Monday, September 6, 2010

Kizomba Saturdays Vol. 13 – Bem Consché, by Quatro+

About Kizomba Saturdays: Saturday has always been a day of kizomba. Living in Luanda, there was always a boisterous neighborhood party to go to on a Saturday night, where we would exhaust ourselves dancing kizomba after kizomba, waiting for that special tarraxinha to come on so that we could go slow dance with that girl we have a crush on. Even during the day, the aunts or cousins would put on an album while they cleaned or cooked, dancing spontaneously on the quintal (backyard) while the beans cooked and the fish grilled. I find myself keeping the tradition alive here in the States, where come the weekend I invariably play kizombas, even though I have no one to dance with. I figured I’d bring that tradition here to the Lounge: Kizomba Saturdays.

Before Nelson Freitas was churning out his own albums as a solo act, he was the front man for one of Cape Verde’s finest kizomba ensembles, Os Quatro (later known as Quatro+). Their music was inspired by their Capeverdean home and the urban influences they got from their adopted home of Rotterdam. During their peak Os Quatro became synonymous with damn good kizomba and would sell out shows wherever kizomba was heard, from Praia to Lisbon to Paris to Luanda. I consider Bem Consché their best album - it contained hits like Kazangá, Meninas Bonitas, and Joia, my favorite song of theirs. Since 2002 I've been playing Joia regularly, and even today it gets to me. Click play and enjoy some of the best kizomba Cape Verde has to offer.

Kazangá
Meninas Bonitas
Joia

Sobre o Kizomba Saturdays: Para mim, sábado sempre foi um dia de kizomba. Na banda (Angola), sábado à noite há sempre uma festa de quintal para se ir dançar kizomba ao nosso bel prazer, dançar até as pernas começarem a estremecer de cansaço, dançar até vir aquela tarraxinha que estavamos à espera, e aí sim, podemos parar de dançar e em vez tarraxar com aquela mboa que nos estava a olhar a festa toda. Coisas da banda. Mesmo durante o dia, as tias e as primas botam um CD na aparelhagem com aquelas kizombas que param multidões, e enquanto o feijão ferve e o cacusso grelha, são várias as danças espontâneas no quintal entre primo e tia, sobrinho e irmã, convidado e pato. Porque patos há sempre, até para o almoço de sábado. Aqui nos States, tento, teimosamente, manter a tradição. Acordo aos sábados e boto kizomba na aparalhegam. Meus roommates só me olham. Ja estão habituados. Danço com a vassoura, afinal elas existem para quê? Decidi então trazer este hábito para o Lounge: Kizomba Saturdays. Para atenuar a saudade da banda.

Antes do Nelson Freitas ser o cantor que é, era mais um dos integrantes da mítica banda caboverdeana Quatro, que depois veio a se chamar Quatro Plus. Eram inspirados pelos ritmos de Cabo Verde e pelas influências que recebiam da cidade onde viviam, o Roterdão. No seu auge, a banda Quatro Plus era sinónima de kizomba de qualidade. Era comum encherem salas inteiras durante os seus concertos em qualquer cidade que apreciasse kizomba, desde Praia a Lisboa a Paris a Luanda. Considero Bem Consché o seu melhor album, porque é lá onde aparecem hits como Kazangá, Meninas Bonitas, e Joia, a minha música preferida deles. Desde 2002 que toco Joia regularmente, e ainda hoje mexe comigo. Carreguem no play e curtam uma das melhores kizombas que Cabo Verde já produziu.

Friday, September 3, 2010

Em Nagoya Eu Vi Eriko, by Seu Jorge

Hardly a day goes by anymore that I don't listen to Seu Jorge. What an artist. Whether it be on the silver screen or on stage, Mané Galinha or the front man for the wildly successful Seu Jorge & Almaz project, the man just keeps reinventing himself. His versatility and scope is mesmerizing: on one album he is doing a heartfelt Portuguese rendition of a David Bowie track, while on the next he is crooning Michael Jackson's Rock With You.

But perhaps my favorite Seu Jorge jam is Em Nagoya Eu Vi Eriko, from his album 'Carolina'. It was the soundtrack to this World Cup summer, whether in Cape Town or Luanda, and it provided the backdrop to some truly memorable moments. With my cousin Songay at the wheel and a brighly lit, nighttime Luanda as our surroundings, we would blast the song driving down the Ilha with that balmy sea breeze hitting us in the face, belting the song at the top of our lungs. "Not even Americans do funk like this," Songay would say. What a hell of a song...with its deep bassline, energetic funky groove, and oriental feel, it's the perfect song to say farewell to the summer, at least here in the States where autumn is fast approaching.

Here's to Seu Jorge and that he keeps making music like this.

Em Nagoya Eu Vi Eriko

São raros os dias em que não oiço Seu Jorge. Artistas como ele já não se fazem. Seja no ecrã do cinema ou em palco, seja como Mané Galinha ou o vocalista da grande novidade deste verão, o projecto Seu Jorge & Almaz, o talento deste homem está mais que visível. A sua versatilidade e a sua capacidade de reinvenção são realmente incríveis. Num álbum está a fazer um cover duma música de David Bowie, e no próximo é ouvi-lo a cantar Rock With You, de Michael Jackson.

Mas acho mesmo que a minha música preferida do Seu Jorge é mesmo Em Nagoya Eu Vi Eriko, do seu álbum Carolina (Samba Esporte Fino no Brasil). Dela não me canso. Foi a trilha sonora deste verão com sabor a futebol, com presença assídua no stereo, quer seja em Cape Town, quer seja em Luanda. Foi numa Luanda nocturna e brilhante, com o meu kota Songay ao volante, que mais se ouviu essa música. Com a estrada Mortala Mohammed como pista, com aquele vento peculiar da Ilha a nos acareciar a cara. Nós dentro do carro, a entoar a música como se de hino se tratasse. O Songay só dizia, "Nem nos states se faz funk assim..!" Este é um 'brinde' a sério. O baixo é forte, a energia é funk, e até soa um pouco à Japão. Boa música para se despedir do verão, pelo menos aqui nos States onde o outono já anda por aí a espreitar.

Longa vida ao Seu Jorge, porque quero continuar a ouvir música assim por muito mais tempo.

-Photo by José Goulão

Carolina on Amazon and iTunes

Afrologia ao vivo no Espaço Bahia

Afrologia em Concerto
Que boas notícias! Durante o mês de Setembro os amantes de boa música electronica angolana poderam engordar os seus ouvidos no saudoso Espaço Bahia ao som dos Afrologia. Eis o press release dos bradas:

"Caros amigos e companheiros

O “Bahia dos Sons” e “Jahmek” vão apresentar todas as sextas – feiras do mês de Setembro (dias: 3, 10, 17 e 24) o concerto “Afrologia & Friends”, no Espaço Bahia, em Luanda, a partir das 22h00.

“Afrologia” é uma banda angolana que explora e experimenta fórmulas inovadoras para fazer música. A criação deste projecto resultou da vontade da dupla de irmãos misturarem e acasalarem as suas produções individuais numa só. Coca com o seu alter ego “Faray sem mobile” utiliza influências de Soul, Jazz e Hip Hop, enquanto Tuka “Soulbreakxtra” está mais direccionado para o campo do “Jazzy Broken Beat”.

Portanto, o estilo musical da banda é alternativo, inspirado no Jazz, Soul, Funk, Afro-Beat, Broken Beat e música electrónica em geral, criando uma fusão de um som diferente que não pode ser definido por apenas um estilo ou género apenas.

A banda é composta por:
Tuka – Sample e drum Programmer e Coca – Vocalista – Criadores da banda;
Celson – Baixista;
Newton – Pianista;
Nana – Percussão;
Back-up Vocals: Kiara, Nani e Kwila;

www.myspace.com/afrologia"

E já agora fiquem com um dos seus melhores brindes, "Snifakru".

Snifakru

"Shots Heard in Maputo": Povo no Poder, by Azagaia

Shots Heard in Mozambique Capital. That's the headline today on BBC's Africa website. The substancial price increase of basic goods have spurred Maputo's residents into action, and the riots are now on their second day. The official count is 7 dead and 288 injured, but non-governmental sources have said the death-toll is at 10 and the injured, more than 500.

About two years ago Mozambican rapper and social activist Azagaia wrote and released the 'anthem' Povo no Poder, a song that landed him in the attorney general's office. It's eerie how his lyrics, decrying deplorable living conditions, rising prices in the face of rising unemployment, rampant corruption, and other preventable social ills still hold true today, of all times. And it's the first song that came to mind as the news of the riots in Maputo came through. Regardless of whether or not you understand Portuguese, press play and listen to the indignation.

Povo no Poder

Preços Altos Geram Violência em Mozambique. Esta é a notícia de hoje no website da BBC em português. No mesmo dia em que o governo angolano subiu o preço do combustível em Angola, os residentes de Maputo saíram à rua para protestar, com veemência, a subida substancial de preços de artigos básicos, como o pão, o combustível e a água. Os protestos já vão no seu segundo dia, e oficialmente o número de mortos é 8 e de feridos, 288. Mas outras fontes dizem que já morreram 10 pessoas e que a lista dos feridos já passa dos 500.

Aqueles que seguem o quotidiano de Moçambique sabem que há sensivelmente dois anos, o rapper e activista social Azagaia, na minha opinião o melhor rapper em Moçambique, foi chamado pelo Procurador da República para dar uma explicação acerca da letra do 'hino' Povo no Poder.

"Ladrões, fora! Corruptos, fora!"

É incrível como a letra desta música continua a ser tão relevante. Podia ter sido escrita hoje, em que as ruas de Maputo tremem de frustração e violência.

Isto é Maputo, ninguém sabe bem como
O povo que ontem dormia hoje...perdeu o sono
Tudo por causa desse vosso salário mísero
O povo sai de casa e atira pra o primeiro vidro
Sobe o preço do transporte sobe o,
Preço do pão
Deixam o meu povo sem Norte deixam o,
Povo sem chão
Revolução verde, só vemos na nossa refeição
Agora pedem o que?...Ponderação
Pondera tu, antes de fazeres a merda
De subires o custo de vida
E manteres baixa a nossa renda
Esse governo não se emenda mesmo...NÃo
Vai haver uma tragédia mesmo...SIM
Mesmo...
Que venham com gás lacrimogéneo
A greve tá cheia de oxigénio
Não param o nosso desempenho
Eu vou lutar, não me abstenho

Foi a primeira música que me veio a mente quando começaram a surgir as notícias dos protestos em Maputo. Carrega no play e sente a indignação de quem está no terreno.

Monday, August 30, 2010

Caipirinha Lounge Interview: Conductor, "O Nosso Timbaland"

Foi prometida há uns meses atrás mas não é à toa que o Andro de Carvalho (aka Conductor) é o homem do momento, o productor andava mesmo busy. Segue, na íntegra, a interessante entrevista com o que considero ser o melhor productor angolano, onde o mesmo fala das suas origens pelo mundo do hip-hop, a sua viagem pela experiência do kuduro e a sua explosão mundial, e alguns dos seus futuros projectos. Disfrutem e comentem!

As Origens

Como surgiu a tua relação com a música?

Acho que tudo começou muito cedo, conta a minha mãe que sempre gostei de tocar em instrumentos, guitarra, pianos eléctricos, etc etc etc, mas em termos de compor e tocar mesmo de um modo mais sério foi em 1996 que em Cuba aprendi a dar uns toques de guitarra com um tio.

Como surgiu a sua paixão pelo hip-hop?

Lembro-me por volta de 1993-1994 em Luanda ouve um boom do "eu queria um Ferrari amarelo" do Gabriel o Pensador e a partir dai que fui me sentindo intrigado com essa forma de "falar por cima das melodias". Já havia algum contacto prévio mas mais mesclado no explosão internacional com o "I've got the power" e outras coisas do género mas só prestei mais atenção quando ouvi em português.

Quais foram as suas primeiras grandes influências no hip-hop mundial?

Basicamente não havia muito por onde escolher, naquela altura a praça do Kinaxixi e alguns amigos tinham algumas coisas engraçadas como Snoop, Tupac, Fu-Shnikens e pouco mais do género. Acho que so em 1996 prai é que tive contacto com discos de rap americano, o Luaty (Ikonoklasta) tinha um stock grande e gravava-me algumas cassetes.

E no hip-hop lusófono?

Gabriel o Pensador e SSP acho que foram o primeiro "choque com o rap em português". Depois ouvi Black Company e fui ouvindo pouco a pouco o que se fazia no universo do rap angolano. Não acompanhei muito o desenvolvimento nessa altura do rap angolano porque estava focado noutras coisas mas arrependo-me profundamente.

O Hip Hop

Descreve-nos o teu trajecto dento do mundo do hip-hop angolano?

Bem, depois de vir para Lisboa viver e ja estar mais dentro do movimento e dos "canones" da cultura, acabei por re-encontrar o Luaty (que tinha sido meu colega de escola) e ele me apresentou uma nova face do rap angolano, Mc Kapa, Filhos da Ala Este, Hemoglobina, etc etc etc... Acabei por entrar em contacto com alguns deles e pouco a pouco fui produzindo para alguns destes artistas, eu tinha pouco mais de 1 ano de produção quando fiz metade do disco do Mc Kapa (Trincheira de Ideias) e bem... dai para a frente fui sempre dando o meu contributo quando me fosse pedido, Kid MC, Mc Kapa, Leonardo Wawuti, Keita Mayanda, Phay Grande, Ikonoklasta, etc etc etc

Quando e como surgiu o Conductor como productor e não só MC?

Eu comecei a produzir em 2000-2001, um grande amigo, o Loxe, mostrou-me o Fruity Loops e fui mexendo mais e mais na altura já tocava um pouco de guitarra e fui só misturando o que bem me apetecia com o "como deve soar". Lembro-me de samplar uns desenhos animados manga e me sentir o Madlib português... Hahahhahahaha.. o tempo passa não haja dúvida disso...

Como Mc comecei em 1998, assim que cheguei a Portugal conheci alguns rappers do circuito tuga e comecei a fazer algumas coisas com eles, freestyle, algumas rimas escritas, etc etc.. mais tarde fiz parte de um grupo chamado Nova Trova com uns amigos mas acabamos por nos separar.. A dada altura comecei a prestar mais e mais atenção ao rap que se fazia em Angola, acho que sempre senti mais "espaço para crescer", havia menos "barreiras psicológicas" e o pessoal sempre foi mais dado a experimentação sem usar bases de referencia.

Pensas ser melhor a cantar ou a produzir?

A produzir sem sombra de dúvidas, não acho que seja um mc exímio nem nada do género, acho que me preocupo demais com o quanto a mensagem que quero transmitir vai ser recebida.. e isso acaba por me dificultar o processo de espontaneidade que faz falta para embelezar o flow. No entanto, tenho alguma facilidade a fazer freestyle e acho que talvez ai me sinta um bocado melhor..

Como avalias a tua evolução como productor?

Eu acho que devem ser os ouvintes a decidir isso...

A meu ver, compor ou mesmo produzir é um processo que passa por fazes, no principio queres soar como alguma coisa, depois começas a criar a tua "imagem de marca" e só mais tarde é que percebes o porque não és "ouvido" como querias. Acho que a limitação é só parte da mente, tudo é possível e fazível e acho que nunca me deixei gerir pelas regras que limitam os géneros, hoje em dia estou muito mais concentrado na qualidade de som, mistura e gráficos do que a uns anos atrás mas ao mesmo tempo acho que é mais simples ser ouvido quando soas bem...

Quais são as producções tuas no hip-hop de que mais te orgulhas?

Eu vou te Queixar - Conjunto Ngonguenha
Eu Vou Te Queixar

After Hours - Tekilla
Faz parte do Hustle - Força Suprema

E o rapper com que mais gostas de trabalhar, seja por motivos criativos ou outros quaisqueres?

Há vários tipos de artistas...

o Ikonoklasta tem sempre aquele desafio e aquela ideia complicada que vai demorar a criar mas cujo resultado final vai ser extraordinário. O NGA é sempre aquele mc que me surpreende sempre, é eficiente, tem uma escrita muito fluída e de rápido impacto e tem um tempo de entrega surpreendente.. 15 minutos por som, dobras, adlibs, coro.. é incrível.

Como avalias a qualidade productora do hip-hop lusófono em geral?

Acho que há produtores muito bons e acho honestamente que é o pilar que mais tem desenvolvido nos últimos anos, os beats soam cada vez mais a beats e a mistura vem evoluindo a longos passos. Kilú, Bambino, Sandokan, Aires, Eliei, Sam The Kid, Nave, Marechal têm sem dúvida nível para representar a lusofonia num evento de produção mundial.

Que planos e/ou projectos tens para o futuro como productor?

Projectos ha sempre milhares e milhões.. de momento estou a finalizar um projecto com os Força Suprema, vai se chamar "Faz Parte do Hustle", outra brincadeira com Edu-ZP que é um dos melhores rappers angolanos a meu ver e também um disco com Supremo G que vai se chamar "Regresso ao Futuro"... estes são os que tem andado, porque na gaveta há sempre mais uns tantos..

Conjunto Ngonguenha
Nos os do Conjunto
Como surgiu a ideia do Conjunto?

A ideia do Conjunto apareceu em 2002 entre conversas de internet e ideias idiotas e estúpidas que todos tínhamos em comum. Chamar de Conjunto foi apenas uma forma de não sermos outra crew e ao mesmo tempo de darmos aquele props a geração passada.

Como definiarias o seu propósito e a sua fonte de inspiração?

Acho que de uma forma muito natural nós somos bastante idiotas, passamos a vida a rir e a reparar e reclamar ironicamente da vida que vivemos e das coisas que acontecem a nossa volta. Somos uns realistas estupidamente rappers. Basta passar umas horas connosco para perceber de onde aparecem os temas e de que forma as coisas são escritas, acho que há mais demora na parte da produção, corte-e-costura e montagem do que na hora de encontrar uma fonte de inspiração.

Qual foi a reacção do público ao vosso primeiro CD? Estavas à espera desta reacção?

O público teve uma reacção muito lenta, os meios de promoção na altura eram quase inexistentes e lembro-me de termos vendido 200 copias no dia do lançamento oficial do disco em Luanda. Mesmo em Portugal as coisas não foram muito diferentes, o disco só esgotou efectivamente uns 2 anos depois do seu lançamento e foi quase só ai que nos apercebemos da reacção das pessoas a música, acho que foi um produto difícil de digerir.

A nossa grande admiração foram artistas de meios bastante fora do nosso terem escolhido o disco como disco predilecto do ano e sermos bem recebidos por grupos como os Cool Hipnoise, Prince Wadada, Terrakota, Sara Tavares ou mesmo 1-Uik Project, que dizem ser uma grande inspiração para o trabalho que fazem.

O vosso som ‘É Dreda Ser Angolano’ inspirou um documentário do mesmo nome bastante bem recebido. Será que o seu sucesso surpreendeu-te, ou perspectivavas algo assim?

O projecto foi filmado por nós e acabou por ser editado e lançado pela Fazuma, editora independente do mercado português. Acho que era de esperar uma boa recepção, as filmagens foram feitas de forma a captar o quotidiano angolano e para muitas pessoas ainda é um mito perceber como o pais sobrevive e como muitas pessoas vivem e como os prédios escondem, pisam e soterram os musseques e o modo de vida de muitos cidadãos angolanos. Claro que receber prémios etc etc nunca nos passou pela cabeça, mas é como dizemos, a realidade de uns é o teatro da vida de outros..

Definirias o Conjunto Ngonguenha como um trabalho discógrafico com conotações sócio-políticas?

De certo modo sim mas não me parece que façamos um trabalho direccionado para esse campo. Nós apenas falamos do nosso dia a dia, dos nossos problemas, das nossas cicatrizes de infância etc etc, acabamos por ser críticos e satíricos porque é assim que somos naturalmente, o angolano de forma natural é um "aceitador" e nós somos um pouco mais críticos mas é tudo feito sem esse link directo..

Que planos tens para o futuro do Conjunto? Pensam fazer mais documentários?

Já pensamos, mas como tudo o que acontece com o Conjunto, o tempo e a forma de fazer as coisas é muito nossa... O Conjunto vai começar a se concentrar em fazer um evento em Luanda no fim do ano e em espalhar mais e mais a semente que atiramos na Ngonguenhação.. Ainda temos 2 temas por fazer por isso ainda poderão esperar alguma coisa a passar ai pelo ar..

Buraka Som Sistema
Como tem sido a tua aventura pelo mundo do kuduro? Encontras semelhanças às tuas origens no hip-hop?

O mundo é do kuduro dentro de Angola, para nós da Buraka é o mundo da música electrónica (ou música urbana como chamamos), estamos no mesmo palco que os Daft Punk, Major Lazer, Crookers, MIA, Sinden, Benga.. é apenas diferente, é um mundo de espectáculo altamente direccionado a música de impacto e de dança. Desde o momento que tens mc's com microfones a fazer o público se mexer e vibrar seja que tipo de som seja para mim há uma ligação directa com o hip-hop, afinal a base é a mesma.

Acho que o kuduro hoje em dia representa melhor o quotidiano angolano do que o hip-hop que temos feito. Há mais originalidade e criatividade pelo menos sem sombra de dúvidas e é claro que é a maior expressão cultural que o país tem a décadas.

Como surgiu a idea para o Buraka Som Sistema?

A ideia surgiu no sentido de apresentar as noites Lisboetas a batida que se ouve nos clubes africanos, tudo começou com festas onde Dj Riot e J-Wow faziam de dj e o Kalaf e eu fazíamos de mc's a criar um hippe a volta do som em si. Depois de alguns eventos esgotadíssimos e a pedido do público acabamos por nos concentrar em fazer músicas para ilustrar o que estava a acontecer. E dai foram aparecendo pouco a pouco o Yah, Wawaba, Sound of Kuduro e o Kalemba (Wegue)...

Como defines o som dos Buraka?

Buraka Som Sistema faz música urbana, eu não consigo ver as coisas de outra forma, não vejo muita diferença entre o que nós fazemos (em termos conceptuais) e o que acontece no Baile Funk, o Kwaito, o Sakousse, Reggaetón, Nueva Cúmbia, Baltimore, Grime, Dubstep, Drum'n'Bass, Funky-House... são todos géneros suburbanos começados por miúdos em frente a um computador a tentar misturar o som que ouvem todos os dias com o som que não lhes sai da cabeça...

Qual a avaliação que fazes acerca do sucesso que o Buraka tem estado a granjear pelo mundo?

Há muito trabalho duro por traz do nome Buraka Som Sistema, há muitas noites sem dormir e muitos sacrifícios por parte de todos, há equipas e mais equipas a trabalhar e a bater com a cabeça na parede para fazer com que o plano funcione. Para além disso há a força de vontade dos músicos e da própria banda para que as coisas aconteçam sempre da melhor forma possível, a organização e pensar grande são sempre a base de tudo, é só o que tenho a dizer.

Espanta-te a forma como o kuduro está sendo tão bem aceite mundialmente pelas mais diversas pessoas?

Acho que África é o centro de atenções do que está a acontecer musicalmente dentro da música electrónica a uns 2, 3 anos. Nós simplesmente viemos trazer uma outra face dentro de tudo o que as pessoas tem vindo a ouvir.

A forma como apresentamos o nosso espectáculo é também um grande trunfo dentro do que fazemos, poder ir ao Japão, Russia, México, Estados Unidos etc etc e dar a conhecer as cosias da mesma forma como damos em Portugal demonstra que temos um show forte e isso acaba por se reflectir também no sucesso que temos tido.

Descreve-nos a energia dum concerto dos Buraka? Qual foi a cidade do mundo que mais se rendeu ao vosso espectáculo? E qual foi a cidade em que mais gostaste de actuar?

Cidade do México, Paris e Bélgica são sempre lugares onde um show de Buraka é 300%. O set do concerto é quase non-stop e tem muita coisa a acontecer, acho que é difícil ficar parado (pelo menos é como muitas pessoas o descrevem), o clash entre a bateria e o computador acaba por criar uma vibração sonora muito dinâmica e isso se reflecte na reacção das pessoas aos comandos dos mc's.

Há quem acha que o Black Diamond tem uma mensagem um pouco política. Concordas?

Acho que de um modo indirecto o disco acaba por ser reflexo dos mc's que cantaram nele e tendo um leque tão diverso e tão completo de convidados acaba por ser um pouco mais social que político. O nome parece um pouco tendencioso mas apareceu sem querer sobre a ideia da rocha que pode ser um diamante mas pelo seu aspecto rude não é valorizada por ninguém (um bocado o que acontece com o género kuduro e com outros ao redor do mundo).

Como foi feita a aproximação à MIA? O que ela achou do kuduro dos musseques luandenses, que é diferente do kuduro dos Buraka?

A MIA ligou para o estúdio porque queria ter um kuduro no disco que estava a gravar na altura (Kala) e nós começamos a trabalhar com ela mas devido a um desentendimento de timings o som acabou por não sair, aí nos adaptamos a coisa para o nosso disco e assim fizemos o "Sound of Kuduro". Ela não chegou a ir para Luanda, foi lhe recusado o visto umas 3 ou 4 vezes, no fim de contas usamos umas imagens dela no estúdio e duma viagem que ela fez pela Índia.

Qual o teu som preferido dos Buraka Som Sistema?

Há vários, eu gosto da participação do Bruno M, o "Tiroza", gosto do "Luanda/Lisboa"e o Remix que fizemos do "Make it, Take it" de Amanda Blank

Luanda-Lisboa

Como perspectivas o futuro dos Buraka?

Estamos na fase mais criativa do próximo disco da Buraka e acho que vamos entrar numa onda mais melódica do que de impacto, não gostamos de nos repetir e acho que isso vai se notar um bocado no produto final. Esperamos continuar com os shows no próximo ano e continuar a fazer as pistas tremer com a nossa música.

Conductor the Man

5 MCs que respeitas, em Angola e no estrangeiro?
Angola - Leonardo Wawuti, NGA, Mc Kapa, Phay Grande & Bruno M
Estrangeiro - Drake, Mos Def, Elzhi, Ludacris, The Game

5 artistas que ouves quase que diariamente?
Marcia, The Game, Drake, Irmãos Almeida & Matias Damásio

Album de hip-hop preferido?
The Game - Doctor's Advocate

Album preferido, excluindo o hip-hop?
Márcia – Márcia

Cidade preferida?
Tokyo

Livro preferido?
7 Minutos, de Irving Wallace

Líder mundial preferido, e porquê?
Presidente Gasolina e Príncipe Ouro Negro, porque nem tudo tem que ser político...

Pensamento do dia:
"Morrer é burrice, no caixão faz calor"

Batida

Dance MwangolêAs promised late last week, here's the post on Batida. It all started as a weekly radio show hosted by DJ Mpula on Portugal's Antena 3 station. Batida, as the show was known, focused on African and Afro-inspired urban music, ranging from kwaito to kuduro, dancehall to Brazilian Funk. It didn't take long for the program to turn into an actual project, complete with a CD. DJ Mpula of the Fazuma family and producer Beat Laden teamed up with the cream of the crop of Angola's authentic kuduro and hip-hop scene, including Sacerdote, De Faia, Ikonoklasta, and Bob da Rage Sense, and set about remixing and sampling Angolan classics from decades past (just like Comfusões) into insanely danceable, high energy, brain-warping beats. Pure batida, as the kuduro sold on the streets of Luanda is known as.

Alegria is without a doubt the best song on the Dance Mwangolê album, the first and only album under the Batida banner. It builds up luxuriously before exploding into a cornucopia of vintage, psychedelic, semba-twinged kuduro, accented with an electric guitar of sorts and a humorous loop:

Eu vou dançar com alegria
(I'm going to dance with joy)
A música do gatuno. (The song of the robber).

Turn up your headphones and experience what Luanda sounds like. You can watch the video of the song here. And as much as Alegria is the jam to end all jams on the Dance Mwangolê record, be sure to check out Puxa, another well done track that features Angolan oldies and a bass heavy rhythm.

Alegria
Puxa

Como prometido na semana passada, aqui vai o post acerca da Batida. Tudo começou com um programa de rádio semanal do DJ Mpula na estação de rádio portuguesa Antena 3. Batida era o nome do programa, e procurava divulgar a música urbana africana ou pelo menos inspirada pelos ritmos africanos, tais como o kwaito, o kuduro, o baile funk, o dancehall, e por aí em diante. Não demorou muito para que o programa virasse projecto, com CD e tudo. O DJ Mpula da familia Fazuma e o productor Beat Laden convocaram nomes pesados do mundo do kuduro e hip-hop autêntico de Luanda, como o Sacerdote, o De Faia, o Ikono e o Bob da Rage Sense, e embarcaram na missão de remixar e samplar clássicos angolanos de outras décadas (um pouco como o Comfusões) e transformar-lhes em batidas explosivas, energéticas, fora de série e estúpidamente dançáveis.

O melhor brinde do álbum Dance Mwangolê, o único até agora lançado pelo projecto, é sem dúvida Alegegria. Começa com a simples batida, mas cresce diante de nós a cada momento em que um novo som ou instrumento é adicionado à batida, até que depois ela explode num festival de kuduro psicodélico com sabor ligeiro a semba e uma guitarra tipo eléctrica que veio mesmo a calhar. E o loop:

Eu vou dançar com alegria
A música do gatuno.

Aiué. Levanta o volume e escuta uma faceta de Luanda. Podes até ver o vídeo aqui mesmo. E mesmo sendo Alegria o melhor brinde do disco, apanha mesmo o álbum porque todas as músicas são boas. Incluindo Puxa, também incluída neste post. Outra track com um baixo lixado e um ritmo alucinante.

Batida on Myspace
Batida on baga-baga blog (here you can read more about its history)
Batida is available online on iTunes, Amazon, and even Mondomix

Saturday, August 28, 2010

Reedicão / Re-edition do Lusofonia Electronica Vol. 1

Lusofonia Electronica Vol 1Devido a demanda e a rápida desactualização do link, foi relançada a segunda mixtape do Caipirinha Lounge! Na realidade, finalmente tendo acesso a internet de banda larga que não falha, simplesmente fiz o upload do ficheiro no Filedropper. Para todos aqueles que não conseguiram fazer o download da mixtape, ou que apanharam já o link desactualizado, aqui vai uma segunda chance. Que escutem, que apreciem e que disfrutem.

Abaixo tem o link da mixtape, bem como a ordem da mesma e a informação de cada música. Como qualquer playlist, soa melhor se tocado exactamente na ordem descrita acima. Não hesitem em comentar caso encontrem algum problema com o download.

E fiquem atentos a terceira mixtape...

1. Logo – Leonardo Wawuti, Angola
2. Brada – 1-Uik Project (Various artists), Angola/Portugal
3. Zom-Zom – Elias diá Kimuezo feat. Maurício Pacheco, Angola/Brazil
4. Bondade e Maldade (Yoruba Soul Remix)– Cesária Évora, Cape Verde
5. Pela Janela – Thievery Corporation feat. Gigi Rezende, USA/Brazil
6. Mama Divua Diame – Avozinho feat. Mauricio Pacheco, Angola/Brazil
7. Fuba Experience – Kalaf, Angola
8. Rainha (Mark de Clive Lowe Remix) – Céu, Brazil
9. Terra & Água (Buscemi Remix) – Electro Coco, Brazil
10. Miss Perfumado (4 Hero Remix) – Cesária Évora, Cape Verde
11. Electricidade – Fernanda Porto, Brazil
12. Como Vou Fazer (Dois Irmãos Remix) – Dois Irmãos feat. Mariana de Moraes, Brazil
13. Go Back – Monica Freire, Brazil
14. Rosa Menina Rosa – Céu, Brazil
15. Aí Vem Ele – Luísa Maita, Brazil
16. Ela Disse Assim – Max de Castro, Brazil
17. Olha So Quem Vem La – Soulbreakxtra, Angola
18. Relachtotal – Coca o FSM, Angola
19. Pra Você Lembrar – Max de Castro, Brazil
20. Imagina Só – Coca o FSM, Angola
21. So Com Você – Thievery Corporation feat. Bebel Gilberto, USA/Brazil
22. I’ll Be – Cibelle, Brazil
23. Ato II – Ellen Oléria, Brazil
24. Waiting – Cibelle, Brazil
25. Are You Sleeping – Katia B, Brazil

Download Mixtape here:

Lusofonia Electronica, Vol. 1


Due to the high demand and the quick deactivation of the link, Caipirinha Lounge's second mixtape, Lusofonia Electronica Vol. 1, is again available for download! I finally gained access to high-speed, broadband internet and was able to upload the file again. For all of you that couldn't download the mixtape earlier or caught the link after it expired, here's a second chance. Serve that caipirinha chilled and nourish your soul with some quality music.

Above is the link, the track order, and some information on each song. Like any playlist, this one is best enjoyed if the songs below are played in order. Don’t hesitate to comment if you experience any problems with the download.

And watch this space for the third mixtape...

O que significa a música lusófona para ti? Como a sentes? - Por Ngoi Salucombo, Escritor/Fotógrafo

A diáspora é uma sensação esquisita!

Foi na diáspora que despertei para muitas coisas entre elas a música lusófona, aliás, arrisco mesmo em dizer que para muitos angolanos da minha geração, foi na diáspora que descobrimos a beleza da música cantada e tocada em português.

Com excepção da música portuguesa e alguns pedaços das musicas das novelas brasileiras, lembro que na minha infância, não se ouvia sons de Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique ou São Tome e Príncipe... na Rua Comandante N´zaji, que foi onde nasci e cresci, era apenas a música angolana que fazia parte das nossas vidas... músicos como Mamborro, Lucas de Brito, Clélia Sambo e cotas como Waldemar Bastos, Lourdes Vandúnem ou Mário Rui Silva sempre estiveram presentes lá em casa.

À partir de algumas influências que sempre vou agradecer, foi já na adolescência que descobri os U2, Madonna, Depeche Mode ou a Cyndi Lauper que foi um dos grandes amores da minha vida. Para um país fechado para o mundo como era Angola, o inglês surgiu-nos de alguma maneira como desenvolvimento e talvez por isso, ouvir uma cassete de música no walkmen cantada em português, era sinal de caretisse.

Para um jovem que nunca tinha saído de Angola, a diáspora foi o local de muitas descobertas, e foi nela também, que recomecei a escutar a música angolana. Na altura, Portugal era o ninho dos músicos que não encontravam cá ouvidos que escutassem as suas melodias...da mesma forma que os outros africanos da lusofonia faziam o mesmo com a sua música. Foi lá que pela primeira vez ouvi o Manecas Costa...foi na diáspora que conheci os Boy Gé Mendes e foi por lá também, que descobri que o Leandro e Leonardo não significavam música brasileira.

Infelizmente, foi com a distância que valorizei muito do que me é próximo, talvez por isso, hoje me sinta confortável em assumir que seria outra pessoa se nunca tivesse conhecido as vozes do outro lado que também são minhas... vozes como Seu Jorge, António Variações, Princezito, Sara Tavares, Cibelle, Gabriel Tchiema e tantas outras, que hoje, nos misturam e nos unem, mesmo que insistimos em não acreditar.

Este texto foi escrito sem o acordo ortográfico e ouvindo Aurora, com Waldemar Bastos e The London Symphony Orchestra

About Ngoi Salucombo:

Nestas andanças pela blogosfera angolana deparei-me com o oásis que são o Attelier das Mangueirinhas e o Portfólio Photografico, ambos do mano Ngoi. Descobri que somos os dois incorrígiveis apaixonados pela música, e nesta base a amizade surgiu naturalmente. Era constante vê-lo em actividades musicias em Luanda, tal como no concerto dos Afrologia no Elinga ou os Ecletismos Poéticos do Bahia. Colaboramos também na divulgação do Jazz Festival na blogosfera, eu com posts acerca dos artistas e ele com fotos dos cartazes dos mesmos espalhados por Luanda. Váris fotos do Ngoi também iluminam este espaço. Para os mais interessados, é possível apreciar as obras dele aqui, e ler o seu livro de contos aqui. Obrigado por este post, mano Salucombo!

Caipirinha Lounge Cinema: Alegria, by Batida

It's impossible to listen to this jam sitting down. Damn! Psychedelic kuduro with traces of semba. It's like Angola itself was sampled for this hell of a beat, and it's image of beautiful chaos captured on film. The post about Radio Fazuma's Batida Project is coming soon...watch this space! And here's to a Saturday morning as happily explosive as Alegria.

Batida - "Alegria" from Fazuma on Vimeo.

É impossível ouvir isso sentado. Fogo! Kuduro psicodélico com traços de semba. Angola samplada num só som, e a imagem a espelhar o carnaval Luandense. Vem aí o post acerca do Projecto Batida dos manos da Rádio Fazuma, do qual sou um 'ganda fã'. Que tenham um sábado tão cheio de energia como a que esta música e vídeo transmitem. Mantenham-se sintonizados!

Luísa Maita Remixed

What a beautiful story she has become. I first featured Luísa Maita back in June, before her CD was released by Cumbancha Discovery. Since then, Luísa's music has exploded in popularity among lusophone music lovers, 'world music' fans, and the public in general. Evidently, I wasn't the only one to be enamored by her sultry voice and her exciting musicality. The girl from São Paulo reached #1 on iTunes Latin charts, #1 on Amazon Latin bestseller charts, and American NPR (National Public Radio) called her the "new voice of Brazil." I've devoured her debut album and cannot wait for more from one of the most talented singer/songwriters to have emerged from Brazil in the past couple of years, which is no small feat.

Today was Luísa's release show for her debut album, in her hometown of São Paulo. The fans' loving reception confirmed her status as a promising star in Brazil's ever evolving music scene, and the Lounge is glad to have played even the smallest part in her budding success. One of her most loved tracks, Fulaninha, has been remixed by the American but born again Brazilian artist Maga Bo, who will soon have a dedicated post here at the Lounge. It's available for your listening pleasure below. Bem haja Luísa!

Fulaninha (Maga Bo Remix)

Que linda história ela tem se tornado. A primeira vez que falei da Luísa Maita foi em Junho, ainda antes do label Cumbancha Discovery ter lançado o seu álbum. Desde então, a popularidade da Luísa tem disparado entre os amantes da música lusófona, os fãs da 'world musci', e o público em geral. Pelos vistos não fui o único, nem de longe, a se apaixonar pela sua voz caramelizada e a sua musicalidade irreverente. A cantora de São Paulo conseguiu atingir posição #1 no iTunes Latin charts, #1 no Amazon Latin best-seller charts, e a rádio americana NPR (National Public Radio) descreveu-lhe como "a nova voz do Brasil." Já ouvi o seu CD vezes sem conta, e espero com ansiedade o seu próximo trabalho, seja lá o que for. Estamos na "presença" de um dos maiores talentos a emergir do Brasil no último ano.

Hoje, em São Paulo, foi o show do lançamento do seu álbum. A recepção calorosa dos seus fãs confirmam o excelente momento desta cantora e reafirmam o seu estatuto como uma das promessas da música contemporânea brasileira. O Lounge está orgulhoso por poder ter contribuído para o sucesso das mais pequenas das formas. Uma das suas músicas mais circuladas, o Fulaniha, já foi remixada pelo americano (mas com alma brasileira) Maga Bo, que será destacado neste espaço em breve. Pode ouvi-lo acima. Bem haja, Luísa!

Luísa Maita's Official website
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...