros grandes do hip-hop angolano cujas obras de arte até hoje oiço com frequência: o Keita e o Wawuti.

O mano Ikono tem estado afastado dos palcos e dos estúdios por razões que são mais que conhecidas por qualquer pessoa que tenha seguido mínimamente as notícias provenientes de Luanda durante o último ano.

Mas felizmente, o mano prepara o seu regresso. Deixo-o explicar-se nas suas próprias palavras:
Desde 2008 que não tenho feito música com regularidade. A minha vida tornou-se uma montanha russa de peripécias e emoções que continuam por ser digeridas e interpretadas para que me possam tornar mais maduro, mais perspicaz e mais preparado para o que me resta de vida. É assim com toda a gente e esse pretexto por si só não deveria ser (nem é) suficiente para justificar a minha falta de vontade de criar, de compor, de cantar, de partilhar com esse mundo de desconhecidos os meus desvarios, momentos de loucura, as minhas angústias, basicamente, fazer o que adoro e que me faz sentir mais livre nesta vida: música!
Também não é verdade que tenha estado completamente inerte, mas estou longe do prolífico. Deixei-me envolver num projeto novo, original e, para mim, vanguardista, desafiado pelo meu mano e cúmplice na arte: Pedro Coquenão, aliás, DJ Mpula. Batida é o nome do conceito musical que o Pedro concebeu e é completo em tantas maneiras, tem me levado a tantos sítios fantásticos, que tenho concentrado os poucos momentos de inspiração a criar novos temas para e com o projeto. Alguns desses temas estão inéditos para já, mas há uma intenção em incluí-los em futuros lançamentos de Batida, por essa razão não os incluo nesta série de mp3chos que pretendo agora divulgar.

A única coisa que está a fazer-me atrasar a saída dos ditos cujos é mais o facto de ainda não ter alguém que me desenhe as capas, por isso quero lançar o repto para os amigos, fãs, fiéis, ou simplesmente gente que goste de desenhar/criar e ande a procura de desafios, que façam propostas de capas para qualquer um dos mp3chos que abaixo proponho e mas enviem para o meu email pessoal: ikonoklasta@musician.org.

Vou começar por lançar um mp3chos com versões inéditas Ngonguenha, algumas do “Nós os do Conjunto” com versos meus que foram excluídos da versão final que chegou às lojas, outras do “Ngonguenhação”, remisturas feitas por malta por quem tenho uma grande admiração.
Podem ler o resto no blog do Brigadeiro aqui.

Sunday, November 4, 2012

Caipirinha Lounge Cinema: Meu País, by Valete feat. Nuno Lopes


From the first seconds of this song, and it's short, measured buildup, I could tell I would thoroughly enjoy it. My appreciation for it went up as the verses progressed. Valete talks about what the impending economic catastrophe is doing to the Portuguese, especially its youth. How emigration makes more and more sense, and how many people leave their loved ones and their livelihood (to earn a lot more money in Angola, for example). If the content wasn't enough, the quality of production of this track is sublime. Having Nuno Lopes feature was a great decision - you won't hear many hip-hop tracks with this kind of ambiance and musical versatility.

Meu País

Logo nos primeiros segundos desta música, já se previa a sua grandeza. O Valete consegue, nas palavras à baixo, exprimir um sentimento, uma forma de encarar as opções de vida, que já começa a ser comum na presente realidade portuguesa. E principalmente entre a sua juventude. No que toca a produção em si, espectacular. Como se a letra e a rica produção não bastassem, a participação de Nuno Lopes também foi uma aposta acertada. Nao devem existir muitas músicas com esta sonoridade e com esta versatilidade. 

Por fim, a execução do video-clipe foi o toque de meste, a cereja em cima do bolo. 

Meu País serve como introdução ao novo disco do Valete. É o seu primeiro single. Se o resto do álbum for assim tão fértil e comovente, fico ansioso por ouvir o resto do producto. 

Tou a arrumar as malas,
Levo quase tudo até o meu kimono de judo (quase tudo),
Já não sei se volto,
Quem imigra quer voltar,
mas muitos poucos voltam à base,
Farto disto tudo,
Farto de estar desempregado de nada servem estes canudos,
Quando há trabalho são sempre temporários,
Humilhantes precários, os salários hilários,

União Europeia a colapsar,
Portugal a mergulhar nestes dias funerários,
Vou-me embora,
vou,vou pra Luanda,
Já não há nada aqui pra mim,
isto já não anda nem desanda,

Estas são as minhas ultimas lágrimas,
Últimas paginas, neste pais que hoje tresanda,
Portugal, meu céu meu lamaçal,
Assista ao recital da minha fuga da tua varanda,

Meu país, vou me embora...
Meu país, vou me embora...

Portugal vou me embora...
Portugal vou me embora...

Ana, meu amor por ti é irrefutável,
Memorável nas nossas vidas,
Divino inenarrável,
Mas vou me embora, minha alma chora,
E devora a minha carne e deixa me assim inconsolável,
Tens emprego estável situação invejável,
Não faria sentido vires comigo,Ana,seria irresponsável,

Fica aqui, progride na empresa,
Tenho a certeza que chegarás lá em cima com a tua destreza,
É melhor acabarmos esta relação,
A minha volta é um ponto de interrogação é tudo uma incerteza, Ana

Não chores, não deflores
Ainda mais esta dor que me atinge com tanta crueza,
Acabamos mas serei sempre teu, O
O teu Romeu que viverá do que imana a tua grandeza,
Vou me embora, sê feliz,
Mesmo com a cicatriz deste amor e levar-te pra tristeza


Meu país, vou me embora...
Meu país, vou me embora...

Portugal vou me embora...
Portugal vou me embora...

Wednesday, October 31, 2012

Directamente da Lama, by Mano António feat. Helder Faradai


Alternative Angolan hip-hop is alive and well. And that man Helder Faradai seems to be playing a part in it. Within three seconds of the song I could hear Faradai's production...it's interesting sound that Jazzmática have been able to consistently create. Directamente da Lama is Mano António's first single, himself another member of Jazzzmática. The subject matter is the type of social commentary commonly heard in Angolan hip-hop, critical of the status-quo and politically conscious. Watch this space for Mano António's EP.

O hip-hop alternativo angolano está saudável. Recomenda-se. E parece que o mano Helder Faradai é uma peça importante desta evolução. Reconheci logo o dedo da Jazzmática na produção deste rap...é um som interessante que a banda tem sabido aperfeiçoar. Directamente da Lama é o nome do primeiro single do Mano António, também ele integrante do grupo Jazzmática. A letra é políticamente coerente e consciente, como temos nos habituado com o rap alternativo em Angola. Abaixo deixo os manos falarem sobre o projecto:
"Directamente da Lama”, é o título do trecho musical que Mano António (M.A.) propõe como single do seu EP a ser lançado em breve de nome “Rimas na Lama”. Esta música, segundo o membro da J.M. conta nos sobre as sátiras do “lamaçal”, das coisas vividas e sofridas pelo povo angolano ou simplesmente luandense no seu dia a dia.  
O conceito do EP a ser lançado, consiste em apresentar numa linguagem terra a terra e versátil em termos de composição, espelhando a flexibilidade na interacção com os mais variados tipos de ouvintes. Este trabalho, teve como campo de estudo o Bairro Marçal que foi o berço de toda a criatividade de Mano António enquanto buscava respostas na equação da vida, com o pincelar da Kizomba crivada que a população daquela zona vivência desde casos caricatos ao desenrascar diário pela sobrevivência.  
Absorvendo das vicissitudes da vida, oferecidas pela falta de alimento, saneamento básico, educação, saúde e outros males nos arredores de Luanda a fora, M.A. procura espelhar a habilidade ou capacidade de adaptação que o povo angolano possui em ultrapassar e sobreviver as “baçulas” que a vida dá e as fatelas que o destino nos reserva. “Transpirar em suas letras e músicas a força e persistência na resistência contra este sistema que os sufoca, sempre deixando estampado a esperança com um sorriso maroto”.  
Isto são as “Rimas na Lama”, a representação mixada de tristeza, pobreza e alegria áspera, em um panorama onde o álcool é cultura e viver de aparências é lei.  
Trajectoria do EP Eis a apresentação concentrada de 15 anos de trabalho consecutivo. “Rimas na Lama” foi idealizado por Mano António (M.A.) no ano de 2011, com o objectivo de servir de trampolim ou a carta de saída formal para este mercado ainda “Virgem” a nível daquilo que chamamos música de intervenção qualitativa. Conta M.A. que, quando começou a escrever as Letras para este EP, teve como base aspectos da sua vida pessoal, como MC, mostrar o seu lado humano e falar sobre o seu Marçal e arredores .
Porém, após um período de trabalho e conquistas, devido a razões técnicas e outros problemas, o colectivo Jazzmática perdeu 90% do seu trabalho no princípio de 2012 (beat tapes, colaborações, produções de terceiros, etc). Com a perca, algumas faixas que iriam constar no EP “Rimas na Lama” perderam-se. 
Sem norte, sem saber qual rumo tomar, Jazzmática apanha o fio da meada com este EP de M.A., que representa um iluminar ou renascimento da alegria do grupo em fazer música pela música.  
Ficha Técnica EP: Rimas na Lama
Single: Directamente da Lama ft Helder Faradai
Artista: Mano António
Artwork: Josemar Soares
Produção: Jazzmática
Ano: 2012 

Sunday, August 26, 2012

E Kume Meu?

If A Tribe Called Quest sang in Portuguese, they would probably sound like this.

E Kume Meu is one of Coca o FSM's oldest jams, and it's rhythm and flow is an ode to pure old school hip-hop; you can easily hear the influence of groups like the aforementioned A Tribe Called Quest. I first heard this song off my cousin Songay's playlist, back when Myspace was all the rage and Coca o FSM had a page where he would release joints like this one. E Kume Meu is Angolan slang for "what's up man?" Don't worry if you can't understand the lyrics; just appreciate the work of one of Angola's most underrated, most versatile musical characters.

E Kume Meu?

Se A Tribe Called Quest cantasse em português, provavelmente soariam assim.

E Kume Meu é dos brindes mais antigos do Coca, e o ritmo e flow faz me lembrar hip-hop antigo, dos puros; ouve-se a influência de grupos como o supracitado Tribe Called Quest. A primeira vez que ouvi este som foi graças ao meu primo Songay, ainda no tempo do Myspace; aliás, esta música ainda consta no Myspace do Coca. Mas não é que o mano esteje a tentar ser americano ou a rimar em inglês; está mesmo a rimar em 'angolano', que é para além do português, e ouve-se 'Vila Alice' em vez de Brooklyn ou outra realidade qualquer. E para os manos que não sabiam que o Coca também rapa, bem, aqui vai a novidade.

Wednesday, June 27, 2012

Podcast Zarpante: Caipirinha Lounge é convidado


For the reader that has kept coming back to this website in vain expecting some sort of update (it's been three weeks now), this podcast is for you!

I did this podcast at the behest of Henrique from Zarpante, the Lusophone crowdsourcing and crowdfunding internet initiative. You'll notice their logo further down on the page under "Partnerships". The proposed them was the new generation of Angolan artists, a topic I am only too happy to talk about. Choosing which artists to speak about was relatively easy; I love talking about them to anyone who makes the mistake of listening to me, and the conversation flows easily.

It's my first podcast so excuse the quality, the fact that my voice dips considerably in volume on the second half of this podcast, and so on, but the music on show is excellent and the next one can only get better.

Occupy youself with the songs listed below, all of them available for download separately here on the Lounge:

1. Coca o FSM – O Ano Q Vem
2. Coca o FSM – Só Sou Fara Ninguém Acreditou
3. Aline Frazão – Olhar Adiante
4. Aline Frazão – Primeiro Mundo
5. Leonardo Wawuti – Sintam-se
6. Leonardo Wawuti – Entre Mim e o Eu
7. Keita Mayanda – Existência
8. Keita Mayanda – A Idade da Razão
9. Nástio Mosquito – Bebi Beberei Bebendo
10. Nástio Mosquito – Não sei se vou te amar \

You can download this podcast directly from the Soundcloud box below. I hope you enjoy it!




A ti leitor, que ainda visitas o site a procura em vão de qualquer update, já lá vão três semanas, dedico este podcast a ti! 

Fiz este podcast após um convite do meu amigo Henrique da plataforma Zarpante, parceira do Lounge. O tema proposto foi a nova sonoriade angolana, um tema que, diga-se de passagem, adoro. Escolher os artistas foi fácil – há muito que gosto de falar sobre eles, e a conversa sai fluidamente.

Este é o meu primeiro podcast – a qualidade não é lá grande coisa, a metado do podcast o volume da minha voz baixa considerávelmente, mas a música está excelente e vá-lá, vou aprendendo e da próxima sai melhor!

Deliciem-se com as músicas dos seguintes artistas, todas elas disponíveis aqui no Lounge:

1. Coca o FSM – O Ano Q Vem
2. Coca o FSM – Só Sou Fara Ninguém Acreditou
3. Aline Frazão – Olhar Adiante
4. Aline Frazão – Primeiro Mundo
5. Leonardo Wawuti – Sintam-se
6. Leonardo Wawuti – Entre Mim e o Eu
7. Keita Mayanda – Existência
8. Keita Mayanda – A Idade da Razão
9. Nástio Mosquito – Bebi Beberei Bebendo
10. Nástio Mosquito – Não sei se vou te amar

Podem fazer o download directamente da barra do Soundcloud. Espero que gostem!
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